Doux Poison

1 Primeira dose


Notas iniciais
Faz muito tempo que não escrevo nada para publicar, estou tentando novamente, espero que gostem!

Eu não sei o que eu estava fazendo naquele bar. Não sou o tipo de garoto que, como diz Ethan, “sai e vai pegar umas gatinhas”. Não que eu não quisesse, mas não conseguia. Bem, o foco não é esse, o importante é que eu fui. Sentei-me na banqueta do bar e comprei uma garrafa de cerveja enquanto olhava o pessoal lá. Foi nesse momento que ela passou por mim. Uma garota exageradamente linda. Cabelos pretos, longos e ondulados soltos pelas costas, olhos verdes marcados pela maquiagem forte, boca carnuda exibindo um sorrisinho presunçoso e pele clara imaculada. Estava usando um vestido vermelho cor de sangue, justinho. Eu devia estar com a expressão mais ridícula do universo, pois ela me encarou e deu uma risadinha, indo para o outro lado do bar.

-Ei, Norman, limpa a baba — Disse Ethan rindo da minha cara. — Ta escorrendo.

-Cala a boca, olha pra ela. –Suspirei.

-Vai falar com a garota então. –Respondeu.

Eu não sei como o desgraçado do japa conseguia falar com qualquer uma, não importa o quão obviamente impossível ela fosse, o que era o meu caso.

-Não... Não sou fã de levar foras em público que nem você.

Ele riu e saiu para falar com alguma outra menina, sei lá, não prestei atenção. Tentei olhar a garota de forma mais discreta possível, mas a medida que ela foi tomando um shot atrás do outro eu parei de me preocupar com isso. Ela ria, tropeçava, então ria mais ainda. Eu estava me divertindo com o "espetáculo" que ela estava apresentando a todos no local, até que a garota se apoiou na cadeira e começou a vomitas. Em seguida os joelhos pareceram enfraquecer, então caiu e vomitou mais um pouco. Um cara se levantou da mesa e se ofereceu para leva-la para casa. Devia ter pouco mais de 1,80m de altura, provavelmente já havia passado dos 25 anos. Isso estava estranho.

-Você a conhece? – Perguntei.

- Conheço, sai daqui garoto. –Ele me empurrou para o lado, me tirando do caminho, então tentou pegá-la no colo, mas eu o afastei.

-Conhece de onde? – Eu estava ciente da minha voz tremendo, mas estufei o peito e tentei fingir que estava confiante.

-Vai cuidar da sua vida.

Era mais do que claro que ele não a conhecia. Eu tentei conversar com o cara, mas ele só queria tirar a garota de lá. Quando o vi cerrando os punhos, soube que a paciência dele havia acabado e eu estava prestes a apanhar. Eu já havia criado a maior cena e sabia que ia sair muito mal de qualquer jeito, então me lembrei de um conselho barato que ouvi em algum lugar.

“Dê o primeiro soco e dê forte”

Acertei o rosto dele o mais forte que pude com os nós dos dedos. O cara ficou atordoado durante alguns segundos, tempo suficiente para um circulo se formar a nossa volta. Assim que ele voltou a focar em mim, acertou um golpe na lateral da minha cabeça e outro no maxilar. Recuei alguns passos cambaleando, meio tonto. Tentei atingi-lo mais uma vez, mas minha mão passou de forma cômica ao lado do rosto dele. Levei uma rasteira e senti minhas costas atingirem o chão com uma pancada. Em seguida senti uma série de socos em meu rosto, mas nesse ponto eu já estava dormente. Ouvi a voz da garota embriagada gritando que o homem parasse, mas alguém a tirou de lá, pois tinha voltado a vomitar.

-Polícia! Eu quero os dois com as mãos na cabeça agora! –Ouvi uma voz familiar gritar. Suspirei aliviado, era o pai de Ethan. Eu estava ferrado, mas pelo menos não ia morrer na base da porrada.

Aquela noite acabou em mais duas horas na delegacia contando o que aconteceu para o delegado. Eu fui liberado, apesar de ter começado a briga, por ser de menor, por aparentemente ter um motivo e porque eu apanhei muito mais. Não era pra dar em nada, mas Ethan havia ligado para o próprio pai para acelerar a vinda da polícia. Sendo assim, meus pais souberam da briga e me proibiram de pegar o carro de novo. Ok, tudo bem, eu vou viver. Pelo menos não fui preso que nem o cara. Com os meus inúmeros hematomas, concluíram que eu fui assaltado. Ethan decidiu então espalhar para a escola toda sobre como eu defendi uma garota indefesa e briguei com um cara enorme. Ele não falou nada sobre ter chamado o pai dele para me salvar ou o fato de eu não ter deixado um arranhão no desgraçado, afinal isso é o que amigos fazem, não falam o quão péssimo em brigas você é.

Ignorei isso, fiquei com medo que a fama de 15 segundos me trouxesse mais algum conflito, o que não seria nem um pouco justo quando eu ainda estou com o rosto deformado. Sentei numa mesa mais afastada durante o almoço, esperando justamente me esconder. Vi que minha tentativa de virar uma toupeira não deu certo quando uma menina sentou ao meu lado.

-Então você é o garoto de quem estão falando? –Ela disse com uma risadinha.

-Na próxima vez coloco um saco de papel na cabeça... –Falei desanimado, remexendo a comida.

-Desculpe se estou incomodando. Eu só queria agradecer. – Congelei e ergui os olhos devagar. Ela estendeu a mão para apertar a minha. – Sophie. A garota que você ajudou no bar.

Fiquei alguns segundos encarando-a. Estava diferente da noite no bar, mas eu ainda via o sorriso desafiador dela. Hoje os cabelos dela estavam amarrados em um coque bagunçado, a maquiagem era leve, ela vestia uma blusa solta azul com calças pretas e... Bem, não estava bêbada. Depois dos meus segundos estúpidos eu voltei a mim e ri.

-Não foi nada, eu só...

-Eu vi você me olhando a noite inteira. Eu lembro. Também lembro que você perdeu feio naquela briga. Eu não vou contar pra ninguém, só não quero que você venha todo convencido pra cima de mim.

-Eu não ia fazer isso. E... Desculpe por ter encarado. Você estava linda. – Eu senti minha voz sumindo. Merda. Então ela riu, bom sinal.

-Tenho certeza que mesmo naquele estado eu ainda lutaria melhor do que você, mas talvez eu esteja errada, então... Obrigada por me salvar. Você foi muito corajoso por apanhar por mim. Talvez a gente deva sair algum dia, então você pode me pagar a cerveja que não teve coragem de pagar naquela noite. –Anotou o numero na minha mão, levantou-se e saiu enquanto um sorriso idiota se formava em meu rosto.

Notas finais
Por favor, me digam o que acharam :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.