Dormindo com o Inimigo

17 É difícil te amar


Otoya beijava absurdamente bem. O movimento de sua língua sobre a de Tokiya lhe provocava sensações que ele sequer sabia que existiam. Ele não queria que Otoya parasse, mas quando o oxigênio faltava, eles se separavam apenas por tempo suficiente para recuperar o fôlego e se uniam novamente.

As mãos do ruivo também não paravam quietas. Ele sentiu a mão quente de Otoya baixar sua calça até a altura da coxa e acariciar seu pênis sem pudor, fazendo gostosos movimentos de vai e vem. A sensação da mão de Otoya naquele lugar sensível lhe provocava arrepios que percorriam todo seu corpo.

Tokiya separou seus lábios, limpando com a mão um fio de saliva que escorrera para seu queixo. Ele se concentrou nos olhos fogosos do menor, enquanto este continuava lhe acariciando, até que ele sentiu um choque percorrer seu corpo e se retesou, segurando um gemido por pouco.

Otoya percebeu o pênis endurecer mais em sua mão e sentiu uma pontada de orgulho por conseguir deixar o Ichinose naquele estado. Mas ele estava apenas começando. Com maestria, o ruivo abaixou a própria calça e liberou sua ereção pulsante, indo de encontro ao quadril de Tokiya, abraçando-o com as pernas e arqueando o quadril em busca de um contato mais direto. Sua mão segurou os dois membros e os masturbou, arrancando finalmente um suspiro de Tokiya.

— Gostoso?

— U-hum... Continua... Vai mais rápido...

Otoya ia obedecer de imediato, mas a tentativa de alguém de entrar no quarto trancado os fez dar um pulo na cama.

— Tokiya? – Era o professor Ringo Tsukimiya.

— Que merda! – Exclamou Otoya.

— Você devia estar na aula. – Lembrou-lhe Tokiya.

— Eu sei!

— Se esconde no banheiro.

— Mas e você?

— Eu me viro.

Otoya levantou-se cambaleando, se atrapalhou ao tentar erguer as calças e evitou por pouco cair com tudo no chão, então juntou suas roupas e se trancou no banheiro. Tokiya bateu a mão na testa.

— Que atrapalhado!

Ele se vestiu rápido, se concentrou e franziu o cenho, para parecer com alguém que havia brigado com o irmão há algum tempo atrás. Ele abriu a porta.

— Professor?

— Hã... – Ele esticou o pescoço, olhando o interior do quarto. – Otoya não está com você?

— Não. Ele tomou banho e saiu já faz um tempo.

— Estranho, estou vindo da sala e não o encontrei em lugar nenhum.

— Ele deve ter feito algum desvio.

— É claro... – O professor pareceu cético. – O diretor quer te ver. Eu vou te acompanhar e... – Ele pigarreou, falando um pouco mais alto que o normal. – Eu espero que Otoya já esteja na sala quando eu chegar lá.

— Claro, só me dá um tempo pra... arrumar... umas coisas.

— Ok, não demore.

Assim que ele saiu, Tokiya trancou a porta e Otoya saiu do banheiro já devidamente apresentável.

— Você precisa correr. Ringo-sensei vai surtar se você não estiver lá quando ele voltar.

— Você acha que ele percebeu que eu estava aqui?

— Se eu tivesse que chutar, eu diria que sim. Mas ele não tem provas, só suposição.

— Claro. Eu vou me esconder de novo pra você sair.

Ele se dirigiu ao banheiro outra vez, então se virou, um tanto hesitante.

— Você vai querer... hum... continuar depois... né?

Tokiya foi pego se surpresa pela pergunta descaradamente cheia de segundas intenções. Então sua boca se retorceu em um sorriso enquanto ele se aproximava de Otoya e o enlaçava pela cintura. Ao se aproximar, seus lábios foram direto em direção aos do ruivo e ambos se entregaram um ao outro uma última vez. Ao se separarem, Tokiya se afastou, sem lhe dar uma resposta verbal.

