Double face

18 Cap. 18: Coisas de adolescentes


Notas iniciais
"Seria legal se eu batesse a cabeça e ficasse inconsciente. Que me deixassem em paz e eu morresse ali parado tranquilo. Mas não! Tem que ter mais aventura e adrenalina por aqui."

Lipe

Sinto o sol bater em meu rosto. Bocejo e abro os olhos. Ele vem da janela da torre. Alevanto me lembrando da noite passada. Sinto ânsia de vomito. Mas paro antes de me descobrir porque percebo que estou nu. Sinto uma mão em meu braço. Olho para Ana. Não acredito no que vejo.

Uma linda mulher, cabelos ruivos encachiados e volumosos. Olhos azuis. Seu corpo nu é esbelto e belo. Tem curvas perfeitas. Seu rosto era angelical e sensual ao mesmo tempo. Deve ser alguns anos mais velha que eu. E não é só a aparência, ela exala um cheiro doce e atraente.

− Uau! – Encaro-a – Como isso é possível?

Ela senta ereta, apoia-se em mim e sussurra.

− A maldição foi quebrada. Você me libertou. – Ela começa a dar beijinhos em meu pescoço. O que me deixa arrepiado. – Vamos para o segundo round? Mas… dessa vez sem drogas e nem pudor?

Não respondo verbalmente sua pergunta. Começo a beija-la. Passo as mãos por suas costas e cochas. Ela agarra meu cabelo. Deito em cima dela, beijando-a com fervor. Mas a imagem de Amanda surge em minha cabeça. Afasto-me rapidamente antes que seja tarde de mais.

− Não posso… tenho que ir. – Me visto rápido… mas ao lembrar-se de um pensamento paro. – Que horas são? – Pergunto.

− Sete e cinquenta e nove. – Ela olha pra mim e sorri maliciosamente. Quase que você não alevanta a tempo.

− Sua mãe disse que eu acordaria nos Estados Unidos.

− Digamos que… minha mãe não é lá muito boa pessoa.

Logo que ela acaba de dizer isso, aparece uma luz verde na janela, inicialmente ela a pega por completo, mas depois começa a diminuir.

− Pula logo! É o portal!

Não sei se deveria confiar nela. Mas pulo. Sem camisa e descalço. Tomara que eu não fique em maus lençóis.

Logo que atravesso aquela luz ofuscante sinto agua nos meus pés. Após passar a dor em meus olhos abro-os e vejo o lugar que estou.

No meio de um córrego, na mata fechada, sozinho. Ok. Calma. Deve ser um engano meu. Provavelmente a civilização está próxima.

Começo a caminhar. Decido tomar o caminho mais difícil – Lógica de filmes – Não vejo nada anormal. Animais, insetos, plantas… tudo normal. Depois de um tempo caminhando – três horas mais ou menos – Acho a primeira subida. Escalo com ardor. Mas pelo menos a vegetação é mais aberta. Na metade da subida escorrego e abado esfolando meu tórax. Mais um pouco, meus braços estão doendo, só mais um pouco, cinco metros, quatro… escorrego novamente e dessa vez me corto feio, um palmo aberto em meu braço. O sangue jorra. Chego ao topo e acabo desmaiando, cochilo por um tempo, ciente dos cortes.

Pela primeira vez sinto uma brisa fresca. Mas ao parar pra pensar, deveria ser inverno nos Estados Unidos. Levanto com um pulo. Corro até a outra extremidade e reparo em algo fantástico.

Mais ao longe, descendo a colina há uma espécie de edifício parecido com uma capela. E há uma pista de pouso.

Esse lugar não é comum. Tem uma atmosfera tão pesada. Começo a criar hipóteses de onde estou quando ouço um barulho ao meu lado. Me viro assustado e me deparo com um macaco narigudo. Pera. Um não. Vários macacos, e eles parecem zangados. Sem pensar duas vezes desço a colina correndo. Os macacos me seguem, raivosos e com dentes afiados a mostra. Não são macacos comuns, com certeza.

