Dont Surrender
1 Aeroporto
Notas iniciais
Ela corria desesperadamente, ofegando e correndo os olhos por todo o saguão do aeroporto, tentando achá-la. Ela, aquela com quem desejava jamais ter tido uma discussão.
Seus passos pareciam lentos demais para correr contra o relógio, mas ela ainda tinha esperanças de não chegar tarde demais. Ela não podia ir embora sem escutá-la.
Foi então que a viu: suas roupas simples, porém únicas; sua postura revelando impaciência; seu cabelo castanho caindo como uma cascata nas costas, acabando quase no início da coxa; seu perfil preocupado, fitando a tela com os voos.
Puxou todo o ar que restava em seus pulmões, correndo na direção de seu objetivo, e berrou:
— AMIE!
A garota dos cabelos castanhos estremeceu, incrédula, e virou-se na direção da voz que a chamou, sendo abraçada por um corpo centímetros mais baixo que o seu.
— Gabi, o que faz aqui? — tentou ser fria, mas estava surpresa demais para soar furiosa.
— Eu vim te ver... — ofegava a que segundos antes corria, abraçando-a e começando a derramar algumas lágrimas. — Não podia deixar você ir assim...
Amie sentiu seu coração doer, querendo responder algo bonito ou fofo, mas estava magoada e seu orgulho a fez ser grossa.
— Não precisava vir, não vou sentir sua falta.
Aquilo doeu na alma de Gabi, fazendo seus olhos arderem de maneira quase insuportável, mas conseguiu esbanjar um sorriso triste e, olhando bem nos olhos de Amie, disse:
— Eu sei. Mas eu vou sentir sua falta, então precisava te ver uma vez mais, antes de você partir. Para gravar você completamente no meu coração e ter a certeza de que, não importa o quanto o quebrem, você vai permanecer lá — beijou-lhe a bochecha e sussurrou-lhe no ouvido: — Adeus. Eu te amo — e largou-a, marchando cabisbaixa para longe, se sentindo vazia e destruída. Fora crueldade demais saber que não faria falta.
Mas Amie mentira. Assim que Gabi deu-lhe as costas, seu coração apertou-se dolorosamente no peito, trazendo-lhe lágrimas aos olhos. Ela viu, como num filme, tudo que aconteceria se não a chamasse de volta passar por seus olhos: Gabi iria embora e ficaria dias deprimida, talvez meses, enquanto ela pegaria um avião para outro país e jamais voltaria. Passaria a vida se arrependendo por tê-la deixado ir embora, acabaria se casando com um homem que lembrasse sua pequena Gabi, dos cabelos loiros e cacheados até os ombros; de seus olhos castanhos como chocolate; de seu sorriso rosado e gentil; da delicadeza de seu corpo e, acima de tudo, de sua dedicação aos outros.
Então voltou ao presente e notou sua loira querida já meio longe, passando a mão no rosto repetidas vezes, provavelmente chorando. Escutou seu voo sendo anunciado. Mas naquele momento, largou todos os seus pertences ali mesmo e correu atrás da menor, empurrando todos que ficavam na frente e berrando:
— GABI!
Abraçou-a antes que ela se virasse, puxando-a pelo braço e colando os lábios no da menor, que recebeu o beijo com paixão, envolvendo seu pescoço e ignorando os olhares curiosos ou de repreensão que recebiam no momento.
Se separaram e encararam-se durante alguns segundos; os olhos castanhos de Gabi e os olhos azuis de Amie.
— Você vai perder o voo — Gabi avisou, sem conseguir evitar um sorriso de felicidade ao pensar nessa possibilidade.
Amie secou suas lágrimas e as próprias, sorrindo também, abraçando-a bem apertado, e disse:
— Não vou a lugar algum.
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