Dorian Gray - My Sweet Demon

21 É Você a Dona de Todo Meu Amor


Notas iniciais
Chegamos ao final da fic... Buaaaaaa... Não quero me despedir porque odeio despedidas e já chorei demais escrevendo este capitulo. Só estou pedindo que não me odeiem muito, nem façam bonequinhos vodu com meu nome, por que tanto no filme como no livro o destino da hst é o mesmo e se eu mudasse isso, estragaria toda a grande obra de Oscar Wilde. Perdoem-me mais uma vez, e espero que gostem das coisas agradáveis que guardo na fic!

OBS: NÃO ME MATEM! AINDA TEM RECADO LÁ EMBAIXO BJUS... APAIXONEI POR VOCES VIU?

PS: CLIQUEM NOS LINKS PARA VER O RETRATO COMO ESTAVA E DEPOIS AO FINAL COMO ELE REALMENTE ERA, E VOLTOU A SER!!

Já era tarde, e Dorian dormia tranquilamente ao meu lado quando decidi levantar-me e procurar as chaves do sótão. Ainda não tinha certeza se o que estava fazendo era certo, mas eu precisa ver com os meus olhos do que Lord Henry estava falando. Encontrei uma pequena chave presa a um acorrente dourada no fundo de uma das gavetas de Dorian. Saí do quarto cuidando para não fazer barulho e acabar despertando Dorian, depois me dirigi pelo corredor escuro e subi até o andar superior onde ficava o sótão. Abri a grade que cobria a porta tomando precaução para não fazer alarme, depois abri a porta do cômodo logo entrando e procurando pelo retrato de Dorian. não demorei muito até encontrar um objeto retangular já enrolado e amarrado com cordas, provavelmente serviço feito pelo próprio Dorian na intenção de carregar tal objeto em nossa viagem. Aproximei-me, e desfiz os nós das cordas deixando-o coberto apenas por um pano grosso de cor escura. Tomei coragem para ver o que tinha embaixo daquele tecido, e respirei fundo. Foi quando ouvi:

_Hillena? _era a voz de Dorian vinda da porta. _O que está fazendo aqui?

_Dorian... Eu preciso ver.

_Não... _ele se aproximou rapidamente. _Não toque nisso. _disse diante de mim protegendo o quadro.

_Não pode esconder isso de mim Dorian...

_Por que veio até aqui? _seus olhos estavam diferentes.

_Eu só quero entender... _uma melancolia se apossou de mim.

_Não pode ver o que tem embaixo desse pano... _ele olhou para o mesmo. _Não pode me pedir tal coisa... _seus olhos se umedeceram.

_Precisa confiar em mim Dorian... _me aproximei, mas ele me repeliu.

_Não... _disse em voz alterada. _Não faça isso Hillena... Não vai gostar do que vai ver.

_Não pode me pedir pra seguir com você se não pode me mostrar o que tem ai...

_Não seguirá comigo se vir... _seus olhos ficaram molhados. _Entenda Hillena, não posso pedir que ame o que tem ai... É uma aberração terrível...

_Como pode? É só um retrato...

_É minha alma... Minha alma suja, e fétida... _disse enquanto não conseguia conter seu choro.

_Mentiu quando disse que me amava? Mentiu quando disse que confiava em mim? _dessa vez era eu quem chorava.

_Não. Eu a amo, mais do que tudo... _era terrível vê-lo naquele estado, aos prantos como um garoto apavorado, mas eu não podia esquecer. _Mas, por favor, eu imploro... Não me obrigue a lhe mostrar isso... Se você me ama, não faça isso.

_Sendo assim, eu não poderei ir a lugar algum com você Dorian...

Senti como se meu mundo estivesse prestes a desmoronar sobre minha cabeça. Minhas mãos tremiam, meu coração parecia querer sair pela boca, e meu corpo parecia fraco. Meus olhos estavam ardendo, e minha garganta queimava e me sufocava. Já não podia dizer nenhuma palavra então me virei e sai do cômodo. Dorian me seguiu, dizendo meu nome até estarmos no corredor onde ele me segurou pelo braço e disse olhando em meus olhos enquanto os seus estavam vermelhos e brilhantes por culpa das lagrimas que lhe cobriam a face.

