Notas iniciais
Capítulo 4/4 :) espero que gostem!

Durante três semanas, ele começou a notar que algo estava diferente. Na quinta semana ele identificou o que era. Zoe/Lucy, além de não ir às terapias de grupo, nunca mais havia aparecido no refeitório ou nas salas de recreação. Não que ele a houvesse procurado, mas ele percebeu que ela nunca mais havia ido ao jardim também.

Certo, talvez ele estivesse se sentindo um pouco mal sobre o que disse para ela, se ela acreditava naquelas coisas, quem era ele para a culpar? Não era motivo para o jeito que agiu.

Então ele começou a procurar por ela, mas não a encontrava em nenhuma sala que ele tinha acesso. Ele perguntou a vários funcionários, mas nenhum deles dava nenhuma notícia. Ele ia desistir de a encontrar quando avistou a enfermeira que sempre a buscava no jardim, uma mulher acima de quarenta anos com cabelos tingidos de loiro e uma preferência por rímel azul.

— Sim, eu a vi – Ela o olhou como se ele fosse o pior ser no universo, e normalmente ele não se sentiria ameaçado por uma loira tingida com gosto questionável em maquiagem, mas o olhar acusador o fez encolher no lugar.

— Ótimo – Ele diz, se recompondo – Onde ela está?

— Na área isolada da ala médica – Ela responde ríspida – Você não tem acesso, seja lá quem for.

Ele ia protestar, mas ela se retira sem que ele possa pronunciar mais alguma palavra.

Em sua volta para o quarto, ele começa a pensar involuntariamente na garota. A área isolada é reservada para pacientes com problemas mentais e aqueles em alerta de suicídio, e como ela era livre para transitar normalmente mesmo pensando que era algum tipo de antena parabólica, não devia ser por problemas mentais.

Suicídio. O cérebro dele forneceu. Ela tentou se suicidar.

Não foi minha culpa. Ele tenta argumentar consigo mesmo.

Então por que parece ter sido?

...

Três meses se completam desde que ele entrou naquele lugar e Sherlock acaba de sair de sua terapia com o Dr. Weaver quando ele vê o familiar casaco azul sumindo entre as flores. Ele não sabe exatamente por que a segue, mas quando nota seus pés já estão a caminho do centro do labirinto. Ele a encontra onde a viu pela primeira vez, sentada à beira da fonte, mas o olhar focado na água.

— Eu sinto muito – Sherlock diz, e o único sinal de que ela o ouviu é ela ter se encolhido um pouco ao ouvir as palavras dele – Me desculpe.

Ele a olha por alguns segundos, esperando uma resposta. Quando perceber que não vai ter uma, se retira do jardim. Ele não volta lá no dia seguinte.

...

— O que aconteceu? – Dr. Weaver insiste em perguntar o que há de errado. Sherlock normalmente se recusa a responder.

— Como faz para alguém te perdoar? – Ele pergunta sem olhar para o psiquiatra

— Normalmente pedir perdão é um bom começo – Ele sugere – Por que quer saber?

— Mas se a pessoa não aceitar?

O doutor o olha com simpatia.

— Então tem de esperar até que esta pessoa esteja pronta para te perdoar.

...

Ele não percebe no começo, mas então as pequenas coisas começam a ser notadas. Ela volta a almoçar na ala do refeitório, volta a frequentar algumas terapias de grupo e por último, volta a escapar para o jardim sempre que possível.

Ele não vai atrás dela, se focando em sair o mais rápido que pudesse dali e tentando colaborar em algumas sessões, mas um sentimento de culpa no fundo de si não deixa de o atormentar algumas noites.

Em uma dessas noites, ele pega o bloco de notas novamente, fazendo outra lista.

— Motivos para eu não me sentir culpado:

Eu não a conheço.

Não fui em que a cortou.

Eu não a dei uma lâmina.

Eu não me importo.

— Motivos para eu me sentir culpado:

Foi minha culpa.

Ele não dorme bem naquela noite.

...

— Eu te perdoo – A voz o alarma, porque ninguém fala com ele, muito menos durante o almoço. O outro motivo de alarme é ele conhecer a voz.

