Notas iniciais
Escrevi a fic aproximadamente nesse horário. E botei a parte da "lábios feridos" porque, enquanto digitava, assumi meu péssimo hábito de mexer nos lábios, e, quando fui digitar, sujei o teclado com sangue. Meio macabro, eu sei, mas pareceu um sinal para pôr isso. Então eu o pus.

Lia por prazer, amor. Ler era algo tão enraizado em si, que era como roer as unhas ou arrancar fios de cabelo com cachos mal-formados em momentos de distração e impaciência. Era como passear a ponta dos dedos pelos próprios lábios, ressecados e feridos, ou como comer algo apenas por estar entediada.

Em resumo, ler era de sua natureza. Contudo, estava torturando-a.

Ele fora embora há 52 horas e alguns minutos, e desde então, não dormia direito. Não chorara, não sofrera, nem ao menos sentira sua falta. O erro, o algo que a fazia destoar de seus padrões não era que ele fora embora, e sim que ela se encontrou infeliz. Inclusive, a infelicidade ocorria há bastante tempo (chegara antes mesmo do namoradinho), e era quebrada, apenas, por segundos de animação que lhe surgiam. E a ida do tal namoradinho fizera com que percebesse.

Não lia nada que a fazia feliz, realmente, há meses. Seus momentos de felicidade eram tão raros que nem se lembrava do último. Ah, e essa felicidade da qual falava, não era a felicidade corriqueira, e sim aqueles momentos belos em que nada, absolutamente nada, te impede de alegrar-se por completo, por alguns momentos. Sua respiração falha, e nem o calor mais insuportável, som mais incômodo ou dor mais persistente é capaz de nublar a sensação.

É a mais pura e bela felicidade.

E, quando ela a sentiu novamente, depois de tanto tempo, tudo passou. As constantes dores nos ombros e pescoço graças ao quão estava eternamente tensa, a tontura devido ao insuportável, porém necessário, ventilador que mirava seu rosto, a maneira incômoda como não conseguia parar de pensar em como seu melhor amigo vinha tratando-lhe de maneira assustadoramente carinhosa, a maldita dor de cabeça devido à falta de sono, e, principalmente, como nunca mais escrevera sobre a felicidade.

Deveria fazer mais isso. Uma ou outra fanfiction, talvez. Era assim que se alegrava, em maioria, não é? Também poderia recorrer às poesias, mas nunca tivera muito jeito para a coisa. Não era seu estilo e, definitivamente, não era um ser capaz de escrever em rima, prosa, ou seja o que for.

Contudo, passara tanto tempo longe de tais momentos de pura felicidade, que se esqueceu do primordial: não abuse. Lera demais, emocionara-se demais de uma só vez e, agora, recebia seu revés. Tudo sumia, cada um de seus sofrimentos e incômodos, por um instante, até que todas as suas mazelas retornavam, lentamente.

A tensão em seus ombros formava-se novamente. O ventilador, maldito ventilador, voltava a incomodar, tonteando-a. Voltava a pensar no amigo, que outrora ela tentara ajudar a ficar com outra, e, principalmente, o que mais a incomodou, foi o tempo que fazia que já não escrevia nada.

Quase em desespero, pois o ar parecia se recusar a entrar sem que usasse de uma força descomunal, buscou o Word, e escreveu algumas palavras, tentando aquietar sua mente.

“E então, ela começou a chorar, pois a felicidade em seu peito já não se contentava em fazer com que mal conseguisse respirar e o sorriso já deixava de ser necessário, pois ele já se fazia onipresente em sua mente e seu coração. Tais lágrimas, que vieram subitamente, se foram da mesma forma, já que percebeu que tal felicidade nunca mais existira em sua vida, somente nos infinitos livros e textos que lia. E calou-se, não mais sorrindo, não mais feliz, apenas com a sensação de que estava sendo sufocada. E assim ficou, até a próxima leitura.”

E, sem chorar, percebeu que era assim que estava por dentro.

Notas finais
Pensei em finalizar com: E, sem chorar ou recorrer a alguém (pois, obviamente, diriam-lhe que era a falta do namoradinho e que logo passaria, usando as mesmas frases sem real significado), percebeu que era assim que estava por dentro., mas achei dramático demais. Adoraria que você desse sua opinião nos comentários.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.