Dormindo com o Inimigo
1 Reencontro Inesperado
Notas iniciais
O ruivo ficou em choque ao ver aquela cena. Ficou estático, sem se mover, sem sequer respirar. Lentamente, oscilou para o lado e se apoiou na porta para não cair. Com o coração aos pulos, sentiu as lágrimas queimando seus olhos, caindo pesadamente pela face.
Quando finalmente pensou que poderia ser feliz, que nada mais podia acabar com a alegria que sentia... Não, negava-se a acreditar.
Inconscientemente levou a mão direita à boca, a fim de tentar segurar o choro. Mas o brilho da aliança prateada brilhou em seu dedo, chamando-lhe a atenção. Observou atentamente a peça que significava mais do que tudo para ele, tomando uma decisão. Sabia o que tinha que fazer.
Enxugou as lágrimas que manchavam seu rosto e se retirou lentamente do aposento.
oOo
Um ano antes...
Em um bairro aos arredores de Tóquio, Otoya Ittoki se preparava para mais um turno de trabalho. Tomou um banho rápido, trocou de roupa, fez uma breve refeição e já se preparava para partir, quando sentiu que era observado por alguém. Ao se virar, notou a presença de Yumiko, a diretora do orfanato onde fora criado.
Ela era uma senhora de 52 anos, que havia dedicado a maior parte de sua vida para cuidar de crianças que não tinham mais ninguém no mundo. Ela era bondosa, carinhosa, amável e compreensiva, mas sabia ter mão de ferro quando queria. Fazia de tudo por aquelas crianças, ela as amava, e as crianças a amavam.
Na verdade Yumiko era quase uma mãe para elas, e com Otoya não era diferente. Ela havia cuidado dele desde que sua mãe falecera, quando ele tinha 14 anos. Ela lhe deu suporte, apoio e um ombro para chorar. Ajudou-o a superar a morte da mãe, e aos poucos foi se tornando especial para o menino. Quando ele se deu conta, aquele lugar havia virado seu lar, as outras crianças eram seus irmãos, e Yumiko era sua segunda mãe.
– O que foi, Yumiko-san? – Questionou ao perceber que ela queria lhe falar algo.
– Otoya-chan, você sabe que não precisa se esforçar tanto para ajudar nas despesas do orfanato... Você mal para aqui, só trabalha e trabalha. Eu sei que ter dois empregos não deve ser fácil para você.
Otoya se aproximou dela, sorrindo carinhosamente. Ela sempre se preocupava com seu bem-estar. Tomou suas mãos entre as suas.
– Yumiko-san, já disse que não precisa se preocupar. Apesar de ajudar nas despesas, eu consigo guardar um bom dinheiro por mês, graças aos meus dois empregos. É cansativo sim, mas eu prometo que eu largo o meu emprego noturno quando eu conseguir dinheiro suficiente para entrar na Academia Saotome.
A Academia Saotome era uma renomada escola de música. O sonho de Otoya sempre foi ser um cantor, e ele trabalhava arduamente para conseguir juntar dinheiro e entrar na escola.
– Está bem, me desculpe... Eu sei que me preocupo à toa, mas o seu emprego... bem... garçom de uma casa noturna não é exatamente o emprego que eu queria que você tivesse...
– Há, há, há, há... É temporário, não se preocupe. Além disso, eles pagam bem melhor que lá na lanchonete.
Durante o dia, Otoya trabalhava em uma rede de fast food como atendente de mesas. À noite, sua vida era outra. Só que ele mentira para Yumiko quando disse que trabalhava de garçom. Ele trabalhava sim, em uma boate noturna, mas na verdade ele era garoto de programa. Mas não um garoto de programa qualquer. Otoya era unissex, ou seja, atendia homens e mulheres.
Ele jamais podia deixar que Yumiko descobrisse sobre seu emprego. Sabia que ela o repudiaria se soubesse, e não podia sequer pensar nessa hipótese. Só aceitou trabalhar lá porque a oferta era irrecusável. Em um dia tirava o equivalente a uma semana de trabalho na lanchonete.
