Doppelgänger
1 Doppelgänger
Sou prisioneiro de mim...
Meu espírito corrompido não encontra a saída da encruzilhada,perdendo-se no vazio.
A danação destrói minha essência,exterminando as provas do que eu era.
Sobrando apenas o Ego.
Vá!
Fuja,enquanto pode, pela noite maldita.
Perdera o controle;a sanidade tencionada em fios frágeis...
Dádiva da Licantropia.
O vidro quebra em mil pedaços,com seus fragmentos mortais retalhando a imagem da besta aterradora.
Uma sombra está à espreitar meus pensamentos mais singelos,modelando-os em lembranças falsas e impuras.
Ela se aproxima, calma e distante,uma personalidade familiar e cruel,que caminha em minha direção.
Materializa-se aos poucos,torturando-me com a apreensão imposta;na minha mente.
Alta e esguia,a figura vai desfazendo as minhas últimas ligações com a realidade,absorvendo minhas memórias e remodelando-as ao seu bel-prazer.
Não posso contê-la.
Minha psique jaz fraturada,afundando no subconsciente, até se perder de vista.
Fora algo premeditado.
Aquela coisa sabia das minhas fragilidades,dos meus receios e das minhas angústias.
Estava há dias me observando,e se desenvolvendo nas trevas da minha cabeça.
Eu ignorei.
Era fraca demais para me prejudicar.
Um feto medonho criado por meu descontrole inconsciente.
Mas estava errado.
O medo reina agora.
Com astúcia ela conseguiu virar o jogo em poucos momentos.
Minha depressão fora seu alimento.
"Xeque..."
A sombra está parada à minha frente.Ela se abaixa,acariciando meus cabelos,tornando-se visível.
Vejo seu rosto e me espanto.
Sou Eu.
Agora tudo se esclarece.Era apenas questão de tempo para meus pensamentos se acostumarem à nova realidade,como meus olhos enxergarem na escuridão.
Ele está aqui para me substituir.
É um sósia,feito de sombras e composto com minhas lembranças.
Minha falta de vontade de viver me fez ser descartado.
Agora ELE será EU.
Enquanto eu afundo no esquecimento vejo o rosto novamente.
ELE sorri,se aproxima,beijando minha testa com os lábios frios, e diz:
"Xeque-mate"
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