Dores do passado
2 O início do último ano
10 meses antes.
—- Vamos Andrew, acorda! – O senhor João acordou o filho.
—- Há pai, deixa-me dormir por mais 10 minutos.
—- Já viu a hora, seu moleque? Vamos, levanta!
Andrew olha para o celular e ver que já se passa das 6:30 e o horário de entrar na escola é ás 7:30. Ao ver a hora, o jovem dar um pulo da cama, pega a toalha que está próxima da cama e corre para o banheiro. O mesmo toma banho, escova os dentes e logo após senta-se à mesa junto ao seu pai para tomar café da manhã.
—- Pai, o senhor amanheceu melhor das dores nos braços?
—- Sim, Andrew. Eu vou terminar de tomar café da manhã para ir naquela bendita fisioterapia.
João, pai do jovem Andrew faz fisioterapia 3 vezes na semana, pois desde quando sofreu o acidente que causou a morte da sua esposa, o mesmo ficou com problemas de coordenação motora nas mão. Isso também causou seu afastamento do trabalho como cirurgião.
—- Tá bom, pai. Eu vou comer só uma fruta e vou correndo para o colégio... Não quero me atrasar no meu primeiro dia de aula.
Andrew pega sua mochila que já estava pendurada na cadeira, coloca o casaco e corre para ir ao colégio. Antes, como de costume, o mesmo passa pela casa do seu melhor amigo que fica na rua seguinte e de lá, vão juntos rumo à Escola José Amorim.
O jovem acredita que esse ano as coisas podem ser diferentes, pois antes do termino do segundo ano do ensino médio (ano passado), o jovem ouviu conversas, na qual revelava que os valentões que sempre bate os batem, iria pedir transferência para outra escola. Isso facilitaria no convívio harmonioso que sempre sonhou.
Os dois amigos chegam juntos e atrasados na escola. Johnny está com um papel nas mãos, procurando a tal sala que eles iriam estudar. Andrew por sua vez, não para de mexer ao celular.
—- Solta esse celular, Andrew e me ajuda a encontrar a sala. Já estamos atrasados. – Johnny coloca a mão na frente da tela do celular do amigo, tirando-o sua atenção.
—- Caramba Johnny, tu me fez perder o raciocínio. – Ela guarda o celular no bolso e pega o papel da mão do amigo – Deixa eu ver qual é a sala...
—- Deixa mané, eu já encontrei. É logo ali, vamos!
Johnny e Andrew dirige-se a nova sala e antes de entrar, percebem que todos já estão na sala. Inclusive, o professor.
Ao chegarem na porta, observa todos os alunos e como um choque, Andrew percebe que Cesar e Fred está novamente na mesma sala que eles. O jovem arregala os olhos e naquele momento percebe que toda sua expectativa vai embora quando percebe que Cesar está com um sorriso sarcástico, dando a entender que está feliz por ver seu saco de pancada chegar.
—- Oi garotos, vocês são dessa sala? – O professor pergunta.
—- Sim, somos. – Johnny responde por ele e pelo amigo.
—- Então entrem rapazes, a aula já começou à 10 minutos. – O professor convida os dois para entrar.
Andrew e Johnny vão em direção as únicas cadeiras que estão vazias, onde se encontra no fundo da sala e próxima aos famosos, Cesar e Fred. Johnny passa primeiro e senta na penúltima cadeira do lado direito da sala e como os dois amigos não se separam, Andrew caminha até chegar a ultima cadeira. Mas, Cesar resolve dar as boas vindas ao garoto colocando o pé na frente. Isso causa uma leve queda ao garoto e com isso, todos da sala zombam da cara do Andrew que está de encontro ao chão.
—- Todos em silencio. – O professor ordena – O que houve rapaz?
—- Nada professor, não foi nada. – O jovem levanta-se e senta na cadeira.
As horas se passam e o jovem nerd não consegue prestar atenção na aula, pois sente medo de olhar para Cesar e Fred, pois acha que eles podem fazer com ele. Por fim, chega a hora do intervalo e todos saem para o pátio da escola. Lá, alguns jovens que já são conhecidos, matam a saudades e confraternizam-se juntos. Conversam sobre as férias e falam sobre às expectativas de está cursando o terceiro ano do ensino médio, significando que está preste a concluir o ensino médio.
Os dois amigos saem juntos e vão em direção ao pátio. Johnny tem outros amigos na escola, porém são de outra sala e também mais novos. Isso o faz ir cumprimentar seus conhecidos, deixando Andrew sozinho com seu notebook, sentado em uma das mesas.