Yumiko apertou as mãos de Otoya entre as suas.
– Além disso... As crianças sentem sua falta. Elas gostam de você como se fosse o irmão mais velho delas. O bazar de amanhã, elas queriam tanto que você tivesse participado dos preparativos...
Algumas vezes, as crianças preparavam um bazar para arrecadar fundos para o orfanato.
– Eu sei... Eu já me desculpei com elas, e sei que elas entendem o porquê de eu não ter podido ajudar nos preparativos. Eu tenho certeza que mesmo sem mim elas fizeram um ótimo trabalho. Eu preciso ir, senão vou me atrasar.
Se inclinou e depositou um beijo em sua testa.
– Ittekimasu.
– Itterasshai.
oOo
Ao entrar na boate, Otoya suspirou pesadamente. Um dia sairia daquela vida. Apesar do horário, o local já estava cheio, seria uma noite movimentada.
A casa noturna em que trabalhava era famosa por garantir a total privacidade sobre os clientes. Quem não quisesse se identificar tinha a opção de colocar uma máscara sobre o rosto. Clientes mais novos tinham o hábito de usá-las no começo. À medida em que frequentavam o local, ficavam mais à vontade para mostrar seus rostos e dizer seus nomes.
A maioria dos clientes que Otoya atendia eram homens, e a maioria deles optava por usar máscara. Raramente via o rosto de seus parceiros.
Ao avistar seus colegas juntos ao redor de uma das mesas, decidiu se juntar à eles.
– Boa noite, pessoal. – Cumprimentou-os.
– Boa noite. – Responderam em uníssono.
Ao avistar o garçom, Otoya chamou-o com um gesto.
– Boa noite, Ittoki-kun. O que você vai beber? – Perguntou o rapaz.
– Boa noite, Ryo. Eu vou querer uma cerveja média. O dia foi puxado na lanchonete hoje.
– O quê? Ittoki-kun vai beber? Isso é raro. – Quem falou foi Asuka, uma das garotas. Todos os outros riram, concordando com ela.
O próximo a falar foi Yosuke. Seu trabalho era o mesmo de Otoya, ou seja, ele também era garoto de programa unissex.
– Cuidado, Ittoki-kun. Se você ficar bêbado, nenhum gostosão vai querer fazer programa com você hoje. Se bem que não era uma má ideia, assim todos eles ficariam para mim.
Yosuke abraçou o próprio corpo, com uma expressão sonhadora no rosto, fazendo todos caírem na gargalhada.
– Não se preocupe, não vou ficar bêbado só com uma cerveja. – O colega fez um biquinho descontente com a afirmação, fazendo todos rirem mais uma vez.
De repente, Yosuke se levantou, assustando a todos.
– Cliente!
E saiu correndo como um jato, como um leão que persegue sua presa, deixando um atrasado Otoya para trás.
– Ahhh, não é justo! Ele estava de frente para a porta! – Reclamou o Ittoki. Na verdade, a reclamação era apenas de brincadeira, pois jamais disputaria um cliente com o amigo. Sabia que agora o próximo seria seu.
– Uau, olha como ele é lindo! – Asuka comentou, referindo-se ao cliente de Yosuke. O homem era alto, de corpo bem definido e não usava máscara. Otoya sentiu uma pontinha de inveja do amigo.
– Aff, por que pra mim só aparecem novatos?
– Há, há, há!!! Calma, Oto-chan, sua hora ainda vai chegar. Você ainda vai pegar um cliente bem gostosão e bom de cama.
– Não me chame assim! – Falou fazendo um biquinho. Odiava ser tratado como criança no trabalho.
Nessa hora entrou um rapaz, com uma etiqueta azul colada na frente da roupa. Esse era o método de seleção dos clientes. Se um cliente masculino entrasse usando uma etiqueta rosa, significava que ele queria ser atendido por uma mulher, se fosse azul, um homem iria atendê-lo. O mesmo valia para as mulheres.
