Down
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Vamos a continuação desse encontro?
POV – Grissom
Senti que ela começava a se render e me aproximei mais. Nossos lábios estavam a centímetros de distância. Podia sentir sua respiração pesada.Recordei os encontros com ela no passado. Jamais vivi uma época tão feliz quanto aquela.
Não podendo mais resistir, levei meu braço em volta de sua cintura numa tentativa de aproxima – la de mim.
POV – Catherine
Tentava me afastar, mas não conseguia. Não tinha forças ou controle de mim mesma ao estar tão próxima dele. Percebendo que ele iria me beijar, fechei os olhos, pronta a me entregar, mas a imagem de Lindsey (nossa filha) veio em minha mente como um raio. Fora o suficiente para empurrá- lo longe.
Ele, surpreso, me encarou confuso. — Eu não posso... – disse pesarosa – Não depois de tudo o que você me fez.
Flahsback – Nascimento de Lindsey
A dor era terrível. Eu estava assustada –exatamente isso – Não conseguia assimilar o que realmente estava acontecendo. Meu corpo rejeitava a dor e eu era tomada por contrações repetidas vezes. Minutos de agonia, medo,raiva, desespero.
A realidade me assustava. A realidade era clara e me trazia a sensação de estar sendo arrastada por um trem, serrada ao meio,mordida por um cão, picada por abelhas, tudo ao mesmo tempo. Meu corpo se contorcia e não conseguia raciocinar direito. Mas eu sabia que algo mais importante estava por detrás de tudo aquilo. Minha linda filha estava a caminho. Meu bebê amado. Aquela por quem aceitei todo tipo de humilhação,rejeição, aborrecimentos.
Naquele momento, nada mais havia sentido. Sabia que a cada momento que as dores aumentavam, ela estava mais próxima de mim. Meu único sofrimento era o fato de Gil não estar por perto acompanhando aquele momento mágico que era a chegada de nossa filha.E a sensação de abandono era mais angustiante quando via as outras mães acompanhadas de seus maridos e familiares.
Eu , mais uma vez, me encontrava sozinha...Eddie havia sumido há três dias, levando todo o meu dinheiro. Se não fosse por Laura, Lindsey teria nascido no meio da rua, já que não tinha ninguém em casa quando as contrações começaram.
Decidi que também não procuraria minha mãe, uma vez que a mesma nunca aceitou minha gravidez,chegando até a sugerir que a interrompesse. Mais uma vez estava abandonada a própria sorte – pensei – e em resposta aos meus pensamentos,dentro de mim, algo se moveu. Lágrimas romperam por minha face.
Fui levada a sala depré – parto. Todo o procedimento foi feito. Em dado momento, as dores aumentaram. Era como se partes de mim despedaçassem. Mais dor...Fui levada a sala de parto. Anestesiada. Alguma coisa afiada me cortou. A dor cedeu.Quanto tempo havia se passado? Eu não sentia mais nada.Onde estaria Gil?
Enquanto me perdia nesses pensamentos, Dr. Watson disse: — Seja bem vinda,querida!
- Lindsey! — senti um momento de choque. E, depois, uma onde de ternura. Sussurrei: — “Me deixe vê – La.”
A luz refletiu as mãos do Dr. Watson cobertas por sangue. Alguma coisa pequena se debatendo. Ele a colocou em meus braços. Meus olhos a focalizaram e eu pude realmente vê – La.
Lindsey não chorou, os olhos incrivelmente azuis arregalados. Parecia assustada. A cabecinha coberta por finos cabelos loiros. Tornei a perceber seus olhos, incrivelmente familiares. A pele clara, bochechas rosadas. Seu rosto tão perfeito e olhos azuis me deixaram atordoada. Ela era linda!
- Lindsey – sussurei –Te amo, minha filha! O rosto inacreditável e os olhos curiosos me encararam e de repente me veio a imagem de Gil. Ela era igual ao pai. Um retrato esculpido. Então, veio dor de novo, um golpe único, certeiro. Eu arfei. De repente, tudo o que havia passado com ele, retornou com força total a minha mente.
Me lembrei do nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo, a primeira vez que fizemos amor, o tempo que passamos juntos... Mas com os bons momentos, vieram os ruins: sua covardia, seu desprezo, a escolha do trabalho a mim, nosso adeus...
Por um instante, tive raiva daquele lindo bebê nos meus braços. Era como se ela fosse culpada por tudo.A mágoa cobriu meus olhos e todo o meu ser. Um peso e uma dor esmagadores. Queria me entregar aquele sentimento. Era cansativo lutar contra aquilo. Se fosse apenas por mim,não teria sido capaz de lutar, mas agora não era somente eu.
- Lindsey! – falei baixinho – Minha vida e a dela entrelaçadas. Esqueceria tudo aquilo e seria forte por ela. E, naquele momento,com ela em meus braços, resolvi que seria uma mulher diferente. Viveria por ela, lutaria por ela. Perdoaria, por ela.Aquela coisinha pequena em meus braços. Eu a apertei contra o peito. Agarrando – me com firmeza à minha filha eu sabia que seria capaz de lutar.
Fim de Flashback.
- Mas, Catherine...
- Não! Eu não quero me iludir novamente com você. – Me levantei do sofá e caminhei até a porta.
- Quero que você vá embora!
POV – Grissom
Sempre desconfiei que houvesse motivos maiores por Catherine me rejeitar por tantos anos. Nunca acreditei que o motivo de sua magoa era ofato de tê – la trocado pelo trabalho, anos atrás. Balancei a cabeça encarando minhas mãos. De repente, lembrei – me de Lindsey. Não entendi o porquê, mas imaginei se ela não estaria de certa forma envolvida naquilo. Me lembrei das vezes que vi Lindsey correndo pelos corredores do laboratório. Bonita, radiante. Revi na mente as vezes que a menina corria para meus braços me abrindo um sorriso gigantesco ao ver – me. Tentava encaixar todas aquelas informações, como se fossem peças de um quebra cabeças. O olhar daquela criança, seu sorriso, a forma como sempre fora encantado por ela e vice versa.Todas aquelas cenas que havia vivido nos últimos anos surgiram em minha mente como flashes.
Tudo parecia fazer sentido. Lindsey só poderia ser minha filha, não podia acreditar. Precisava confirmar, tinha que ter certeza.
- Me diz só uma coisa – comecei – Lindsey é minha filha, não é?
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