Dormindo com o Inimigo
3 Momentos de Tensão
Notas iniciais
– Quem... é você?
– Sou eu! Tokiya Ichinose!
Otoya arregalou os olhos e ficou parado como uma estátua.
– “Não! É com ele que eu vou ter que dividir o quarto? Não! Não! Não!!!”
Ele estava à beira do pânico, suas pernas tremiam. Na adolescência já fora tão difícil esconder que o amava, dormindo no mesmo quarto isso seria impossível!
Tokiya não estava diferente. Seus batimentos aumentaram drasticamente ao reconhecer o ruivo parado à porta, visivelmente em choque.
– “Isso é um pesadelo!”
Seu maior medo era que o ruivo o reconhecesse. Afinal, poucos dias tinham se passado desde aquela noite. Mas não deixou que seu nervosismo se refletisse em sua face, pelo contrário, aparentava estar muito calmo e fingia olhar com desinteresse para Otoya.
– “Não posso deixar que ele me reconheça.” Nossa, parece que viu um fantasma.
Tokiya observou o ruivo se assustar ligeiramente com suas palavras. Tinha uma ideia do que se passava na mente do ruivo. “Tokiya foi o único homem que eu já amei.” — Ele dissera. Podia imaginar o conflito interno que o ruivo estava tendo naquele momento, tendo à sua frente a pessoa que amara a tantos anos atrás tendo que fingir que o odiava.
– O gato comeu sua língua?
Otoya se recuperou do choque inicial e adotou uma postura mais arrogante.
– Ah, desculpe. Não esperava ter o desgosto de te encontrar aqui.
Falou com a voz mais cínica que conseguiu. Tendo em conta seu estado, foi difícil falar sem que sua voz tremesse. Ele sempre sonhou com o dia em que reencontraria Tokiya, mas sinceramente não acreditava muito nesse reencontro. Agora que ele finalmente tinha acontecido, estava totalmente perdido, e percebeu, com certa amargura, que o que sentia por Tokiya continuava tão forte quanto antes.
Com passos vacilantes, fechou a porta e foi até sua cama, onde suas coisas haviam sido colocadas mais cedo. Sem perceber, foi seguido pelo olhar discreto de Tokiya. Agora que ele sabia o que o ruivo sentia por ele, não conseguia ignorar esse fato. Era tão perceptível pelo comportamento do outro que ele se perguntou como não havia notado antes, se era tão óbvio.
– Acredite, o sentimento é mútuo.
Respondeu à provocação do outro.
– Ótimo! Assim posso pedir pra mudar de quarto sem remorso.
Disse já indo em direção à porta, evitando cruzar o olhar com o maior.
– Vai perder seu tempo. Ringo não vai mudar você de quarto só porque você quer.
– Não custa tentar.
Saiu batendo a porta com força. Internamente, Tokiya rezou para que Otoya conseguisse convencer o ídolo de cabelos rosas a fazer a troca.
oOo
Ringo já estava ficando impaciente. Otoya chegara como um furacão em sua sala, implorando para que o trocasse de quarto.
– Desculpe, Otoya, mas não posso mudar você de quarto só porque vocês não se dão bem. O objetivo de manter dois em cada quarto é justamente para que vocês possam fazer novas amizades.
– Tsukimiya-sensei, por favor! O Tokiya me odeia, ele não vai me deixar em paz!
Ringo riu.
– Otoya-chan, o Tokiya não é uma má pessoa. Dê uma chance a ele. Talvez essa seja a brecha que vocês precisam para se tornarem amigos.
Otoya suspirou. Com certeza eles seriam alguma coisa: vítima e assassino. Agora, quem iria matar quem primeiro era outra história. Ringo depositou uma mão gentilmente em seu ombro.
– Por favor, faça um esforço para se dar bem com ele. Se você tentar e mesmo assim não conseguir, eu arrumo outro quarto pra você, está bem?
– Está bem.
Saiu da sala do professor, se sentindo derrotado. Bem que Tokiya disse que era inútil. Não tinha jeito, tinha que continuar fingindo que não sentia nada por Tokiya.
oOo
Tokiya estava deitado em sua cama, com os braços atrás da cabeça. Estava pensando na reação dos amigos quando soubessem que o queridinho da turma tinha voltado. Uma hora ou outra teria que contar a eles. Já não bastava dividir o mesmo quarto, agora teria que dividir os amigos também.
Desde a noite na boate, o ruivo assombrava seus pensamentos, e agora ele estava ali para lhe atormentar pessoalmente. Teria que ser cuidadoso, do contrário, Otoya poderia descobrir que ele era o homem da boate. Tinha calafrios só de imaginar o que o ruivo faria se descobrisse, ele o teria nas mãos. Em outras palavras, estava ferrado.