O recém chegado usava uma máscara azul claro sobre o rosto. Otoya olhou de esguelha para Asuka.
– Acertou no gostosão, mas errou na máscara. Agora vamos ver se é bom de cama.
Ela fez um sinal de “positivo” para ele.
– Boa sorte.
Otoya se aproximou rapidamente do recém chegado.
– Boa noite, posso ser sua companhia hoje?
O rapaz era alto, magro e sua pele era bem bronzeada. Apesar da luz fraca, pode perceber que seus cabelos eram azuis escuros. Ele lançou um olhar desinteressado para Otoya.
– Yosuke está?
– Ele está atendendo um cliente, mas se você qui-
– Então eu vou esperar.
Dirigiu-se a uma das confortáveis poltronas e sentou-se.
Otoya ficou pasmo. Acabara de ser rejeitado! Pela primeira vez desde que entrara ali um cliente não o queria. “Ah, mas não vai ficar assim! Eu me recuso a perder um cliente!”.
– Hum, eu acho que ele vai demorar um pouco, ele acabou de entrar.
– Não tem problema, eu não estou com pressa.
Otoya ficava cada vez mais irritado.
– Está bem. Se mudar de ideia, estarei logo ali, no bar.
Por dentro fervia de raiva, mas por fora exibia o seu sorriso mais radiante. Desistir era apenas uma estratégia para despertar o interesse do cliente. Sabia que ele cansaria de esperar, e uma hora iria procurá-lo.
Dirigiu-se ao bar, pedindo a cerveja que não chegara a beber.
– Rejeitado por um cliente? Que dia cheio de surpresas. – Zombou Ryo.
– Cale a boca! Ele vai mudar de ideia.
Sorveu todo o líquido em apenas um gole, para espanto de Ryo.
– Eu vou dançar.
Levantou-se e foi para a pista de dança. Ao som de uma agitada música, fechou os olhos, e se deixou levar pela melodia.
Ao longe, era observado pelo estranho que o rejeitara. Ele lhe parecia estranhamente familiar, o cabelo mais ruivo que já vira, o rosto inocente. Sabia que já o tinha visto antes, mas não lembrava de onde. Tinha certeza que não era da boate, nunca o tinha visto ali.
De longe, achou-o extremamente sexy. Os movimentos sensuais que fazia lhe despertaram o interesse. Determinado a tentar descobrir de onde o conhecia, levantou-se e se aproximou do ruivo.
– Acho que não vou esperar por Yosuke. – Sussurrou ao pé do ouvido do Ittoki, que dançava descontraidamente, fazendo-o pular de susto.
– Ah, isso é... bem... por aqui...
Estava totalmente concentrado na música, e ao ser surpreendido, esqueceu até o que tinha que falar.
O moreno ergueu uma sobrancelha. Até seu modo de falar lhe lembrava alguém.
Otoya o guiou até seu quarto privativo, lançando um olhar de desdém para Ryo. Este apenas deu de ombros.
O quarto de Otoya era muito aconchegante. Havia uma enorme cama no centro do quarto, enfeitada com várias almofadas e travesseiros. O outro móvel do aposento era um criado mudo com três gavetas, que combinava com a cama e a pintura das paredes, amarelas. A luz fraca dava ao local um ar misterioso e sexy, perfeita para o que iriam fazer ali.
Otoya entrou depois do moreno e trancou a porta atrás de si. Ao ver o olhar interrogativo do outro, respondeu com um ar travesso:
– Não queremos ser incomodados, não é?
Aproximou-se do maior com um sorriso malicioso nos lábios. Em um segundo, seu rosto passara de inocente para extremamente sexy. Empurrou-o delicadamente para a cama, enquanto falava.
– O que você gosta de fazer?
– Não tenho algo específico.
As pernas do moreno bateram contra a cama, fazendo-o sentar-se sobre a mesma.
– Então o que você não gosta de fazer?
O Ittoki retirou a camiseta, ficando com o peito nu na sua frente. “Que corpo...”, pensou o moreno.
– Eu não beijo na boca.
