Double Game (jogo Duplo)

4 Capítulo 4 - Cameron


- Onde é que vais? – Perguntou-me Francisco, enquanto eu tentava descobrir um vestido, decente para levar á festa.

- O Ethan convidou-me para eu ir á festa de lançamento do seu novo álbum. – Respondi, agarrando num vestido preto, justo, de manga curta e decote circular, com duas grandes abas a começarem na cintura e a acabarem no meio da coxa. – Gostas? – Perguntei-lhe, apontando para o vestido.

- É bonito. – Afirmou, acenando com a cabeça. Sorri e coloquei-me atrás do biombo com um print de Nova Iorque.

- Onde é que ela vai? – Ouvi a voz do meu irmão a perguntar e espreitei por uma fresta do biombo – ele estava á porta do meu quarto a rir-se.

- Á festa de lançamento do novo álbum do namorado. – Respondeu o Francisco.

- Quer dizer, para ires a uma festa com os teus irmãos fazes um drama enorme para pôr um vestido, vais á festa do outro tolo e a primeira coisa em que pegas é um vestido? – Perguntou-me o meu irmão, assim que saí de detrás do biombo.

- Por ser com os meus irmãos, é que eu me recusava a ir. – Respondi, sorrindo-lhe. – Apertas? – Perguntei-lhe afastando o cabelo do fecho e virando as minhas costas para Rick.

- Essa foi baixa. – Respondeu Rick, enquanto puxava o fecho para cima.

- Não é por tua causa. – Respondi, virando-me quando ele acabou de apertar o fecho. – Foi por causa da Karen e tu sabes bem disso. – Concluí, calçando os meus botins pretos de salto alto e agarrando num casaco de cabedal.

- Bem, já que estás despachada, vou para o meu quarto. – Afirmou Rick, com um sorriso. – Vens? – Perguntou a Francisco.

- Vou, vai andando. – Respondeu, quando Rick passou por ele. Não disse nada, penso que, naquele momento não havia nada para dizer. – Estás bonita. – Disse-me com um sorriso nos lábios, que eu sabia que era falso.

- Obrigado. – Respondi, retribuindo-lhe o sorriso. Francisco, virou-se para ir embora e eu, vesti o meu casaco e saí.

***

A festa estava ao rubro, para as outras pessoas, afinal, toda a gente conseguia a atenção do meu namorado, menos eu. Ethan tinha um braço á volta da minha cintura e cada vez que passávamos por uma rapariga gira que se tentava atirar a ele, ele apontava para mim e dizia que eu era sua namorada.

- Vou á casa de banho. – Afirmei com um sorriso, tirando o seu braço da minha cintura e começando a afastar-me.

Não sabia ao certo onde era a casa de banho, então andava um pouco á deriva. Enquanto andava, pessoas que eu já conhecia, sorriam-me e eu era obrigada a retribuir o sorriso. Cheguei ao pé de uma porta com um desenho de uma mulher e entrei, mas preferi não o ter feito. Quando entrei, vi uma data de raparigas rejeitadas por Ethan que se aproximaram de mim com um ar ameaçador a fazer-me todo o tipo de perguntas – eu devia estar no inferno, porque só conseguia ver várias versões da Karen á minha frente.

Quando finalmente, tive a oportunidade de sair da casa de banho, não hesitei. Já fora desta, larguei um suspiro pesado. Nunca me sentira tão cansada na vida. Olhei para o lado e vi uma escada em forma de caracol, escondidas pela escuridão. Olhei para a frente e para o outro lado, apenas para confirmar se não havia ninguém que me visse e comecei a subir as escadas ferrugentas.

Chegando ao topo, via-se o céu nocturno, cheio de estrelas. Estava no telhado, isso era mais que óbvio. Descalcei os meus botins e coloquei os meus pés nus em cima do cimento.

- Dia duro? – Perguntou-me uma voz, vinda do meu lado esquerdo. Virei a cabeça e vi, o que deveria ser, o irmão do Ethan, sentado no cimento, a olhar para mim.

- Nem imaginas como. – Respondi, sentando-me ao lado do rapaz. – Sou a Sarah. – Disse, esticando a minha mão.

- Cameron. – Respondeu, sem me apertar a mão – isso foi um bocadinho desnecessário. – Não deverias estar na festa a salvar o meu irmão das quinhentas raparigas? – Perguntou-me erguendo a sua sobrancelha.

- Devia, mas os músculos da minha cara precisam de descansar. – Gracejei sorrindo-lhe. Cameron, que olhava para mim, virou o seu olhar para o céu nocturno.

Ficámos em silêncio, não havia muito para dizer. Cameron era o tipo de rapaz com quem eu nunca me consegui dar – era mesquinho, pouco falador, desprezível, mas apesar disso, não caí do meu pedestal.

- És bonita. – Afirmou, sem nunca me olhar na cara. Sorri, levemente.

- Obrigado. – Agradeci, olhando para ele.

A conversa acabou por fluir facilmente, entre nós os dois. Cameron, por um lado, é o tipo de rapaz que eu odeio, mas por outro, é do tipo que eu me sinto mais atraída. O relógio marcava a meia-noite e meia quando Cameron e eu descemos as escadas de volta á multidão de raparigas.

Ethan teve de ficar na festa, portanto não me pode trazer a casa. Cameron ainda se ofereceu, mas eu recusei, não o queria incomodar, portanto apanhei um táxi. A viagem até minha casa ainda demorou cerca de meia hora, o que foi péssimo, porque eu estava a morrer de sono.

Quando abri a porta de casa, deparei-me com Francisco sentado no sofá, apenas em calças de pijama, a dormir que nem um bebé. A televisão estava ligada, com o volume baixo e o comando no chão. Sorri, revirei os olhos e caminhei na direcção dele, colocando-lhe uma manta por cima do corpo. Apaguei a televisão e a luz da sala e subi para o meu quarto, onde me deitei.