Não era necessário, suas ações respondiam por ele.

oOo

Quando Tokiya entrou na sala do diretor escoltado pelo professor Ringo, percebeu que não seria uma reunião a sós. Hayato estava sentado em uma cadeira à frente da mesa do diretor, e o mesmo lhe apontou a cadeira ao lado para se sentar. Assim ele o fez.

Tokiya olhou de esguelha para Hayato.

— Claro que tinha que ter vindo se queixar. Isso é bem a sua cara.

— Não fui eu que denunciei, foram outros alunos. — Defendeu-se.

— Sr. Ichinose! – Chamou o diretor, por trás dos óculos escuros. Ele foi encarado pelos dois irmãos. – Hã... Tokiya Ichinose... Fui informado que vocês dois se envolveram em uma briga no refeitório na hora do almoço. Estou certo?

O diretor tinha uma mania irritante de prolongar os “erres” e falar de forma esquisita e quase incompreensível.

— É verdade.

— Como você deve saber, violência física é proibida dentro dessa escola, então, a não ser que o senhor me dê um bom motivo para esse comportamento inadmissível, eu vou ter que suspendê-lo das aulas.

Os dois irmãos se encararam como que em consentimento.

— É pessoal. – Responderam juntos.

— É pessoal... – Repetiu o diretor. – Então eu, pessoalmente, terei que suspendê-lo por comportamento violento. Os seus responsáveis serão informados para que possam tomar alguma... hã... medida preventiva.

— Nossos responsáveis serão informados? – Indagou Tokiya, incrédulo.

— Não somos menores de idade. – Continuou Hayato, no mesmo tom.

O diretor olhou de um para outro. Eles eram mais parecidos do que pareciam.

— Sim. Talvez um sermão deles ajude a evitar esse tipo de comportamento vergonhoso no futuro.

Hayato remexeu as mãos, nervoso. Arriscou uma olhadela para o irmão, mas seu olhar frio lhe fez permanecer em silêncio.

— É só isso que o senhor tem pra falar?

— Essa é a sua primeira advertência, sr. Ichinose. Três darão direito a expulsão, então sugiro que se comporte.

— Claro, diretor.

Ele se levantou e saiu.

oOo

Otoya conseguiu chegar na sala antes do professor. Ao entrar, foi recepcionado por Masato e Haruka.

— Onde você estava!? – Indagou Masato. – O professor surtou quando não te viu aqui, achou que estava matando aula.

Otoya coçou a cabeça, rindo de forma um tanto nervosa.

— Ah, é que, bem, eu estava conversando com Tokiya... depois, eu resolvi tomar um banho antes de voltar, e sabe, eu demorei mais do que deveria. É isso.

Masato e Haruka se entreolharam.

— Ittoki-kun, você estava matando aula. – Acusou a menina.

— Você é um péssimo mentiroso. – Acrescentou Masato.

— O que é que você estava fazendo?

Otoya sentiu o rosto esquentar, entregando-o.

— Otoya Ittoki! – Começou Masato. – Você vai me contar agora o que está escondendo!

— Eu não tô escondendo nada!

— Tá escondendo sim! Tá todo vermelho! – Riu Haruka.

— Ah é? E você, mocinha? – Otoya resolveu atacar. – O que anda aprontando que não aparece mais pra almoçar com a gente, hein? Faz dias que não te vemos no refeitório.

Foi a vez dela corar.

— Eu não...

Mas ela foi salva pelo professor, que entrou justamente nesse momento.

— Voltei pessoal. Todos sentados.

Ele encarou Otoya de uma forma que o deixou constrangido. O jeito com que ele falara mais alto naquela hora sugeria que ele sabia que Otoya estava no banheiro. A pergunta era: como? E será que ele sabia o que ele e Tokiya estavam fazendo?

Ele se sentou e mandou uma mensagem para Tokiya.

Tá tudo bem?

As horas passaram e, para sua aflição, o outro não respondeu.

— O que foi? – Perguntou Masato, vendo sua expressão preocupada.

— To preocupado com Tokiya. — Ele explicou que o moreno fora chamado na sala do diretor. — E se ele for suspenso?

— Isso seria um bom castigo.

