Notas iniciais
Primeiro captulo >.
Espero que gostem e comentem.

(Draco Malfoy)

Não sei bem o que sentir neste momento. Normalmente como em todos os outros dias em que tiro meu tempo para vir até esta sala abandonada — com um cheiro nada agradável de poeira com ratos mortos — sinto meu coração palpitar mais rápido, por saber que vou vê-la, mas também pelo medo de que alguém possa descobrir.

Um boato como esse seria o fim para o nome de minha família e bem, não sei o que esperar de meu pai, afinal com todo esse estresse da volta de Voldemort não posso nem ao menos dirigir uma palavra à ele ou todo aquele escândalo recomeça fazendo tremer as paredes. Não que isso seja novidade em nossa casa, mas está tudo piorando, indo de mal a pior.

Meus olhos vagam pela sala, o pó se acumula nos cantos das estantes e algumas aranhas constroem suas teias ao redor de toda a dimensão, com certeza é uma casa perfeita para elas afinal além de mim quase ninguém costuma frequentar aqui.

—Draco. —Hermione chamou por meu nome ao passar pela porta — como amo sua voz, ela tinha um sorriso no canto do rosto provavelmente com as mesmas preocupações a atormentando a cada segundo.

—Mione. —ignorei tudo que se passava pela minha cabeça e abri um grande sorriso.

Abri meus braços esperando vir em meu encontro, era assim todo santo dia — desde nosso terceiro ano em Hogwarts — assim que as aulas acabavam ela vinha em meu encontro e aqui ficávamos até tarde da noite quando percebíamos que alguém poderia sentir nossa falta, então nos sentíamos obrigados a voltar a nossos quartos e fingir que nada havia acontecido.

Era difícil dizer adeus à Hermione, afinal o que nunca faltava em nossas conversas era assunto.

— Como foi seu dia? — perguntei um pouco depois de ter sentado no meio de minhas pernas e deitado a cabeça em meu peitoral.

— Não consegue ser bom com todo esse drama de Voldemort. — bufou.

Consigo entendê-la, se alguém sofre com isso, esse alguém é Hermione.

— Já te disse que não deixaria nada acontecer contigo. — acalmei-a.

— Mas e quanto a você? Nunca pensou em como pode acabar tudo isso?

— Vou ficar bem, não precisa se preocupar com isso.

— Ele não é confiável, Draco. Não vê quantos inocentes mata?

— Hermione, está falando com um membro da família Malfoy, não com um trouxa.

— Não gosto que se refira à mim assim. — virou seu rosto e fixou seus olhos nos meus.

— Não estou... Vamos mudar de assunto?

— Não consigo pensar em algo melhor para falar enquanto tem gente morrendo.

— Ei, dá para parar de jogar isso na minha cara? Não posso recusar ajuda à minha família, mas sinceramente não entendo a necessidade.

— Sei que não é igual a eles.

Hermione se revirou até estar de frente para mim, nossos olhos fixos um no outro — e pensar que há alguns anos me vigiava para não olhá-la — sua boca se aproximou da minha rapidamente e deu um selinho rápido, não conseguia me contentar apenas com aquilo, não olhando para aqueles olhos e cabelos perfeitos. Segurei em seu pescoço e a puxei de volta para outro beijo desta vez nossas línguas trabalhavam em sintonia, nos beijamos há tempo o bastante para saber exatamente os movimentos certos a se fazer.

— Tem esperança de nós algum dia? — me afastei de seus beijos.

— Já tive, mas é meio complicado... — Granger se deitou novamente sobre mim.

— Podia ser tudo diferente. — suspirei.

(Quatro anos atrás)

— Estão sentindo esse cheiro de trouxa? — ri com meus amigos ao ver Granger passar pelos corredores.

— Malfoy eu juro que vou... — Hermione ficou sem palavras me olhando com seus olhos raivosos e o dedo indicador balançando como se fosse dar um sermão.

— Vai o que? Me passar sua doença? — disse fazendo os garotos rirem ainda mais.

— Idiota! — pulou para cima de mim balançando as mãos na intenção de me bater, mas tudo que sentia era seus toques leves em minha pele.

— Não me toca sua nojenta! — gritei a empurrando para trás.

Hermione balançou um pouco antes de cair no chão, realmente achei que fosse chorar, mas na verdade isso apenas motivou sua raiva demonstrada pelos olhos enrugados e lábios prensados.

— Senhorita Granger, para o castigo e Malfoy... — Severo surgiu em meio à multidão de alunos.

— Senhor Malfoy a acompanhe, por favor. — Dumbledore veio do outro lado interrompendo-o.

— Ma- Mas Draco não teve culpa se esses sangues ruins são violentos. — Snape tentou me defender.

— Severo, dispenso comentários afinal vi tudo o que aconteceu. — pigarreou. — Venham comigo crianças.

Fiz questão de olhar para Snape com uma expressão brava — sei que poderia ter me tirado dessa — antes de acompanhar Dumbledore junto a Hermione até uma sala que ainda não conhecia.

— Meu pai vai ficar sabendo disso. — cruzei os braços olhando para o diretor.

— Faço questão de conversar com ele pessoalmente.

Bufei antes de me jogar em uma cadeira de madeira localizada no canto do fundo da sala um pouco mais velha que as demais.

— Senhor, isso irá para meu histórico? — os olhos de Granger se encheram de água.

— Não se preocupe querida. — sorriu piscando um dos olhos.

Por que é gentil com uma sangue ruim, mas me trata como um trouxa?

