Don't Stop Dreamin'
18 Porta-Retratos, part III - Paletas Mexicanas
Notas iniciais
– Gostou? — perguntou Thiago à Ana. Os dois haviam acabado de pegar picolé.
– Aham! Muito. — respondeu a ruiva maravilhada. Thiago riu.
– Que bom. — ele disse sorrindo. Fitou a amiga por alguns segundos.
– Eu nunca comi um sorvete tão bom!
– Bem, é uma paleta mexicana! É melhor que um picolé qualquer.
– Acho que sim... — disse ela. Os dois continuaram a conversar sobre coisas aleatórias.
Alguns minutos depois...
– Nós já vamos voltar pro Orfanato? — disse Ana tristemente.
– Se você quiser... — dizia Thiago antes de ser interrompido pela ruiva.
– Não, eu não quero. — a mesma avistou um vendedor de balões de hélio no outro lado da praça do shopping. — Tive uma ideia! — concluiu indo na direção do homem. Thiago não perdeu seu tempo e a seguiu.
– Hélio? É essa a sua ideia? — disse Thiago observando a euforia das crianças que cercavam o vendedor.
– Sim! — disse Ana sorrindo.
– Acho que nós teremos de pegar uma fila... — disse Thiago. No mesmo momento, a ruiva olhou para a sequência de pequenas pessoas uma atrás da outra gritando para o homem que segurava os balões .
– Será um prazer! — ela respondeu puxando o garoto para o fim da fila.
***
Os órfãos estavam reunidos na cozinha do Orfanato quando Carol entrou no lugar acompanhada de uma garota morena com olhos verdes.
– Crianças! — gritou a diretora chamando a atenção de todos.
– Quem é essa? — perguntou Neco observando a menina.
– É exatamente o que eu vim dizer à vocês, Neco. — explicou Carol. — Pessoal, esta é a Leticia. Ela vai morar aqui conosco provisoriamente, mas, se tudo der certo, ela será a maos nova moradora do Raio de Luz!
– Que legal! — exclamou Cris se levantando de sua cadeira e caminhando até Leticia. — Bem-vinda! Eu sou a Cris.
– Prazer. Pode me chamar de Leeh! — respondeu a menina.
– Eu sou Chico, o cozinheiro! Bem-vinda ao nosso cantinho de luz. Aproveita e almoça com a gente. — propôs Chico.
– Eu não vou incomodar? — perguntou Leticia.
– Claro que não! Senta aí! — exclamou Rafa apontando para uma cadeira vazia. Ao lado de Duda.
– Tá. — disse Leeh. A mesma se sentou ao lado do loiro.
– Eu vou servir a comida pra você. — disse Chico e a garota fez uma mesura em agradecimento.
– Você vai adorar a comida do Chico! — disse Duda a fitando.
– Se você está dizendo... — ela concordou sorrindo. Os dois trocaram mais alguns olhares por alguns instantes até Bia quebrar o gelo.
– Então, Leticia! — disse a loira. — Você veio de algum outro orfanto?
– Na verdade, eu fugi do meu antigo lar. — respondeu a morena com os olhos baixos.
– Por quê? — perguntou Maria.
– Eu... eu não me sinto bem falando disso.
– Tudo bem, princesa! — disse Carol. — Bem, eu vou voltar pra minha sala. Meninas, depois levem a Leeh no quarto!
– Okay. — disseram as garotas em coro.
***
Ana e Thiago já haviam comprado os balões. Os dois caminharam até um dos bancos de madeira fosca da praça e se sentaram.
– Eu gosto de hélio. — afirnou Ana desfazendo o nó da bexiga.
– Por quê? — perguntou Thiago.
– Por isso. — respondeu ela sugando o ar. — Nossa voz fica engraçada! — a voz da garota estava completamente diferente. E divertida. Thiago riu e fez o mesmo.
– Sua voz tá estranha. — ele disse. A menina passou a rir descontroladamente. — Ana... — Thiago aproximou seu rosto do rosto da ruiva. Ana recuava à medida que Thiago se aproximava.
– Thiago, eu...
– Tudo bem. Eu estou indo rápido demais, eu sei.
***
– E então? O que acharam da garota nova? — perguntou Cris às amigas. As meninas mais velhas estavam do lado de fora do edifício na piscina.
– Não sei. Não gosto de julgar as pessoas assim: sem antes conhecê-las. — disse Mili procurando pela toalha na beira da piscina.
– Concordo plenamente. — exclamou Marian. A loira tirouo veztido de renda branco e mergulhou na água.
– Eu não sei... Não tive uma boa impressão. — revelou Pata estreitando os olhos.
– Eu não fui com a cara dela. — disse Bia. — E você, Vivi? — perguntou mas a morena não respondeu. — Vivi! — gritou jogando água na amiga. Esta estava sentada no gramado e "brincava" com uma pequena flor que crescia neste.
– Hum? — respondeu Vivi sem tirar os olhos do pequeno girassol.
– O que você acha? — pergunto Bia, novamente.
– Sobre o quê?
– Você ouviu o que a gente estava falando? — perguntou Mili preocupada. Vivi assentiu negativamente com a cabeça. — Aconteceu alguma coisa?
