Dorian Gray - My Sweet Demon
16 Coração Insensato
Notas iniciais
OBS: Nos vemos lá embaixo!
PS: DESCULPEM EU ME ATRASEI UM POUCO HJ!!
POVs DORIAN
Hillena e eu regressamos de um passeio, que decidimos fazer logo após o almoço para aproveitar a bela tarde. Enquanto eu estava na sala, servindo-me de alguma bebida para relaxar, Hillena se dirigiu a cozinha para dar algumas ordens às empregadas, sobre que tipo de jantar ela gostaria que fosse servido mais a noite. Minha esposa já estava sentindo-se a vontade para dar alguns comandos sem que se fizesse necessária minha autorização, e confesso que me agradava afinal. Era de fato interessante ter uma mulher ao meu lado para cuidar das coisas do dia a dia que apenas me aborreciam, e pouco me importavam. Hillena parecia estar se acostumando a ser a senhora Gray, e passava a cuidar não somente das coisas da casa, como de mim. Algumas vezes me perguntava se seria bom de fato para ela se preocupar comigo da maneira como ela vinha demonstrando preocupar-se ultimamente. Sentia que a cada dia, minha adorável mulher se aproximava mais e mais de mim, e temia por ela. Seu coração gentil e amoroso, não poderia sequer imaginar as coisas terríveis que fiz ao longo de minha vida desprezível. Hillena jamais poderia saber de tais atos repulsivos, ou deixaria de me amar. Se ela me conhecesse como Henry conhecia, jamais teria aceitado casar-se comigo, e tais pensamentos me atormentavam diariamente. No inicio, Hillena nada mais era do que uma tentativa egoísta minha de recompor meu próprio caráter, mas conforme os dias se passaram, eu percebia que sua alma pura e bondosa me cativava muito mais do que superficialmente. Hillena se parecia com um anjo bondoso, e amável enviado para me salvar, ou ao menos para me consolar diante de tais atrocidades cometidas por meu caráter duvidoso. Temia profundamente que um dia ela me abandonasse...
Respirei fundo me desvencilhando de tais pensamentos mórbidos, e bebi um gole longo de gim, depois andei pela sala rumo à escada. Então fui surpreendido pela entrada subida de um cavalheiro a minha casa. Tratava-se de meu sogro, o senhor Potter que parecia bastante indignado com algo, tanto que sequer me deixou lhe estender a mão para cumprimentá-lo, e logo disse aos berros, enquanto me atingia no rosto com um soco que me causou dor e me derrubou nos degraus da escada.
_Seu crápula! _disse ele.
Quando ergui o rosto para encará-lo, notei que Jeffrey que o seguia, também se pôs a impedir o homem de me atacar novamente. Vinda da cozinha, vi Hillena correr a me ver na escada com o rosto ferido e sangrando.
_Meu Deus! _disse ela ao me tocar. _Mas o que foi isso? _Hillena encarou seu pai.
_Solte-me! _disse Potter empurrando Jeffrey.
_Acalme-se senhor, ou terei de chamar os guardas... _avisou meu motorista.
_O que deu no senhor? _continuou minha esposa. _Invadir nossa casa assim no meio da tarde e agredir meu marido?
_Pergunte a ele... _disse Potter transtornado apontando para mim. _Diga a ela a barbaridade que fez...
_Não tenho idéia do que está falando Potter... _respondi limpando o sangue em minha face enquanto Hillena me ajudava a levantar.
_Talvez Gillian devesse refrescar sua memória... _mais uma vez o homem teve de ser segurado por Jeffrey.
_Gillian? _disse Hillena diante de mim, como se quisesse me proteger do ataque raivoso de seu pai. _Do que está falando meu pai?
_Esse miserável teve o despautério de se aproveitar de sua irmã...
_O que? _ela me fitou a face então apertei os olhos olhando-a. _Pai, explique-se...
