Down
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Então vamos lá...
POV — Gil
No dia seguinte minha sala parecia mais fria e vazia. Minhas olheiras não deixavam passar desapercebida a noite mal dormida.
Preferi evitar ouvir qualquer comentário do resto da equipe. Fechei as persianas da janela para que nenhuma claridade entrasse. Me deitei no sofá e fechei os olhos. Não conseguiria me manter de pé por muito tempo naquele estado.
POV – Catherine
Fui trabalhar a contragosto. Não queria nem pensar o quão perto estaria de Gil.
Não pude dormir à noite. Meus pensamentos intensos e confusos, não permitiam que o sono se aproximasse. Mas passar a noite acordada havia sido bom em um ponto: tomei uma decisão. Poderia não ser a decisão mais inteligente de minha vida,mas era a única que encontrei no momento. Tinha que pedir demissão. Não poderia trabalhar ao lado do único homem que não queria ver no mundo. Pediria uma carta de recomendação e procuraria outro emprego. Ou melhor: me dedicaria aos cassinos herdados de Sam.
Ao entrar no departamento me deparei com Nick que logo me perguntou:- O que aconteceu ontem? Você saiu tão apressada...
– Nada demais. Apenas uma emergência com Lindsey. Problemas no campus – menti. _ Mas tudo já foi resolvido. Confiava nele, mas não achava o momento oportuno para que soubesse daquelas coisas. Não queria remexer ainda mais naquele passado que me causava tanta dor. Além do mais, todos estavam felizes com a volta de Grissom. Não estragaria aquele momento.
Estava sentada em minha sala quando Ecklie chegou. Corri em sua direção:- Preciso conversar sobre um assunto muito importante – disse.
Ele me encarou com uma expressão séria. — Venha até minha sala – falou depois de pensar alguns segundos e foi andando sem verificar se o seguia.
Entramos em sua sala. Ecklie se sentou e fiz o mesmo à sua frente.
– E então... – ele começou, não disfarçando a pressa em tratar do assunto.
– Bem, eu queria me demitir – disse de cabeça baixa. No fundo não queria, mas tinha de fazê – lo pelo meu próprio bem.
– COMO? – ele pareceu não acreditar. – Por que, Willows?
– Problemas pessoais, Conrad. Sinto, mas prefiro não dizer.
– Logo agora que você está em um ótimo cargo? – indagou.
– Não tenho outra escolha.
Ecklie me encarava enquanto refletia sobre algo que não consegui imaginar. Entrelaçou os dedos com ar muito misterioso. — A decisão é sua. No entanto, terá que falar com Grissom. Ele é quem dá a última palavra.
Ia discutir, mas preferi me calar para não levantar suspeitas de que ele era a razão do meu pedido de demissão. Concordei com acabeça.
– Pode subir. Ainda é assistente dele.
Me levantei e fui até o elevador. Infelizmente, a porta logo se abriu. Sozinha ali, apoiei – me em um espelho esperando que ficasse horas dentro daquele elevador para não ter que encarar Gil. Escutei um baixo apito e a porta se abriu de novo. Caminhei pelo corredor até ficar frente à porta da sala dele. Bati uma vez e não ouvi resposta. Bati mais uma vez e nada.
Me lembrei do dia anterior com pesar. Só o que faltava era ter outra surpresa. Talvez dessa vez encontraria Sara por lá. Sacudi a cabeça tentando abandonar aquele pensamento e encostei o ouvido na porta. Não escutei nada. Resolvi entrar.
Abri a porta e nenhum sinal dele. Estranhei e entrei, fechando a porta em seguida. Fui até sua mesa e vi somente sua maleta e diversas papeladas. Olhei para o lado e me surpreendi ao vê – lo deitado no sofá.
Aproximei – me e confirmei que ele estava dormindo. O jeito como seu peito subia e descia com a respiração lenta e pesada parecia me hipnotizar. Imaginei o quanto seria bom voltar a abraçá-lo, tocá- lo, apoiar a cabeça sobre aquele peito como fiz inúmeras vezes.
