Notas iniciais
ANTES DE LEREM A HISTÓRIA EM SI, LEIAM A SINOPSE, POR FAVOR!

- Alô? — Ouvi uma voz fraca e fina, com um pouco de lágrimas, ofegante.

- Emilly? — Eu disse, com a voz mais fraca, defenitivamente sem forças ou vontade de continuar falando.

- Sophie? Você está bem? Que horas você vai chegar? — Ela estava desesperada, extremamente preocupada. Não a via assim desde ontem, quando liguei para avisar que eu e Max iríamos nos mudar para lá.

Minha prima trabalhava em uma revista teen britânica, fazendo entrevistas e viajando pelo mundo. Ela ganhava extremamente bem, e tinha uma casa enorme na parte nobre de Londres.

- Eu... — Já estava chorando. Lembrar do acidente, era horrível. Ver minhas cicatrizes no nariz e na testa doía mais quando havia ferimentos. — Eu nunca vou estar bem novamente.

- Não diga isso! Aonde você está?

- Estou no avião, daqui algumas horas eu chego.

- Tente se alegrar um pouco...

- Acho que nada poderia me alegrar agora!

- Nem ouvir One Direction? — Eu era realmente fã dos meninos do One Direction. Graças a eles eu não havia desistido e me suicidado antes que as coisas começassem a melhorar. Graças a eles e a Max, porque eu era a única pessoa que ele tinha hoje.

- Talvez... — eu finalmente sorri, abri um sorriso ao lembrar do sorriso de Niall. Niall era o meu preferido, eu amava todos, mas me identificava mais com Niall.

- Max está com você?

- Sim, ele está no banheiro... Acho que está tendo um ataque de pânico ou coisa assim por causa do avião. Ele sempre fica assim.

- Ok, quando estiverem chegando no aeroporto, me avise para eu ir buscá-los.

- Tudo bem Mi... Obrigada por tudo ok?

- Não te problema... Será um prazer vê-los aqui. Só ponha One Direction no último, ok? — Ela disse, rindo. Isso realmente me acalmaria o suficiente para esquecer de tudo.

- Pode deixar.

- Eu te amo, prima.

- Eu também.

Desliguei o telefone, encostei-me ao encosto da poltrona e fechei os olhos. Levei o fone até os ouvidos e comecei a ouvir Moments. Mesmo sabendo que não era uma boa ideia ouví-la, não resistia ao fato dos solos perfeitos que existem nela, principalmente também das lembranças que ela me trazia, como a minha mãe cantando-a no carro, antes do acidente. Essa era a última lembrança que eu tinha dela.

Eu nunca tive um namorado, não tinha porque ficar triste ao ouvir essa música, não tinha há um mês atrás. Observei a paisagem azul que havia na janela a minha direita, e senti uma lágrima. A limpei rapidamente.

- Sophie! — Disse Max, me balançando, me fazendo levar um susto e pular da cadeira.

- QUE FOI MAX? QUE SUSTO! — Todos nos olharam com as sobrancelhas levantadas. Eles deve ter achado estranho dois adolescentes conversando normalmente em inglês com sotaque britânico.

- Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiu! — Ele colocou seu dedo sobre a minha boca. — Não grita!

- Max, sente! Vai ficar tudo bem! — Eu disse empurrando seus ombros para baixo, obrigando-o a se sentar.

- Eu sei que vai.

- Pronto, se acalma. O que foi?

- Eu estou com medo de voltar para Londres. E se eu encontrar alguma das minhas ex namoradas? — Max era um menino lindo, eu admito. Por isso, ele tinha tantas namoradas, tanto em Londres como em São Paulo. Se ele não fosse meu irmão, eu me apaixonaria por ele. Ele tinha aquele corpo de modelos de revistas de calça jeans, sabe? Moreno, dos olhos azuis. Ele era realmente lindo! Usava o cabelo como o do Harry Styles, porque eu o obriguei a usar o cabelo daquele jeito.

- Você conversa com elas, como se nada tivesse acontecido. Fique tranquilo, Mama.

- Você nunca teve um namorado né?

- Claro que não. Eu namoro você, lembra?

- Ah sim, claro... Sorte a minha de namorar uma menina como você. Você é loira dos olhos azuis, não sei como você não arranjou alguém ainda...

- Estou me guardando para Niall.

- O loirinho? Daquela bandinha lá? — Max caiu na gargalhada, ignorando meus sonhos e minha esperança. Eu sentia que um dia teria Niall em minhas mãos.

- Um dia eu ainda vou ter ele, vai vendo. — Ele levantou as sobrancelhas e se encostou na poltrona.

- Vinte minutos para o pouso do avião.

