Double Game (jogo Duplo)
5 Capítulo 5 - Virgindade
Acordei a meio da noite com frio. Sentei-me na cama meio ensonada e olhei á minha volta. A janela estava fechada como eu a deixei e a porta igualmente. Levantei-me e saí do meu quarto, descendo as escadas. Entrei na sala e vi Francisco, acordado a mudar os canais da televisão, em boxers.
- Olá. – Disse, fazendo os possíveis e os impossíveis para não olhar para nenhum sítio para além da cara de Francisco.
- Olá. – Respondeu-me, virando-se para trás e sorrindo. Caminhei até ao sofá e sentei-me ao seu lado. – Não conseguiste dormir? – Perguntou-me, erguendo uma das suas sobrancelhas.
- Estava com frio. – Admiti. – E tu? – Perguntei-lhe, olhando para os seus olhos verdes-acastanhados.
- O teu irmão expulsou-me da cama. – Gracejou, sorrindo fazendo-me a mim rir – Rick sempre fizera aquilo, parecia que odiava ter alguém na sua “propriedade”.
- Queres ir dormir comigo? – Perguntei-lhe, levantando-me. Se calhar conseguiria adormecer com o calor humano de alguém.
- Tens a certeza? – Perguntou-me ele, levantando-se também. Acenei com a cabeça e revirei os olhos. Comecei a caminhar para o meu quarto e Francisco seguiu-me.
- Tens falado com a Karen? – Perguntei-lhe a olhar para o chão, engolindo em seco.
- De vez em quando. – Respondeu, encolhendo os ombros. – Porquê? – Perguntou-me, fazendo-me levantar a cabeça e corar.
- Nada, curiosidade. – Respondi, andando mais rápido. Ouvi Francisco rir-se atrás de mim.
- Ciumenta. – Disse, batendo-me na cabeça, levemente, duas vezes.
Não respondi, não havia nada a responder. Era verdade, tinha ciúmes, mas tinha motivos para isso, Karen é alta, bonita, loira, tem olhos azuis – ela é modelo, caraças – enquanto eu me contento com um terrível tamanho abaixo da média, uma cara medonha e ainda pior pela manhã, um cabelo castanho e uns olhos castanhos-esverdeados em remoinho.
- Ficas do lado esquerdo ou direito? – Perguntei, erguendo uma sobrancelha e apontando para a cama.
- Esquerdo. – Respondeu ele e enfiou-se dentro da cama, virado para o lado direito.
Puxei os lençóis para trás e deitei-me do lado direito, virada de costas para Francisco. Fechei os olhos, tentando adormecer, mas não conseguia. Estava constantemente a pensar em Francisco e Karen juntos. Acabei por me virar para o outro lado e vi Francisco de olhos fechados.
- Francisco? – Perguntei, baixinho. Francisco abriu os olhos e olhou para mim. Engoli em seco e tentei ganhar coragem. – Tu gostas da Karen? – Acabei por perguntar, desviando o olhar do dele.
- Sinto-me atraído, mas penso que seja normal. – Respondeu, encolhendo os ombros. – Quer dizer, a Karen é bonita e quando a conhecemos melhor é porreira, mas não consigo dizer que gosto dela. – Acrescentou, colocando-me a mão da minha bochecha, que provavelmente deveria estar vermelha, mas estava escuro, portanto ele dificilmente veria. – Afinal, eu não conseguiria gostar de alguém que não fosse tu. – Completou, fazendo-me pequenas festas com o polegar. Coloquei-me de joelhos sobre a cama e Francisco, sentou-se na mesma, confuso. – Está tudo bem, Sarah? – Perguntou-me.
Não lhe respondi. Provavelmente estaria a cometer um erro ao fazer aquilo, mas ainda faria um erro maior se não o fizesse. Aproximei-me dele devagar, de joelhos, e coloquei uma perna de cada lado das suas.
- Sarah? – Perguntou-me, ainda mais confuso. Agarrei nas suas mãos e coloquei-as na minha cintura, aproximando, de seguida, a minha face da sua. – Sarah. – A sua voz agora não passava de um sussurro. Os nossos lábios rasparam um no outro e eu aprofundei mais o beijo, colocando os braços á volta do seu pescoço. As suas mãos desceram da minha cintura para as minhas ancas, contornando todas as curvas do meu corpo.
