Dores do passado
1 Colação de grau
21 de dezembro de 2012
—- Como já houve a entrega dos diplomas, vamos agora ouvir as palavras do orador da turma.
A diretora de cabelos loiros, usando um longo vestido ajustado em seu corpo, entregava o microfone para um dos garotos mais desempenhado da Escola José Amorim.
—- Vai Andrew, você ensaiou muito para fazer esse discurso – Johnny batia com o cotovelo em seu amigo que sentava ao seu lado.
O garoto de 17 anos, levanta-se para fazer o discurso que havia ensaiado durante alguns dias.
Andrew, um menino magro e alto, onde por baixo dos trajes formal de um formando, está usando uma camisa de manga longa por dentro da calça, mostrando o sinto para segurar a calça que está visivelmente folgada por completa. O cabelo está penteado só para o lado direito e o mesmo usa o famoso óculos fundo de garrafa.
Alguns garotos zombam com o Andrew, outros dirige-se ao garoto utilizando apelidos e xingamentos. Isso o deixa nervoso e preocupado por ter a possibilidade de errar algo naquele momento tão especial para si. E o pior, diante do seu pai e aos de todos os formandos que estão presente neste dia. Porém, felizmente, dá tudo certo para o jovem e ele conseguiu finalizar o discurso com êxito .
Diante de vários fleshs de câmeras e celulares. Com cerca de 6 professores sentados ao seu lado direito e outros 6 ao seu lado esquerdo. Também com um total de 90 alunos a sua frente e vários parentes servindo como plateia na arquibancada da quadra poliesportiva da escola. A diretora levanta-se novamente, pega o microfone da mão do aluno e o agradece. O garoto volta a sentar-se ao lado do seu único e melhor amigo e observa seus colegas ser chamados um à um para receber a placa.
Tudo ocorre perfeitamente. Portanto, chega a hora de anunciar o termino da colação de grau:
—- Primeiramente, gostaria de agradecer a Deus por nos permitir está aqui concluindo essa colação de grau no dia em que todos diziam que o mundo iria acabar – Todos riram – Agradeço também aos professores que tiveram um papel super importante na vida de cada um desses alunos. Agradeço aos familiares aqui presentes e claro, aos alunos que a partir de hoje, inicia-se uma carreira importante para suas vidas... BOA SORTE A TODOS, PARABÉNS E CONSIDEREM-SE OS ALUNOS FORMADOS DO ANO DE 2012.
Aquelas palavras anunciava a conclusão do ensino médio de três turmas, contendo um total de 90 alunos. Porém, um ritual muito importante não poderia deixar de faltar. Então todos os alunos fizeram um círculo, olharam para o alto e todos jogaram seus capelos para cima.
Era nítido a felicidade de todos os adolescente. Alguns se abraçando entre si. Outros correram para os braços de seus familiares. Enquanto Andrew procurou seu único e melhor amigo para lhe dar um forte abraço. A procura não obteve sucesso, então o jovem recorreu a seu pai que já estava indo embora.
—- Pai, pai – O jovem corre para alcançar seu pai.
—- Oi Andrew – O pai estava com as duas mãos em seu bolso e aparentemente cabisbaixo.
—- O senhor não vai me dá os parabéns?
O seu João aproxima-se do seu filho e lhe dar um forte abraço. Com o queixo encostado no ombro do seu filho, o homem bruto e que raramente demostrava algum sentimento, derrama uma pequena lágrima dos olhos. Para que seu filho não pudesse perceber que ele estava chorando, o mesmo limpa as lagrimas com as mãos enquanto ainda estava abraçado com o filho.
—- Parabéns Andrew, mas não pense que acabou. Você apenas concluiu o ensino médio e ainda precisa passar por muita coisa.
A frase “ainda precisa passar por muita coisa” parecia um aviso, mas passou despercebido a misturado tudo que aquela noite estava proporcionando ao Andrew.