Acordei com a voz da aeromoça, totalmente robotizada pelo microfone e caixas de som. Peguei o celular e liguei para Emilly, e disse que estaríamos pousando em vinte minutos. Olhei para o lado e vi que Max não estava ali. Meus olhos percorreram cada metro quadrado daquele avião, até que eu o vi sentado ao lado de uma menina. Eles estavam rindo e se divertindo. Achei que Max era ótimo pra disfarçar o sorriso dele. Eu sei que aquele sorriso não era real porque eu conheço meu irmão mais do que ele mesmo.

Me virei para frente, continuando ouvindo minhas músicas, pensando no quanto o amor é ridiculo, mas no quanto eu sou sortuda por não ter o experimentado ainda. Prefiro meu amor de fã e a minha fé, é bem melhor. Você nunca se desaponta, só às vezes. Mas são poucas as vezes. Meus ídolos nunca me desapontaram, mas eu fiquei chateada pela Up All Night Tour ter acabado e eles não terem ido pro Brasil. A final, eu nunca ia pra Londres, era muito raro... Não daria para eu ir somente para ver os meninos.

- Por favor, apertem os cintos, o avião irá pousar.

Vi Max voltando para o meu lado e colocando os cintos, junto comigo. Olhei para ele e ele estava com uma mordida no lábio.

- Caralho Max, nem nesses momentos você para de ser um galinha?

- É pra aliviar a pressão...

Eu dei de ombros, pois sabia que era a mais pura verdade. Eu acho que aliviria a pressão mesmo, mesmo sem saber como é um beijo. Nunca tive tempo para pensar em namorar, estava ocupada demais concorrendo a promoções nas rádios, assistindo shows e etc. Estava ocupada demais amando One Direction.

O avião já havia pousado. Nós nos retiramos, pegamos nossas bagagens e fomos procurar Emilly. A vimos sentada em uma cadeira, com a perna cruzada, balançando seu pé com um lindo salto nude, uma calça jeans e uma camisa branca, simples. Seus cabelos todos encaracolados e ruivos, seus olhos escuros e sua expressão de preocupação. Emilly tinha 19 anos, mas era como se fosse minha melhor amiga.

- Emilly? — Eu disse, largando a mala de rodinhas e colocando a mala grande de alça no chão, ficando somente com uma mochila nas costas. Já Max, com mais de quatro malas. Emilly me olhou com um olhar de carinho e afeto, vindo correndo em minha direção, largando a bolsa no chão.

- Sophie! — Ela disse, segurando as lágrimas. Emilly era muito próxima da minha família, ela gostava muito de meus pais e de nós. Ela correu e me abraçou forte. Ela me deu aquele abraço que eu tanto esperava, que eu tanto estava ansiosa para receber. — Vai ficar tudo bem, confie em mim. — Ela sussurrou no meu ouvido.

Logo depois ela foi abraçar Max. Meu irmão ficou encantado por Emilly, eu percebi isso em seu olhar. Ela nos levou até seu carro sport, vermelho, todo limpo e brilhante. Colocamos a mala no porta-malas e seguimos o caminho inteiro em silêncio. Estávamos andando normalmente quando paramos o carro no farol. Eu olhei para o lado e vi uma garota com uma camiseta do One Direction.

- UMA DIRECTIONER! HEEEEEEEEEEEEEEEEEY! — Eu comecei a gritar e acenei para ela. Ela acenou de volta e eu fiquei muito feliz. Emilly caiu na gargalhada e olhou para mim pelo retrovisor, com seus olhos brilhando.

- Você está feliz por voltar, não? — Eu respondi balançando com a cabeça. Eu realmente estava feliz por voltar para Londres. Minha terra, meu amigos antigos... Estava no Brasil há uns três anos. Nem sabia o que era One Direction quando me mudei.

- Sophie estava ansiosa para voltar... Ela acha que aqui vai encontrar o loirinho. — Disse Max, me olhando e rindo.

- Niall? — Perguntou Emilly. — Falando nisso, eu tenho uma surpresa pra você Sophie!

- FALANDO NISSO? COMO ASSIM? — Sei que Emilly tinha seus contatos, e coseguiria facilmente fazer eu conhcer os meninos.

- Fiz uma entrevista a pouco tempo com o One Direction. Pedi para eles assinarem um CD e uma foto pra você.

- SÉRIO? — Eu estava com os olhos cheios de lágrimas.

- Sim. Acho que eles foram muito simpáticos comigo. Me pediram para ver uma foto sua. Por sorte, tinha uma foto nossa no celular, que tiramos ano passado. Você não mudou muito desde o ano passado.

- EMILLY! VOCÊ TÁ BRINCANDO! NÃO BRINCA COM ISSO!

- Acho que não é uma boa ideia você brincar com isso. Ela está chorando! — Disse Max, apontando para mim.

- Mas, gente, eu não estou brincando. — Ela disse, mudando a marcha com a maior delicadeza do mundo, colocando a mão de volta ao volante, com os olhos fixos na rua.