Ouviu a porta ser aberta com fúria e o ruivo entrar como um furacão por ela. Pelo visto Ringo não tinha mesmo cedido ao pedido. Ouviu Otoya bufar e riu cínico.
– Eu disse que era perda de tempo.
Disse sem olhar para ele.
– Do que está rindo, baka? Tá achando engraçado ter que dividir o quarto comigo, é? Vamos ver se vai continuar achando graça quando eu estrangular esse seu lindo pescocinho.
Otoya fez um gesto como quem estrangula alguém.
– Nossa, tá de TPM, é?
– TPM sua vó!! Eu tô falando sério.
– Olha, eu não quero confusão com você. Na verdade, quanto mais longe você ficar de mim, melhor.
– Ótimo!! Eu também não quero nada com você. Fica do seu lado do quarto e não mexe nas minhas coisas que não vamos ter problemas um com o outro.
Tokiya levantou-se irritado.
– Acabou de chegar e já tá se achando, é?
Indagou com a voz fria e perigosamente baixa. Andou lentamente em direção ao ruivo, que recuou com sua aproximação.
– Lembre-se que esse quarto é meu e você é o novato aqui! Portanto, vai ter que seguir as minhas regras!
Conforme falava, Tokiya cutucava o peito de Otoya, que recuava à medida que o outro se aproximava. Ao dar mais um passou para trás, sentiu suas costas baterem contra a parede e olhou com medo para Tokiya.
– Primeira regra: você não me dá ordens! Segunda regra: se ama sua vida, nunca me atrapalhe enquanto eu estiver compondo uma música. Terceira regra: nunca, nunca traga seus namorados para o meu quarto.
Otoya engoliu em seco, nunca tinha visto Tokiya tão bravo antes. Ele era assustador. Num gesto brusco, Tokiya bateu a mão espalmada na parede ao lado da cabeça de Otoya, fazendo o menor dar um pulo de susto.
– Entendeu??!
– H-hai!
Seus rostos estavam perigosamente próximos e Tokiya se pegou admirando o rosto assustado do ruivo. Ele sempre fora bonito, não podia negar. Sentia-se estranhamente atraído por ele, o que era ridículo, já que sempre o desprezara.
Otoya sentiu seu coração acelerar mais com o olhar intenso do moreno. Tinha que se acalmar, do contrário Tokiya poderia ouvir seu coração, que parecia querer sair pela boca. Não conseguiu evitar olhar para a boca do maior, que parecia atrair seu olhar como um ímã. Tokiya percebeu o olhar e observou o rosto de Otoya corar com a proximidade, subitamente sentindo um desejo intenso pela boca do menor.
Nesse momento ambos assustam-se com batidas na porta e se afastam rapidamente.
– Entra!
Grita irritado, vendo a porta se abrir e a cabeça morena de Reiji entrar por ela.
– Toki!! O pessoal quer que você...
Reiji parou de falar ao ver outra pessoa no aposento. Olhou atentamente para ele. Aquele cabelo... Ele só tinha visto aquele tom de vermelho uma vez na vida.
– Ei, você é... Otoyan!!!
E se jogou em cima do ruivo.
– “Otoyan??”
Apenas uma pessoa no mundo o chamava assim.
– Poderia ser... Reiji?? Rei-chan, é você?!
Reiji se afastou dele e passou as mãos pelo tórax.
– Com esse corpinho, quem mais poderia ser?
Otoya levantou uma sobrancelha.
– É, com certeza você é o Reiji... Quantos anos realmente se passaram? Você tá muito mudado!!
Tokiya se jogou novamente em sua cama.
– Que bom que se encontraram. Assim eu não preciso perder meu tempo avisando vocês.
– Toki!!
Reiji se aproximou e deu um tapa na cabeça dele.
– Ai!! Por que fez isso?
– Por que você não disse pra gente que o Otoyan tava aqui?
– Mas ele...
– Vem, Otoya, vamos ver o resto do pessoal.
– Eles estão aqui, também?
Perguntou eufórico.
– É claro! Nós prometemos, não foi?
Saíram deixando Tokiya falando sozinho.
– ...acabou de chegar...
oOo
“O resto do pessoal” eram Ranmaru, Ren, Cecil, Syo, Masato, Camus, Natsuki e Ai. Junto com Reiji e Otoya, formavam uma “máfia” nos tempos de escola. Ninguém se atrevia a mexer com eles. Nem quando estavam separados e pior ainda quando estavam juntos. Mexer com um era mexer com todos. Apenas Tokiya não participava do grupo de amigos, sendo hostilizado por todos por causa de sua rixa com Otoya, que era o queridinho. Assim que o ruivo sumiu, as brigas acabaram e eles permitiram que Tokiya se aproximasse do grupo.