O momento de trégua entre pai e filho foi interrompido pela chegada do melhor Amigo de Andrew.
—- Andrew, Andrew. Vamos para a festa, todos já estão indo, inclusive Yasmin.
—- Não Johnny, ele não vai. – Pai de Andrew, responde pelo mesmo — Inclusive, já estamos indo para casa não é isso, Andrew?
—- Não pai, por favor. Eu preciso ir para essa festa. Hoje provavelmente será o ultimo dia que vou ver todo o pessoal juntos.
Nesse momento, dois garotos altos e fortes observa a situação de longe e riam do garoto que já estava com 17 anos e precisava pedir permissão ao pai para ir para uma festa da escola.
João olhou para o lado e percebeu os dois garotos rindo do seu filho. O pai lutava para que seu filho pudesse aprender a se defender sozinho, então resolveu deixar seu filho ir para a tão esperada festa.
—- Tudo bem, filho. Eu deixo! Mas por favor, fique longe de bebidas, drogas e confusões.
—- Muito obrigado, pai. Não se preocupe que eu não vou fazer nada disso. – O jovem respondeu sendo puxado pelo braço.
—- Vamos logo Andrew – seu melhor amigo o puxou.
O jovem já estava distante de seu pai, quando o mesmo gritou:
—- ANDREW, CUIDADOOO.
O pai parecia que estava sentindo que algo estava preste a acontecer com seu filho, mas tentou acalmar-se e viu que seu filho finalmente havia crescido.
Os jovens que observava Andrew com o pai, foi em direção ao garoto e soltou algumas piadas.
—- Olha o filhinho de papai aqui Cesar – Fred sorriu – Ele tem que pedir permissão ao papai para sair.
—- “Fique longe de bebidas e drogas” viu meu bebê? – Cesar, um dos garotos usou uma frase que João tinha citado ao filho.
—- Vamos Andrew, esquece esses babacas. Hoje é o ultimo dia que você vai encontrar com eles. – O Johnny falou enquanto acelerou os passos com o amigo.
Tudo parecia estar ocorrendo perfeitamente. O Ambiente estava cercado de jovens e sem a presença de nenhum adulto. Alguns alunos eram maiores de 18 anos, outros não. Andrew por sua vez, não largava o copo de refrigerante, enquanto o Johnny ingeria seu primeiro copo de vodca. Os dois sentados, observava os demais requebrando o esqueleto na pista de dança ao som de musicas eletrônicas e sob o jogo de luzes.
Chegou um momento em que a bebida de Johnny acabou, então o mesmo foi a procura de mais e deixou seu melhor amigo sentado, sozinho. As horas passavam rapidamente e nada do amigo de Andrew chegar. O garoto já estava esperando cerca de uma hora e meia e nada de seu amigo. Foi então que percebeu que seu copo também estava vazio, então resolveu ir a procura de mais refrigerante e aproveitou para tentar encontrar seu melhor amigo.
O jovem Andrew já havia encontrado sua bebida, mas antes de voltar para seu lugar de origem, precisou ir ao banheiro e no meio do caminho, ouviu a voz do seu amigo e tentou encontra-lo. A ação não obteve sucesso, pois ao aproximar-se do local o jovem esbarrou em um objeto que fez um pequeno barulho. Após o barulho causado, o mesmo percebeu que deixou de ouvir a voz do seu grande amigo e só conseguiu ouvir o som da festa ao fundo, Como o banheiro estava ocupado, o mesmo resolveu esperar alguém desocupar uma das cabines.
O jovem esperava em silencio mexendo em seu celular, quando uma das cabines se abre e de dentro sai seu melhor amigo ainda fechando o zíper da calça e logo atrás, vem a famosa Yasmin.
—- Eu não acredito no que estou vendo, Johnny. – Andrew paralisou perante aquela cena.
