Dorgas e Dominós
9 Capítulo 9 - Inferno
Notas iniciais
Tava eu e meus zero namorados correndo e chorando que nem uns desesperados pelas ruas de Atacama. Eu tava triste pra cacete mas, felizmente, um belíssimo flashback do passado apareceu para me salvar da minha própria depressão.
Era um flashback do dia em que fui jogar strip-golfe com o Markalo no campinho do clube do Benedito São Aviário, e eu tava chorando nele também, pois o Markalo havia lançado a sua bola de golfe direto no meu saco.
Foi aí que ele falou algo que ficou marcado para sempre no fundo do meu coração.
"Homem não chora."
"Não?"
"Ele goza."
Foi aí que percebi que se eu continuasse fugindo dos meus problemas eu nunca me tornaria um gangstar brasileiro. Com esse pensamento na minha cabeça, forte como uma bolada de golfe no saco, eu corri em direção ao Inferno.
O meu único objetivo era recuperar a alma do meu querido Xanubinha com a ajuda do meu pai ou da minha tia... ah é, e o Hanrique que morreu também, mas ninguém gosta dele mesmo, o cara é muito chernoboy.
Mas então eu tava fugindo da escola que nem uma mula de corrida procurando o caminho pra casa, só que a porra do lugar era longo e desconhecido. Puta que pariu, o Zonas ficou um tempão dirigindo e nem prestei atenção na rota
Ah, espera, acabei de lembrar... o Zonas deixou o carro dele aqui... ah, mas eu nem sei dirigir...
De repente, ouvi um barulho alto e destrutivo. Fui seguindo ele até encontrar uma garota de 2 metros de altura, alta pra caralho, batendo na janela da mini-van do Zonas com um taco de golfe.
"ABRE, DESGRAÇA!"
"Ei, que diabos você tá fazendo?"
"Preciso de algo pra voltar pra casa."
"EU TAMBÉM, VOCÊ SABE DIRIGIR???"
"Sei, porra!"
"Então me dá uma carona! Calma, o Zonas me deu as chaves, deixa que eu abro essa joça."
"CARALHO, BELEZA! Ganhei meu dia!"
"Ah, e meu nome é Fernando."
"Prazer, desgraçado, meu nome é Moe. Eu tava fugindo da minha escola, o colégio Marias do Incesto."
"Incesto?"
"Incenso, caralho, mas vamos logo pra dentro. Não posso ficar nessa porra pra sempre."
Então a Moe me deu uma carona de volta pro inferno, yupi!
Nós passamos o caminho inteiro cantando "Ai, que as mariposas me comam nu", uma música que o seu Bendito Aviário sempre cantava para a gente quando nós eramos bebês (espera aí, mas que que porra é essa?).
"Moe?"
"Que foi, porra?!"
"Como que tu conhece essa música?"
"Fica fazendo perguntinha e eu vou chutar o seu cu."
"Caralho, tá bom, se acalma!"
Então a gente continuou cantando até chegar no Inferno.
"O portão de entrada tá fechado."
"Fodasse, a gente atropela ele."
"AHUAHAAHUA, isso vai ser foda!"
A Moe acelerou o carro e a minha pindota já tava ficando ereta por causa da velocidade. Foi aí que o carro quebrou o portão de entrada do inferno.
Ahuahuahua, Deus me deve uma, pai! Mas a Santana não tava muito feliz com o ocorrido.
"MAS QUE PORRA É ESSA, AGORA?"
Se você não sabe quem é a Santana, permita-me explicar. Ela é uma das filhas do Don Satan e eu, como morador permanente do Inferno, vejo ela e a família dela quase todo dia pois eles estão sempre brigando e arrumando treta.
"Fala aê, Santana!"
"Moe, mas que porra é essa?" Perguntou Satana.
"Moe, você conhece a Santana?" Perguntou eu, me sentindo extremamente confuso.
"Isso foi uma pergunta?"
"Sim."
"Ah, a Santana é amiga minha. Eu e as minhas cinco namoradas estamos sempre invadindo o inferno pra bater nela."
"E você chama isso de amizade?"
"Olha quem fala, você e seus sete namorados de merda são as vadias do seu Benedito."
"Ele é como se fosse nosso pai, você cala boca, se não eu vou ficar útero, quero dizer, puto!"
"Adivinha."
"O quê?"
"Você vai ficar puto."
"Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahh!"
Puta que pariu, ninguém fala assim do seu Benedito Aivairo e sai sem ter uma mancha no saco. Tá na hora de ensinar essa garota porque me chamam de pé molhado. Hahaha, vai ser foda... espera, cadê o balde?