—- Olá Andrew – Uma garota senta-se junto a ele – Posso me sentar aqui?
—- Po... po... pode Yasmin, fique a vontade – O jovem gagueja ao ver sua amada.
—- Eu pensei que você iria ficar na minha sala este ano.
—- É... É, eu também pensei. Uma pena eu ter caído justo na mesma sala da seu primo.
—- Nossa, você ficou na sala dele? Que chato. Aquele menino é meu primo, mas eu abomino as atitudes dele. Até já falei pros meus tios, mas eles dizem que Cesar está certo, "pois ele é homem".
—- Deixa pra lá, é o ultimo ano mesmo, já aguentei tanto – Ele sorrir e mexe no óculos, ajeitando.
—- Coitado de você... Olha, eu preciso falar com as meninas, não quer vim?
—- Não, não. Eu estou bem aqui, tentando concluir esse aplicativo.
—- Tá bom então, se cuida.
A linda Yasmin levanta-se e lhe dar um beijo na bochecha, deixando Andrew totalmente sem jeito e todo vermelho de vergonha. Mas esse momento é interrompido pela chega de duas pessoas.
—- O que você estava falando com minha prima? Já te disse pra ficar longe dela, sua gazela de quatro olhos.
—- Eu só estava conversando babaca, nada demais.
—- Você me chamou de que? – Cesar toca no ombro do garoto e aperta.
—- Não, não falei nada. Desculpa.
—- Hum, assim tá melhor.
Cesar e Fred saem rindo do jovem que nunca esboça nenhuma reação de defesa.
Passam-se alguns dias e o ato de bullying é frequente com o garoto franzino e indefeso, Andrew. Quase todos os dias ele chega cabisbaixo em casa e seu pai percebe e discute sobre o assunto.
João descobriu que o filho era vitima de bullying quando o jovem tinha 15 anos. João conversou com a diretora da escola, com alguns professores e com os pais dos praticantes. A diretoria da escola ficou acordada com João de que estaria supervisionando todo ou qualquer ato dos valentões. Por algum tempo isso funcionou, mas foi esquecido quando ocorreu o acidente com a mãe de Andrew. Foi tudo uma confusão, pois Andrew ficou quase um mês sem ir à escola pois estava em luto pela mãe. O João ficou dias internado e quando voltou para casa, teve que se aposentar, pois tinha perdido o controle das suas mãos.
Tudo isso mexeu com a cabeça de Andrew, que na época era só um garoto na pré-adolescência e teve que passar por toda essa dificuldade. Isso causou uma mudança no seu temperamento e após o ocorrido, Andrew tomou coragem e enfrentou o grandalhão, Cesar.
Andrew como nunca foi de brigas, usou sua melhor habilidade para atingir Cesar. O jovem hackeou o servidor da escola onde todos se conectam e assim obteve o endereço de IP do computador de Cesar. Isso deu a Andrew o acesso a todos os arquivos do rival, onde descobriu algumas fotos intimas. Então o jovem divulgou todas elas na internet., porém, o jovem que também estava conectado a rede da escola e utilizou o computador do local, esqueceu que o ambiente tinha câmeras e isso fez com que a diretora da escola descobrisse sua participação. Portanto, em troca da confidencialidade da diretora, o jovem ficou proibido de usar suas habilidades na escola ou em qualquer outro lugar. Pois ficou ciente que isso se tratava de um crime e como o pai de Cesar é policial, poderia processa-lo, caso ficasse ciente de toda história.
Na casa do jovem, sua relação com seu pai era algo muito restringido. O mesmo não tinha abertura para conversar com o pai. João, após o acidente da esposa e o afastamento da sua profissão, o fez se tornar um cara muito frio, pois ele ainda se culpa pela morta do seu grande amor.
Antes do acidente, João havia brigado com sua falecida esposa por querer viajar para sua casa de praia. A amada pediu para que o mesmo cancelasse a viagem. Mas João não a ouviu e foi mesmo com todos os questionamentos da esposa. No meio do caminho, Andrew estava sentado no banco de trás e João e Alice iam no banco da frente quando em um momento rápido, João olhou para a esposa e, quando voltou à olhar para estrada, percebeu que um caminhão já estava muito próximo a seu carro. O caminhão bateu em cheio na parte da frente do carro, causando a morte da sua querida Alice.
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