- E O QUE ELES FALARAM? ELES GOSTARAM DE MIM? MEU DEUS! EU NÃO TO ACREDITANDO! — Eu estava chorando um pouco. Mentira, estava quase soluçando. Era muita emoção.

- Não vou mentir pra você, mas Niall ficou bem impressionado com a sua aparência. Mudando as palavras para a realidade, estou sendo muito simples. Ele disse: Essa é sua prima? Aí eu respondi que sim. Aí ele: qual é o nome dela? Aí eu disse: Sophie. Ela mora no Brasil, mas ela volta para Londres nesse fim de semana. Aí o Harry disse: Aonde você mora? Ela vai para a sua casa?

- SÉRIO? MEU DEUS! TO MORRENDO!

- Calma. Aí eu passei meu endereço para eles e disse mais ou menos a hora que você iria chegar. Passei seu número também, o daqui.

- Mas eu não tenho número daqui.

- Agora você tem. — Disse Emilly me passando uma caixa de um iPhone 4s, com um chip dentro. — Ele já está carregado, mas não é usado. Eu carreguei para você já ligar agora.

- EMILLY! VOCÊ JÁ ESTÁ FAZENDO MUITO PELA GENTE!

- Eu sei... — Ela disse, jogando outra caixa de outro iPhone no colo de Max, fazendo-o sorrir (de verdade). — Ligue logo! Quero ver se eles te mandaram alguma coisa! — Disse Emilly. — Mas continuando, Niall ficou apaixonado por você. Eu disse para ele que você se identificava mais com ele, e seus olhos brilharam.

- EMILLY! PARA! NÃO! NÃO! — Eu comecei a chorar loucamente, eu tremia e as minhas pernas estavam bambas. Minha mão suava fria, eu não conseguia enxergar o telefone por causa da visão embaçada.

- O QUE TÁ ACONTECENDO? — Gritou Max.

- UMA MENSAGEM! MAX! UMA MENSAGEM! MEU DEUS!

- O QUE ESTÁ ESCRITO?! — Perguntou ele.

Eu mostrei a mensagem para ele e para Emilly, que se desviou do caminho por um segundo e voltou com os olhos para a rua. Estava escrito assim: "We have a surprise for you! xx" Era o Niall. Eu gritava e tremia, chorando.

- EMILLY! EU TE AMO! EU TE AMO! — Eu repetia essas palavras a todo segundo, até chegarmos na casa dela. Era uma casa enorme. Pelas janelas, havia no mínimo, 4 quartos.

Ouvimos alguns gritos e alguns passos e vimos algumas plantas se mexendo. Meu coração disparou, eu já estava chorando muito, eu mal conseguia andar. De repente, o meu celular tocou, era uma mensagem, só que era do Harry. Ela dizia: "I can see you!"

Eu andei devagar até a porta, junto a minha prima e meu irmão. De repente eu vi uma camiseta listrada atrás das moitas. Meus olhos se arregalaram e eu fiquei paralisada. Meus olhos se enxeram de lágrimas, minhas pernas voltaram a ficar bambas.

- Droga, ela me viu! — Eu ouvi uma voz. Uma voz que toda directioner iria reconhecer. A mesma voz que gritou SUPERMAAAAAAAN ou NO! JIMMY PROTESTED!, isso, a voz de Louis.

De repente todos pularam de uma vez de trás das moitas do jardim da minha prima, gritando — SURPRESAAAAAAA!. Eu dei um grito e caí no chão, ali mesmo, sentada. Eu estava chorando muito, de soluçar, mas com um sorriso no rosto. Um sorriso de verdade. Vi Niall vindo em minha direção. Ele me pegou por baixo dos meus braços e me levantou, me fazendo ficar de pé.

- Hey, Sophie. — Ele abriu um sorriso. — Eu sou o Niall, mas eu acho que você já sabe.

- Claro que eu sei quem você é. — Eu disse no meio dos soluços de choro. — Você é o menino da minha vida, vocês na verdade, são a razão de eu não ter desistido. Vocês são minha base. — Os meninos foram se aproximando ao poucos para me ouvirem. — Vocês... são meu tudo... — Eles ficaram em silêncio, um pouco chocados com o que eu disse. Niall pegou em meu pulso e sentiu minhas cicatrizes. Cicatrizes do passado, de um passado que eu não gosto de lembrar. Niall acariciou-as um pouco e me abraçou, me dando uma abraço forte e confortador.

Acho que Emilly havia contado sobre meus pais para eles. Senti os outros meninos me abraçando, fazendo uma roda em minha volta, comigo no meio deles.

Esse sim era um momento para eternizar. Para dar um pause e não dar play nunca mais. Queria sentir esses abraços pela minha vida inteira. Eu ainda não estava acreditando naquilo.

Notas finais
@9090nialler