– Ok, sem beijo na boca. Mais alguma coisa? – O moreno respondeu negativamente. – Como posso te chamar?
Ele ficou pensativo por um instante. Yosuke nunca perguntara isso para ele. Na verdade, nunca conversaram assim, ele nem havia perguntado o que não gostava de fazer.
– Pode me chamar como quiser.
Otoya se abaixou e retirou a calça, ficando somente com a cueca boxer branca que usava. Viu o olhar desejoso do outro sobre seu corpo e sorriu triunfante, sentando-se em seu colo e abraçando seu pescoço. De perto, podia analisar melhor a máscara que este usava: azul-claro, adornada de pequenas pedrinhas douradas, que tapava ao redor dos olhos e contornava seu nariz, deixando a boca livre. Olhou desejoso para sua boca e mordeu o lábio inferior enquanto escolhia um nome para ele. O coração do maior bateu mais rápido em expectativa.
– Hum... Deixe-me ver... – Então encontrou o nome perfeito para ele. – Essa noite você será Tokiya.
O maior arregalou os olhos. Agora lembrava-se de onde o conhecia. Em sua mente apareceu a imagem de um menino ruivo, com quem ele brigava pelo motivo mais fútil e bizarro que surgisse. Mas aquele homem sexy e atraente sentado em seu colo lembrava apenas vagamente aquele menino tímido e desajeitado que estudara com ele.
“Isso vai ser interessante.”, pensou.
– Você é seme ou uke? – Perguntou o ruivo despudoramente.
– Seme.
Otoya inclinou-se e deitou-o de costas na cama, ficando por cima. Deitou-se sobre ele até chegar ao ouvido de Tokiya.
– Eu adoro ser comido. – Disse sensualmente, causando arrepios no maior.
Apoiando os braços ao lado da cabeça de Tokiya, moveu o quadril vagarosamente, rebolando sobre o membro do maior.
– Gosta disso?
Sem dar-lhe tempo para responder, aumentou a pressão sobre o pênis do maior, fazendo com que ambos ficassem excitados. Otoya observou com satisfação as reações de Tokiya diante do prazer proporcionado, os olhos semicerrados, a boca entreaberta, deixando escapar pequenos suspiros de contentamento.
Sem perder mais tempo, Otoya atacou a carne exposta do pescoço do maior, mordendo e chupando intensamente, enquanto acariciava o membro de Tokiya por cima da calça, fazendo o moreno gemer embaixo de si. O gosto da sua pele era maravilhoso, o melhor que já havia provado. Quando ficou satisfeito, levantou o corpo e fitou os olhos do moreno.
– Me mostre seu corpo. – Pediu com a voz rouca de excitação. – Quero apreciar cada parte dele, beijá-lo e marcá-lo, sentir o seu gosto.
Tokiya já estava mais do que excitado. Num movimento rápido, inverteu as posições, ficando por cima do menor. Rapidamente, retirou a camiseta que usava, ficando com o peito nu. A boca do ruivo salivou com aquela visão excitante do moreno.
– Você é muito provocante... – Disse o maior, enquanto acariciava o corpo abaixo do seu. – Isso me excita...
O ruivo o fitou com malícia.
– Gosta de ser provocado, Tokiya? – Perguntou com a voz baixa e sedutora.
– E você? Gosta de ser provocado?
– Adoro...
O maior passou as mãos pelo peito do ruivo, descendo até chegar na barra da cueca. Desceu o olhar para o volume que já estava formado ali, e acariciou-o por cima do tecido mesmo, arrancando um gemido profundo do menor.
– Hummmmm...
Tokiya continuou com carícias torturantemente lentas, levando Otoya à beira da loucura. Em determinado momento, deu um aperto forte, fazendo o mais novo arquear o corpo e gritar.
– Ahhh... P-por favor...
Tokiya sorriu.
– Qual é o problema?
– V-você está me t-torturando de propósito...
– Ah, está falando disso? – E deu mais um aperto firme no membro do menor.
– Ahhh!!