_Não me deixe Hillena... Eu estou te pedindo... Você é tudo que eu tenho, não me deixe.

_Não está me dando outra escolha Dorian... _céus, como eu poderia dizer aquelas palavras, sendo que minha própria vida ficaria sem sentido se o deixasse. _Se não pode confiar em mim, então não há o que fazer...

Soltei-me de suas mãos e corri pelo corredor levando minha mão aos meus lábios cobrindo-os para tentar amenizar minha dor. Meu Deus! Eu amava demais aquele homem, por que estava fazendo aquilo? Eu não podia deixá-lo... Por que eu estava lhe causando tanta dor, como eu podia ser tão cruel? Senti-me tão mal, que a dor em minha alma causou-me uma ânsia terrível. Eu não poderia passar aquela noite debaixo daquele teto, então me vesti com uma roupa qualquer e corri pela rua rumo à casa de Lady Burton que ficava não muito longe dali. Meus pés doíam a cada passo, minhas lagrimas não podiam ser contidas, e meu coração estava ficando cada vez mais apertado e me matava por dentro a distancia que me separava de Dorian. Bati com a pouca força que me restava à porta de Lady Burton que logo me recebeu e me acolheu em seu lar. Acabei em seus braços, aos prantos sem saber sequer o que dizer a ela. Ela tentou me acalmar como uma mãe faria, me acariciando os cabelos, enquanto me sacudia devagar em seu colo como se eu fosse uma menina pequena e assustada.

...

POVS DORIAN

Fui até o quarto principal da casa procurando por Hillena, mas ela não estava lá, então desci as escadas, a procurei por todos os cômodos, mas não a encontrei. Hillena não estava em lugar algum, então presumi que ela teria me abandonado, me deixado sozinho naquela casa que eu tanto odiava. Com nada além dos fantasmas do meu passado, que voltavam agora para me torturar ainda mais, mostrando o que eu realmente merecia. No vazio daqueles cômodos eu ouvia a voz de Kelso, e a voz abafada de um garoto. Sim, um pequeno e frágil menino que tentava se esconder das terríveis surras sem motivo. Bati inúmeras vezes com meus punhos sobre as paredes e moveis tentando exorcizar tais demônios. Mas eles não iam embora, e apenas me diziam sem cansar todas as coisas terríveis que fiz ao longo de minha vida miserável. Eu não poderia seguir em frente, não sem Hillena. Havia algo que eu precisava fazer então após apanhar certo objeto eu me dirigi até o sótão outra vez e encarei aquele retrato terrível, totalmente deformado, estampando uma figura monstruosa que em nada lembrava a minha imagem refletida nos espelhos daquela casa. Seus cabelos estavam esbranquiçados, seus dentes eram podres, e as marcas e cicatrizes em sua face eram demoníacas. Ali estava toda a minha verdadeira imagem. Todas as coisas que fiz, todos os pecados que cometi, estavam me encarando. Marcando meu retrato, como jamais me marcariam. Eu precisava por um fim aquela miséria, aquela imagem sórdida e putrefata que se fazia na pintura de Basil. Estendi uma lamina cortante no topo de minha cabeça, e segurei firmes minhas mãos nas bordas do quadro visando destruir o mesmo para sempre. Talvez minha alma fosse liberta quando não restasse mais nada daquele quadro maldito que a aprisionava. De repente a face ali desenhada, pareceu me encarar com um sorriso amigo, como se desejasse se unir a mim novamente, como dois velhos irmãos separados pelo tempo. Eu lancei no centro de seu peito aquela lamina cortante transpassando o retrato de cima a baixo. O sorriso ali ficou distorcido e a imagem pareceu me abraçar finalmente me acolhendo de forma terrível e sem volta.

Aprofundei ainda mais o corte, sentindo agora em mim mesmo todas as dores, as marcas e as cicatrizes que havia naquela pintura. Minha alma estava libertando-se e voltando a me pertencer. Meu corpo não resistiria muito tempo. Senti-me fraco, doente e quase sem vida. Então cai no piso gelado daquele cômodo enquanto via meu retrato se recompor tornando assim a sua forma original pintada por Basil quando eu era ainda um garoto, sem maldade, sem crueldade, sem a devassidão.

