Dorian Gray - My Sweet Demon
12 Rejeição
Notas iniciais
Aquela longa tarde se passou, enquanto eu evitava topar com meu marido naquela imensa mansão. Na hora do chá, eu desci as escadas e pedi a Bridget que subisse com uma bandeja até meu quarto. Pouco tempo depois, a mesma se dirigiu ao meu cômodo levando o chá com alguns biscoitos então aproveitei para perguntar a ela, enquanto ela ajeitava as cortinas que estavam enroladas por causa do vento.
_Meu marido saiu Bridget? _disse sem olhar para ela.
_Sim senhora Gray! _respondeu deixando as cortinas e andando alguns passos até estar próxima a poltrona onde eu me sentava. _O senhor Gray foi visitar um amigo.
_Imagino que sim. _respondi com o olhar fixo na xícara.
_Perdoe-me a intromissão senhora... _ergui meus olhos fitando sua face.
_Diga Bridget...
_O sol ainda não se pôs, e está um lindo dia, apesar da brisa fria.
_O que sugere? _deixei o fundo de minha xícara repousar sobre o pires.
_Se desejar companhia para uma caminhada, poderia acompanhá-la sem problemas... _ela curvou brevemente a cabeça.
_Não creio que o senhor Gray me queira andando por aí, sem sua permissão... _me levantei e andei até a janela passando por Bridget.
_Um passeio pelo bairro não é exatamente andar por aí senhora! _ela sorriu com um ar de cumplicidade.
Virei-me e olhei em seus olhos, percebendo que havia certa simpatia de sua parte para comigo, e talvez ela tivesse notado minha insatisfação em estar naquela casa, ficando a maior parte do tempo solitária, e estava tentando ser gentil comigo para recompensar as grosserias de seu patrão.
_Isso não seria uma má idéia! _respondi. _Está certo! Não sou uma prisioneira... _andei alguns passos em direção a uma cômoda, abri uma gaveta e apanhei minhas luvas. _Vamos Bridget! _eu sorri.
Bridget baixou os olhos e sorriu discretamente enquanto se movia para apanhar a bandeja então pedi que ela deixasse tudo como estava que logo desceríamos e eu pediria para que Greta cuidasse daquilo. Deixei de sobre aviso ao mordomo aonde pretendíamos ir e então saímos ambas da residência, e nos colocamos a andar em passos lentos pela rua. Enquanto caminhávamos, Bridget ia me falando sobre as casas, e seus moradores. Ela conhecia muito bem cada historia, de cada família, e se atreveu a me contar sobre cada uma delas com detalhes, o que despertou meu interesse. Quanto mais ela falava, mais eu apreciava o som de sua voz gentil, e notava que Bridget era muito mais culta do que muitas de minhas amigas da escola. Ficava impressionada que mesmo parecendo tão intelectual, ela servisse a famílias. Bridget não era muito jovem, mas não devia ter mais de trinta e oito anos em sua idade, e aparentava ter pouco mais de trinta. Era uma mulher bastante discreta, e estava sempre sorrindo, também era modestamente bonita. Seu rosto era harmonioso, não havia sequer um traço fora do lugar. Era realmente surpreendente que uma mulher como Bridget fosse serva e não servida. Acabei sentindo-me mais próxima daquela mulher, do que me senti de muitas de minhas amigas com quem passei boa parte de minha vida. Apesar de manter o ar servil, diante de mim, ela conseguia se fazer bastante intima com sua gentileza, e isso me fez sentir em casa. Jamais viria a tratar aquela mulher novamente como uma simples empregada. A partir daquela tarde, acabei tomando Bridget como uma excelente companhia.
Quando voltamos meu marido já havia voltado, para minha surpresa. Bridget fitou-me a face assim que vimos seu carro estacionado na beira da calçada em frente a mansão. Eu sorri pra ela, como se soubesse exatamente o que ela estava pensando, e tentei lhe passar confiança. Entramos, e logo encontramos Dorian descendo as escadas.
_Vejo que decidiram fazer um passeio! _disse Dorian deslizando seus dedos pelo corrimão da escada enquanto descia nos encarando. _Posso saber onde estavam?