— Como pode dizer isso? Isso vai fazer ele ficar mais azedo e esse não era o meu plano!

— Otoya, cá entre nós... o seu plano não está funcionando.

Otoya sentiu como se tivesse engolido uma pedra que afundara no seu estômago.

— Mas...

— Eu acho melhor pararmos de fingir que Tokiya se dá bem com todo mundo.

Otoya encarou o amigo com mágoa no olhar. Masato continuou.

— Não me olhe assim. Tenho certeza que os outros iriam concordar.

— Não podem fazer isso. Quando eu pedi ajuda, todo mundo disse que ia ajudar.

— Na verdade eu não. Eu estava em casa naquele fim de semana, lembra?

Otoya balançou a cabeça várias vezes.

— Entendo.

— Acho melhor discutirmos isso entre todos depois.

Otoya sabia que não seria uma conversa agradável.

oOo

Quando o sinal da última aula tocou, Otoya já estava com tudo preparado pra sair. Só pegou a mochila e evitou ao máximo pisotear quem estava à sua frente. Ouviu Masato chamando seu nome, mas não ligou.

Sua prioridade era Tokiya. Ele não respondera sua mensagem, então até agora ele não sabia no que tinha dado a conversa com o diretor.

No corredor, pegou a esquerda, em direção aos quartos e deu de cara com o Ichinose. Ele sorriu aliviado. Até ele falar e o ruivo perceber que estava diante do Ichinose errado.

— Otoya? Por que a pressa?

— Eu preciso ver o Tokiya. Depois eu falo com você!

E ele já estava correndo novamente.

— Otoya!!

Ele entrou rápido no quarto... Só para encontrá-lo vazio e escuro. Ofegante, ele enxugou o suor da testa enquanto acendia a luz. O quarto era o mesmo, mas parecia diferente só de ele saber que Tokiya não estaria ali aquela noite.

Hayato chegou correndo logo atrás.

— Isso que eu ia... te dizer... — Fez uma careta ao sentir uma pontada nas costelas. Ele não podia correr daquele jeito. — Tokiya foi suspenso.

Otoya se virou para ele e Hayato viu a tristeza em seu rosto.

— Você tentou evitar, não tentou?

— Você precisa entender que-

— Tentou!?

Hayato olhou para o chão.

— Não. Mas ele tentou me agredir, por que eu tentaria defendê-lo?

Seu argumento fazia sentido. Ele se sentiu idiota ao perguntar aquilo para a pessoa que havia sido a vítima da história.

— Claro... me desculpe. Você veio correndo até aqui? — Hayato assentiu. — Eu achei que você não podia correr.

— Eu não posso.

— Hum... devo chamar alguém?

— Não, tá tudo bem.

— Ok.

Então Tokiya havia mesmo sido suspenso. A essas horas ele já devia estar em casa, sozinho, querendo se isolar de tudo e de todos, como ele sempre fazia. Otoya se sentiu impotente. Parecia ser como Masato dissera, tudo que ele fizera por Tokiya não surtira o menor efeito. Nada melhorou, nada mudou.

— Você... poderia sa-sair?

Hayato olhou bem para seu rosto ao ouvi-lo gaguejar e percebeu que ele se segurava para não chorar na sua frente. Ele estendeu sua mão, mas Otoya se afastou. Hayato o segurou pelo braço.

— Pare de fugir, eu não vou te deixar sozinho.

Otoya se deixou ser abraçado e desabou no ombro de Hayato.

— Por que ninguém entende ele!?

— Ele não se deixa entender. Ele se fecha em uma bolha que ninguém consegue penetrar. Ele foi assim a vida toda.

— Mas não é justo! — Otoya agarrou-se ao uniforme de Hayato. — É como se ninguém realmente se importasse com os sentimentos dele! Por que ele não pode ser feliz também? Por que eu não posso ser a luz da vida dele?

— Otoya... — Hayato acariciou suas costas. — Ele... ele não liga pros seus sentimentos.

— Não é verdade. Só que ele prefere morrer a admitir isso.

Hayato suspirou. Vê-lo chorando por Tokiya fazia seu corpo inteiro ser tomado pelo ciúme. Seu punho se fechou com força.

