Doushite?

1 Doushite kimi wo suki ni natte shimattan darou?


Notas iniciais
GEMT! *-* To vindo com outra one, é isso ae.
Sabe aquela pequena 'The Never Lasts Forever'? E sabe que comentei se seria uma boa postar uma outra fanfic que seria do mesmo tema, com a mesma música, só que maior?

Pois aqui está ela. :D

Demorei mas tá ai. (; No betada, sempre. mimimi

Boa leitura.

Ele se olhava pela centésima vez no espelho. Seu reflexo mostrava vez ou outra, a formação de um sorriso falso. O smoking parecia mais apertado do que normalmente seria. A gravata o sufocava a ponto de afrouxá-la várias vezes seguidas, para assim voltar a formar o nó.

Tinha de estar impecável afinal. Aquele era um dia importante. Para ele, assim consequentemente tinha de ser importante para si.

Mas então porque seu coração teimava em continuar a doer? Porque a necessidade torturante de gritar e se jogar da janela? Talvez seja pelas noites de insônia desde a fatídica notícia. Ou fato de que seu melhor amigo, e amado, estaria para casar.

Desde a primeira vez que nos encontramos, eu senti que já a conhecia.

Nos demos bem naturalmente...

Suspirou desolado. Fechou os olhos momentaneamente, precisava de calma enquanto lembranças que tanto o machucava, corriam livres por sua mente. Como crianças brincalhonas, elas gritavam a cada dia recordado.

O primeiro em que o conheceu. Notou o quanto era belo. Até mesmo quando criança conseguia sentir arrepios diferentes em sua nuca. Se não fosse por seu nome e a certeza de que era um menino, com certeza ficaria suspirando por uma nova paixão de rua. Mas qual foi sua surpresa ao perceber que mesmo sabendo daquele simples fato, suspirava sem impedimentos e com vontade.

Mesmo tendo sensações diferentes das que sentia ao ficar perto de qualquer outro garoto, chamou por sua atenção e o fez se aproximar. Estava tão tímido. Tão encantadoramente tímido.

Conversaram pouco, mas suficiente para um pequeno e significativo laço crescesse entre as duas crianças. Dali em diante, todas as tardes, ensolaradas ou chuvosas, o chamava para assim poder observar sua face estranhamente fascinante.

Após algumas semanas já eram dois melhores amigos a fazer travessuras com seus vizinhos.

Risadas e mais risadas sempre os acompanhavam, mas dentro de si algo revirava a cada hora que passava ao seu lado. Ao estar com seus recém dezessete anos, descobriu o que era. Finalmente sabia por que seu coração batia acelerado demais, ou porque o estômago embrulhava, como se tivessem mil borboletas dançando rápidas em círculos.

Era um sentimento. Um único sentimento que tanto o assombro pelas noites. Que o fez namorar com uma garota pela primeira vez e então com mais uma, mais uma e mais uma.

Amor. Só o terrível e duradouro amor.

Abriu os olhos fitando novamente seu reflexo. Dava para notar as olheiras fundas por baixo dos olhos cansados e desanimados. Qual era o motivo de alegria mesmo? Não conseguia se contagiar como deveria.

Era seu padrinho, mas...

Por quê...

Eu me apaixonei por você?

Não importe quanto tempo passe, eu ainda acho, que você está aqui.

Mas você já escolheu um caminho diferente.

Olhou rapidamente para o relógio na parede. Faltava tão pouco para aquela loucura toda. O maldito casamento estava se aproximando tão depressa que apenas o deprimia mais.

Respirou fundo e foi atrás de suas coisas. Apenas o necessário, onde caberia em seus diversos bolsos espelhados pelo paletó. Ao ter tudo guardado, caminhou em direção a porta. A cada passo que dava, machucava profundamente, pois sabia do destino que teria de ir e ali estaria o final. Seu final.

Ganhou as ruas desanimado. Não olhava para os lados, apenas para frente ou chão. Sabia que se movesse demais a cabeça para direita ou esquerda, iria desistir do que estava a fazer.