O moreno se curvou e falou provocante ao pé do ouvido do Ittoki:
– Quer que eu te chupe?
Otoya quase gozou com aquelas palavras.
– Quero... Me chupa, Tokiya!
Sua voz saiu rouca no ouvido do maior.
Lentamente, retirou a única peça que o menor ainda usava e voltou a sentar-se nas pernas do Ittoki, segurando o membro pulsante com uma das mãos.
– Nada mal...
Elogiou, se referindo ao tamanho do pênis do parceiro. O menor se apoiou nos cotovelos e o olhou cheio de malícia.
– Gostou?
– Adorei... – Respondeu, no mesmo tom de malícia – Mas eu acho que vai ficar bem melhor na minha boca. Não concorda?
O corpo de Otoya tremeu de desejo.
– Sim... Tokiya, me faça gozar na sua boca...
Tokiya sentiu seu membro ficar dolorosamente maior dentro da cueca ao ouvir as palavras despudoradas do outro. Seu corpo se arrepiou até o último fio de cabelo.
Se inclinou em direção ao membro latejante em sua mão. O menor mordeu o lábio inferior, sua vontade era puxar Tokiya para si e beijar aquela boca deliciosamente provocante.
Jogou a cabeça para trás e expirou o ar ruidosamente ao sentir a língua de Tokiya circulando a glande, e em seguida lamber seu pênis da base até a ponta, fazendo-o arfar. Soltou um grito quando o maior abocanhou seu membro de uma só vez.
– Ahhhh!!
Tokiya começou a sugar o membro num ritmo mais forte, e o menor perdeu as forças dos braços que o sustentavam, caindo de costas na cama, enquanto gemia descontroladamente diante do imenso prazer que sentia.
– T-Tokiya...!!! Aaaahhh!!! Isso... Ahh!!!
A boca de Tokiya era macia e gostosa, e cada vez que o maior circulava seu membro com a língua, um choque elétrico passava pelo corpo do ruivo, levando-o à beira da loucura. E fantasiar que aquele que estava ali, lhe dando prazer, era o seu antigo amor de adolescência, aumentava seu desejo. Fazia muito tempo que ele não sentia prazer assim com um simples boquete, principalmente quando seu cliente era desconhecido.
Com a mão livre, Tokiya acariciou os testículos do ruivo, fazendo-o arquear-se na cama.
– Aahh!!! A-assim eu v-vou... g-gozar... Tokiya!!!
Em resposta, o moreno chupou-o com mais intensidade. Otoya levou suas mãos à cabeleira do maior, aprofundando a boca gostosa em seu membro. Em seguida sentiu seu membro ficar mais duro, se derramando na boca do outro, que engoliu todo o esperma do parceiro.
Otoya arfava, aquele orgasmo foi maravilhoso, o melhor que já tivera.
– Isso foi... maravilhoso...
– Você gozou bastante. Gostou da minha boca, não é?
Otoya não conseguiu evitar de corar com essas palavras. Tokiya se inclinou sobre ele e se aproximou perigosamente da boca de Otoya, que fitou desejosamente a do moreno.
– Eu adorei sua boca, ela é deliciosa! – Fez uma pequena pausa. – Não fique tão próximo assim... Eu estou com uma vontade louca de te beijar.
– Não. Sem beijo na boca.
– Eu sei, por isso peço pra que não se aproxime tanto. Senão...
O ruivo hesitou por um momento.
– Senão? – Perguntou sedutoramente o moreno.
– Senão eu não vou ser capaz de me segurar.
Tokiya também sentiu uma necessidade urgente de provar a boca do menor, mas hesitou. Isso seria quebrar suas próprias regras, e se tinha uma coisa que Tokiya Ichinose não fazia era abrir exceções às suas regras.
Assim, desviou a atenção do menor atacando seu pescoço, dando chupões que ficariam marcados no outro dia. Desceu pelo tronco do Ittoki, marcando-o onde podia, fazendo-o gemer novamente.
– Aaahhh... Tokiya...