Todos se encontravam nos fundos da escola e tentavam fazer seus respectivos trabalhos. Eles estavam divididos em dois grupos: um formado por Ranmaru, Camus e Ai e o outro por Ren, Cecil, Syo e Natsuki. Masato apenas observava, por estudar em outra turma não havia recebido o trabalho. O trabalho era criar uma música em grupo, tarefa que eles estavam achando ridiculamente difícil.
Cecil passou as mãos pela cabeça, bagunçando os curtos cabelos castanhos.
– Aai, nunca pensei que compor uma música em grupo era tão difícil!
No outro grupo, Ranmaru concordou com o indiano, com a cara zangada.
– Hunpf, ainda mais quando um membro do grupo tá faltando. Cadê o Reiji??
Quem respondeu foi Ren.
– Ele foi buscar o Tokiya. Mas isso já faz um tempão.
Camus revirou os olhos.
– Mas o Tokiya é do grupo de vocês! O Masato não tá fazendo nada, não podia ter ido?
Masato ergueu as mãos em sua defesa.
– Eu queria ir, mas o Reiji disse “Não, se você for vão acabar brigando, deixa que eu vou.”
Ren riu da imitação de Reiji.
– Você, Masato, brigar com alguém? De onde ele tirou isso?
Todos riram da carranca de Masato.
– Cala a boca, imbecil!
Ren se aproximou dele e o abraçou pela cintura.
– Viu? Como o Reiji pode dizer isso? Você é um amor de pessoa.
– Sabe que é só na sua cama que eu me acalmo.
Masato sussurrou no ouvido do Jinguji, com um sorriso travesso brincando em seus lábios. Todo o corpo do maior se arrepiou.
– Não me provoque. Quer que eu te foda aqui e agora, Hiji? Posso providenciar.
Cochichou no ouvido do menor, lambendo o lóbulo de sua orelha em seguida.
– Vão procurar um quarto!
Ai provocou os dois. Eles iam continuar os amassos, mas foram interrompidos por Reiji.
– Gente, olha quem eu encontrei!!
Todos olharam curiosos para a pessoa que o acompanhava.
– Esse cabelo... – Começou Syo.
– Poderia ser... – Continuou Natsuki.
– Otoya?? – Terminou Cecil.
– Que saudade de vocês!!
Disse abraçando boa parte dos amigos, sendo retribuído por todos.
– Há quanto tempo!!
– Onde você esteve?
– Por que você sumiu?
Todos falavam ao mesmo tempo. Otoya se virou para Ranmaru, Ai e Camus e abriu os braços para abraçar os três, mas eles afastaram o corpo deixando Otoya cair de cara no chão.
– Ran-Ran!! Ai-Ai!! Myu-chan!!!
Reclamou Reiji.
– Ui! Por que fizeram isso?
Perguntou o ruivo massageando o nariz. Ai respondeu.
– O Reiji já preencheu a vaga de escandaloso do grupo. Procure outro setor.
Reiji soltou um muxoxo.
– Vocês são tão malvados...
Otoya sentiu uma nostalgia grande preenchê-lo ao se sentar novamente ao lado dos amigos. Sentia muita falta deles, e ficava contente ao ver que todos haviam cumprido a promessa que fizeram quando eram adolescentes: entrar na Academia Saotome e estudar música. Todos eles compartilhavam o mesmo sonho desde a infância, e sempre sonharam em formar suas bandas que já estavam pré-determinadas desde os tempos de escola, Quartet Night e Starish. Agora, ali, reunidos novamente após tantos anos, sentia que o sonho era realmente possível.
– Oto-chan, quando você chegou?
Perguntou Natsuki.
– Eu cheguei hoje. Estava arrumando minhas coisas quando o Reiji me encontrou.
Otoya fez uma careta de irritação.
– Aliás, adivinhem quem é o meu colega de quarto?
– Pra você fazer essa cara, só pode ser a miss simpatia... – Respondeu Ranmaru.
– É o Tokiya?
Perguntou Syo, surpreso. Otoya afirmou.
– Hum.. Veja pelo lado bom, você vai ter ótimas oportunidades de agarrar ele.
– Syo-chan!!
Otoya corou até o último fio de cabelo. Todos riram.
– Vamos lá, Ikki, todo mundo sabe que você é caidinho pelo Ichinose, pode confessar. – Ren deu um sorriso à ele.
O Ittoki abaixou a cabeça, constrangido. Queria enfiar a cabeça no buraco mais próximo.