"Ô, Fernando, tá fazendo o quê, seu bosta?"
"Eu vou bater em você"
"Você não tem nada melhor pra fazer?"
"Ah é, verdade."
Agarrei a Satana pelo colarinho e comecei a gritar: "CADÊ OS MEUS AMIGOS? CADÊ ELES? O XANUIM E O HANRIQUE, ELES MORRERAM!"
"Não sei do que cê tá falando não, bicho."
"Eles foram assassinados."
"Ih, cê quer que eu chame meu pai?" Perguntou Sana.
Mano... o Don Satan é metade demônio, metade humano, e além do mais ele é bombado. O sujeito respira adrenalina nuclear e se injeta com hormônios demonidores todo santo dia antes de ir na academia. Prefiro morrer do que falar com essa criatura.
"NÃO, EU TENHO MEDO DO SENHOR SATAN! Tu fica quietinha aí que eu vou arranjar um jeito de trazer eles de volta!"
"Ah, tá bom..." Disse Santan, se levantando. "Mas mantenha essa sua amiguinha longe daqui."
"Nem fodendo." Disse Moe.
"O INFERNO NÃO CONDENA MULHERES QUE PRATICAM BULLYING."
"Não ligo."
"Ah, então vai tomar no cu!" Disse Santan, voltando pra dentro. "Vou jogar roblox."
"Caralho Fernandinho, tava com saudades desse lugar. Acho que uma das minhas namoradas mora aqui."
"Ok, ok mas a gente vê isso depois, primeiro preciso da alma do meu amigo"
"Beleza, bro."
Fui andando até chegar em na casa dos meus pais... bem, tecnicamente era a casa do meu pai já que a minha mãe se divorciou dele. O lugar era basicamente uma fazenda grandona onde a gente cria cabras e tal, bem cottagecore, só que mais demoníaco.
"Ô, FERNANDO!" Gritou meu pai, me assustando. "ENTÃO VOCÊ TAVA AÍ, PORRA! AGORA QUE VOCÊ ME PAGA, MULEKE! ERA PRA A GENTE TER TE ARRANJADO UMA NAMORADA NO SUPERMERCADO E EM VEZ DISSO VOCÊ FICOU ME CHAMANDO DE PEDÓFILO NA FRENTE DA MOÇA DO CAIXA!"
Meu pai tava putasso, então peguei a Moe pelo braço e voltei a correr. Puta que pariu, as vezes parece que eu só corro nessa vida, viu?
Mas então a gente correu pra casa da minha prima Susana e a mãe dela, a Dona Morte, que gosta de ficar mandando a gente tomar sol.
"Fernando....."
"Fala aê, Dona Morte, tava com saudade da minha vida?"
"Fernando."
"Fala."
"A sua pele tá horrível, você precisa tomar sol."
"FUDEU."
Peguei a Moe pelo braço de novo e fugi para as montanhas. Faz frio lá então duvido que a Dona morte nos siga, mas a Moe tava começando a ficar impaciente.
"Fernando, para de correr porra, você só vai ficar correndo a sua vida inteira?"
Foi só a Moe falar isso que eu tive um flashback de quando eu e o Xanuim fomos encurralados em um beco após roubar pastel de velha.
"Fernando."
"A gente tá fudido." Eu disse, já me preparando para correr.
"FERNANDO, PARA, PORRA!"
"Eita, Xanuim, foi mal."
"Fernando, tem momentos na vida de um homem em que ele precisa lutar pelo o que é certo."
"Mas nós somos bandido, nós roubamos pastel de velha do facebook."
"Eu sei, é mó divertido!"
"Hahaha."
"Mas eu tô falando sério, porra, essa é a única vez que eu vou falar serio porque isso nõa faz parte do meu personagem."
"Fala."
"A gente não pode fugir dos PMs, a gente tem que enfrentar eles com o zíper aberto."
"Mas eu tô com medo..."
"Fodasse, mano, o medo é o inimigo da marotagem." Disse Xanuim, enquanto batia em um PM.
A partir daquele dia eu pensei: "Mano, eu quero ser forte pra bater na polícia, eu nunca vou me tornar um guerreiro se eu continuar fugindo."
"Foi mal, Moe, eu não tava sendo honesto comigo mesmo."
"Fodasse."
"Eu quero ser um homem de verdade e proteger meus amigos do mal."
"Todo esse papo de homem tá me deixando putassa. Se eu cortar o seu rabo você ainda vai ser um homem?"
"Não se atreva..." Eu disse, com a mão nos quadris.
"Hahaha, vai tesourinha!"
