Dores de Cabeça
6 Uma manhã
Na segunda-feira de manhã, indo de carro para o hospital,
percebi que meu bairro funciona sem mim.
Lojas abertas, pessoas que caminhavam com sacolas nas mãos
era o que se via.
Conversas descontraídas nos muros das esquinas,
havia bares abertos e pessoas bebendo.
Oficinas de carro, postos de gasolina,
pessoas que poderiam ser paqueras minhas;
todos caminham.
Havia homens e suas famílias,
mulheres e suas famílias;
supermercados com grande entra e sai de clientes.
O bairro estava vivo, as pessoas pulsavam,
isso tudo era novo para mim.
Casas abertas, havia vida dentro delas.
E fora também.
Cheguei ao hospital, e naquela interminável fila, fiquei repassando o que tinha visto.
Fui atendido, fui diagnosticado, voltei para casa,
revi o que já havia visto, escrevi esse poema,
repassei tudo de novo, percebendo a funcionalidade do meu bairro
sem mim.
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