– É tão óbvio assim?
Todos concordaram.
– U-humm...
Nessa hora Otoya percebeu que alguém se aproximava deles, e de longe parecia ser Tokiya. Todos notaram o olhar tenso dele e olharam para a mesma direção, vendo o homem que se aproximava.
– Otoya, queremos que você conheça alguém. – Disse Cecil.
Otoya ficou confuso.
– Eu já conheço o Tokiya...
Todos riram da expressão confusa do ruivo.
– Ah, mas aquele ali não é o Tokiya. – Explicou Reiji. – É o irmão dele.
O Ittoki franziu o cenho.
– Irmão? E desde quando o Tokiya tem irmão?
Ai colocou uma mão em seu ombro, solidário.
– É... Essa foi a nossa reação também.
O estranho se aproximou e o queixo de Otoya caiu. Era... O Tokiya... Ele fitou os amigos, mais confuso que nunca.
– Otoya, esse é Hayato Ichinose, irmão gêmeo do Tokiya. Hayato, esse é o Otoya de quem você tanto ouviu falar.
O rapaz que era a cara de Tokiya estendeu a mão para ele.
– Muito prazer.
Olhando mais atentamente, Otoya percebeu pequenas diferenças entre os dois. O corte de cabelo era diferente e achava que Tokiya jamais dera aquele sorriso amigável para alguém em toda a sua vida. Ele levantou a mão e apertou a de Hayato
– O prazer é meu.
Cecil continuou.
– Nós só conhecemos ele quando entramos aqui. Ele já fazia o curso antes de nós. Foi aí que Tokiya nos contou que tinha um irmão gêmeo que morava com o pai deles, por isso não estudou com a gente.
Eles voltaram a se sentar no chão, dando espaço ao recém chegado.
– O que vocês estão fazendo reunidos aqui? – Indagou o Ichinose.
Todos suspiraram, desanimando no mesmo momento.
– Estamos tentando fazer o trabalho, mas tá muito difícil!
Respondeu o Kurusu. Ele olhou para Reiji.
– Aliás, você não tinha ido buscar o Tokiya?
Reiji arregalou os olhos, percebendo naquele momento que tinha esquecido completamente do que tinha ido fazer no quarto dele. Todos reviraram os olhos, mas quem falou foi Ai.
– Aff... Ele esqueceu...
– Ehh... Desculpem, pessoal...
– Qual é o trabalho de vocês?
Perguntou Otoya, curioso. Masato respondeu.
– Nós temos que criar uma música, desde a composição até a letra final, e gravar um CD com ela.
Os olhos do ruivo brilharam.
– Isso é muito legal!! Não entendo porque estão tão desanimados.
– É que a nossa música está uma droga. Compor é mais difícil do que parece. – Reclamou o Hijirikawa.
– É, e o Tokiya devia estar aqui ajudando a gente. – Ressaltou Syo.
Otoya estranho o comentário.
– O que o Tokiya tem a ver? Não me digam que estão fazendo o trabalho com ele?
Todos concordaram.
– Eu achei que não se dessem bem com ele.
Masato respondeu.
– Isso foi enquanto você estava com a gente. Depois que você sumiu ele se aproximou de nós e então percebemos que ele não é tão má pessoa assim. E também porque o Tokiya é um dos melhores da turma e é sempre uma boa ter ele na equipe.
Natsuki aproveitou a brecha e perguntou o que todos queriam saber.
– Falando nisso, por que você foi embora? Você sumiu de um dia para o outro, sem se despedir, sem dar explicações... Nós ficamos dias preocupados com você até um professor nos informar que você tinha se mudado.
– Desculpem... – Pediu envergonhado. – Não foi minha intenção desaparecer de repente, mas as circunstâncias nos obrigaram a nos mudar sem avisar ninguém.
Todos queriam perguntar porque, mas achavam que se ele quisesse contar, contaria sem que eles precisassem perguntar. Mas como Ai era cara de pau, perguntou mesmo assim.
– O que aconteceu de tão grave pra vocês terem que se mudar tão de repente?
Otoya abaixou o olhar, e Syo e Natsuki perceberam o olhar triste do amigo. A verdade era que Otoya não queria contar a ninguém que tinha perdido a mãe e que tivera que ir para um orfanato fora da cidade.
– É... bem... sabe...
Ele foi salvo de ter que se explicar com a aproximação de Tokiya. Otoya fechou a cara imediatamente e percebeu que Hayato fez o mesmo e se levantou.
– Bom, é hora de eu ir.
E saiu sem dizer mais nada. O ruivo olhou interrogativamente para Reiji.
