Doux Apollo et sa muse
26 Chapitre Vingt-Six
1 mês depois
Naquela manhã, Esme acordou se sentindo vigiada. Ela se espreguiçou e abriu os olhos, dando de cara com os orbes azuis de Enjolras.
“Bom dia.” Ele murmurou. Esme sorriu e coçou os olhos, bocejando.
“Bom dia.”
Ela se sentou na cama, tremendo ao sentir o vento frio da manhã em seu corpo nu e se cobrindo com o lençol até o pescoço. Enjolras deu uma pequena risada.
Esme não podia deixar de admirar o rapaz, os cabelos soltos e bagunçados formavam pequenas ondas douradas, como dunas de areia no deserto. Seu peito pálido quase como feito de mármore brilhava na luz que entrava pela janela. Era quase uma honra poder acordar todo dia ao seu lado.
Esme teve que resistir a tentação de tocá-lo.
“Agora eu sei como é dormir com um deus” Riu. Enjolras sentou-se também, corando um pouco.
“Sou dificilmente um deus.” Respondeu, ajustando o lençol para que lhe cobrisse a nudez. Esme colocou uma mão sobre a sua, o impedindo de subir ainda mais o tecido.
“Não precisa se esconder. Já falamos sobre isso.” Disse em um sussurro. Desde a primeira vez que consumaram o casamento, Enjolras estava lentamente se acostumando a expor seu corpo para a esposa.
Ele revirou os olhos e Esme deu um sorriso malicioso.
A menina se levantou e sentou-se no colo do rapaz, o lençol jogado para o lado. Enjolras a olhou nos olhos, tentando evitar olhar para seu corpo, os seus braços permaneciam firmes ao seu lado e a menina os colocou em sua cintura. Aos poucos Enjolras foi relaxando.
“Desculpe, eu ainda não estou acostumado com isso.” Ele disse. Ela lhe deu um singelo beijo na ponta do nariz.
“Então, o que achou desta vez?” Perguntou curiosa. Enjolras ainda tímido, deu de ombros.
“Bom, eu acho.” Esme se fingiu ofendida.
“Acha? Você pareceu ter gostado bastante.” Levantou uma sobrancelha, o fazendo corar novamente.
“Foi mais do que satisfatório. Excedeu minhas expectativas.” Disse. Esme riu.
“Falando assim parece os professores da Sorbonne.” Fez cara de nojo. Enjolras a beijou. Esme rapidamente correspondeu, enroscando os braços no pescoço do rapaz. Isso pareceu dar um sinal para que ele continuasse e rapidamente ele inverteu as posições, a deitando na cama e ficando por cima. Esme deu uma gargalhada enquanto Enjolras enchia seu rosto e pescoço de beijos.
“Eu poderia ficar aqui o dia todo.” Disse, suas pupilas estavam dilatadas e os cabelos mais desarrumados do que antes. Ele se abaixou para beijá-la novamente, porém batidas na porta o interromperam.
“Monsieur Enjolras, Madame Esme?” Soou a voz de uma criada do outro lado da porta. Os dois se separaram e se cobriram assim que a moça abriu a porta, enfiando a cabeça dentro do quarto.
“Perdão pela intromissão, mas há uma visita para os senhores.”
O casal se entreolhou, pois não se lembravam de ter convidado ninguém para visita-los.
“Tudo bem, pode avisar que já estamos descendo.” Disse Enjolras. A empregada se retirou e o casal se levantou da cama e começaram a se vestir.
“E eu que pensava que poderia ficar o dia inteiro na cama descansando.” Murmurou o rapaz enquanto penteava os cabelos e os prendia com uma fita.
Esme foi até onde ele estava, em frente ao espelho e o abraçou por trás, dando um beijo em sua bochecha.
“Nós dois sabemos que a última coisa que queria fazer nesta cama é descansar.” Riu.
Os dois terminaram de se arrumar e desceram as escadas de mãos dadas. Foram até a sala de estar, e ali encontraram a visita.
“Marius!” Esme disse, correndo até o irmão e o abraçando. Eles não se viam desde o dia do casamento.
“Esme! Senti sua falta.”
Marius agora não usava mais muletas, porém ainda mancava um pouco e sentia algumas dores ao ficar de pé por longos períodos de tempo.
“Como esteve? Vejo que está melhor” Disse enquanto olhava o rapaz. Marius riu.
“Cosette tem cuidado muito bem de mim.”
Enjolras, que permanecia calado até o momento, andou até Marius e o cumprimentou com um rápido abraço.
“A que lhe devemos a visita? Algum assunto importante?” Perguntou. A expressão de Marius mudou um pouco, porém ele manteve um pequeno sorriso.
“Ah, algumas notícias apenas, grande parte do motivo da minha visita é apenas para matar a saudade e ver se estava tudo bem, vocês não têm saído muito.” Comentou.
Era verdade, no último mês Esme conseguia contar nos dedos as vezes que havia saído de casa com Enjolras. Eles estavam tentando ao máximo aproveitar a vida de recém-casados na privacidade de seu lar.
