Grantaire sacudiu Esme gentilmente até que ela acordasse. Embora estivesse com o cabelo completamente desarrumado, ele achou que ela estava extremamente linda.


"Hum...que horas são?" Perguntou enquanto tentava pentear o cabelo com os dedos e se enrolava no pano roxo para escapar do frio.

"Um pouco depois das 10. Quer comer alguma coisa?" Perguntou se levantando e catando as roupas do chão. Embora já tendo visto Grantaire sem roupas e tendo tocado todos os lugares possíveis, Esme corou e tentou desviar o olhar. Grantaire jogou para ela seu vestido. Ela o vestiu e ficou sentada no sofá refletindo no que havia acontecido. Ela realmente havia feito sexo com Grantaire, seu melhor amigo...

Grantaire voltou já vestido e com um cesto de pães para ela comer. Se sentou ao seu lado e os dois comeram silenciosamente. Bom, isso até Esme resolver acabar com o silêncio.

"Essa foi minha primeira vez" Falou. Grantaire parou de mastigar e ela pôde ver seus músculos se contraindo. Suas mãos tremendo.

"E-está falando sério?" Se virou para ela. Esme abaixou a cabeça e fez um sinal positivo. Grantaire soltou um suspiro trêmulo.

"Eu não deveria ter feito isso. Você...é só uma criança. Sou completamente irresponsável. Oh deus, o que todos vão pensar? Ah, me desculpe! Eu não sei o que deu em mim, imagine, fazer sexo comigo...sou terrível! ." Era óbvio, Grantaire estava pirando. Esme tampou sua boca com a mão.

"R, me escuta. Eu não teria feito nada com você se eu não tivesse consciência dos meus atos. E tem mais, você é uma das pessoas mais incríveis que eu conheço, e um dos mais atraentes também. Então pare de se menosprezar! Sabe...até que foi bom" Comentou corando e dando uma pequena risadinha nervosa.

Ela então percebeu que essa conversa estava muito parecida com a que ela havia tido com Enjolras no dia anterior, sobre primeiras vezes e etc. Resolveu voltar a ficar em silêncio.

Somente minutos depois ela se lembrou que tinha aula e não podia se atrasar. Esme se levantou em um pulo calçando suas botas e se despedindo de Grantaire.
Foi pra rua, desviando de carruagens e correndo à toda velocidade para poder chegar no Musain, pegar seus livros e ir pra faculdade.

Ao chegar no café, subiu logo pro segundo andar onde achou seus livros em cima da mesa onde ela os havia deixado. O que ela não esperava era encontrar Jehan e Courfeyrac lá, sentados conversando.

"Ah Esme, bom dia! Eu preciso falar com você" Jehan começou porém Esme o interrompeu.

"Desculpa, mas eu tô atrasada pra aula, quando eu voltar a gente conversa." Falou lhe dando um beijo na bochecha e bagunçando o cabelo de Courf antes de sair correndo novamente pelas ruas.

"Essa menina tá cada vez mais estranha, acho que tá passando tempo demais com você" Comentou Courf ao vê-la sair. Jehan deu-lhe um leve tapa no braço.

(...)

Graças à Deus, Esme não se atrasou tanto para a aula. Ao sair do prédio, deu de cara com Jehan nos jardins da faculdade, sentado na grama e fazendo algo parecido com uma coroa de flores. Assim que ele a viu, acenou com a mão. Esme foi até ele e se sentou ao seu lado.

"Então...o que queria falar comigo?" Jehan sorriu, de um jeito que só ele conseguia, fazendo seu nariz franzir um pouco.

"Eu passei na casa de Grantaire hoje cedo e encontrei os dois no sofá" Esme pode sentir suas bochechas ficarem vermelhas e ela cobriu o rosto com as mãos, morrendo de vergonha. Não é à toa que ela viu alguns potes de tinta perto do sofá e que não estavam ali na noite anterior.

Jehan afastou suas mãos do rosto.

"Não precisa ficar envergonhada, todos fazemos sexo, é normal. Só achei que vocês tomariam mais cuidado com isso, a porta estava destrancada, qualquer um poderia ter entrado e visto os dois." Esme continuou morrendo de vergonha, porém abriu um pequeno sorriso.

"Grantaire deve ter adorado! Ele falou alguma coisa?" Perguntou curioso. Esme negou com a cabeça.

"Ele ficou se menosprezando. Ele não acredita que alguém como eu pode ter se sentido atraída por ele." Jehan ficou sério. "Ele sempre foi assim, ele acha que qualquer coisa boa que acontece com ele é mera sorte..."