Inevitavelmente certas lembranças o levou a alguns meses atrás. Quando ele contou que estava noivo. Ah como doeu... Ainda podia sentir as marteladas em seu coração. Era terrível, como era, mas já não podia fazer nada. O brilho em seu olhar era a prova de seu caso perdido. Ele estava apaixonado por uma mulher que pensou ser passageira, como todas as outras e... Outros.

Perdeu uma chance que duvidava existir.

Por quê... Não consegui mostrar a você?

O meu amor que crescia dia e noite.

As palavras começam a ser demais,

Mas eu sei que você nunca vai entendê-las.

Ainda sim tentou. Várias e várias vezes a ideia de se declarar era tentadora demais e quase contou toda a verdade. Porém ele sempre vinha sorrindo, tão alegremente, contando sobre seu dia ou sobre alguma garota que havia lhe chamado à atenção.

Isso era demais para seu próprio coração, mas continuava ao seu lado. Rindo de suas piadas, o vendo se engraçar com alguém e fingir que estava desejando boa sorte, ou até mesmo quando algo dava errado e vinha todo deprimido e sobrava para quem ajudar?

Sim, era sempre ele que engolia seu orgulho e o zumbido irritante em seus ouvidos e o consolava.

Perguntava-se se não seria capaz de fazê-lo mais feliz e tinha certeza... O faria feliz sim. Nunca as lágrimas iriam banhar seus olhos como tantas outras vezes.

Mas no fim, era seu rosto que elas rolavam frequentemente.

Não se enganava, sabia que era um masoquista e ficar ao seu lado apenas piorava sua situação. No entanto, como se separar de seu amor e melhor amigo? Difícil, sempre difícil e impossível para si. Simplesmente impossível ficar longe.

E a raiva o faz quebrar seu apartamento inteiro. Quantas vezes já não gastou todo o dinheiro reserva para comprar móveis novos? Foram tantas que perderá a conta. Quando chegou a esse extremo o chamou decido. Iria contar. Falar tudo o que lhe aflige, porém não conseguiu.

Era um covarde, afinal.

Escadas e som de sinos o fizeram perder a rota de pensamentos. Tinha chegado.

Por esse dia que guarda um significado especial.

Por esse dia em que mostramos a nossa alegria...

Por você estar lindo enquanto caminha ao altar.

A Igreja estava lotada de pessoas. Todas comentavam felizes sobre aquele dia, crianças corriam para lá e para cá, se divertindo na escadaria. Deveria estar se contagiando de toda aquela alegria também, mas sabia que os sorrisos e acenos serenos que retribuía contribuíam para aquela mentira dolorosa e tudo não passava de facadas ao coração já machucado pelos anos.

Abaixou o olhar por breves momentos. Via o chão de concreto por onde pisava tentando reorganizar os pensamentos e não desabar. Tinha de ser forte, por ele.

Não parava para falar com ninguém. Duvidava se seu tom de voz iria convencer as pessoas de que tudo estava bem, assim continuou seu caminho até uma pequena sala no canto de dentro da Igreja. Era ali onde estava. Tão bonito como sempre foi. Em seu rosto um enorme e nervoso sorriso demonstrava que estava ansioso.

Quem não ficaria afinal?

Inevitavelmente imagina a si mesmo tendo de esperar em uma sala parecida, com o mesmo sorriso e a incansável vontade de andar para lá e para cá, esperando a hora chegar e ter de encontrá-lo daquela forma... Com o mesmo brilho no olhar, a mesma roupa que combinava perfeitamente com seu corpo esbelto e alto. Tudo. Faria de tudo para ter outra chance e aquele sonho se concretizar, porém... Já era tarde.

— Chunnie! – A voz que sempre amou escutar, fez seus pensamentos se romperem.

O noivo se aproximou, sorrindo para o melhor amigo. Colocou a mão em seu ombro, como se naquele simples ato a força necessária para se acalmar tomasse seus sentidos e aliviasse o estresse do grande dia.

Com aquele ato tão natural entre os dois, fora o suficiente para o tremor levar suas pernas quase fraquejarem. Por pouco não caia ali mesmo e mostrava o estado deplorável que se encontrava. Quase...