—- Calma meu irmão! Não é isso que está pensando – Johnny tentava explicar com a famosa frase clichê.
—- Não tem o que explicar, cara. Eu estou vendo que você estava ficando a garota que eu amo e que você sempre soube disso. – Jovem não conseguiu conter as lágrimas.
—- Me desculpa irmão, mas ela é linda. Eu não consegui me controlar com ela me dando mole a noite toda – Ele só conseguiu piorar mais, utilizando essas palavras.
—- VAI SE FERRAR CARA – Alterou o tom de voz – Me larga – Soltou-se da mão do amigo.
O jovem parece ter esquecido que precisava ir ao banheiro e sai correndo ainda com o copo de refrigerante na mão. Na saída, se esbarra com o grandalhão Cesar e sem querer, deixa cair o copo cheio de refrigerante sobre o garoto. Cesar por ver que estava com sua roupa totalmente manchada, corre para bater em Andrew que também corre um pouco mais a frente.
No meio do caminho, Cesar é interrompido por Fred, que segura em seu braço e pergunta:
—- O que houve Cesar, o que é isso na sua camisa?
—- Aquela nerd filho da puta derramou refrigerante em mim e como um covarde correu – A raiva tomava conta do grandalhão – Vem, me ajuda a encontrar esse moleque.
Após passar alguns minutos a procura de Andrew, Cesar e Fred o encontra sentado na parte de trás do colégio. Os valentões aproxima-se do garoto franzino e pega pelo colarinho da camisa.
—- Finalmente te encontrei. Agora vou te dar a ultima pisa do ano e tu nunca mais vai esquecer – O bruto Cesar fecha a mão.
O garoto que estava com o coração partido, agora estava diante de dois valentões e prestes a receber uma grande surra. Não demorou 5 segundos e o garoto recebeu o primeiro golpe no rosto e cai encostando-se a parede sem entender absolutamente nada.
—- O QUE EU TE FIZ DESSA VEZ, CESAR? – Andrew leva a mão ao rosto.
—- O que você fez? Olha para minha roupa, sua gazela ambulante.
— ME DESCULPA CARA, EU NÃO PUDE VER EM MEIO A TANTAS LUZES.
Andrew tentou explicar-se, mas recebeu o segundo golpe, agora vinda do outro valentão, Fred. Não demorou para Cesar e Fred continuar com chutes frequentes no garoto que já estava sangrando ao chão. Os chutes acertaram a barriga, as costas e o rosto do jovem que não esboçou nenhuma reação de defesa. O ato de covardia é interrompido pela chegada de um jovem que estava acendendo um cigarro.
—- THOMAS, POR FAVOR, ME AJUDA – Andrew ainda ao chão, grita, estende a mão à pedido de ajuda.
—- Vaza daqui ou então vai sobrar pra você também. – Cesar ameaça a única esperança de Andrew.
—- VAAAAI, PORRA – Fred grita e espanta o outro jovem.
—- Pede ajuda Thomas ou chama alguém, por favor – O jovem tonto, consegue levantar-se e implora por ajuda.
Thomas olha assustado para Cesar e Fred e percebe o ódio estampado no rosto dos garotos, então olha para o rosto ensanguentado de Andrew e balança a cabeça afirmando que sua decisão era de não se meter naquela confusão e resolve ir embora correndo.
Andrew ao ver aquela cena, perde as forças e cai de joelhos no chão. Onde recebe o ultimo golpe de Cesar em rosto e cai batendo a cabeça. Estirado ao chão, o jovem ver sua vista escurecer e sente a perda dos sentidos.
—- Acorda moleque, acorda – Cesar meche o corpo do jovem com o pé – ACORDA, AINDA NÃO ACABEI CONTIGO – Ele grita e só ai se assusta.
—- Para Cesar, eu acho que você matou o moleque – Fred levou as duas mãos a cabeça e esboçou preocupação – Vem, rápido, vamos vazar daqui.
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