– Eles não se dão bem?
– Não... Ninguém sabe o motivo, mas eles se odeiam pra valer. Se você tentar perguntar pra algum deles o que aconteceu... Bem, o Hayato desconversa, mas o Tokiya manda aquele olhar assassino pra gente, tipo “Não é da sua conta! Sai daqui antes que eu te jogue pela janela!”
– Nossa, o assunto é sério, então.
– O que vocês estão cochichando aí no cantinho? Estão falando mal de mim?
Só nesse momento perceberam que Tokiya estava parado na frente deles com o olhar mortal. Reiji arregalou os olhos e Otoya engoliu em seco.
Otoya se recuperou primeiro e alfinetou o moreno.
– E quem perderia tempo falando mal de você? Pare de se achar tanto, Ichinose! Estávamos falando do seu irmão, que é muito mais simpático e sociável que você!
Ele se levantou e ficou cara a cara com Tokiya, lançando seu olhar mais desdenhoso. O Ichinose apenas levantou uma sobrancelha e deu as costas ao ruivo, se sentando ao lado de Ranmaru, que o olhava de esguelha.
– Vamos continuar o trabalho? Eu trouxe umas anotações que eu fiz mais cedo. – Olhou para Otoya. – E você, Ittoki, ainda está aqui? Cai fora, vai atrapalhar a concentração deles.
Otoya corou furioso com a atitude ríspida do outro.
– Eu vou. Mas não porque você quer, mas sim porque eu tenho que terminar de arrumar as minhas coisas. Amanhã tem aula e não vai dar mais tempo de arrumar.
E saiu pisando forte no chão. Ren olhou torto para ele.
– Que foi?
Tokiya perguntou “inocentemente”.
– Simpático como sempre... Vamos fazer esse maldito trabalho.
oOo
Masato se revirava na cama sem conseguir dormir. O imenso calor que fazia era a fonte da sua insônia. Suspirando aborrecido, vira-se para o lado, fitando a cama do colega.
– Ren, tá acordado?
Ren estava virado para a parede e apenas resmungou uma resposta.
– U-hum.
– Posso abrir a janela?
– U-hum.
O azulado levantou-se rapidamente sem acender a luz e escancarou a janela, soltando um suspiro satisfeito quando a fresca brisa da madrugada o atingiu.
– Ahhh, isso é muito bom...
Ren virou-se na cama e fitou o mais novo, admirando-o. Masato estava apenas de cueca, dando à Ren uma visão privilegiada de seu corpo bem definido. Masato percebeu o olhar do ruivo com o canto do olho e deu um sorriso malicioso sem que o outro percebesse.
Resolveu provocar o maior. Levantou os braços e passou as mãos pelos cabelos, descendo sensualmente para o tórax e levando-as para a parte de trás, onde adentrou as mãos por dentro do tecido e deu um aperto forte em suas nádegas, gemendo provocante. Ren sentiu seu corpo reagir ao gemido sexy do menor. Sabia que ele estava fazendo de propósito para lhe provocar, e sabia que se ele continuasse com aquilo não conseguiria se controlar.
Uma das mãos saiu de suas nádegas e foi para a parte da frente, onde ele acariciou o próprio membro por cima da cueca e virou levemente a cabeça, olhando para Ren. Este, por sua vez, estava ficando excitado com as provocações do menor. Segurou a respiração quando este lhe olhou de lado, mordendo o lábio inferior enquanto gemia levemente, continuando a masturbação. Ao ver a excitação nos olhos de Ren, Masato soltou um riso safado e deu um aperto forte em seu pênis, gemendo longamente.
– Ahhh, Ren...
Ren sentiu seu auto controle desaparecer por completo ao ouvir o azulado gemendo seu nome tão sensualmente.
– Masato... Amanhã temos aula de dança, quer mesmo ficar me provocando?
Perguntou com a voz excitada. O menor se virou e andou em direção à sua cama, ainda com um sorriso devasso no rosto. Devagar, deitou-se sobre o corpo de Ren, que também estava vestido apenas com a cueca, e beijou de leve seus lábios.
– O que foi, Ren? Nunca viu um homem se masturbando? Não me diga que ficou excitado?
Desceu sua mão até o membro parcialmente rígido do maior e deu um aperto firme, sorrindo satisfeito ao ver o maior fechar os olhos e jogar a cabeça para trás.
– Ah, Masato... Depois não diga que eu não avisei...