Respirou fundo e sorriu como havia ensaiado. Forte. Tinha de ser forte.

— Preparado Yunho? – Perguntou tendo um suspiro como resposta. YooChun balançou a cabeça em negação. – Tem que se acalmar, logo a noiva chegará e você não pode fazer que nem no dia da sua primeira apresentação no trabalho.

A mínima menção daquele dia terrível para o moreno, fez o mesmo fechar a cara.

Por causa de seu nervosismo, o estômago não aguentou e por isso quando estava pronto pra subir no palco, começar a palestra o pior aconteceu... A tensão saiu e forma de pequenos gemidos enquanto tudo que tinha engolido aquele dia sujava o chão.

Aquele definitivamente fora seu pior dia. De toda a vida.

— Não me lembre daquilo Park YooChun. Foi horrível... – A voz chorosa, o bico manhoso. Ah como era lindo.

Fitava atentamente, como um bobo apaixonada como sempre fora, aqueles atos que fazia desde criança. Notando estar passando tempo demais o observando e o mesmo ter percebido e agora o olhava de forma confusa, tossiu levemente, voltando à mesma mascara que sempre carregou.

— Já está quase na hora, acho melhor você já ir lá pra frente.

Yunho apenas assentiu e suspirou novamente, se preparando para sair da pequena sala.

Todos se encontravam sentados em seus lugares, logo ela chegará e então YooChun poderia ver tudo que passou, todos os anos que carregou aquele sentimento o levar mais a fundo.

Posicionou-se em seu lugar, no lado do noivo e o viu lá no fundo, caminhar em sua direção. Pelo corredor que passava, vez ou outra acenava para alguém e aquele sorriso teimava em fazê-lo sentir a vontade de correr em sua direção, abraça-lo e implorar para que não fizesse aquela besteira.

Mas não adianta mais. Como sempre a razão cortava os sentimentos impossíveis. Já era tarde. Tarde demais.

Ele parou ao seu lado. Podia sentir a felicidade e o nervosismo o fazer fechar a mão em punho ao lado do corpo. Sorriu minimamente. É aquele jeito, de mesmo estando uma pilha por dentro se mostrava calmo por fora, que tanto o encantava.

Mas não era eu que estava ao seu lado

A imagem de alguém verdadeiramente feliz.

Como pude perdê-la?

Ah como as coisas são realmente injustas.

Uma música começou a ser tocada. Aquele triste som. As portas se abriram e por ela algumas crianças entraram e logo atrás lá estava ela. O sorriso era visível em seus lábios, assim como as quase lágrimas.

Lágrimas de alegria, satisfação, amor.

As que queriam escapar dos olhos de YooChun era o contrário. Tristeza, dor, frustração e ainda sim uma única coisa em comum o fazia aguentar fortemente a visão da noiva seguir seu caminho em direção a pessoa que deveria ser sua... Amor. Sempre o amor.

Quando o pai, que parecia tão orgulhoso, entregou a mão de sua filha para Yunho, YooChun apenas respirou fundo, de uma forma que ninguém veja.

Palavras do Padre, votos, declarações de amor ditas mudamente, promessa de um futuro grandioso feitas pelo olhar e por fim...

—... Sim. –¹

Pronto. Ali finalmente o fim havia chegado.

Um beijo e todos se levantaram, batendo palmas. O compromisso tinha se oficializado. Agora estava casado. Casado.

Aquela imagem dos dois fora demais, assim tentou mudar a direção de seu olhar. Observou cada rosto daquela igreja, rodou o local inteiro, porém algo lhe chamou a atenção.

No canto da Igreja, encoberto por uma fina escuridão um rapaz estava encostado junto à parede.² No entanto o que de fato o fez olhar fixamente para aquele local, fora a expressão do desconhecido.

Dor.

Seu rosto estava mergulhado em dor, ainda sim podia se ver claramente... Também estava conformado. Parecia tanto consigo...

O rapaz se remexeu e passou a caminhar em direção a saída. Abriu a porta com cuidado, ninguém se dignava a olhar pra trás e fitar a figura pálida e triste. Todos estavam mais concentrados em continuar com as palmas irritantes e falsas.