(o retrato como estava)

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POVs HILLENA

Mal preguei os olhos naquela noite pensando na coisa terrível que eu tinha feito. Eu amava Dorian com toda a força em mim, como poderia deixá-lo? Levantei-me sentindo o peso em meu rosto, por conta das lagrimas que derramei durante a madrugada. Arrumei-me e desci as escadas encontrando lady Burton que sorriu esperando que eu estivesse me sentindo melhor. Imediatamente pedi a ela que me cedesse um carro e um motorista para regressar o mais rápido a minha casa, e pedir perdão a Dorian. Ela foi gentil, e a própria me acompanhou rumo à mansão Gray. Para minha surpresa, a rua estava lotada de pessoas, e carros da lei, assim como um automóvel branco que pertencia ao hospital londrino. Desci do carro sem esperar Lady Burton e avistei Lord Henry dentre a multidão curiosa.

_Lord Henry? _disse sentindo algo estranho em mim.

_Querida Hillena... _ele andou até mim, e parou em minha frente.

_O que está acontecendo? Onde está Dorian?

_Escute, precisa ser forte...

_O que? Não... Eu, não estou entendendo cadê meu marido?

_Hillena, fique calma. O que tenho a lhe dizer não...

De repente avistei uma cama sendo retirada de dentro de nossa casa, com um corpo sobre a mesma. Desviei de Lord Henry, que tentou me segurar e o empurrei indo às pressas em direção aquele corpo. Ao me aproximar retirei o pano branco que o cobria e vi uma figura terrível embaixo do mesmo, que me fez cobrir o rosto de espanto. O homem ali tinha cabelos claros, de cor branca e o rosto totalmente desfigurado cheio de marcas e cortes, ferimentos terríveis, e rugas. Dei alguns passos para trás e topei com Henry que me segurou nos braços.

_Quem é este homem Henry? _disse chocada.

_Olhe bem Hillena... Veja seus dedos... _Lord disse com um ar pesado e triste no rosto.

Fitei aquele corpo sem vida, mesmo sentindo-me temerosa, e vi algo familiar. Era uma aliança, dourada. Aproximei-me novamente, e analisei aquele homem sem acreditar no que estava vendo bem diante de meus olhos.

_Não pode ser... _cobri meu rosto aos prantos. _Não, não pode ser ele... _meu peito apertou-se e minhas lagrimas sufocaram minha garganta. _Não, não é ele... Diga que não se trata de Dorian... Por favor, Henry... _me virei e me agarrei aos braços do Lord. _Diga que não é ele, por favor, diga... _minhas pernas estavam amolecendo.

_Eu sinto muito querida, eu sinto imensamente... _suas palavras apenas confirmaram minha desconfiança.

_NÃO... _gritei caindo de joelhos diante dele. _Não, Dorian. Não...

_Levante-se Hillena... Por favor, acalme-se... _disse Henry tentando me erguer.

_Céus! _disse Lady Burton ao se aproximar. _Não pode ser Dorian...

_Sim Lady Burton. _respondeu Henry. _Os boatos sobre ele eram reais... Este é o verdadeiro Dorian... Esta é sua face.

_Dorian... _tentei me levantar e ir ate o corpo de meu marido, mas Henry não me deixou tocar nele.

_Hillena, vamos entrar. Todos estão olhando...

_Eu quero ficar com meu marido, me deixe... _me desvencilhei dele e me jogue sobre aquele corpo que eu me negava a acreditar que fosse de meu esposo. _Por quê? _notei que havia um ferimento em seu peito. _Por que fez isso? Não podia ter feito isso comigo Dorian... Por quê?

_Precisamos levar o corpo senhor... _disse o homem que carregava Dorian.

_Claro, por favor... _disse Henry. _Hillena... _ele me tocou. _Vamos, venha comigo, tenho algo para lhe mostrar...

_Não... Não posso deixá-lo, não... _estendi meus dedos tentando tocar Dorian.

Henry me afastou do corpo enquanto eu chorava desesperada tentando entender. Logo vi aqueles homens levarem o corpo de meu marido para dentro de um carro branco. Henry me fez entrar na mansão e sentou-se em uma poltrona, depois pediu que os empregados preparassem um chá e trouxessem a mim. Estava paralisada agora, com os olhos fixos em um ponto enquanto apertava meu vestido com meus dedos.

