Doux Apollo et sa muse
1 Chapitre Un
Notas iniciais
Esme acordou com o som de gritos, toda manhã era assim. Seu irmão Marius e seu avô Gillenormand discutiam praticamente todos os dias, umas três vezes por dia. E isso já estava acontecendo há uma semana.
Vocês devem se perguntar porque eles brigam tanto. Bom, há uma semana, havia sido o aniversário de 18 anos de Marius e seu avô havia contado para ele e Esme que seu pai nunca quis abandona-los. "Ele era um traidor, eu não queria que ele fosse uma má influência para vocês. Disse que seriam deserdados se ele não se afastasse. Ele foi embora três dias após o nascimento de Esme." Há dois dias Marius havia ido atrás de seu pai e pelo visto, havia acabado de voltar.
Se alongando, Esme levantou-se da cama, se enrolou em um roupão e desceu a grande escadaria, apenas para encontrar seu avô e Marius discutindo, este último vermelho, Esme não sabia se era de raiva ou pelo fato que ele estava chorando, isso a preocupou profundamente.
"Marius...o que houve? Tudo bem com o papai?" Perguntou indo para o lado dos dois, o rosto de Marius se contorceu de raiva e mais lágrimas caíram. "Papai está morto!" Falou passando por ela e subindo as escadas, indo para seu quarto.
Esme se virou incrédula para o seu avô, este apenas ajeitou a cartola no topo da cabeça, pegou sua bengala e saiu pela porta da frente, a deixando sozinha na sala.
Ela subiu as escadas e bateu na porta do quarto de Marius. Este apenas murmurou um entre baixinho. Ela abriu a porta e se deparou com uma mala aberta em cima da cama e várias roupas espalhadas pelo quarto. Marius estava sentado em uma poltrona, a cabeça entre as mãos.
"Marius, o que?..." Este levantou a cabeça e começou a colocar todas as suas roupas na mala. "Você não vai embora não é? Não vai me deixar?!" Falou desesperada. Marius era a única coisa naquela casa que a trazia felicidade.
"Eu não posso ficar aqui Esme, não posso mais viver com o vovô. Vou procurar um albergue para passar a noite e amanhã eu vou procurar um apartamento para alugar. Porque você não vem comigo? Podemos nos virar melhor juntos!" Esme deu uma risada curta, porém triste.
"Você sabe porque. Não posso deixar nossa tia e nosso avô...ele disse que vai pagar minha faculdade, você sabe o quanto eu quero entrar, sem o dinheiro dele, não vou poder pagar" Falou começando a chorar. Marius a abraçou e permaneceram assim durante vários minutos. Logo quando os dois pararam de chorar, ela começou a ajudá-lo a fazer a mala. Quando terminaram, se despediram.
"Vou pro meu quarto, se vovô perguntar por você, direi que não o vejo desde antes dele sair. Vou sentir sua falta." Ela o abraçou mais uma vez. Assim que ele saiu, ela foi para o seu quarto ler um livro, mas não conseguia se concentrar. Estava preocupada demais com Marius.
Horas depois, seu avô bateu na porta de seu quarto. Ele parecia meio desconcertado.
"Esme, viu seu irmão? Seu quarto está estranhamente arrumado e seu armário está vazio" Ela então fechou seu livro e fingiu estar surpresa.
"Oh Deus, não! Onde será que ele pode estar" Disse. Era realmente uma ótima atriz. Depois de terem passado metade do dia procurando por Marius pela casa. Gillenormand decidiu ir procurá-lo na rua, deixando Esme sozinha novamente. Logo depois, sua tia chegou em casa, após ter passado o fim de semana fora e foi logo perguntando por Marius.
"Marius...ele e vovô tiveram uma briga feia. Marius foi embora e não acho que ele vá voltar" Falou chorando enquanto a abraçava. Para Esme, sua tia era a única pessoa além de Marius que se importava com ela, já que seu avô nunca demonstrou qualquer afeto por ela. "Ele falou para onde ia?" Perguntou e Esme somente balançou a cabeça.
Quando anoiteceu, Gillenormand ainda não havia chegado, então a tia de Esme pediu para uma criada preparar o jantar. Esme foi para o seu quarto e colocou o vestido mais simples que possuía. Deus, como ela odiava vestidos. Quando era pequena, costumava roubar as roupas antigas de Marius e as vestir para sair na rua. Quando completou 12 anos, seu avô descobriu e a proibiu de continuar se vestindo como um homem. Não era como uma dama devia se portar, dizia ele.
Ao descer as escadas, seu avô havia acabado de entrar em casa. Parecia cansado e irritado. Foi logo para a sala de jantar e se sentou, começando logo a comer. Esme e sua tia sentaram-se logo depois.
"Conseguiu encontrar Marius?" Perguntou sua tia à seu avô. Esme fingiu não ter ouvido, mas na verdade estava extremamente concentrada na conversa dos dois. Gillenormand bufou.