Adorava seus gemidos, eram doces e provocantes ao mesmo tempo, e faziam seu membro reagir no mesmo instante.
Sugou seu mamilo direito com maestria, enquanto o outro recebia atenção de seus dedos. Circulava a língua ao redor e dava pequenas mordidinhas, e sentia o menor puxar seus cabelos conforme as ondas de prazer faziam seu corpo começar a reagir novamente.
Mas Otoya também queria dar prazer à ele, então girou o corpo, invertendo as posições e ficando por cima novamente.
– Desculpe, mas estou louco para que me foda logo.
Respondeu à pergunta muda feita pelo maior.
– E parece que você também precisa de atenção.
Rebolou no colo de Tokiya, sentindo em sua bunda a enorme ereção formada debaixo da calça.
– Isso deve estar te incomodando... Eu acho melhor retirar essa calça.
Rapidamente retirou a calça do moreno, juntamente com a cueca e contemplou a visão do homem deitado nu na sua frente, extremamente excitado. Mordeu o lábio inferior ao admirar o tamanho do outro. Tokiya se perguntou se ele sabia o quanto ficava sexy quando fazia isso.
– Nossa, você é bem dotado.
Segurou o membro rijo em sua mão e bombeou em velocidade mediana. Viu com satisfação o corpo do maior se contorcer de prazer e ele agarrar o lençol da cama com força.
– Está tão duro...
Ainda segurando a base do pênis, circulou sua língua pela glande várias vezes, enquanto sua mão livre brincava com seus testículos.
– Ahh...
Tokiya gemeu em contentamento. Sentia a língua quente e úmida circulando em torno do seu membro, lubrificando-o. Gritou de puro prazer quando sentiu a boca gostosa do menor envolver seu falo duro todo de uma vez, atingindo sua garganta. As chupadas já começaram intensas, fazendo o maior se agarrar com mais força ao lençol, quase rasgando-o.
– Isso... Aaahhh!!
Olhou para baixo e viu a cabeça do ruivo subindo e descendo com velocidade, e seu tesão aumentou mais ao perceber a face extremamente corada do ruivo. Os sons eróticos produzidos pelo ato o fizeram fica mais duro, o orgasmo estava próximo e o maior gritava a plenos pulmões.
Mas Otoya queria que ele gozasse dentro de si, então levantou o corpo, ouvindo os gemidos de protesto do moreno.
– Preciso de você agora. Não aguento mais...
– Deixa eu te preparar.
– Não precisa.
– Mas vai doer!
Otoya se inclinou sobre o corpo do maior e beijou a pele exposta da sua face, perigosamente perto de seus lábios.
– Não se preocupe, a dor me excita...
Disse o menor, segurando o membro do ruivo e direcionando para a sua entrada. Otoya forçou contra o membro, fazendo a glande entrar em si. Seus olhos lacrimejaram com a dor inicial. Baixou mais o quadril, engolindo todo o membro do maior, que fechou os olhos de prazer ao sentir a cavidade úmida e apertada do menor.
– Aahh, você é tão apertado...
Quando achou que estava pronto, Otoya suspendeu o quadril e voltou com força, gritando extasiado quando o membro atingiu em cheio sua próstata.
– Aahh!!
Apoiando suas mãos no colchão, se inclinou mais sobre Tokiya, olhando diretamente para seus olhos, observando-os se semicerrarem ao tê-lo cavalgando rápido em seu membro. Ele subia e descia num ritmo lascivo, levando os dois à beira da loucura.
Tokiya apertou a cintura do menor, arranhando sua pele e fazendo-o gemer mais. Estava louco de tesão com os movimentos intensos que o menor fazia. Segurou firme seu quadril, suspendendo-o, enquanto metia fundo dentro dele, com movimentos rápidos para cima e para baixo, investindo contra a entrada do ruivo.
– Isso... Ahhh!! Me fode gostoso, Tokiya!!
Otoya gritava a plenos pulmões, o ritmo imposto pelo moreno era enlouquecedor. A cada estocada o maior atingia em cheio sua próstata, fazendo o corpo do ruivo ter espasmos e o mesmo quase desfalecer de prazer.