_Hillena? _disse Henry. _Hillena fale comigo... _ele se ajoelhou diante de mim e tocou meus joelhos. _Precisa voltar Hillena, olhe pra mim, não faça isso...

_Ele se foi Henry... _respondi mantendo os olhos no mesmo ponto como se visse através de Henry. _Dorian se foi, e a culpa é minha... Não deveria ter deixado-o sozinho nessa casa...

_Não... Escute. _ele tocou meu rosto. _Dorian fez isso para proteger você. Ele a amava. Agora acredito nisso.

_Por quê?

_Ele deixou algo pra você. Uma carta... Posso entregá-la a você?

Sacudi meu rosto concordando, sem quase entender nada do que ele dizia. Eu estava em choque, meu marido estava morto, e eu me sentia responsável. Como pude deixá-lo depois de pedir que confiasse em mim? Como pude trair a sua confiança? Como eu pude ser tão egoísta? Sem demora Henry retirou um pedaço de papel do bolso e entregou a mim. Arranquei o mesmo de suas mãos e reconheci a letra de Dorian. O bilhete suicida dizia:


“Hillena, minha querida e amada Hillena.

Quero que saiba primeiramente o quanto a amo, e que me casar com voce foi à melhor escolha que fiz em toda minha existência. Os dias que passei ao seu lado foram os melhores de toda minha vida. E é exatamente por isso que não posso pedir que me ame mais. Não posso destruir sua vida como fiz com a minha. Minha alma não a merece. Só espero que me perdoe um dia por ter feito o que fiz. Eu desejei cada dia em que estive ao seu lado, jamais ter feito a escolha que fiz aos meus vinte e três anos. Se eu pudesse voltaria no tempo, mas eu não posso. Por isso estou te deixando livre para ser verdadeiramente feliz, ao lado de alguém que a mereça. Tenho certeza que Henry cuidará para que você fique bem. Eu te amo... Sempre te amarei. Perdoe-me... Meu coração pertence a você, agora e sempre...

Eu te amo.

Seu amado Dorian”


Aquelas palavras não substituíam sua presença, e não amenizavam minha dor. Eu estava morta por dentro, e desejava o mesmo destino que meu marido. Mas não teria coragem para cometer tal ato. Sabia que estaria entregando minha alma ao inferno se decidisse tirar minha própria vida. Mas não desejava viver nem mais um segundo sem meu Dorian. Henry me olhava com piedade, enquanto se manifestava.

_Ele fez o que achava melhor Hillena. Para não condenar você a um destino infeliz.

_Eu o amava Henry. _disse com minhas lágrimas já secas. _Jamais seria infeliz ao lado de Dorian...

_O homem por quem se apaixonou Hillena. Apenas existia em seu coração. Dorian já não era mais o mesmo há muito tempo. E não falo de sua imagem medonha naquele corpo. Sua alma foi corrompida. Este era seu único destino...

_Eu quero ver...

_O que?

_O quadro... _o encarei.

_Tem certeza?

_Tenho... _me levantei e segui rumo as escadas.

Não demoramos a chegar ao sótão, onde pude finalmente ver o retrato de Dorian. Pra minha surpresa, ele estava em perfeito estado, e não havia nada nele que não fosse perfeito e belo. O rosto lindo de meu marido estampava a pintura, com detalhes perfeitos. Seus olhos eram puros e gentis, e seu sorriso quase imperceptível. Aquele jovem rosto emoldurado naquele retrato seria tudo que eu teria de Dorian daquele dia em diante... Jamais permitiria que alguém me afastasse daquele retrato.


(o retrato como realmente era)

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Notas finais
Existe mais um capitulo para encerrar a fic de vez! Mais uma vez pesso perdão pelo final trágico mas não poderia fazer de forma diferente sem destruir a obra original. Então, não me crucifiquem! Se serve de consolo, a próxima fic reserva uma surpresa! Leiam o encerramento, e tirem suas conclusões! Espero que gostem da novidade! PULEM PARA O PROXIMO