Ele observa Zoe/Lucy – decidindo se referir a ela somente como Zoe dali em diante, mesmo sem saber por que os outros a chamam de Lucy – dar a volta na mesa e se sentar na cadeira de frente para ele, em sua bandeja somente um prato com um pouco de arroz, ovos e um copo de suco ao lado.

— Meu irmão me disse isso – Ela continuou com a voz baixa – Eu disse para ele o quanto me incomodava, por que eu não conseguia dormir de noite, e que era por isso que eu ‘usava’.

— Eu...

— Ele não tinha herdado nada do pai dele, nem da mãe dele – Zoe mexia na comida do prato com o garfo de plástico – E disse que eu era só mais uma viciada. Foi a primeira vez.

Sherlock não precisava que ela explicasse, sabendo muito bem que ela se referia à primeira vez que ela tentou se suicidar.

— Mas eu já te desculpei – Ela sorri levemente – Não importa se não acredita em mim, está tudo bem. Mas como você faz aquela coisa?

— Aquela coisa? – Sherlock levanta uma sobrancelha

— É, as... deduções – Ela repete – Como consegue descobrir aquilo tudo?

— Eu observo – Ele responde

— Eu também, tenho olhos, duh – Ela ri

— Não, você vê – Ele corrige – Eu observo, noto os detalhes, ligo os pontos, num modo básico de falar, e então construo minhas deduções baseadas na junção dos fatos.

— Certo, então faça isso nela – Zoe aponta uma das funcionárias

— Muito bem... – Sherlock suspira – Entre trinta e trinta e cinco anos, não dá para dizer muito pela quantidade de maquiagem, embora isso por si só já diga que ela quer esconder a idade, então mais próximo de trinta e cinco. O cabelo foi recentemente hidratado, sobrancelhas recentemente feitas e unhas recentemente pintadas, ela foi convidada para algum evento importante. Ela usa aliança, e está bem cuidada, casamento feliz, portanto não foi um encontro. A instituição está dando um baile de caridade amanhã, pelo que ouvi de alguns funcionários, então aí está, ela vai ao baile de caridade e por isso está tão bem arrumada.

— Super – Ela diz, entusiasmada – Isso é especial, sabe disso, não é?

— Uhum – Sherlock murmura, revirando os olhos internamente. Claro que não.

— Ei, eu estou falando – Ela segura a mão dele, o alarmando por um momento – Você tem um impressionante talento, uma mente incrível. Não desperdice isso.

Sherlock assente, sem saber exatamente como responder ao elogio.

— Bem, eu tenho que ir – Ela sorri – sessão de terapia.

— Nos vemos amanhã – Ele responde.

Ela parece triste por um momento, o olhando com certa incerteza, mas logo cobre a expressão com um sorriso.

— Se lembre do que eu disse – Ela diz, finalmente, e se retira.

Ele não imaginava o que ela faria naquela noite, ele realmente achou que ela estava melhor.

Quando ela ficou dois dias sem aparecer, ele começou a se preocupar.

Quando ela ficou uma semana sem aparecer, ele estava definitivamente preocupado.

Quando ela ficou três semanas sem aparecer, a enfermeira lhe disse o que aconteceu.

Ela fora encontrada no quarto, havia se enforcado usando uma mangueira que o jardineiro esqueceu conectada na torneira no jardim. Aparentemente os parentes haviam recolhido o corpo dela no mesmo dia, algumas horas depois.

Ele não foi à terapia naquele dia.

Nem na semana seguinte.

Isso foi brilhante.

Foi incrível.

Extraordinário, realmente.

Você tem um impressionante talento.

Uma mente incrível.

Não desperdice isso.

Quando o chamaram para a terapia no dia seguinte, ele levantou determinado.

Não vou desperdiçar.

Notas finais
O que acharam? Trágico? Bem, pode não continuar assim... SEGUNDA TEMPORADA! Link: https://fanfiction.com.br/historia/675057/Heart_Of_a_Machine/ Vejo vocês lá! Kisses! -Unicorn
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