Dormindo com o Fantasma
2 Capítulo 2
No dia seguinte,na escola,o professor de francês,Monsieur DuBois,pede que os alunos formem duplas e dialoguem.Escolhi usar o nome Isabelle,e Reina,minha parceira,seria Marie-Claire.Começamos conversando sobre nossos passatempos e horários da escola,e então,quando o professor parecia totalmente absorto pendurando na parede umas fotos com varios tipos de queijo francês — e Raina e eu já haviamos esgotado todo o nosso vocabulário — , ela me conta(deixando o francês de lado)que no ano passado,em meados de Dezembro,logo antes do baile do ensino médio,ela também tinha sido aluna nova na sala.
-É um saco ter que mudar a sua vida inteira de uma hora para outra — diz ela,formando com os cabelos castanhos café uma trança comprida e grossa de um lado da cabeça.
Concordo,pensando nos amigos dos quais havia me separado,e me perguntado o que estarão fazendo agora.
E se também sentem saudades de mim.
-Notei que ainda não tem amigos — continua Raina — Vi você sentada sozinha na cantina outro dia.Isso é suicídio social,sabe.Se não fizermos alguma coisa para resolver esse seu problema,todo mundo vai começar a evitar você,como se fosse um bicho atropelado na estrada.
-Bicho atropelado?
Ela assente,ainda fazendo a trança,tentando concluir com todas as camadas de cabelo nela,apesar do monte de presilhas que lhe adornam o alto da cabeça.
-É quando a vida social da pessoa acaba,entende?Sua carreira no segundo ano vai por água abaixo,principalmente agora,no meio do ano,sacou?Todos já estão por dentro.
-Por dentro?
-É — diz ela,os olhos castanhos levemente arregalados,como se fosse bizarramente chocante o fato de eu não entender o linguajar dela,principalmente porque agora estamos ambas supostamente falando a mesma lingua. — Todo mundo já tem o seu grupinho.As pessoas vão achar que você gosta de se isolar.Quero dizer,a menos que prefira ficar sozinha...
-Nem tinha parado para pensar nisso,na verdade.
-Pois devia — diz ela. — Porque não tem muito tempo para se recuperar.
Sinto meu rosto contrair-se,estranhando aquela filosofia dela tanto quanto seu vocabulário.
-Quer minha opnião ? — indaga ela
Abro a boca para mudar de assunto,falar do próximo dever de casa,mas Raina me dá a opnião dela de qualquer jeito:
-Por que ficar se torturando por causa de uma mudança infeliz para Massachusetts,a uma boa hora e doze minutos de distância de Boston?Isso se o trânsito estiver bom,né?Moral da história:você devia passar o dia comigo e com o Craig,fato.
No mesmo momento,um garoto de cabelos castanhos arrepiados e rosto sardento,que presumo ser Craig,gira na cadeira dizendo:
-Alguém me chamou?
-Craig,esta aqui é a Brenda;Brenda,Craig — diz ela fazendo as apresentações.
-Enchanté -diz Craig,fazendo um sotaque francês. — Só que meu nome é Jean-Claude até tocar o sinal.
Raina revira os olhos e depois explica a minha "situação" a Craig,transformando meu status de aluna nova em um diagnóstico social.Segundo ela,só tenho mais uma semana no máximo,para deixar de ser considerada uma solitária,antes de ser permanentemente classificada como nerd excluída
-Não liga para Raina — diz Craig,percebendo claramente como estou sem jeito. — Ela tende a se deixar demais pela política social...
-E daí? — pergunta Raina,enrolando um elástico em torno da pontea da trança depois de conseguir que ficasse do jeitinho que queria — Você sabe que eu estou absolutamente certa.
Craig dá os ombros e voltar a falar comigo.
-E aí,o que decidiu? Mesa para trois a partir de amanhã?
-Como você é chato — reage Raina,sem dúvida referindo-se ao fato de ele estar insistindo em falar francês.
-Tá bom — concordo sorrindo,certa de que esta é a primeira vez que me sinto até certo ponto normal,desde que me mudei para cá.
Notas finais
Contiinua...
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