Foi aí que a moe saiu correndo na minha direção com uma tesoura. Se a minha mãe estivesse vendo isso ela ia ficar puta, também.
"Se prepara para perder o dingolim sksksksksksksksksk!"
"NUNCA!"
E foi aí que o meu duelo contra a Moe começou.
Peguei a minha mochila da Barbie Satanista e joguei na cara dela, aí ela morreu. Fim de história.
"Ai, seu filho da puta desgraçado!"
"Shiu, fica quieta, tô pensando no que fazer. Ninguém da minha família quer me ajudar a reviver o meu amigo."
"Afinal, como é que se faz pra reviver uma pessoa?"
"Ah, ou você assina um monte de papelada na companhia do Inferno, que é onde a minha família trabalha, ou você tem que fazer um ritual difícil pra caralho."
"Porra, aí é foda, hein, Fernandinho?"
"Tem também a opção de ir pro buraco cósmico e pegar a alma dele lá, mas isso é praticamente impossível. Ninguém jamais voltou vivo de lá."
"Perfeito, vamos nessa!"
"Mas..."
"Mas nada muleke, se você quer ter os seus amigos de volta, você tem que começar a ralar!"
"...ok, beleza."
"Sério?"
"É, vamos no buraco cósmico pegar a alma do Juanim."
"AÊ, PORRA!"
Então a gente desceu das montanhas minúsculas do parquinho de isopor e fomos pra dentro da cidade, até a lagoa negra.
Quando a gente chegou lá senti um ventinho bater na minha próstata.
"Os espíritos já tão se aproveitando de mim..."
"Porra Fernando, desde que esse capitulo começou você só tem sido um covarde! Eu achei que você fosse melhor que isso."
"Eu não quero ser covarde, eu quero ser forte pra poder defender meus amigos do coração do Ribamar."
"Fernando, você nunca será forte de verdade se continuar desse jeito."
Quando ela disse isso eu tive outro flashback (kkkk Fernando hoje tá podendo). Nele, eu estava novamente em casa, apanhando do meu pai.
"CADÊ O DORITOS?"
"5 REAIS O PACOTE DE DORITOS. SE EU COMPRASSE VOCÊ IA FICAR SEM O SACO DE CHEETOS."
"PORRA FERNANDO, VOCÊ SABE QUE EU SOU GORDO E PRECISO DE COMIDA PRA VIVER! EU QUERO O MEU PACOTE DE DORITOS!"
"MAS PAI, EU JÁ DISSE QUE NÃO TENHO DINHEIRO SUFICIENTE!"
"ENTÃO ROUBA, PORRA!"
"MAS ROUBAR É MUITO COMPLICADO E EU TENHO MEDO DE SER PEGO PELA POLÍCIA!"
"SE A POLICIA TE PEGA, VOCÊ PEGA ELA DE VOLTA."
"NÃO PAI, BUÁ!"
"VOCÊ É UMA OFENSA PARA A FAMÍLIA. DESSE JEITO VOCÊ NUNCA SERÁ FORTE!"
Meus vermelhos ficaram olhos de raiva e eu senti uma substância esquisita sair do meu cu. Será que eu estou me transformando?
"FERNANDO, PORRA! VOCÊ TÁ PARADO AÍ FAZ 5 MINUTOS!"
"Eita, foi mal, eu tava tendo um flashback..."
"Se você continuar tendo flashback a história vai perder a graça."
"Só mais um, vai!"
"Não."
"Tá, fodasse, o que importa é que eu não sou mais o menino covarde de 5 minutos atrás. Agora eu sou um homem de verdade."
"Mais uma vez, fodasse."
"XANUIBA, ANRIQUE, EU VOU SALVAR VOCÊS!"
"FERNANDO, QUE PORRA E ESSAAAAAAAAAAAAAAAAA?!"
Peguei a Moe pelo braço e pulei no buraco cósmico.
Meu deus que buraco apertado parece um cu, nóis começamos a flutuar enquanto as almas subiam e desciam. O buraco por fora era escuro e estranho, mas por dentro era púrpura e tinha uma brisa mó gostosa.
"Ahhh, que vontade de ficar relaxando aqui....."
"MOE, NÃO, A GENTE TEM QUE PEGAR AS ALMAS!"
"Ai, ok."
Ficamos uns vinte minutos olhando alma por alma e logo começou a bater um desespero.
"Caralho, mano, a gente nunca vai achar o Xanim."
"Meu Jesus do céu!"
"O QUÊ?"
"BALEIA CÓSMICA, NÃOOOOOOOO!"
Um bicho gordo e lilás veio com tudo na nossa direção e engoliu a gente com as sua boca gigante.