Girou o corpo rapidamente, ficando por cima do menor e beijando-o profundamente. Masato adorava quando Ren perdia o controle por sua causa, só ele era capaz de fazer isso com o ruivo. O corpo de Masato se arqueava, buscando um contato mais aprofundado com o outro. Ren passou a mão pela lateral do corpo do menor, arranhando a pele suavemente e fazendo-o gemer em meio ao beijo. Suas línguas travavam uma batalha deliciosa dentro de suas bocas e tentavam explorar o máximo que podiam da boca do parceiro antes do ar lhe faltar e eles se separarem ofegantes.
Ren desceu sua boca para o pescoço do Hijirikawa, lambendo e beijando o local enquanto suas mãos exploravam seu corpo desnudo. As mãos do azulado, antes em seus braços, subiram para o pescoço de Ren, enquanto jogava a cabeça para trás para que o outro tivesse mais acesso à parte desejada. Ele gemeu sofregamente quando o ruivo deu um chupão firme na carne exposta ao mesmo tempo em que envolveu um de seus mamilos com seus dedos indicador e médio e o apertou entre eles, o que fez o menor agarrar sua cabeleira e puxar com força, sentindo as ondas de prazer se concentrarem em sua virilha.
Masato segurou o rosto do maior e o trouxe para si, beijando sua boca com urgência. Sem quebrar o beijo, forçou o corpo para cima e trocou de posição com Ren, fazendo suas ereções se roçarem e ambos gemerem em deleite. Suas mãos passearam pelo corpo do outro fazendo carícias mais ousadas, até ele chegar na barra da cueca do outro e sem pudor algum colocar a mão por dentro do tecido, fazendo uma carícia mais direta no pênis totalmente duro de Ren.
– Ahh... Masa...
– Eu quero te chupar.
Sussurrou no ouvido do maior, que sentiu o membro ficar mais duro em expectativa.
– Então me chupa... Me chupa até eu gozar na sua boca deliciosa.
Masato sorriu com o canto da boca. Se sentia extremamente excitado ao ver Ren entregue ao prazer daquela forma, e saber que era por causa dele que o maior estava naquele estado o excitava mais ainda.
Sem cerimônia retirou a única peça que o maior usava e abocanhou o enorme membro de uma vez só, sugando-o intensamente. Ren segurou com força o lençol da cama, arfando e gemendo com o boquete maravilhoso que só o Hijirikawa sabia fazer.
– Masato... Assim você me deixa louco... Ahh!
O azulado riu travesso e aprofundou mais o membro em sua boca, relaxando a garganta para facilitar o ato, arrancando mais gemidos do maior.
– Ahh, vai Masato! Me chupa forte!!
Ren olhou para Masato no meio de suas pernas e observou extasiado a expressão de puro prazer no rosto do menor, enquanto sua cabeça subia e descia rapidamente. Sentiu seu tesão crescer com essa visão e forçou o quadril para cima, investindo contra a boca do parceiro. Masato gemeu ao perceber que Ren já estava próximo do orgasmo, quando o membro deste ficou maior e mais duro em sua boca. O azulado levou sua mão até a base do pênis e o masturbou com rapidez, fazendo o maior perder a sanidade e se despejar em sua boca.
Masato engoliu o gozo de Ren e lambeu os lábios sensualmente. Ren admirou com paixão os olhos de Masato quando este elevou o corpo e ficou acima de si. Os olhos do azulado, que tanto o encantavam, tinham um tom mais escuro que o habitual, o tom que só se mostrava quando tinham aquele momento tão íntimo entre eles. Ren puxou sua cabeça para um beijo cheio de volúpia e urgência e Masato respondeu à altura, rebolando no colo de Ren e usando sua ereção para encher o pênis do Jinguji de sangue novamente. O maior gemeu excitado e quebrou o beijo, jogando a cabeça para trás.
– Ahhh... Masa... Você adora me provocar, não é?
O menor respondeu com um sorriso safado no rosto, sem parar os movimentos intensos do quadril.
– Eu amo ver você tão entregue a mim. Seus gemidos me enchem de tesão, seu corpo, tudo em você me excita... Ahhh!!
Gemeu alto quando uma onda de prazer mais forte o atingiu.
– Me chupa, Ren!
Ordenou saindo de cima dele e retirando sua cueca, que nesse momento chegava a ser incômoda pelo volume dentro dela, e ficou de joelhos na cama. Ren imitou-o e olhou faminto para o membro rígido do menor. Quando segurou-o, Masato colocou sua mão sobre a dele.
– Aí não...
E levou a mão do Jinguji para a parte de trás, no meio de suas nádegas.
– ...Aqui.
Ren abriu um sorriso extremamente malicioso.
– Ah, Hiji... Você é tão safado.
Deu um selinho demorado na boca do menor. Masato riu em seus lábios.
– Quem você acha que me deixou assim?