"Sim, estava em uma carruagem próximo a Champs de Mars. Disse que não vai mais voltar. E que escreverá uma carta assim que conseguir moradia. A partir desse dia começarei a mandar dinheiro para ele, um Pontmercy não vai ficar vivendo de migalhas!" Abaixei a cabeça. Agora sim caiu a ficha, Marius não era mais bem vindo naquela casa, e ele não voltaria.
"Então, Esme..." Levantou a cabeça. "...quantos anos tem mesmo?" Perguntou seu avô parecendo preocupado de repente.
"16" respondeu Esme cabisbaixa. É óbvio que ele não sabia. Não se importava com ela de verdade, mesmo que houvesse providenciado um enorme baile comemorando seu aniversário apenas três meses antes.
"Ah sim, bom, você não acha que está na hora de arranjar um pretendente?" Perguntou largando os talheres e se recostando na cadeira. Esme estava surpresa.
"Eu? Pretendente? Vovô, eu não estou pronta e...e a faculdade?" Perguntou gaguejando um pouco. "Sou muito nova pra pensar nisso"
"Sua mãe tinha sua idade quando casou com seu...pai. Claro que está pronta! Quanto a faculdade, é melhor esquecer isso. É loucura! Uma dama fazer faculdade, onde já se viu?!" Respondeu contrariado. Isso fez Esme se corroer de raiva.
"Mas o senhor havia prometido! E eu prefiro mil vezes ser uma solteirona que tem um cérebro que realmente funciona, a uma moça com um marido que não ama, e que só sabe fazer tricô!" Gritou.
"Não aumente seu tom de voz mocinha! Eu já enviei uma carta a um colega de trabalho, amanhã ele e o filho, que é um ótimo partido, virão nos visitar e eu quero que o trate muito bem. Ele possivelmente será seu futuro marido." Falou voltando a comer, como se nada houvesse acontecido.
"Só não fui embora com Marius porque me importo um pouquinho com essa família, mas não se desespere se um dia o senhor acordar e eu tiver fugido." Esme se levantou e foi direto para o seu quarto, onde se sentou no chão, encostando-se na porta e começou a chorar.
Como a vida podia ser tão injusta assim? Ela só queria poder ter mais oportunidades que a maioria das moças de sua idade. Não que ela não quisesse se casar, mas queria casar com alguém que ela realmente amasse, não uma pessoa que foi arranjada pra ela. Sem falar que antes disso, queria viver mais. Ainda era muito nova pra pensar nisso.Se levantou do chão e foi até sua cama, deitando-se sem nem ao menos tirar o vestido. Dormindo um sono sem sonhos.
Acordou na manhã seguinte com Julliet, sua empregada, mexendo em seu armário.
"Bom dia Esme, sua tia mandou-me separar um vestido para você usar hoje. Ao que parece, o Conde de Saint-Simon está a caminho." Falou sorrindo. Pera, Conde? Seu avô não havia mencionado isso...
"Ahn...tudo bem, então, vou me arrumar" Falou levantando-se da cama e esperando Julliet sair do quarto. Odiava ser mimada, preferia fazer tudo por si mesma.
Tomou um banho gelado e viu o vestido que Julliet havia separado. Como ele era horrível! Vermelho com preto, cheio de pedras e babados. Sem falar no sapato combinando. Esme começou a se sentir nauseada só de imaginar que usaria aquilo pra conhecer um Conde. Resolveu deixar o cabelo solto, não gostava de prendê-lo. Desceu as escadas e foi encontrar seu avô e sua tia.
Os dois estava bem arrumados, assim como ela e estavam parados ao lado da porta. Assim que parou ao lado deles, batidas na porta puderam ser ouvidas. Julliet a abriu, revelando um senhor de idade com cabelos quase totalmente brancos e óculos. Atrás dele, seguia um rapaz talvez dois anos mais velho que Esme, cabelos loiros penteados para trás e olhos castanhos. Usava roupas bem caras. Filhinho de papai. Foi sua conclusão, enquanto revirava os olhos.
"Gillenormand, meu amigo, quanto tempo! Está linda dama deve ser sua filha e essa jovem moça sua neta Esme..sou Jacques Saint-Simon" Falou o senhor se aproximando e beijando a mão de Esme. Depois foi a vez de seu filho.
"Sou Claude, é um prazer conhecê-la Esme" Falou repetindo os movimentos de seu pai. Sério mesmo que ela teria que aguentar esse menino? "É um prazer conhecê-lo também, Claude." Respondeu tentando ser educada.
"Creio que pelo horário não tomou um café da manhã apropriado, que tal saírmos? Podemos ir até a cidade, ir ao parque e comer em algum café" Sugeriu esticando o braço para Esme segurar.
Ela prontamente enroscou o seu braço com o dele. "Claro, por que não..." E foram em direção a porta da frente.
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