Não poderia. Não poderia senti – lo novamente. Me lembrei do motivo porquê estava ali. Afastei – me um pouco e tossi algumas veze até vê – lo se mexer. Quando vi que ele começou a se despertar, disse num tom seco:- Você tem um minuto?....
Pov — Grissom
Ao escutar sua voz, me levantei assustado. Meu coração bateu rapidamente. Jamais esperei ver Catherine nessa sala, nesse momento. Só sua presença era suficiente para que todo meu corpo se agitasse.
Ficando de pé, encarei – a muito surpreso e desconfiado.
– Preciso conversar com você – ela repetiu muito séria tentando parecer fria.
– Fale... – não pude esconder um fio de esperança que escapou de meu tom de voz.
– Quero lhe avisar que estou me demitindo.
– Como?! – a fitei como se não estivesse entendendo. Me aproximei – Pode repetir?
– Estou me demitindo! – ela disse sem paciência. – O que não entendeu?
A encarei balançando a cabeça negativamente. Fui até minha mesa e me sentei em minha cadeira. Estendi a mão pedindo que ela fizesse o mesmo. Ela o fez tentando se manter o mais distante possível.
– Eu só quero uma carta de recomenda...
– Você parece não pensar, não é Catherine? – a interrompi –E você acha que vai para onde?
– Ainda não me decidi. Talvez NY ou o FBI.
– Você não vai a lugar nenhum! – inclinei o corpo para frente. Estava realmente irritado. – Você está de infantilidade porque não quer ficar perto de mim e não tente negar.
– Eu não vou negar. É verdade o que disse. Não quero ficar perto de você.
– E vai pagar suas contas com o quê? Se alimentar de quê? Pagar a faculdade de nossa filha Lindsey como? Com o seu orgulho?
Pov — Catherine
O encarei com ódio. Senti que o ar saía com dificuldade dos meus pulmões. Torcia os dedos desejando dar um soco naquela mesa ou em sua cara.
– Em primeiro lugar: não existe nossa filha. Ela é MINHA filha e somente minha! E em segundo: posso me virar. Já faz muito tempo que já não trabalho por dinheiro e se ainda fôssemos amigos como sempre fomos, saberia disso.
– Sei que herdou tudo de Sam. Mas sei também que você tem amor a sua carreira. Trabalharia de graça, se preciso. Ama o que faz. E esse é o maior laboratório de criminalística do país. Você não se contentaria em trabalhar no segundo ou terceiro melhor. Seja um pouco mais coerente,Catherine. Você precisa desse emprego para se sentir bem. Seria capaz de prejudicar sua vida por um orgulho bobo?
Abaixei a cabeça encarando meus sapatos. Jamais desejaria aquilo. Meu ódio aumentou ainda mais ao ver que aquele homem estava conseguindo me convencer a ficar.
Levantei o olhar cheio de lágrimas e o fitei.
– Eu te odeio... – gemi derrotada ao ver que tudo o que havia planejado desabava.
– Continue me odiando então, mas não vou permitir que faça uma burrice por minha causa.
– SE eu ficar, só nos falaremos para resolver assuntos relacionados ao trabalho e apenas isso. Estou sendo suficientemente clara?
– Sim – ele riu debochado.
Levantei da cadeira e já ia me dirigindo a porta quando me lembrei de algo. — E outra coisa que quero repetir para não ter problemas mais tarde. Não tente se aproximar de Lindsey. E não existe NOSSA filha. Existe MINHA e somente MINHA.
Foi a vez dele se levantar da cadeira. Parou muito próximo de mim. Rostos quase colados.
– E ela não tem pai? Nasceu sem a participação, sem a ajuda de nenhum homem? – indagou sarcástico. – Sendo uma cientista, você sabe que isso é impossível.
– Mas ela teve um pai. Um pai que morreu há muitos anos. Afirmei com toda minha fúria e sai deixando – o sozinho e ainda abalado com o que ouvira.
Notas finais
Beijos e obrigada por tudo.
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