Jehan terminou de fazer a coroa de flores e a colocou na cabeça de Esme, a fazendo sorrir, logo depois se pôs a fazer uma para ele próprio.

"Mas e aí? Vocês estão em um relacionamento?" Perguntou casualmente sem tirar os olhos das flores que ele entrelaçava. Esme pensou por um momento.

"Não, quer dizer...acho que não. Não falamos sobre nada disso." Jehan suspirou e voltou o olhar para ela.

"O que você sente por ele?" Esme gelou, não sabia o que dizer.

"Eu...eu não sei. Eu gosto dele, muito! Mas não é amor, é...não sei. Não me arrependo do que fizemos, eu só queria fazê-lo feliz." Ele colocou a coroa recém terminada na cabeça e se levantou, Esme o seguindo.

"Escuta, ele ama muito você, e é meu melhor amigo. Apenas digo pra que você tenha cuidado, ele não vai aguentar outro coração partido." Outro? Seu coração já havia sido partido antes? Jehan pôs uma mão no ombro de Esme, um sorriso brincando em seu rosto.

"Posso ser uma criatura sensível, mas não mexa com o R ou eu vou ter que matar você." Riu baixinho. Esme não sabia se se sentia aliviada ou assustada.

"Tudo bem, não vou matar você, mas é sério, cuidado." Ela assentiu.

Os dois foram andando de volta enquanto recebiam olhares tortos de pessoas aleatórias ao verem Jehan com uma coroa de flores na cabeça. Não que isso incomodasse o poeta, que andava saltitando e rodopiando enquanto ria baixinho.

Chegando ao Musain, entraram e foram ajudar os outros a arrumar o lugar para a reunião.

Mal ela começou e Marius não parava de falar na garota pelo qual estava apaixonado.

"Olha meu amigo, sinto em dizer, mas ninguém liga..." Disse Bahorel. Marius no entanto não se abalou e continuou falando.

"Ei, Esme!" Alguém sussurrou para a menina, que estava perdida em seus pensamentos. Viu que Courfeyrac a chamava do outro lado da mesa.

"E então...você e R, hein?" Sorriu. Esme arregalou os olhos e se virou para Jehan, que estava de cabeça baixa e corado. "Você contou pra ele?" Perguntou.

"Quando você saiu daqui hoje de manhã ele me perguntou o que eu queria falar com você, desculpe, Courf é bem insistente quando quer saber de algo" Sussurrou.

"O que tem a Esme e o Grantaire?" Perguntou Marius. Esme quis bater em Courfeyrac por começar a falar disso. Ela não queria que o irmão, acima de qualquer um, soubesse que ela tinha transado com alguém.

"É...nada, volte a falar da tal garota!" Mudou de assunto. Aparentemente, Marius estava realmente apaixonado por essa menina, segundo ele, seus cabelos pareciam ter sido feitos com fios de raios de sol, isso fez Courfeyrac e Bahorel rirem.

"Ah, ela é tão maravilhosa, pena que eu estava longe e não consegui falar com ela direito" Esme o olhou confusa. Os outros pareciam estar mais confusos que ela.

"O que quer dizer?" Perguntou Feuilly. Marius corou.

"Err...eu não falei com ela eu...a fiquei observando por detrás de um chafariz." Courfeyrac começou a rir histericamente fazendo todos se virarem para ele e até Combeferre suprimiu uma risada.

"Você a espionou Marius? Eu não acredito..." Disse Esme batendo na própria testa.

"O que esperava que eu fosse fazer? Eu não sei falar com uma garota! Eu fiquei com vergonha." Courfeyrac tentou dar dicas para Marius para que ele pudesse conquistá-la.

"Ah, eu falei para a Eponine que estava apaixonado. Ela estava agindo tão estranho, depois que eu falei com ela, simplesmente saiu correndo" Esme gelou.

Pobre Eponine, ela devia estar de coração partido, Esme queria confortá-la, provavelmente iria visitá-la mais tarde.

Com o passar da noite o amor de Marius acabou virando motivo de piada, Esme tinha quase certeza de que Enjolras a estava evitando. Ele fazia de tudo para não ter que olhar para ela e nas poucas vezes em que lhe dirigiu a palavra, corou furiosamente. Esme tinha que ter uma conversinha com o rapaz.

(...)

Na hora de ir embora, Esme foi junto com Marius e Courfeyrac, como de costume, porém ao encontrarem Gavroche no meio do caminho, parou.