_Pedi que Bridget me acompanhasse em uma breve caminhada pelo bairro. _respondi o encarando com expressão de pouco caso. _Acabamos ficando tão envolvidas que perdemos o horário.
_Pois bem! _ele lançou seu olhar sobre Bridget.
_Ah, se me derem licença irei ajudar Greta com o jantar... _disse ela um pouco sem jeito.
_Faça isso. _disse Dorian com aquele ar superior.
_Peça para Roza ajudar Greta com o jantar, e depois suba para me ajudar com meu banho Bridget! _eu interrompi.
Olhei para Bridget e sorri sem mover muito meus lábios, depois dei alguns passos em direção a escada e passei por Dorian que me fitou com um olhar de canto. Ele levou sua mão a minha cintura, me segurando e disse enquanto me olhava de lado:
_Não quero que saia de casa sem minha permissão. _seus olhos estavam sérios e mais frios do que de costume.
_Talvez meu esposo devesse comprar uma coleira ao invés de colares para presentear-me! _dei um passo, mas Dorian segurou-me firme.
Tive um final de tarde calmo, e muito agradável, mas a raiva que eu estava sentindo por Dorian ainda não tinha passado, e eu não estava disposta a aturar sua presença, então segurei sua mão, e afastei-a de meu corpo em um movimento brusco e rápido apertando meus lábios um contra o outro. O encarei e depois me dirigi ate o primeiro degrau da escada.
_Até mesmo um animal doméstico tem suas próprias vontades Dorian. _apertei a madeira do corrimão com meus dedos olhando para Dorian que permanecia de costas para mim. _Acostume-se com as minhas...
Dito isso eu segui meu caminho rumo ao segundo andar da mansão deixando que ele remoesse minhas palavras. Estava agindo de maneira perigosa, enfrentando meu marido daquele jeito, mas desde que nos conhecemos, este era o tratamento que eu achava que ele realmente merecia e nada no mundo me faria calar-me novamente. Estava disposta a ser uma boa esposa, e fazer suas vontades, mas não iria ceder aos seus caprichos enquanto ele não me respeitasse como sua mulher. Aquela seria uma guerra de grandes proporções, e era bem provável que o lado mais fraco, ou seja, eu saísse perdendo no final das contas, mas eu não estava disposta a desistir e me entregar sem uma boa briga. Se Dorian por um lado me via como uma mercadoria, então pelo meu ponto de vista, eu deveria lhe mostrar o quanto eu realmente valia.
POVs Dorian Gray
Hillena estava mesmo parecendo disposta a me enfrentar. E confesso que isso apenas atiçava ainda mais meu interesse por aquela pequena mulher. Por mais irritado que ela conseguisse me deixar com suas respostas presunçosas, eu não podia deixar de apreciar sua coragem, mesmo já me conhecendo muito bem para saber que aquilo não ficaria impune, ela o fazia. Por certo que eu gostava de suas afrontas, e que foram justas as mesmas que me causaram tanto interesse por Hillena, mas eu não poderia deixar que ela continuasse com aquilo por muito tempo, afinal eu era seu esposo, e não poderia permitir que passasse em momento algum por aquela cabecinha que Hillena poderia me desobedecer, ou isso acabaria com meu respeito. Algo precisava ser feito, e eu não pretendia me demorar mais a tal. Dirigi-me até a cozinha no intuito de dar alguns conselhos por assim dizer a Bridget. Adentrei ao cômodo e fui recebido apenas com os olhares das três mulheres presentes ali. Não era meu costume invadir aquele recinto, afinal, aquele não era lugar para o proprietário da mansão, por isso os olhares curiosos das três foram lançados sobre mim.
_Continuem com o que estão fazendo, vim apenas falar com Bridget. _me manifestei.
_Pois não senhor Gray! _ele secou suas mãos em um pano e prestou atenção em minhas palavras.
_Por onde andaram minha esposa e voce?
_Apenas caminhamos um pouco pelo bairro senhor Gray... Não fomos muito longe. _respondeu ela com medo de uma represaria.
_E de quem foi a idéia? _franzi minha testa fitando seus olhos claros.