_Peguei sua irmã aos prantos nos braços de sua mãe esta manhã, e ela se negou a me contar o motivo de suas lagrimas, mas sua mãe confessou-me que Gillian havia sido... Desgraçada por seu marido. _Potter me olhava como se estivesse disposto a me matar.
_Está louco... _me manifestei. _Jamais toquei em sua filha.
_Ora seu cretino mentiroso. _disse ele enquanto Hillena se colocou entre nós.
_Acalme-se pai... _ela me olhou mais uma vez. _Gillian disse quando isso aconteceu?
_Há um mês quando ela veio visitá-la...
_Ha... _eu acabei rindo ironicamente por ter em mente que nunca me deitei com Gillian de fato.
_Gillian disse que se deitou com Dorian? _Hillena parecia estranhamente calma.
_Sua irmã foi seduzida ingenuamente pelos agrados de seu esposo...
_Como sabe que ela disse a verdade? _essa resposta vinda de Hillena me deixou surpreso. _Gillian pode ter criado tal fato em sua mente criativa, e tomado tal circunstancia como um acontecimento real.
Hillena deu alguns passos em direção ao pai, que e a olhava com a mesma surpresa que eu. Jamais poderia imaginar tal reação de minha esposa. Minha primeira inclinação era pensar que Hillena reagiria ficando ao lado de seu pai, mas pelo contrario, ela reagiu de forma tranqüila, e calculada, mostrando que de fato havia aprendido algo em sua convivência comigo.
_Está defendendo seu marido? _se indignou Potter.
_Estou analisando os fatos meu pai. Talvez nossa mãe devesse ter lhe informado também de que minha irmã nutre por meu esposo, certo apreço. _Hillena agiu com perfeita escolha de palavras, me deixando devidamente impressionado e pasmo diante de sua defesa magnânima. _Gillian está apaixonada por Dorian desde a primeira vez que o viu. _ela me olhou com um olhar de total controle. _Não me surpreenderia se ela inventasse tal coisa para chamar atenção.
_Está chamando sua irmã de mentirosa? Como pode ficar contra sua família e a favor dele? _mais uma vez seu olhar fulminante foi lançado sobre mim.
_Dorian é meu esposo, por tanto é minha família agora. _disse Hillena sendo firme. _E muito me admira que o senhor tenha coragem de invadir nossa casa dessa forma inescrupulosa para levantar calunias sobre meu marido, que devo lembrar o senhor de que muito vem os ajudando.
Céus! Eu estava sorrindo por dentro, que mulher fascinante era aquela que eu havia tomado como minha. Hillena era justa afinal, nunca tive duvidas de tal fato, mas não podia deixar de me surpreender com sua atitude diante de mim. Como ela era incrivelmente maravilhosa! E seguia com seu discurso fabuloso:
_Sugiro que antes de vir até aqui agredindo meu esposo, física e verbalmente, o senhor tivesse se encarregado de levar Gillian a um especialista para afirmar suas acusações com mais propriedade. Certifique-se de que minha irmã não é mais pura, e então voltaremos a conversar. Até lá, devo pedir que se retire de nossa casa. No estado em que se encontra, e impossível ter uma conversa decente.
Hillena se virou e encarou Jeffrey, assim como Morgan nosso mordomo, e pediu:
_Por favor, acompanhem o senhor Potter até a saída... _ordenou ela.
Assim, que os servos se aproximaram, Potter lançou sobre mim seu olhar mais frio, e se desvencilhou dos cavalheiros que o tocaram, logo dizendo ao olhar para Hillena que se aproximou de mim.
_Eu conheço a saída... _assim ele se retirou com a mesma pressa que entrou.
Quando os empregados se retiraram também, eu encarei Hillena que tocou meu rosto com cautela e delicadeza depois fitando meus olhos ela disse em voz suave:
_Não voltou a ver Gillian outra vez, voltou Dorian?