"Ei, Gavroche! Onde está sua irmã? Quero falar com ela." Perguntou se abaixando na altura do garoto.

Ele olhou rapidamente para Courf e Marius que pareciam confusos e depois olhou novamente para Esme, abrindo um pequeno sorriso.

"Ela está...em casa. Se quiser eu te levo." Esme assentiu e mesmo com Marius insistindo para ela não andar por aí essa hora, ela seguiu o menino. A "casa" na qual ele se referia era um casarão onde os Thenardier alugavam um quarto. Era fria e úmida, e os degraus da escada rangiam a cada passo que Esme dava. Simplificando, era uma casa horrível.

Esme andou até o último quarto, que era ocupado pelos Thenardier. Claro que ela não teve a sorte de encontrar Eponine sozinha no quarto. Seus pais estavam ali também. Assim que ela colocou os pés no quarto, todos viraram para olhá-la.

"Quem é essa menina e o que ela faz aqui?" Perguntou Monsieur Thenardier, que perigosamente se aproximou de Esme, que tremeu.

"Sou amiga da Eponine. Eu vim vê-la." Falou. Madame Thenardier sorriu falsamente e veio abraçar Esme, fingindo ser gentil.

"Ah minha querida, porque não vem aqui mais vezes, somos tão pobres, você poderia nos trazer din-" Foi cortada por Esme, que deu um passo para trás, se afastando da mulher.

"Quero falar com ela sozinha" Embora contra sua vontade, os dois saíram do quarto, deixando Esme com Eponine, que permanecia calada até agora, sentada em um colchão. Ela pôde perceber que Azelma estava dormindo em um canto do quarto, deitada em outro colchão rasgado.

"Marius me disse que te contou sobre a menina pela qual está apaixonado...me desculpe" O lábio inferior de Eponine tremeu, ela abraçou Esme e começou a chorar em seu ombro, encharcando o tecido de sua camiseta.

"Eu só queria que ele gostasse de mim, eu ainda tinha esperanças. Eu sou uma idiota." Falou entre soluços, Esme a abraçou mais forte.

"Você não é...ainda há chances, Marius sempre foi meio avoado, ele pode demorar para perceber o que você sente por ele, talvez até esqueça de dela." Esme tinha dúvidas se isso ia acontecer, mas não queria fazer a amiga se sentir pior.

Horas se passaram e Esme fez companhia à Eponine a noite toda enquanto acariciava seus cabelos. Mais tarde os Thenardier voltaram ao quarto onde encontraram as duas meninas dormindo abraçadas uma a outra.

Esme acordou com uma terrível dor nas costas, percebeu que passou a noite inteira deitada com os braços em volta de Eponine em uma posição nada confortável. Assim que se sentou, acabou acordando a amiga também.

"Hum...que horas são?" Perguntou Eponine esfregando o rosto e se espreguiçando. Esme se levantou e começou a se alongar para diminuir sua dor. Azelma já estava acordada e sentada comendo um pedaço de pão que pela aparência, devia ter pelo menos um mês.

"Não sei, mas acho melhor eu ir embora...ah, tenho quase 100% de certeza que sua mãe roubou cinco francos que eu tinha no bolso do vestido." Eponine se levantou e abriu um pote que estava em cima de uma mesa, de lá tirou uma moeda de cinco francos.

"Esse é o esconderijo dela. Ela acha que eu não sei" Riu. Esme se despediu e foi embora.

Esme passou em casa e tomou um banho, trocando de roupa. Depois foi andando ao Musain. Chegou lá e encontrou o café vazio, exceto por Musichetta, que limpava algumas mesas.

"Ah, bom dia Esme, vai querer alguma coisa? É de graça" Perguntou indo para detrás do bar.

"Só um café, obrigada Chetta" A barista pôs se a fazer o café enquanto Esme se sentava em uma mesa. Pelo movimento do café, não deviam ser mais de 9h da manhã, logo Musichetta voltou com o café e o colocou em cima da mesa. Já que Esme não tinha aula hoje, ela iria ter que arrumar alguma coisa para fazer. Ela achou um livro esquecido em cima de uma mesa próxima a ela e começou a ler.

Foi surpreendida pelo som da porta abrindo. Logo entrou Bahorel abraçando Courfeyrac que estava pálido e parecia cansado. Bossuet, Jehan e Joly vinham logo depois, o último carregando uma montanha de pelo menos 8 livros.

"O que está acontecendo?" Perguntou Musichetta puxando uma cadeira para Courf se sentar. Bahorel riu.