_Minha senhor Gray... _ela admitiu sabendo que não deveria mentir pra mim.
_Trabalha a quanto tempo pra mim Bridget? _andei até a mesa e apanhei uma maçã.
_Cinco ou seis anos senhor. _ela se encolheu entre seus ombros.
_E sabe que não gosto que mexam em nada desta casa sem me perguntar, assim como não aceito intromissões em como vivo minha vida não é?
_Sim senhor.
_Não quero que fique colocando idéias na cabeça de minha esposa, ou induzindo-a a me desobedecer entendeu? _andei até estar diante dela.
_Sim senhor, não vai mais acontecer. _respondeu-me de cabeça baixa.
_Isso serve pra todas... _olhei ao redor vendo as demais me olharem. _Não se sintam a vontade para falar, a menos que seja pedido a vocês. Quanto à voce, já percebi que nutre certa simpatia pela senhora Gray, e aprecio sua boa vontade para com ela, mas... _ela ergueu seus olhos. _Deve obediência somente a mim, e mais ninguém. Posso contar com voce quanto a isso Bridget? Está bastante claro pra voce?
_Sim senhor Gray. Não se preocupe...
_Ótimo! Agora suba e ajude minha esposa com o banho...
_Com sua licença senhor... _ela inclinou seu rosto para baixo depois andou rumo a porta.
_Bridget... _chamei-a. _Esta nossa conversa, não deve ser de conhecimento de Hillena.
Bridget concordou com um gesto de cabeça e então se retirou. Embora Bridget fosse uma excelente empregada, ela ainda continuava sendo apenas isso, eu não permitiria que em momento algum ela tivesse qualquer influencia ou confiança diante de Hillena.
...
O jantar foi servido no mesmo horário costumeiro, de acordo com minhas ordens já bem conhecidas, às sete horas. Hillena e eu trocamos algumas poucas palavras durante o jantar, apenas para não parecermos um casal de velhos que apenas dividem a mesma mesa após anos de um casamento cansativo e sem prazeres.
_Lady Burton me convidou para acompanhá-la, assim como Lady Michelle e Miss Daniele a uma instituição de caridade cuja qual elas ajudam de bom grado. _disse minha esposa sem fitar-me a face, apenas mexendo seus talheres. _E eu aceitei.
_Parece que Lady Burton conseguiu mais uma boa samaritana para ajudá-la em suas boas ações! _respondi sem muito interesse.
_Creio que seja de muito bom caráter de Lady Burton empenhar-se em tal atividade tão honrosa. _defendeu suas idéias como sempre fazia quando parecia querer deixar-me entediado.
_Muito nobre realmente. _pensei em bocejar, mas minha boca ficou ocupada com um pedaço saboroso de carne.
_Talvez meu esposo devesse fazer uma doação generosa a pelo menos uma de tais instituições. _Hillena parecia a própria Lady Burton ao falar. _Lady Burton confessou a mim que já tentou inúmeras vezes convencer meu esposo a tal, mas sem sucesso. O que não admira... _suas pálpebras e sobrancelhas se moviam mostrando-me seu ar de desprezo.
_Creio que já gastei bastante dinheiro com caridade! _tinha certeza minhas palavras a fariam olhar pra mim. _Não acha?
_De fato que meu marido é deveras um cavalheiro! _seu ar de ironia ao me encarar me causou riso.
Hillena me divertia por demasiado com suas crises de raiva, e revolta diante de minhas confissões tão contrarias aos seus pensamentos e ideais. Admirava sua boa vontade, mas preferia deixar tais atividades para mulheres como Lady Burton que já não tinha mais o interesse do marido sobre ela quanto mulher, e realmente precisava de algo para se sentir útil. Não Hillena, que pelo contrario, tinha meu total interesse sobre si, e sua beleza delicada e juvenil. Tais atividades apenas eram uma boa desculpa para mulheres velhas, e desinteressantes, que se sentiam vazias e desprezadas por seus maridos. Hillena pelo contrario de todas elas, despertava meu total interesse e estima. Mesmo que ela não fosse capaz de compreender tal sentimento naquele momento.