“Se é assim, porque não tomamos um café da manhã primeiro? Desculpe, mas não esperávamos visitas e perdemos um pouco a hora de acordar.” Se desculpou a menina, liderando o caminho para a sala de jantar onde a refeição já havia sido posta.
Os três comeram em silêncio, de vez em quando trocando olhares e pequenos sorrisos. A menina pode ver nos olhos do irmão que ele estava ansioso com alguma coisa. Assim que terminaram a refeição, foram para a sala de estar.
“Então, quais são as notícias?” Perguntou Enjolras, se sentando ao lado de Esme no sofá. Marius sentou-se oposto ao casal em uma poltrona, esfregando as palmas das mãos nervosamente nas pernas.
“Bem, Cosette e eu, nós iremos nos casar.”
Esme cobriu a boca com as mãos, surpresa e se levantou, indo até ele e o abraçando.
“Isso é ótimo Marius! Parabéns!” Disse lhe beijando a bochecha. Enjolras também foi até o cunhado e lhe deu um abraço amigável.
“Parabéns, para quando podemos esperar os convites?” Perguntou o loiro lhe dando um tapinha nas costas. Marius sorriu, corado.
“Obrigado, hm, nós ainda não definimos datas, porém estamos contando com a cerimônia no meio do outono” Disse.
O trio então começou a discutir planos para o casamento de Marius, ele queria que fosse algo menos grandioso do que o de Esme e Enjolras, ainda mais porque Esme já estaria aparentando mais a gravidez e uma moça grávida não era bem vista em público, pelo menos não pela aristocracia. E para Marius, a presença da irmã naquele dia tão especial era indispensável.
“Mas eu não vim apenas para contar estas novidades.” Falou abruptamente.
O casal franziu as sobrancelhas.
“Esme posso falar com você em particular?” Perguntou à irmã. Enjolras segurou a mão da menina de forma protetora, mas ela lhe acariciou o braço, como se dissesse que estava tudo bem. Enjolras relutantemente assentiu com a cabeça e se retirou da sala, deixando os irmãos sozinhos.
“O que foi?” Perguntou Esme. Marius coçou o pescoço.
“É sobre Grantaire.”
A menina gelou, recordando da conversa que havia tido com o mesmo durante a festa de casamento.
“O que tem ele?” Perguntou.
“Eu estive com Courfeyrac esses dias, ele comentou que Jehan lhe havia contado que após seu casamento Grantaire apareceu na porta de sua casa completamente bêbado.”
Esme sentiu seu coração pesar. Grantaire havia prometido parar de beber. Ela passou as mãos pelos cabelos, nervosa.
“Ele estava acabado, e aos prantos contou que iria embora de Paris.” Marius disse cautelosamente para não deixar Esme nervosa, emoções fortes não fariam bem para o bebê.
“Eu sei.” Ela respondeu.
Marius fez uma expressão de surpresa misturada com confusão.
“...Sabe?”
Ela suspirou.
“Ele me contou na festa que havia recebido uma proposta para ir para Bourges. Que achava melhor se afastar.”
“Jehan disse que ele não tem respondido nenhuma das cartas que ele tem enviado. Ele está preocupado.” Continuou Marius.
Esme esfregou os olhos como se assim conseguisse impedir lágrimas de caírem.
O rapaz se levantou da poltrona e se sentou ao lado da irmã, a abraçando de lado.
“Às vezes sinto como se tudo fosse minha culpa. Não consigo ter paz.” Desabafou para o irmão. Marius lhe acariciou o braço.
“Isso não é verdade Esme, não seja tão dura consigo mesma.”
Ela respirou fundo e de repente teve uma ideia.
“E se...eu for atrás dele?” Perguntou. Marius a olhou incrédulo.
“O que...Esme você está grávida!”
Ela revirou os olhos, se levantando abruptamente.
“Estou grávida, não doente. Eu posso fazer isso. E não vou sozinha.”
Marius apenas deu de ombros, sabendo que não adiantava discutir com a menina quando ela enfiava uma coisa na cabeça.
A menina rapidamente saiu da sala, o irmão lentamente a seguindo. Ela esbarrou em Enjolras no corredor, quase o derrubando com a rapidez pela qual passou. Ela foi até a cozinha onde uma das criadas da mansão se encontrava.
“Consegue arranjar uma carruagem para Bourges ainda hoje?” Perguntou, sem ar. Enjolras rapidamente surgiu ao seu lado, confuso.
A empregada assentiu com um pequeno sorriso e se retirou.
“Bourges? Quem vai para Bourges?” Perguntou Enjolras, como se ela estivesse louca.
“Nós dois.” E saiu andando em direção ao seu quarto para colocar roupas mais apropriadas para uma viagem. Enjolras a seguiu.
“Nós? Porque?” Perguntou, parando na porta do quarto.
“Para visitar Grantaire.” Disse a menina, fechando a porta para se trocar, deixando Enjolras encarando a porta.
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