– Ok, eu assumo a culpa.
O ruivo passeou as mãos pelas costas de Masato, até chegar em sua bunda e dar um forte aperto em cada parte, em seguida dando um tapa que reverberou por todo o quarto.
– Vira.
Pediu ao menor que obedeceu sem demora, se colocando de quatro na cama e empinando a bunda.
– Hiji, você tem noção de como eu tenho vontade de te foder até acabar com as suas forças quando você faz isso?
O azulado riu nasalmente.
– Ah, é? Então tá esperando o quê?
Deu uma rebolada sugestiva para o ruivo, que não perdeu tempo e se abaixou, separando as duas partes das nádegas do azulado e levando sua língua ao orifício. O maior gritou já na primeira lambida.
– Ahh!! Ren!!
O maior sorriu internamente, lambendo em círculos em volta do anel e sentindo o corpo de Masato tremer com o ato tão íntimo. O menor gemia descontroladamente, tamanho o prazer que Ren o proporcionava. Sem forças, Masato encolheu os braços que o sustentavam, ficando apenas com o traseiro empinado. Segurava o lençol da cama de Ren com tanta força que achava que poderia rasgá-lo.
– Ahh... R-Ren!! Aahh!!
Sentia seu corpo muito quente, seu rosto estava muito corado. Somente Ren conseguia levá-lo à loucura daquele jeito, somente ele sabia quais partes do seu corpo tocar para lhe dar mais prazer.
– E-eu quero... aahh...
Gemeu alto ao sentir o maior pressionar sua língua contra sua entrada.
– Quer o quê, amor?
Perguntou Ren, substituindo a língua por um de seus dedos, brincando lentamente em volta do anel do menor, procurando o momento certo para colocar.
– Ahh... E-eu quero v-você... d-dentro de mim...
Ren posicionou seu corpo acima do menor, sussurrando em seu ouvido.
– Assim?
E colocou o dedo dentro do azulado, fazendo lentos movimentos de vai e vem. Masato arqueou a coluna ao sentir a invasão.
– N-não! Assim não! – Falou ofegante.
– Como, então? – Provocou o maior, inserindo um segundo dedo.
– Ahh!! V-você s-sabe...
– Peça.
Ordenou o ruivo, aumentando o ritmo das investidas.
– Humm...
– Peça, Hiji. – Ordenou novamente.
– Droga, Jinguji!
Olhou para o maior, zangado, vendo o sorriso satisfeito em seus lábios. Ele também sabia lhe provocar quando queria.
– Me come com o seu pau! Tá claro o bastante agora?!
Ren tirou os dedos de dentro dele e beijou seus lábios docemente, rindo divertido da zanga do menor.
– Nossa, que nervoso...
– Você me provoca de propósito e... Hummm...
Gemeu ao sentir o membro totalmente rígido de Ren roçar em sua entrada.
– Hã? Foi você que começou, então não me venha falar em provocação.
Pressionou o membro na entrada de Masato e colocou até a metade de uma vez só, arrancando um grito de êxtase do menor.
– Aaahh!!!
Continuou empurrando lentamente, até estar totalmente dentro dele. Estar dentro de Masato era uma sensação sublime para ele, sentir os músculos se contraindo em volta de si o faziam ficar mais duro. Sentiu o menor se encolher com a dor inicial, e fez pequenos carinhos em suas costas para acalmá-lo.
– Masa... Eu estou te machucando?
Perguntou preocupado.
– N-não... Pode come-çar...
Ele não esperou um segundo pedido e começou a se mover lentamente, sentindo cada centímetro do interior do azulado. Masato gemeu extasiado.
– Aahh... Ren!! Você é tão grande...
Ren se inclinou sobre o corpo do menor, o abraçando por trás e sussurrando em sua orelha.
– E você ama isso, não é?
– Hnm... Sim... Eu amo!!
Ele virou o rosto e o ruivo capturou seus lábios, beijando-o fervorosamente enquanto aumentava o ritmo das estocadas, fazendo o menor gemer em sua boca. Eles se separaram quando o maior atingiu em cheio a próstata de Masato e esse gritou em deleite.
– Ahh!! Isso!!!
– Ah, Masato, você é tão maravilhoso. Eu amo... estar dentro de você.
O maior fechou os olhos quando Masato contraiu sua entrada, apertando seu membro dentro de si e aumentando seu tesão.
– Gosta disso, Ren?
Perguntou provocante. Ren respondeu com um tapa forte em sua bunda.
– Ahh!!
– Gosta disso, Masato?