"AAAAAAAAAAH, NÃO!" Tentamos nos segurar na língua dela mas era tarde demais.
"O que aconteceu?"
"Fomos engolidos por uma baleia cósmica e agora vamos morrer!"
"Ah, não!" Disse Moe olhando para as mãos que estavam começando a ficar opacas "AH, NÃO!"
"Hora de entrar em pânico!"
"A GENTE VAI MORRERRRRRRRRRRRRRRRRRRRR!"
"Ai, ai, e agora?" Pensei. Agora é que a gente ia morrer mesmo, que coisa.
Quais seriam minhas últimas palavras? Ser gay é um privilégio e eu quero que o meu pai tenha diarréia encefálica. Pronto, esse vai ser o meu legado.
Tava considerando escrever um testamento quando ouvi um barulho engraçado.
"ROOOOOOOOOONC mimimimimimimim ROOOONNNNNNNCC mimimkmimimim..."
Era uma alma que estava mimindo dentro da baleia... espera...
"Será que é..."
Dei uma olhada na alma. Ela pertencia à uma moça feio pra burro que, infelizmente, não era o Junim. Por que a minha vida é tão merda?
"Acorda, dona alma." Sacudi ela.
"Oi, que foi, que foi?" Falou ela. "Meu nome é Blair Blue, assassina de aluguel, comedora de cu de esquerdopata, transmed de carteirinha."
"Ninguém quer saber, vagabunda." Reclamou Moe.
"Não, calma..." Disse eu. "Talvez você possa nos ajudar."
"Eu posso?"
"Que tipo de trabalho você faz?"
"Eu... mato pessoas, duh, mas também falo mal da aparência de garotas que eu considero menos bonitas do que eu e mato pessoas do mundo inteiro com as minhas facas ventiladas, é muito divertido."
"Faz sentido que você esteja no Inferno..."
"Espera, o quê? Eu ESTOU AONDE?"
"Dentro da barriga de uma baleia cósmica que está dentro do buraco cósmico que fica dentro do bairro do Inferno."
"Tá bom, e como que eu faço pra sair daqui?"
"Bem..."
"A gente te ajuda a fugir e em troca você mata uma certa pessoa por nóis, tá certo?"
"...ok, certo."
"Mas e aí, como que a gente vai escapar deste inferno?"
"Estamos literalmente no inferno e eu já tô ficando molhada de tanto calor!" Reclamou Blair, passando gloss de morango nos lábios espirituais.
"Puta que pariu, a gente tem que sair desse lugar o mais rápido possível!"
"Eu tive uma ideia genial." Propôs Moe com uma expressão firme e determinada no rosto sardento. "Por que a gente não desce o cacete na úvula dessa baleia? Assim a gente sai de dentro dela."
"Eu não quero vômito de baleia na minha saia do Hell's Kitchen."
"Fodasse a sua saia, eu e meus namorados nos metemos em situações como essa toda hora e o final é sempre nojento. Teve uma vez que a gente tava numa floresta e o Markalo tropeçou e caiu em um rio. Como ninguém sabia nadar, a gente bebeu toda a água do rio pro Markalo não se afogar e logo depois a gente descobriu que era ali onde os animais mijavam."
"Puta que pariu Fernando, eu não precisava saber disso!" Moe empurrou o garoto com as mãos e ele quase caiu pra trás.
"Nem eu. Isso com certeza não me deixou ereta." Disse Blair
"Se a gente não sair pela boca então a gente sai pelo cu, vocês que decidem."
"Vai ser pela úvula, mesmo." Concluiu Moe.
"Então vamos que vamos!" Gritei.
Com todo mundo de acordo com o plano, a gente escalou a baleia usando uma corda velha que a Moe encontrou dentro dela. Quando nós finalmente chegamos na boca do bicho a gente ESPANCOU a úvula da filha da puta e ela vomitou a gente pra fora do corpo dela.
"Caralho, que nojo! Tô toda gozada de gosma de baleia..." Lamentou-se Blair. Aquilo não era o skincare que ela queria fazer.
"Foda, né?"
"Porra Fernando, isso tudo é culpa sua! Quando a gente terminar de se limpar, a coisa vai ficar feia..."
"Fudeu."
Após todo mundo se limpar do vômito da baleia, continuamos procurando por almas, sem sucesso algum
"Deus e Jesus, me digam onde está o menino Xanuim e o adolescente Anrique, amém." Fui dizendo.
"Espera aê, Fernando, você tá rezando?"
"Sim. Com a ajuda de Deus e Jesus, nós encontraremos o Xanuim e o Anrique."
"Odeio quem é crente." Falou Moe. "Bora descer o cacete nesse macho escroto, Blair!"