Ficamos em silencio a partir daquele instante, e terminamos nosso jantar. Como de costume me dirigi ao escritório para fumar e ficar um pouco sozinho com meus pensamentos. Deixei que Hillena subisse e acalmasse um pouco seu coração de sua revolta para comigo. Mais tarde, antes que ela dormisse, eu subi até nosso quarto, disposto a passar a noite com ela. Seria tolice minha passar outra noite fora de casa sendo que a única maravilha que realmente me interessava estava em minha própria cama. Abri a porta e encontrei Hillena já vestida para dormir, com uma camisola branca, longa quase transparente, e com seus cabelos castanhos soltos sobre seu ombro. Ela estava sentada diante de uma estante penteando seus cabelos com uma escova e apenas moveu sutilmente seus olhos na direção da porta depois voltou a olhar para si mesma no reflexo do espelho.
Andei até a cama enquanto abria os botões de um colete e o deixava em seguida em um cabide. Afrouxei as mangas da camisa, e tirei meus sapatos logo me sentando sobre meu lado da cama, e permaneci em silencio admirando o brilho estonteante de minha esposa. Vendo-a sob aquela luz baixa, com seus cabelos macios soltos por cima de sua pele delicada, assim sem todas aquelas saias desnecessárias, as idéias em minha mente me perturbavam em demasio. Desejei com todo meu ser que ela não se demorasse em se deitar ao meu lado. Hillena pareceu prolongar mais aquela sua atividade apenas para me torturar, mas finalmente decidiu se dirigir a nossa cama. Seus olhos não me encararam sequer uma vez, mas mesmo assim meus lábios sorriam sentindo certo prazer em vê-la brava comigo. Seu rosto gentil, tomado de ódio a deixava ainda mais atraente, e meus sentidos ficavam ainda mais aguçados.
Hillena sentou-se na beira da cama, se preparando para deitar-se, então me movi sobre a mesma e me aproximei dela tocando gentilmente suas costas que estavam descobertas já que sua camisola era aberta no mesmo local. Uma veste muito sensual por sinal. Hillena não se moveu diante de meu toque, então conduzi minha mão direita pela cintura dela, avançando a frente de seu corpo perfeito que parecia ter sido esculpido por um artista. Meus lábios queriam sentir seu gosto, então beijei seus ombros enquanto sutilmente seguia rumo ao seu pescoço. Percebi que sua respiração ficava mais forte, mas ela não se movia.
_Dorian... _ouvi sua voz em um tom firme. _Tenho a intenção de dormir, então se não se incomoda...
Hillena foi fria, demonstrando não estar interessada em minhas caricias. Então não satisfeito com sua resposta eu puxei-a pela cintura e deitei-a sobre os lençóis, olhando em seus olhos. Enquanto descia meus dedos ao longo de sua perna, me manifestei:
_Ainda está zangada por esta manhã? _sorri.
_Tenho sono. _ela disse olhando em meus olhos com um ar gélido.
Hillena estava fria comigo, e usou suas mãos apenas para me afastar, depois se virou ficando de lado na cama dando as costas para mim, o que me deixou profundamente insatisfeito. Olhei para o corpo dela, tão convidativo que ao mesmo tempo em que me chamava me repelia.
_Hillena? _tentei dar a ela uma chance.
_Boa noite Dorian... _ela respondeu e fechou seus olhos.
Respirei profundamente ficando extremamente irritado com sua rejeição, mas não estava disposto a forçá-la a fazer o que não queria. Desta vez era realmente este seu desejo, que eu a deixasse em paz para adormecer, diferente das anteriores em que eu sabia que ela estava apenas fugindo de seus próprios desejos por mim. Levantei-me e fiz a volta ao redor da cama, depois andei até a porta por onde sai.
POVs Hillena
Respirei aliviada ao ouvir a porta bater. Abri meus olhos e arrumei as cobertas por cima de meu corpo. Fiquei calma, sentindo-me grata por Dorian ter me deixado quieta e não ter tentado me forçar a fazer algo contra minha vontade. Não sabia o que ele faria depois que saísse daquele quarto, mas não me importava. Apenas estava feliz por ele ter me deixado em paz aquela noite.
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