— Por que você chora por ele? Ele não merece uma pessoa como você.

— Por favor, não diga isso. Você não o conhece tão bem quanto pensa.

— Eu convivi com ele na infância.

— Na infância. Ele é outra pessoa agora.

— Tem razão. Ele é cruel e machuca as pessoas. Ele fala e age sem medir consequências.

Otoya se soltou de Hayato e enxugou os olhos.

— Eu sei que você tem uma mágoa reprimida contra ele, mas você não pode julgá-lo. Eu não sei que tipo de história vocês tem, mas ele também sofreu.

— Como pode ter tanta certeza?

— Como posso ter certeza? Basta olhar em seus olhos. Eles são vazios e cheios de solidão. Você nunca percebeu isso?

Hayato ficou sem fala. Na verdade nunca havia reparado em seus olhos. Otoya continuou.

— É fácil julgar uma pessoa por ela ser fria, mas ninguém tenta entender pelo que ela passou pra chegar nesse ponto. Ninguém é sozinho porque quer. Ele... só precisa de alguém que o compreenda.

— Ele chegou a te bater. Como pode ainda se importar tanto com ele?

Essa frase fez Otoya se lembrar de algo que queria perguntar à Hayato.

— Por que você contou isso pra ele? Eu tinha pedido pra você não contar.

O peito de Hayato se comprimiu. Na raiva, ele havia quebrado sua promessa de manter sigilo.

— Eu fiquei com raiva...

— Você tinha prometido que não contaria!

— Eu sei, foi um erro! Me desculpa!

— Você sabe de uma coisa muito importante entre Tokiya e eu. – Não foi preciso explicar, Hayato sabia sobre o que ele falava. – Eu preciso ter certeza que você não vai contar pra ninguém. Nem em um momento de raiva.

Hayato fechou os punhos.

— Eu mantenho essa promessa. Por mais que eu desaprove, eu reforço que eu não vou contar sobre o que está havendo entre vocês.

— Hayato... – O Ichinose olhou em seus olhos. – Se você fizer Tokiya se afastar de mim, eu nunca vou te perdoar.

O Ichinose arregalou os olhos. Ele segurou os ombros de Otoya.

— Não! Você tem minha palavra! Seu segredo está seguro comigo, confie em mim!

— Eu vou te dar esse voto de confiança mais uma vez.

Hayato soltou o ar aliviado.

— Obrigado.

A porta se abriu e os dois encararam o recém chegado.

— Otoya... – Era Masato. – Está na hora daquele assunto que conversamos antes. Todos já estão reunidos.

— Está bem. Vamos, Hayato?

— Reunião? – O ruivo assentiu. — Vão na frente, eu já vou.

Os dois saíram e fecharam a porta. Hayato tinha os maxilares cerrados e os punhos fechados. Seu corpo tremia de fúria repreendida e ele a liberou em forma de socos e chutes em todos os lugares ao seu alcance. Quando se acalmou, ele se viu sentado na cama do irmão, ofegante, suado, seu corpo cheio de adrenalina.

— Por que tem que ser ele? Por que você não pode me amar?

Ele segurou a vontade de chorar. Ainda tinha uma reunião para participar.

oOo

Estavam todos reunidos no quarto de Ren e Masato. Quando Hayato entrou e se acomodou, Masato tossiu para chamar a atenção de todos. Todos o olharam.

— Otoya e eu temos um assunto que gostaríamos de discutir com vocês. – Vendo que tinha a atenção de todos, ele continuou. – Como alguns de vocês sabem, outros não, Tokiya foi suspenso por tentar agredir Hayato na hora do almoço.

A comoção foi geral. Como Masato dissera, alguns ainda não sabiam o que tinha acontecido.

— Ele fez o que? – Exclamou Camus.

— Você está bem, Hayato? – Indagou Natsuki. O Ichinose assentiu.

— Ainda bem que ele foi suspenso. – Continuou Cecil. Depois percebeu o olhar fulminante de Otoya sobre si. – Desculpa.