Um deles consegue me alcançar, ele pega no meu pé. O que me faz tropicar. Caio de cara no chão. Seria legal se eu batesse a cabeça e ficasse inconsciente. Que me deixassem em paz e eu morresse ali parado tranquilo. Mas não! Tem que ter mais aventura e adrenalina por aqui. O macaco que pegou na minha perna, larga e pega em minhas mãos, começa a me arrastar no chão, deixando meu lindo rosto esfolado e quase me matando. Outro, pra piorar sobe em cima de mim e começa a arrancar meus cabelos. Muito fraco, não consigo me mexer, logo perderei a consciência. Eu poderia suportar isso. Sério! Mas outros dois macacos querem brincar também. Um começa a cortar meus dedos. A essa altura não sei se paramos ou não. O quarto macaco enfia larvas – Eu acho – Dentro de meus cortes. Mas por milagre. Eu ainda consigo ligar os pontos antes de apagar total. Um vulto preto pula pra cima de nós no meu quarto dedo cortado.

É uma pantera.

Rick

Inicialmente fico em desespero. Mas não demora muito pra que eu perceba que as mãos são de Helen. Olho para ela. Nua, agua pinga de seu corpo. Seu cabelo está preto, seus olhos brilham. Suas intenções ficam muito claras. Se ela quer, o que eu posso fazer? Deixo-me levar.

Ela me puxa para debaixo da agua. Começa a me despir. Beijo a ternamente, passando a mão pelo seu corpo, magro, porém curvilíneo. Após algum tempo curtindo, décimos que já era hora e penetro-a.

Ela arranha minhas costas, gemendo.

Ela não é virgem, mas isso não me importa. Não agora. É como se não tivesse como parar. Sinto um desejo fulminante de ir mais além. Ela começa a ansiar também.

Finalmente chegamos ao Clímax. Ela cai em meus braços, ofegante. Juntos, caímos no chão, ela fica por cima de mim. Ficamos assim por um longo tempo, depois decidimos tomar banho juntos. Fiquemos brincando por um longo tempo. Ela jogava espuma em mim e eu fazia cocegas nela.

Ouvimos uma batida forte na porta.

− Andem logo! Faz mais de uma hora que estão ali! – Era Raquel.

Secamos-nos em silencio, sem proferir uma única palavra. Depois de estarmos vestidos olho para ela. Ela faz a mesma coisa. Não precisamos de palavras. Gestos falam muito mais. Beijo a rapidamente, mas com carinho. Ela sorri pra mim e saímos do banheiro.

Raquel e Mandy ficam lá dentro por meia hora. A cada cinco minutos Raquel dava um grito, inicialmente fiquemos preocupados, depois vimos – adivinhamos, pois ela não iria nos contar – que era Mandy sendo curiosa. Rimos muito.

Fomos todos pra cama, cansados.

Devia ser umas oito horas quando aconteceu. Uma luz verde intensa brilhou no meio do quarto. Mandy, apavorada, queria fugir. Mas a luz nos sugou. Por um momento fiquei cego, meus olhos ardiam. Mas depois consegui ver onde estávamos. O lugar era quente, mais quente do que a Florida. Era uma mata fechada. Estávamos perto de um regato. Mandy nos guiou – De pijama, todos nós estávamos – por uma colina. Disse que havia certa onda sonora vinda dali. Chegamos ao topo facilmente graças a ela.

Fomos a beirada, lá em baixo via se um prédio com uma cúpula.

− Eu dei um zoom e vi que há desenhos satânicos, de tortura e supostamente o inferno no vidro – Começou Mandy, ela vira um pouco a cabeça – Vejo uma pantera negra indo em direção a um bando de macacos.

Ela parece nervosa.

− Eles estão próximos? − Pergunto

− Infelizmente não.

− Por que infelizmente? Qual problema?

− Eles estão torturando o Lipe.

Notas finais
Próximo cap.:"Não vejo, mas sinto quando Mandy se afasta de nós, indo em direção à pantera. Ouço depois de um tempo um não e um grito. O grito era da Mandy"