Num movimento rápido, Tokiya tirou o ruivo de cima dele e o jogou com força na cama, se posicionando acima dele. Entrou de uma vez só dentro de Otoya, com uma estocada firme que fez o menor ver estrelas.
– T-Tokiya... Aahh!! Me come...
Continuou penetrando-o com força, atingindo sua próstata sem piedade. O menor contraiu sua entrada com força, esmagando o pênis de Tokiya dentro de si, arrancando um gemido alto do mesmo.
– Aahh!! Você é tão gostoso...
Tokiya levou as pernas do menor aos seus ombros, aprofundando a penetração. Otoya se sentia completo ao sentir o membro do maior completamente dentro de si, estocando-o com força.
– M-mais rápido!!! Aaahh!!
O moreno atendeu prontamente ao pedido, aumentando a velocidade e desferindo um tapa forte em sua bunda, fazendo-o gritar ofegante.
– Ahh! Que gostoso!! Bate mais, Tokiya!!!
O maior gemeu rouco com o pedido do menor. Ofegante, observou o rosto do menor à sua frente. Totalmente corado, quase da cor dos seus cabelos, suado e gemendo loucamente. Essa era a visão mais sedutora e erótica que já vira. Atendendo ao pedido do menor, deu outro tapa forte em sua bunda, deixando a pele avermelhada.
– Aahh!! Eu tô q-quase...
– E-eu também...
Sua voz estava rouca de desejo, e ele aumentou mais as estocadas, sentindo o orgasmo próximo.
– Goza dentro... T-Tokiya!
O maior atingiu o orgasmo com essas palavras, se derramando no interior do ruivo, que gemeu mais alto ao sentir o jato quente dentro de si. Gozou logo em seguida, sujando o abdômen de ambos.
Tokiya se retirou de dentro de Otoya e caiu para o lado, ficando de costas na cama. O peito dos dois subia e descia, ambos estavam exaustos. Foi o melhor sexo que eles já haviam tido.
– Uau... Você é bom...
Disse Otoya, ofegante.
– Você também não é nada mal. Fazia tempo que eu não sentia um prazer assim.
– Eu adorei transar com você. Foi uma das melhores transas que eu já tive.
Tokiya se apoiou no cotovelo, olhando para Otoya.
– Posso te fazer uma pergunta?
– Hum?
– Quem é Tokiya?
Otoya olhou para o teto, perdido em seus pensamentos. Tokiya fitou o olhar nostálgico do outro, e ficou surpreso ao ver um brilho diferente em seus olhos, era quase um brilho de... amor. Mas de repente o brilho se apagou e foi substituído por um olhar de tristeza.
– Tokiya foi o único homem que eu já amei.
Tokiya arregalou os olhos com a resposta repentina. Não esperava ouvir isso do ruivo.
– Eu o conhecia desde criança, e me apaixonei por ele quando era adolescente. Mas...
O moreno estava pasmo com a confissão. Nunca havia percebido os sentimentos do ruivo.
– Mas...?
O instigou a continuar. O menor hesitou.
– ...Não importa... Foi há muito tempo.
Tokiya estava surpreso. Primeiro, nunca esperava encontrá-lo ali. Segundo, não esperava se sentir tão atraído por ele. Não sentia nenhum resquício do desprezo que sentira pelo ruivo quando eram adolescentes. Ele estava completamente diferente. Isso sem contar que nunca tinha imaginado que Otoya tivesse esse lado devasso entre quatro paredes.
Otoya se levantou rapidamente e começou a se vestir.
– Desculpe, mas você precisa ir. Eu preciso arrumar o quarto para o próximo cliente. – O ruivo lhe lançou um olhar malicioso. – A não ser que você queira uma segunda rodada.
Tokiya ficou tentado a aceitar.
– Não posso, tenho compromissos.
Assim Tokiya foi embora, deixando para trás aquele que um dia fora seu inimigo, se perguntando se um dia o veria novamente.
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