"Beleza!"
"Meu deus, bom senhor, o que eu faço?!"
(Tu desce o cacete nessas patricinhas, garoto!)
"Não acredito!" Grasnei em choque. "Deus falou comigo!"
"Tem certeza de que foi Deus quem disse isso...?" Perguntou Blair.
"Pensando bem, eu acho que reconheço essa voz..."
(Puta que pariu Fernando, tava demorando pra caralho, muleke!)
"XANUIM, É VOCÊ?"
"Para de gritar, seu merda!" Rosnou Moe.
"Xanuim, cadê você?!"
(Vem me encontrar, porra!)
"Esse é o tal do Xanuim?" Perguntou Blair. "Quero dizer, a alma do Xanuim... como é que isso funciona?"
"Como assim?"
"Se eu quisesse, eu poderia vender a alma do Xanuim?"
"Fica quieta, Blair!" Disse Moe. "A gente tá aqui para recuperar a vida dele, e não fazer negócios."
"Garota, eu monetizaria até os meus peitos se fosse possível."
"E quem iria querer pagar por essas tetas de silicone?"
Ignorando completamente a discussão que essas duas malucas estavam tendo, eu comecei a olhar pelos lados, tentando encontrar a fonte da voz.
(Puta que pariu Fernando, me tira daqui!)
O Xanuiba tava começando a ficar impaciente. Eu, Moe e Blair começamos a procurar em todos os lugares, mas não havia sinal do Xanuim. Eu achei que a gente teria mais tempo, porém...
"A baleia tá voltando!"
"Fudeu, a gente precisa encontrar o Xanuim agora mesmo!"
"Mas ele não tá em lugar nenhum!!"
(Ah não, a gente vai morrer!)
"Cala boca, Xanuiba!"
"Cala boca você, Blair! Xanuim, se você continuar falando a gente pode te encontrar por meio da sua voz!!"
(Entendido! Vocês já ouviram falar da história dos 3 pintinhos e o triturador de-)
"PORRA XANUIM, TUDO MENOS ISSO!"
Enquanto geral gritava, tava eu, Fernando, tentando localizar a alma do Xanuim quando de repente...
"Eita porra, Xanuim!"
"Aê, Fernando!" Gritou com alegria um garoto ruivo com olhos bem redondos. "Você finalmente me achou!"
"Xanuim, você precisa nos ajudar! Se a gente não fizer alguma coisa, a gente vai virar comida de baleia!"
"Por mim tudo bem." Disse Xuruminha.
"O que você quer dizer com isso?"
"Quero dizer que vou rebolar pra baleia, aí ela fica distraída e vocês escapam."
"Puta que pariu, Xanuim!"
"Ah, então a gente só corre pra longe, mesmo."
"Gosto mais dessa ideia."
Então geral começou a correr, só que aquele era um buraco cósmico então não dava pra correr então todo mundo começou a flutuar bem rápido.
"Alguém sabe onde está a saída?" Perguntou Blair, que a essa altura já estava suada dos pés à cabeça.
"Ali no fundo."
O problema era que flutuar era muito difícil e a gente não estava acostumado com aquilo.
"Espera, eu quero tentar uma coisa." Disse Blair.
"Tentar o quê?"
"Só me observa." Ela sorriu, engolindo Moe para dentro de sua massa fantasma. "Tenta de novo, agora."
Moe deslizou pelo espaço do buraco como um pinguim descendo uma ribanceira.
"UEEEEBAAAAAAAAAAA!"
"Caramba, genial!" Exclamei. "Xanuim?"
"Beleza." Disse ele, fazendo o mesmo comigo.
Tremi, massas de alma são frias pra porra, mano, parecia que eu tava tomando banho de água gelada.
"É AGORA, CAMBADA!" Gritou ele. "VAMOS NESSSAAAAAAA!"
Nós pulamos, rodamos e deslizamos e eu me senti como um personagem de mario Kart. Rapidamente, o final do buraco se aproximava de nós.
"ESTAMOS QUASE LÁ!"
E... conseguimos! CONSEGUIMOS!
Fui cuspido para fora da alma do Xanuim e o meu corpo tava cheio de meleca de fantasma.
"Caralho, mano, a gente conseguiu, a gente conseguiu, ãh, pera..." Dei uma olhada ao meu redor. "Moe? Moe? Cadê você?"
Só havia eu, a alma da Blair e a alma do Xanuim. Naquele momento, percebi duas coisas horríveis.
1 — O corpo da Moe foi liquidado pelo buraco cósmico.
2 — A gente tinha esquecido de pegar a alma do Hanrique.
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