Don't Stop Dream
26 Treinamentos intensos. Emoções intensas.
Notas iniciais
_ Vamos Amy! _Judite gritava e isso já estava me dando nos nervos. _ Você está parecendo uma sedentária. Eu não te treinei todos esses meses para isso!
_ Eu estou correndo há quanto tempo? 2 horas? _ eu estava ofegante, mas não parava de correr. _ Por favor, 15 minutos de descanso.
_ Tudo bem, mas você sabe que quando estiver em guerra, não terá nenhum descanso. _ Judite advertiu.
_ Obrigada, obrigada, obrigada! _ beijei seu rosto e sai.
_ Menos, por favor. _ eu estava muito longe para respondê-la.
Pessoas normais procurariam um lugar para deitar e descansar, tirar um cochilo e refrescar a mente. Mas de normal eu não tenho nada, nem neste caso. Segui para a área aberta, onde todo o exército treinava. Ri, lembrando de Louis querendo entrar para o exército, mas deixá-lo se arriscar dessa maneira estava fora de cogitação. Fui bem clara em relação a isso: só poderiam entrar para o exército homens com mais de 18 anos de experiência em batalha, e mulheres com o mesmo conceito, mas sem filhos.
Jason tem se dedicado ao máximo em seu trabalho, assim como Kendall e Logan. Peter e Alice treinam a maior parte do dia, treinam tanto que hoje fugiram de Judite. Era impossível eu sair dessa rotina, a marcação sobre mim é enorme. No caminho fui cumprimentada por diversos guerreiros que, assim como eu, estavam descansando.
A alguns metros de mim, Alice travava uma luta com um garoto novato.
_ Hey, Alice. _ gritei. _ Pega leve!
_ Esse não é o meu lema! _ ela gritou como resposta.
Continuei ando em meio à multidão. O exército tem dado resultados bons, e em uma noite tranqüila, me peguei pensando que talvez pudéssemos ganhar.
Peter ensinava um grupo como enganar o adversário. Decidi não atrapalhá-lo. Meu avô consertava algumas armas e minha avó servia comida para os guerreiros. Louis estava com Jason, ele parecia olhar um mapa.
_ Oi. _ disse assim que me aproximei deles.
_ Ah. _ Jason percebeu a minha presença. _ Você não devia estar treinando?
_ Eu mereço um descaso, Jason. _ debochei. _ Tenha piedade de mim.
_ Tudo bem, minha piedade é toda sua, gata. _ ele sorriu.
_ Gata? _ Louis estranhou. _ Você não devia gostar de cadelas? _Rimos.
_ Digamos que eu sou um lobo fora dos padrões. _ Jason respondeu.
_ Que seja! _ ele deu de ombros. _ Quer ver o que Jason está me ensinando, Amy?
_ Mas é claro. Fale.
_ Ele me mostrou qual será a marcação do exército durante a batalha. _ apontou para um ponto à frente. _ Você, Peter e Alice ficaram aqui. Ele me ensinou as características de cada grupo, elas que definem a posição deles.
_ É interessante. _ respondi. Louis parecia fascinado com tudo isso.
_ É. _ ele olhava para algum lugar sobre o meu ombro. _ Seu namorado está vindo. _ ele não tinha uma expressão muito boa.
Olhei para trás e Peter vinha em nossa direção. Estava suado e a armadura toda suja. Seu sorriso era o que mais encantava, e automaticamente, abri um também.
_ E ai gente. _ Peter envolveu a minha cintura. Aquele não era o momento para uma proximidade maior, ele sabia disso. _ Tudo certo, Louis?
_ Claro. _ Louis foi gentil. _ Jason acabou de me ensinar posições de batalha. Que tal você me ensinar alguns golpes agora? _ ele estava com um olhar desafiador. _ Precisa me paparicar para poder ficar com a minha irmã.
_ LOUIS! _ mas o que ele pensa que está fazendo? _ Não me faça pagar esse mico, por favor!
_ Calma, Amy. _ Peter estava rindo. _ Vamos lá, você vai adorar os golpes que eu vou te ensinar.
_ É isso ai cara! _ Louis desceu da mesa onde estava sentado e seguiu Peter.
_ Por quando tempo eu vou ter que aturar isso? _ perguntei.
_ Eu não sei. _ Jason respondeu. _ Mas sei que você precisa treinar. Que tal treinarmos juntos?
_ Me parece uma boa idéia. _ respondi.
xxx
Treinei com Jason a tarde toda, e Judite foi severa com ele também. Alice se juntou a nós e percebi que se arrependeu depois.
Judite nos deu um descanso no começo da noite, mas avisou que amanhã seria ainda mais puxado. Peter não voltou para treinar conosco e eu estranhei.
Nossa relação não podia ser dita como namoro, até por que ele nunca me perguntou se eu aceitaria, mas estávamos muito próximos. Com os treinamentos, não podíamos ficar juntos o dia todo, mas sempre que dava nos encontrávamos.
Depois de um banho fui até a cozinha e achei um pedaço de bolo abandonado. Quem deixaria uma coisa tão gostosa abandonada dessa maneira? Peguei um garfo e experimentei. Chocolate!
_ Que tal pegar esse bolo e levar para o nosso piquenique? _ Alice chegou.