Levei as minhas mãos ao elástico dos boxers de Francisco, começando a tirá-los do corpo dele, enquanto ele fazia o mesmo com a minha camisola, deixando-me com o tronco todo nu á mostra. Mandei os boxers dele para um canto, deixando-o completamente nu. A sua boca foi descendo, devagarinho, pelo meu pescoço, chegando pelo meu peito, até chegar ao sítio onde se encontrava a renda das minhas cuecas. Devagar, levou as suas mãos a estas e tirou-as, deixando-as cair ao lado da cama.
- Tens a certeza? – Perguntou-me Francisco, entre suspiros e sussurros.
- Tenho. – Respondi, num suspiro.
Senti uma dor bastante forte, como se alguém estivesse a arrancar-me qualquer coisa. Quando ia começar a gritar, Francisco beijou-me. As lágrimas começaram a escorrer-me pela cara abaixo, enquanto Francisco estava em cima de mim. As dores continuavam, mas com elas também o prazer e o desejo. Coloquei as minhas pernas á volta da cintura de Francisco, e virei-o ao contrário, de maneira a que ele ficasse por baixo. As lágrimas continuavam a escorrer-me pela cara. Mordi o lábio para não gritar e Francisco, ao perceber o meu esforço, inclinou o seu tronco para cima e beijou-me. Correspondi o beijo, levando as minhas mãos às suas costas e cravando as unhas na sua pele. Senti o sal das minhas lágrimas nos meus lábios, que ainda estavam colados aos de Francisco, portanto ele também deve ter sentido. As dores não paravam, fizesse eu o que fizesse, mas não ia parar. Não queria parar.
***
O sol bateu-me nas pálpebras cansadas. Abri os olhos, devagar, e olhei para o meu lado esquerdo – Francisco não estava lá. Levantei-me e fui ao meu armário buscar umas cuecas lavadas e vesti a camisola da noite passada. Olhei para a minha cama e vi uma enorme mancha vermelha de sangue. Tirei os lençóis o mais rápido que pude e meti-os no cesto da roupa – teria de ser eu a lavar a roupa.
Desci até á cozinha e vi Francisco, sentado de costas para a porta e o meu irmão na outra ponta da mesa.
- Bom dia. – Cumprimentou-me ele. Aproximei-me de Rick e dei-lhe um beijo na bochecha, dando um olhar rápido a Francisco.
- Bom dia. – Repeti e aproximei-me do armário, de onde tirei uma caneca.
- Bom dia, Sarah. – Disse Francisco com um sorriso. Virei-me para ele, enquanto caminhava até ao frigorífico e sorri-lhe.
- Bom dia. – Respondi e tirei o pacote de leite do frigorífico, enchendo a minha caneca com este e voltei a guardar o pacote.
Karen entrou na cozinha naquele momento, apenas em lingerie, com cuecas em fio dental, vermelha. Como é que ela podia andar naquelas figuras pela casa com o Francisco cá? Olhei-a pelo canto do olho, mas nunca directamente. Coloquei a minha caneca no microondas, quando ouvi um guincho de Karen. Virei-me rapidamente, assustada, e vi Karen passar as mãos pelas costas de Francisco.
- Isso são marcas de unhas? – Perguntou-lhe, de olhos bem abertos.
- Ah, pois. – Respondeu Francisco, atrapalhado, a rir-se. Continuei de volta do meu leite, sem dizer nada.
- Sacana, tu não dormiste no sofá. – Respondeu Rick, rindo-se. Bolas! – Quem é ela? – Perguntou-lhe. Ouvi o microondas avisar-me que o leite já estava aquecido. Tirei a caneca e comecei a colocar-lhe açúcar.
- Foi uma rapariga que encontrei num bar. – Respondeu ele, rindo-se. – Acho que se chamava Julie. – Concluiu. Depois de mexer o açúcar, coloquei a colher no lava-loiça e bebi o leite rapidamente.
Voltei para o meu quarto, onde vesti umas jeans justas e uma camisola dos Guns N’ Roses. Saí porta fora e caminhei até um canto do jardim que tinha relva e uma árvore enorme, onde me encostei a apanhar sombra.
Como é que aquilo tinha acontecido? Como é que eu passei da pessoa mais indesejada do mundo, para a pessoas mais concorrida? Aquilo dava cabo de mim. Namorava com Ethan e recusara-me a ter relações sexuais com ele para, duas semanas depois, perder a virgindade com Francisco.
Bocejei. Não tinha dormido nada na noite anterior, pelas razões óbvias. Encostei a cabeça ao tronco robusto da árvore e deixei-me adormecer, com o vento a soprar levemente na minha cara.
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