"Nosso semestre acabou. Tivemos nossa última prova hoje, Courf estudou como um louco" O olhar de Esme logo foi direcionado para Bossuet, que a essa altura já tinha os braços ao redor de Musichetta e Joly.

"E você? Não estava estudando direito também?" Perguntou, Bossuet timidamente olhou para os próprios pés.

"Bem, alguns dias atrás o professor estava fazendo a chamada, seu irmão tinha faltado a aula então eu levantei a mão na vez dele, o professor mal nos conhecia, jamais ia saber que eu estava mentindo. O problema é que depois ele chamou o meu nome, já que eu não podia levantar a mão novamente, fiquei quieto. Fui expulso." Esme se sentiu mal por ele, afinal, ele só fez aquilo para ajudar Marius.

"Mas está tudo bem, me salvou de virar advogado. Imagine o quão ruim eu seria!" Riu. Joly bateu em seu braço.

"Você seria o melhor advogado que existe." Bossuet corou e Musichetta beijou sua careca e a bochecha de Joly.

Bahorel pigarreou, desconfortável.

"Bom, amorzinhos" Brincou. "Eu estava pensando em comemorar. O que acham de ir a um bar hoje à noite?" Courfeyrac se levantou em um pulo ao ouvir a palavra "bar" e começou a correr pela sala dando pulinhos e implorando para irem.

"Porque não podemos ficar aqui no Musain?" Perguntou Musichetta enquanto segurava Courf pelos ombros para que este parasse quieto. Bahorel segurou suas mãos e ela revirou os olhos.

"Ah, Chetta, porque nós estamos aqui quase todo dia, precisamos de um lugar especial" Ela sacudiu a cabeça porém concordou.

Eles combinaram de esperar a reunião de Enjolras terminar para falar sobre isso com os outros.

"Vocês acham mesmo que Enjolras vai aceitar? Ele é o maior estraga prazeres, nunca vai a bares ou se diverte. Até as caveiras que o Jehan tem em casa tem mais vida do que ele" Resmungou Courf, que logo depois levou um tapa de Jehan.

"Bom, acho que se a Esme for ele vai também." Riu Bahorel. Ela fingiu não ter ouvido e ignorou.

Passaram o resto da manhã conversando e decidiram sair para almoçar.

Foram para um pequeno restaurante do outro lado da praça, não era chique, na verdade era o mais barato que encontraram, mas estava de bom tamanho.

Enquanto comiam, Esme teve a impressão de ver alguém conhecido entrando no restaurante. Olhando atentamente, viu que era seu avô. Ela se levantou rapidamente e se escondeu debaixo da mesa. Courf, que já conhecia o Sr. Gillenormand, mudou de assunto até que o senhor saísse de lá.

"Porque estava se escondendo?" Sussurrou Joly. Esperou seu avô sumir de vista para voltar ao seu lugar.

"Um senhor que entrou aqui, era o meu avô. Ele sabe que estou associada aos revolucionários. Se me encontrasse, me mandaria de volta para casa." Jehan segurou sua mão sobre a mesa.

"Esme, você não pode se esconder para sempre. Vai ter que enfrentá-lo um dia" Esme suspirou.

"Se eu for algum dia falar com ele, levarei Bahorel e Combeferre comigo. Ao menos eles são intimidadores." Todos riram.

Terminaram o almoço e voltaram ao café, onde Musichetta seguiu com seu trabalho e o grupo de amigos resolveu a ajudar, limpando as mesas, o chão e os balcões, enquanto conversavam animadamente sobre os planos para a noite.

Notas finais
Caso vocês queiram saber (ou não, whatever) aqui segue o meu "dreamcast" pra essa fic...é Enjolras- Aaron Tveit (imaginem ele de cabelo longo, ok? Ok) Grantaire- George Blagden Marius- Eddie Redmayne Esme- Azul Caletti (imagine ela com olhos castanhos) Eponine- Samantha Barks Azelma- Madison Pettis Cosette- Amanda Seyfried Jean Valjean- Ramin Karimloo Javert- Tam Mutu Jean Prouvaire- Bartec Borowiec Courfeyrac- Ezra Miller Combeferre- André Hamann Feuilly- Thomas James McDade Bahorel- Jensen Ackles Joly- Hugh Skinner Bossuet- Tristan Temple Musichetta- Gemma Arterton Gavroche- Daniel Huttlestone Thenardiers- Wendy Ferguson e Cameron Blakely Montparnasse- Ben Barnes