Hermione me jogou um olhar e procurou a cadeira mais distante possível da minha, ou seja, no outro canto.

— Espero que se entendam nestas duas horas.

— Duas horas? Tenho coisa melhor para fazer e não pode me prender aqui!

— Seus compromissos podem esperar Malfoy.

— Mas eu tenho que... — parei de falar assim que Dumbledore fechou a porta me ignorando completamente. — Vou processar esta escola! Mereço ser tratado com mais respeito.

— Você é tão irritante. — bufou jogando os pés para cima da outra cadeira.

— Cuidado com os pés, sabichona. Boas garotas se sentam de forma elegante. — ri.

— Que se foda.

— Começou a xingar? Meio caminha para a Sonserina.

— Você é tão idiota e depois não sabe o porquê leva fora de todas as garotas da escola.

— Pelo menos já beijei alguém e você não.

— Como se isso me interessasse... — deu de ombros.

— Como se eu não soubesse o jeito que olha para Rony.

— Ei! — gritou fazendo ecoar por toda aquele lugar vazio.

— Já até imagino... Rony, Hermione, oito filhos, uma casa minúscula e vestes de segunda mão.

— Não me faça te bater! — saltou da cadeira para o chão fazendo que a poeira levantasse no nível de seus sapatos.

— Quer me bater porque sabe que é verdade. Não seria injusto ameaçar alguém que apenas diz a verdade que não quer aceitar? — provoquei vendo-a se enfurecer cada vez mais.

— Droga. — reclamou sentando-se de volta. — Mas digo a verdade, não estou “gostando” do Rony, somos apenas amigos.

— Amizade entre homem e mulher sempre é mais que isso.

— Como assim?

— Você passa a gostar demais da pessoa e acaba se perguntando se não seria certa pra se passar toda a vida ao lado.

— Como sabe de tudo isso?

— Li em algum lugar.

— Você sabe ler? — riu.

— Apenas alguns romances que a mamãe guarda em casa.

— Bem, não sei se estranho o fato de você ou sua mãe ler romance. — riu.

— Acho que é bom termos alguma esperança.

— Prefiro ler sobre a história de Hogwarts e sobre...

— A sabichona voltou! Saia desse corpo. — soltei uma gargalhada olhando em seus olhos.

(Tempo atual)

Me joguei na cama tão conhecida por mim, em tanto tempo aqui se tornou mais comum que a de minha própria casa onde sempre acabo acordando cedo pensando ter alguma aula ou sentindo um vazio quando o sol vai se pondo e sei que Hermione não vai em meu encontro.

Seis anos se passaram sempre na mesma rotina e aqui vai mais um que por acaso é totalmente diferente mesmo que não nos lembremos, é nosso último ano em Hogwarts.

Sei que para qualquer pessoa é difícil imaginar que está terminando a escola e que não sabe o que irá fazer quando tudo isso acabar, mas não é uma das coisas que mais me incomodam, afinal com Voldemort no comando minha família será ainda mais privilegiada dentre outras e sei que não ficarei para trás, mas o que realmente me preocupa é Hermione, como será sua vida com tudo isso acontecendo? Será obrigada a viver como trouxa?

Não deveria estar pensando nisso, afinal minha família sempre foi marcada pelo jeito rude de não se importar com absolutamente nada e isso inclui em primeiro lugar trouxas e sangues ruins, porém se fosse para não me importar não deveria ter começado esse nosso “relacionamento” que de repente a colocou no topo de minhas prioridades e me fazia ter vontade de apenas fugir para longe com ela, sem meus pais, sem Voldemort, sem magia, apenas Hermione e eu, o que seria impossível por todos os poderes existentes.

— Malfoy? — a voz de Snape soava através da porta.

— O que é? — me levantei indo até lá.

— Dumbledore quer te ver.

Bem, em todos esses sete anos aqui posso dizer que conto nos dedos as vezes em que fui até a sala do diretor. Na maioria das vezes por algo que fiz, mas desde o começo deste ano estou meio que dando uma pausa por tudo o que está acontecendo.

Severo preferiu não me acompanhar até lá, apenas virou de costas e seguiu seu caminho para uma direção inversa.

— Senhor? — atraí sua atenção do livro que lia atentamente.

— Sente-se. — estendeu a mão para a cadeira em sua frente.

— Por que me chamou? — me acomodei no couro frio da cadeira.

— Houve um ataque dentro da escola hoje.

— Mas como? Não ouvi nada.

— Foi um pouco silencioso, mas uma aluna foi sequestrada... Hermione Granger.

Meu coração deu dois impulsos fortes tirando meu ar e minha mente se recusava a acreditar que a garota que há algumas horas me beijava fora sequestrada. Não era preciso Dumbledore dizer quem estava por trás disso.

A preocupação gritava em meu peito fazendo-o arder cruelmente. Nunca havia sentido algo tão forte assim.

— E o que tenho com isso? — escondi minhas emoções, me tornei experiente nisso ao decorrer dos anos.

— Senhor Malfoy, pode esconder este romance de qualquer pessoa, mas eu sei de cada inseto que se move aqui dentro.

— Por favor, senhor, não conte a ninguém. — implorei com os batimentos ainda mais acelerados.

— Sei reconhecer algo verdadeiro, então não se preocupe com isso. — sua mão pousou sobre a minha. — Voltando ao assunto, Hermione foi pega por Voldemort e apenas você pode trazê-la de volta.

Tenho que tomar minha decisão: Lutar contra Voldemort e ter de volta o amor da minha vida ou perdê-la para sempre.

Notas finais
Gostaram? Me contem nos comentários :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.