Apenas ele. Apenas YooChun observava e de certa forma podia sentir o quanto estava machucado. Era um reflexo de si mesmo. Estava surpreso, de fato. Voltou o olhar para Yunho que se mantinha parado com o rosto sério. Isso o intrigou.

Ele olhava em direção a saída.

Quando procurou aquele mesmo desconhecido a única coisa que encontrou fora a grande porta de madeira, meio aberta. Tinha ido embora.

Estranho... Afinal, o que era aquela expressão séria?

— YooChun? – Uma voz atrás de si o fez se assustar.

— Ah... O que foi ChangMin? – Perguntou um pouco baixo para o mais novo que o olhava um pouco preocupado.

Os dois foram convidados a serem o padrinho de Yunho. É claro que nenhum nem outro iria recusar. Mesmo que os motivos de ChangMin tenha sido por sentimentos diferentes.

— Está tudo bem?

Suspirou e sorriu, tentando soar convincente.

— Sim, está sim. Não se preocupe. — Percebeu que o casal já estava indo em direção a saída e todos se preparavam para ir às escadas. – É melhor nos irmos também.

Apontou para o local onde aconteceria o que dizem trazer boa sorte. Não entendia do porque de jogar grãos de arroz.

O mais alto apenas assentiu. Sabia que algo não passava bem, porém não quis pressionar YooChun. O conhecia há alguns anos e de certa forma desconfiava de algumas coisas, por isso colocou a mão em seus ombros, os apertando gentilmente, como se desejasse forças.

YooChun continuava a sorrir, no entanto dessa vez um pouco fraco do que antes.

Os dois saíram do altar e se juntaram ao resto dos convidados. Esperavam os recém-casados descerem a grande escadaria e quando o fez, aqueles que continham um pouco de arroz nas mãos, jogaram sobre os dois.

Risos preenchiam o local e votos de felicidades.

YooChun se mantinha atrás de toda a multidão e enquanto a mesma descia junto com os outros dois, ele se sentou em um degrau, um pouco acima. Observava doloroso a noiva beijar os lábios que deveriam ser seus antes de entrarem no carro. E assim partiram.

Partiu de sua vida, definitivamente.

O pequeno pedaço que seu coração tentava manter intacto destroçou e assim as lágrimas finalmente escaparam. Sujas por aquele amor injusto e pesado. Sujas por um sentimento nunca correspondido. Nunca será.

Levou as mãos ao rosto, tentando limpar inutilmente os pingos salgados, torcia para que ninguém notasse e se percebesse não daria importância. Era naquele momento simples no topo da escadaria de uma Igreja que finalmente seus sentimentos foram liberados.

A pura angustia e o fato de que tantos anos foram completamente em vão o fez levantar a cabeça e observar o céu. Estava limpo e brilhoso. O azul trazia certa calma ao desespero. Todavia o vazio que cresceu dentro si era grande demais, pesado demais.

Por quê... Eu não consegui segurar a sua mão?

Não importe quanto tempo passe,

Você deveria estar ao meu lado. (É assim que deveria ser.)

Fora apenas isso que sobrou. Aquela pergunta que nunca terá resposta. Aquele amor que nunca será retribuído. Aquele homem que nunca será seu.

Por quê... Eu me apaixonei por você?

-----------------------------------------

Notas finais
1 e 2 – Perceberam uma semelhança? Quem leu a 'The Never Lasts Forever' vai entender o que estou falando.
Tentei fazer algo que tivesse conexão com a outra além da música.

E deu pra notar que o noivo é o Yunho ne? ‘boba-oi
É que muita gente falou pra mim que imaginou o Yunnie como sendo o malvado que deixou o Jae na outra fic, então resolvi logo acabar com o ‘mistério-não-tão-mistério’ e colocar ele mesmo.

Espero que não tenha ficado muito corrido e não tenha tantos erros broxantes, é. hn-

A música usada para song-fic é Doushite Kimi Wo Suki Ni Natte Shimattan Darou do DBSK. Linda e maravilhosa, como sempre.

Enfim... Reviews?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!