Devolveu a pergunta ao mais novo. Ele não se deu o trabalho de responder, Ren sabia que a resposta era sim. O maior conhecia-o melhor que ninguém, sabia o que ele gostava, o que o deixava louco e o que o dava mais prazer. Mas ele também sabia o que Ren gostava.
– Ren... Mais forte!!
Sabia que o maior delirava quando ele pedia para meter com mais força. Sentiu as mãos de Ren em seu quadril quando ele atendeu ao seu pedido, aumentando mais as estocadas e preenchendo-o até o fundo.
– É assim que você gosta, não é? Bem forte e fundo!
Provocou o maior, com a voz rouca pelo prazer. Estocava com força, revirando o interior do azulado, que nessa hora não conseguia mais pronunciar qualquer palavra, apenas gemia e gritava.
– Eu quero olhar pra você.
Pediu o maior, saindo de dentro de Masato e o virando na cama, se posicionando acima dele e entrando de uma vez só, atingindo de primeira sua próstata.
– Aaaahhh!!
Gritou o mais novo, entrelaçando suas pernas na cintura de Ren e puxando-o para mais perto de si. Suas mãos apertavam com força os braços fortes e musculosos do mais velho, que olhava diretamente para seus olhos.
Sem diminuir o ritmo das estocadas, Ren beijou os lábios de Masato, enfiando sua língua na boca do menor transformando-o em um beijo intenso. Explorava cada canto daquela boca que conhecia tão bem, aquela boca que tanto o enlouquecia, o gosto que tanto amava. Ouvia extasiado os gemidos abafados do mais novo, e isso acabava com sua sanidade. Será que o menor sabia o quanto mexia com ele? Achava que sim, pois era o único homem que conseguia fazer o que quisesse com ele na cama. Nenhum homem além de Masato conseguia mandar nele como o azulado conseguia.
Se separaram quando o ar faltou a ambos. Masato jogou a cabeça para trás e fechou os olhos quando sentiu uma estocada mais funda dentro de si.
– R-Ren... Ahhh...
– Isso, geme meu nome... Eu tô quase lá, Masato.
Sussurrou roucamente.
– E-eu também... Eu q-quero gozar c-cavalgando em v-você...
O Jinguji mordeu o lábio inferior, excitado. Será que um dia ele seria capaz de recusar algum pedido de Masato? Claro que não, o menor o dominava completamente.
Sem sair de dentro dele, Ren suspendeu o corpo do menor, se sentando na cama e o colocando em seu colo. Masato gemeu longamente, nessa posição o pênis de Ren entrava completamente em si. Masato o abraçou, colando seus corpos e depositando sua cabeça na curvatura do seu pescoço, iniciando uma cavalgada intensa, saindo quase completamente e voltando com força.
– Aahh! Ren!! Você entra tão fundo em mim nessa posição! Acerta minha próstata em cheio...
Afastou um pouco o corpo, mas mantendo seus rostos próximos. Com o pênis do maior completamente dentro de si, ele rebolou no colo do maior. Desse modo, o membro o revirava por dentro, e ele jogou a cabeça para trás. Ren quase gozou com a visão do seu amado tão excitado.
– ...Me deixa louco!!
Gritou enquanto voltava a cavalgar com força no falo do maior, sentindo o orgasmo próximo. Capturou os lábios de Ren e eles se beijaram quase pornograficamente, arrancando o fôlego um do outro. Em meio ao beijo, Masato gozou com força, os lábios de Ren abafando seus gritos. Ao mesmo tempo, sentiu um jato quente invadi-lo quando Ren gozou dentro de si. Ficaram ainda um longo tempo se beijando, aproveitando o sabor e o contato do outro. Quando se separaram, ambos estavam ofegantes, suados e pegajosos.
– Passou o calor?
Perguntou o maior. Masato riu em descrença.
– Há, há!! Me diga como uma rodada de sexo consegue tirar o calor de alguém?
Ren suspirou.
– Ah, Masato... Quando você vai aprender que com você eu nunca faço sexo?
O menor corou e Ren o beijou lentamente.
– Com você eu só faço amor. Eu te amo, Masato.
O menor o abraçou, mais para esconder o seu rubor do que qualquer outra coisa.
– Eu... te amo também...
O coração do maior bateu mais forte com a confissão. Era tão difícil fazer o menor admitir que o amava. Ficaram muito tempo abraçados, sentindo o calor do corpo um do outro. Mas como a noite já estava quente, Masato não suportou mais e se levantou, gemendo quando o pênis de Ren saiu de dentro de si.
– Agora nós precisamos de um banho, nós estamos fedendo a suor.
Ren abriu um sorriso malicioso.
– Com todo o prazer.
Nessa noite, nenhum dos dois dormiria.
Fale com o autor