– Ele se esqueceu. — revelou a morena com os olhos marejados. — E ainda me ignorou a manhã inteira.
– O Juca? — questionou Pata confusa.
– Sim...
– Olha, não quero me intrometer nem nada mas eu acho que ele vai terminar com você. — disse Marian.
– Cala a boca, garota! — gritou Beatriz.
– Eu só estou dizendo a verdade. Se ele se esqueceu e está te ignorando é porque vai terminar! Eu já passei por isso, Vivi. Eles preferem não terminar em datas especiais e fingem estar ocupados. — afirmou Marian.
– Não liga pra ela, amiga. — consolou Cris.
– E se ela tiver razão e se o Juca terminar comigo? — Vivi afundou o rosto nas mãos e deixou as lágrimas escorrerem pelas bochechas. Um misto de dor e tristeza a tomou por inteira e ela desejava deixar de existir.
***
Juca estava no quarto dos garotos com Duda se arrumando. O moreno tentava colocar a gravata corretamente sobre a blusa social branca e amassada.
– Por quê você está se arrumando, cara? — perguntou Duda rindo do amigo.
– Eu vou levar a Vivi no Karaoke pra gente comemorar o nosso aniversário. — explicou Juca. — Você sabe dar um laço na gravata?
– Por que você vai vestido assim?
– Por que eu vou cantar uma música pra ela e eu quero ser romântico! — disse o moreno. — Você sabe?
– O quê?
– Como se dá um laço na gravata?
– Onde você conseguiu esse terno? — perguntou o loiro se levantando e ajudando o amigo.
– O Junior me emprestou.
– Hum. Pronto!
– Valeu! — agradeceu Juca se virando para o espelho e ajeitando os fios negros de seu cabelo. — Você acha que ela vai gostar da surpresa?
– Como eu vou adivinhar?
– Vocês já namoraram. — lembrou Juca.
– É. Mas não foi como vocês dois. — justificou o loiro e Juca se convenceu. — Mas acho que ela vai gostar. Isso se ela não estiver irritada por você ter ignorado ela e... — antes que Duda pudesse terminar seu pensamento a porta se abriu bruscamente. Bia.
– Escuta aqui! — gritou a loira agarrando Juca pelo colarinho. — A Vivi está lá em baixo desesperada. Você prometeu que cuidaria dela e que não deixaria ela sofrer! Você prometeu! Ai de você se você terminar com ela! Você vai querer morrer! Você está louco? Você acha mesmo que pode enganar minha amiga desse jeito? Você é louco! Só pode ser. — completou com os olhos arregalados.
– O quê? Eu não vou terminar com ela. — ele disse se soltando.
– Não? — perguntou a menina envergonhada.
– Não.
– E por que você tá ignorando ela?
– Eu preparei uma surpresa pra comemorar o nosso aniversário e por isso que eu estive tão ocupado. — Juca fez uma pausa buscando as palavras certas para tentar se explicar para Bia. — Eu amo a Vivi. Nunca faria algo do tipo pra ela.
– Tem certeza?
– Claro que ele tem! — intrometeu-se Duda assustando a loira. — Acho que você não deveria se intrometer, sabe? Os dois devem se resolver sozinhos.
– Não precisa me dizer nada, Eduardo. — defendeu-se ela cruzando os braços na frente do busto. — Eu não quero desconfiar de você, maninho...
– Onde ela está? — perguntou Juca.
– Na piscina... — só então que Beatriz se lembrou que estava apenas de biquíni e que poderia ter molhado, bem, boa parte do orfanato. Eduardo já havia percebido os trajes da loira, mas Juca não.
– Leva ela pra outro lugar, algum que eu possa ficar sozinho com ela. Eu desço daqui cinco minutos. — pediu Juca procurando algo na gaveta.
– Okay. Hum... eu já vou! — disse Bia se retirando do quarto vermelha, de vergonha. A loira foi até o quintal dos fundos do Orfanato e levou Vivi da piscina para o pátio.
***
– Vivi, não fica assim... — aconselhou Bia acariciando os cabelos da amiga. Esta chorava sem parar desde que Marian dissera que Juca pretendia acabar com o namoro dos dois.
– E se ela tiver razão? E se ele... — dizia Vivi, mas a loira a interrompeu.
– Eu vou buscar um pouco de água pra você se acalmar. Já volto! — ordenou Bia. Seguiu até a cozinha e se deparou com Juca em pé e inquieto segurando um buquê de rosas roxas. A loira fez um sinal com a cabeça para o "irmão" dizendo que ele deveria ir atrás da namorada. Juca sorriu.
Na sala...
Thiago e Ana haviam chego há alguns minutos. A ruiva subiu para o quarto acompanhada de Tati. Queria contar à amiga sobre a tarde que passara com o moreno e sobre seu 'quase primeiro beijo', ainda que, depois do ocorrido, ela não trocara nem uma outra palavra com o mesmo.
O menino por sua vez, ficara na sala com Binho, que coincidentemente assistia o mesmo filme que Tati... Binho não demorou muito para começar a questionar o amigo.
– E aí? Como foi com Ana?
Continua...
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