_Se não acredita na minha inocência, por que me defendeu? _segurei sua mão.
_Por que você é meu marido, e eu prefiro acreditar em fatos concretos à falsas acusações... Mas me diga, por que preciso ouvir Dorian...
_Não.
_Ótimo! Por que se descobrirmos que minha irmã já não é mais pura, enfrentaremos grandes perturbações... E preciso ter certeza de que estarei brigando pela pessoa certa...
_Como eu disse certa vez, e repito. Se ela não for, garanto que não sou o responsável.
_Eu já não me engano mais com a ingenuidade de minha irmã... _ela se afastou. _Ela sempre desejou estar em meu lugar. _confessou em tom de chateação. _E pelo que parece, ainda deseja... _Hillena parou atrás de uma poltrona com a face baixa.
_Hillena! _me aproximei dela e toquei sua cintura abraçando-a. _Eu não devia ter incentivado tal sentimento, o que me torna um pouco culpado em parte. _depositei meu queixo sobre seu ombro direito.
_Esteve com ela antes de me conhecer não esteve? _Hillena tocou meu rosto sem virar sua face. _Gillian não poderia inventar tais coisas sem sequer uma razão...
_Sim... _confessei. _No dia em que ela completou quinze anos, eu fui apresentado a ela. Ainda não tinha conhecido você... Não nos vimos por você não estar em Londres em tal data.
_Hum! _ela sorriu e virou-se para mim. _Duvido que isso, mudasse as coisas! _ela me olhou e tocou meu rosto. _Sei que não resiste ao encanto de uma mulher, sendo ela jovem ou mais experiente! Quando se começa a andar pelas ruas, se ouve histórias! _suas confissões me causaram arrepio.
_Não há nada que deva ser levado em consideração em um boato espalhado pelas esquinas desta cidade... _temi que minha reputação estivesse chegando aos ouvidos dela. _Nenhuma dessas pessoas medíocres me conhece tão bem quanto você... Ninguém... Você sabe quem eu sou Hillena.
_Devia cuidar disso antes que fique uma marca! _ela sorriu tentando ignorar minha preocupação, enquanto tocava meu rosto levemente ferido.
_O que faria se eu tivesse feito o que seu pai me acusou de ter feito?
_Por que está me perguntando isso? _ela parou de me tocar e me encarou séria.
_É apenas uma pergunta...
_Não devia me perguntar isso... _Hillena pareceu perturbada e tentou se afastar, mas a segurei em meus braços e recostei-a ao sofá.
_Por favor, Hillena responda.
_Não... _ela franziu sua testa. _É cruel me fazer pensar em qual seria minha reação. Você já a conhece bem, viu como me deixou quando insinuou ter se deitado com minha irmã há um mês, por que me pergunta isso agora? _Hillena mostrou-se incomodada com meu questionamento inoportuno.
_Eu não sei... _baixei minha face.
_Não coloque essas duvidas em minha mente Dorian... _seu pedido vinha repleto de angustia. _É extremamente desagradável causar em mim tais pensamentos. A pureza e inocência de Gillian, agora pouco me incomodam desde que sei que ela mesma não se importa com tal. Mas imaginar você nos braços dela me provoca terrível raiva e desconforto. Não ouse me perguntar sobre isso outra vez...
_Não queria perturbá-la com isso... _toquei seu rosto enquanto olhava seus olhos.
_Não faça mais isso Dorian... _seus olhos ficaram um pouco úmidos o que me corroeu por dentro. _A menos que queria me ferir... Causa-me profunda magoa imaginar você com outra mulher...
_Então não imagine! _segurei firme seu rosto e me aproximei. _Eu a amo Hillena... Eu a amo...