— A questão é – Continuou Masato. – Se nós podemos continuar aceitando-o entre nós mesmo ele tendo esse tipo de comportamento. Ele pode ser um perigo para nós.

Otoya bufou, indignado. Masato prosseguiu.

— Eu sei sobre o pedido do Otoya pra sermos amigos dele e entendo seus motivos pra pedir isso, mas... instável do jeito que ele é, acho que não seja mais uma boa ideia continuarmos com isso.

— Em outras palavras, ele está sugerindo que vocês abandonem Tokiya. – Completou Otoya. Todos perceberam o “vocês” usado por ele, de modo a entender que ele não o abandonaria. – Só pra lembrar que quando eu conversei com vocês, todos aceitaram me ajudar.

Ele viu o olhar de culpa no rosto de todos. Era perceptível em suas expressões que todos partilhavam da mesma opinião de Masato. Ele olhou para os próprios pés.

— É claro que eu não posso obrigar ninguém a ficar perto de quem não gosta. Quem não quiser mais fazer parte disso, está livre do nosso acordo.

Todos se olharam e Otoya sentiu a derrota lhe abater quando todos assentiram com um pedido de desculpas no olhar. Quem verbalizou a decisão de todos foi Reiji.

— Desculpa, Otoyan... Ele passou de todos os limites dessa vez.

Foi como se Otoya tivesse sido golpeado. Até mesmo Reiji, que sempre o apoiava em tudo, estava desistindo. Ele sentiu o nó na garganta dificultar sua respiração e seus olhos arderem.

— Entendo... Desculpem ter pedido algo tão difícil a vocês.

— Otoya... – Começou Syo.

— Tá tudo bem. Eu vou dar um jeito. Eu vou salvá-lo nem que seja sozinho.

— Ele não tem mais salvação. – Discordou Ai.

Otoya se levantou, olhando para o chão.

— Não importa o que vocês dizem. Não me importa o que todo mundo diz. Tokiya não é esse monstro que vocês pensam que é.

— É muito bonita a forma que você o defende, mas um dia você também vai enxergar ele dessa forma. Seus sentimentos o estão cegando. – Otoya olhou para Ranmaru.

— Não, Ranmaru. Um dia, vocês vão enxergá-lo da mesma forma que eu.

Ele caminhou devagar até a porta, sentindo o olhar de todos em suas costas.

— Ah, Masato. Agora que Tokiya não está mais aqui, não precisamos mais trocar de quarto. Por favor, retire suas coisas de lá.

Sua voz ao se dirigir a Masato era dura, cheia de mágoa. Masato se retesou, sentindo o rosto esquentar. Quando Otoya saiu, ele o seguiu.

— Otoya espera! – O ruivo parou, mas não se virou. – Eu sei que você tá chateado, mas eu preciso que as minhas coisas fiquem lá, sabe, pra pelo menos parecer que eu troquei de quarto.

— Você precisa...

— Por favor, é só por mais alguns dias.

— Claro. Você acabou de me apunhalar pelas costas e levar todos com você e quer que eu te faça um favor? Como você é egoísta.

Masato se sentiu péssimo ao escutar aquilo. Otoya sendo ofensivo era algo muito raro de se ver.

— Eu sei...

Mas Otoya não sabia dizer não a alguém que precisava de sua ajuda.

— Quantos dias?

— E-eu não tenho certeza.

— Eu te dou cinco dias.

— Dez.

— Oito. É minha proposta final. No final desse prazo, quero suas coisas fora do meu quarto, ou eu vou jogá-las no corredor.

— Pode deixar. Obrigado.

— Não me agradeça, não estou fazendo por você. — Dizendo isto, entrou em seu quarto.

Ele manteve as luzes apagadas, pois mesmo se houvesse luz, não conseguiria enxergar com as lágrimas que inundavam seus olhos. Ele deitou na cama de Tokiya e abraçou seu travesseiro.

— Por que você tem que ser tão idiota!?

Otoya soluçou por vários minutos. O cheiro da cama de Tokiya ajudou a acalmá-lo, mas ele permaneceu acordado até a madrugada, quando o sono finalmente o venceu.