Aquela era a primeira vez que eu dizia tais palavras para minha esposa, e embora tivesse apenas um mês que estava casado, eu já sentia que não poderia viver sem ela. Senti as mãos de Hillena tocarem as laterais de meu corpo, enquanto eu aproximava meus lábios aos dela, e os tocava com carinho. Não podia permitir que ela duvidasse sequer mais um dia de meus sentimentos por ela. Por um longo tempo eu busquei conforto nos braços de inúmeras mulheres, sem jamais encontrar nada além de prazer passageiro. Mas com Hillena, eu me sentia completo afinal. Aquela mulher tão dócil e encantadora trouxe meu desejo de fazer algo bom novamente. Sentia-me regenerado toda vez que estava com ela. Podia arriscar-me a dizer que em seus braços eu encontrei a verdadeira felicidade, um estado de espírito que apenas a carne, e os prazeres não eram capazes de sustentar. Eu a amava com toda a força em mim, a amava e a queria mais do que desejava viver. Hillena era a parte boa que vivia dentro de mim, e me tornava inteiro.
POVs HILLENA
Meu coração disparou imediatamente ao ouvir o som tão doce daquelas palavras. Nunca imaginei que ouviria meu marido confessar seus sentimentos por mim assim, de maneira tão sincera. Sim, eu senti toda a verdade das palavras ditas por ele naquele momento, ao olhar nos seus olhos, que demonstraram total afeto e estima, Me deixei envolver por uma sensação de calor, que atravessou meu corpo, arriscando a tomar conta de minha alma. Sim, eu também não podia negar que o que eu sentia por Dorian era forte demais, e embora eu desconhecesse o sentido de amar, acreditava que a força em meu intimo, só podia ser descrito como tal sentimento. Eu sentia um pavor terrível em me imaginar longe dele, mesmo depois de todas as coisas que passamos em tão pouco tempo, eu apenas o queria ao meu lado, por muitos anos. Nunca imaginei que um dia estaria tão apaixonada e entregue devotamente a Dorian daquela maneira. Não havia nada que eu não seria capaz de fazer por ele, não havia nada que eu quisesse mais do que estar em sua presença. Em tão pouco tempo, eu já pertencia de corpo e alma ao meu esposo. Desejava ter uma vida longa para poder amá-lo até que meus ossos estivessem cansados demais para suportar a vida em mim.
Eu desejei que Dorian fosse meu para todo o sempre, e que mesmo depois que nossos corpos descascassem em mórbidos túmulos frios, e úmidos, nossas almas se reencontrassem novamente no paraíso, onde poderíamos nos amar para sempre, e sempre. Sim, eu o desejava demais!
Em seus lábios, eu degustei o sabor doce e amargo, misturado com sangue, e não me importei. Selei seus lábios com meus beijos mais ardentes, mostrando o quanto o queria. Envolvi-o com meus braços, enquanto sentia seu corpo apertar-me contra aquele móvel. Ergui minhas pernas enlaçando-as ao redor das pernas dele e puxando-o para mais junto de mim, enquanto sentia algo nele se manifestar imediatamente. Pouco me importava se alguém nos visse daquele jeito, aquela era nossa casa, e podíamos fazer o que bem entendêssemos dentro dela. Dorian despertou algo que eu jamais poderia imaginar que existia em mim. Aquele fogo que se ascendia toda vez que ele me tocava, poderia nos queimar pela eternidade. Era insano e perturbador. Ele me tocava sempre como um anjo terrível, e perverso, mas da maneira mais carinhosa e graciosa, que nenhum outro homem seria capaz de me tocar jamais.
Um pensamento terrível banhou meus devaneios enquanto eu sentia sua particularidade máscula se inflar colada a minha feminilidade. Dorian poderia ser um demônio encarregado de envolver com seu prazer devastador, ou um deus banido do céu por conter tais atributos. Provavelmente ele seria o mais invejado dos anjos, pela sua graça e maravilha absoluta. Céus! Como ele era incrível de fato. Se meus desejos por Dorian poderiam ser considerados pecado, eu já estava entregue ao purgatório, pois eu não sentia culpa alguma por me entregar a ele.
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