_ Isso é chocolate! _ eu ignorei completamente o que ela havia dito. _ Tem chocolate aqui!
_ Você acha que o cacau brotou do nada no mundo dos humanos? _ ela me olhava como se eu fosse idiota.
_ Tem plantações de cacau aqui? _ eu estava maravilhada.
_ É claro que tem, Amy! Deixa de ser tapada! _ ela pegou o bolo. _ Agora vamos?
_ Ah... Piquenique... Claro. _ respondi de boca cheia.
As ruas da aldeia estavam calmas, crianças brincando enquanto suas mães conversavam. Todos os que passam por nós nos cumprimentam, alguns crianças nos param e pedem abraços. Subimos uma colina e ao longe avistamos algumas luzes sob uma árvore, onde estavam Peter e Logan.
_ Vocês trouxeram bolo! _ Logan pegou o bolo da mão de Alice.
_ Acho melhor você deixar esse bolo para a Amy. _ advertiu ela.
_ Porque ninguém me contou que aqui tinha cacau? _ perguntei indignada. Sentei-me ao lado de Peter.
_ Isso era necessário? _ Peter fez uma expressão de desentendido.
_ Muito. _ dei um selinho nele.
xxx
Depois de comermos nosso jantar à lá piquenique, fomos visitar as plantações de cacau. Alice contou que a mãe dela é a doceira do vilarejo e que ela usa o um pó fornecido pelas fadas para poder dar um sabor melhor para o chocolate, por isso o gosto diferenciado. Um dia irei fazer uma visita para a Senhora Harisson. Peter contou que o cacau também era usado pela Senhora Hayes em alguns remédios. Percebi o quanto eu estava desenformada.
Algumas fadas passam por nós e eu fiquei admirada com a beleza de cada uma. Uma delas pousa em minha mão e para poder enxergá-la melhor levantei a mão em uma altura perto do rosto. Ela era incrível e tinha um brilho magnífico.
_ Vocês combinam. _ Peter falou, tirando toda a minha atenção da pequena criatura.
_ Ela é linda. _ voltei-me para a fada. Diferente das outras, ela tinha uma cor peculiar, era dourada, mas às vezes sua cor ficava mais clara, quase branca, e mais escura. O brilho era mil vezes mais forte que das outras. Era hipnótico.
_ Amy. _ chamou Alice. _ As outras fadas estão indo embora. Deixe-a ir também.
_ Ah, claro. _ a pequena fada me deu um leve aceno e levantou vôo. Eu fiquei observando até ela sair do campo de visão.
_ Está na hora de irmos. _ disse Logan. _ Aposto que Judite vai maltratar a todos amanhã.
_ Eu nem acredito que faltam dois dias para a nossa jornada começar. _ Alice nos trouxe para a realidade. Ficamos em silêncio por um instante. Eu não sei o que estava passando na cabeça dos meus amigos, mas na minha, era medo.
_ Vamos nos sair bem. _ eu estava tentando ser o mais pessimista possível.
_ É claro que vamos. _ Peter me abraçou.
Seguimos para mansão em silencio. Alice e Logan caminhavam a nossa frente e eu fiquei admirando o romance de mais de 100 anos. Eles não se abraçavam em público, trocavam carícias e olhares românticos, tudo discretamente. Alice uma vez me dissera que na época dela era uma falta de respeito um casal ter intimidades, como o beijo, no meio dos outros. Eles deviam ter casado há muitos anos, mas ambos deram prioridade ao destino, a guerra. Alice queria uma família, ela não negava, mas queria uma família que nascesse na paz, não em meio a toda essa confusão. Olhando eles ali, na minha frente, de mãos dadas, sorrindo, me permiti acreditar que possa haver uma esperança de uma vida normal do meio de tudo isso. Uma esperança de o amor vencer.
Despedi-me do casal assim que entramos no salão da mansão. Peter ia se despedir de mim, mas eu um gesto silencioso eu segurei sua mão e sorri. Ele sabia que eu queria que ele ficasse.
Ninguém estava acordado, por isso tomamos muito cuidado para não fazer barulho.
_ Louis não está aqui. _ disse Peter assim que entramos no meu quarto.
_ Ele não dorme aqui desde ontem.
_ Ele é um menino legal. _ se sentou e encostou-se à cabeceira da cama. _ E um irmão muito ciumento.
_ Me desculpe. _ eu estava sem graça pelos atos do meu irmão. _ Me desculpe por qualquer coisa que ele tenha feito você passar.
_ Eu não importo. _ ele gesticulou para que eu possa sentar do seu lado. Ele se envolveu com seus braços e eu coloquei a cabeça em seu ombro. _ Eu entendo que ele quer o melhor para você.
_ Ele quer se aproveitar do que você tem a oferecer. _ ri.
_ Quero provar para ele que eu posso ser um ótimo namorado para a irmã dele.
Eu me ajeitei e olhei dentro dos seus olhos.
_ Você tem que provar isso para mim. _ fiz uma pausa. _ Alias, você já provou.
Peter abriu um imenso sorriso. Meu coração acelerou.
_ Será que essa seria uma hora ruim para te pedir oficialmente em namoro? _ a afirmação me pegou de surpresa. Esperava por tudo, menos por isso. Isso era o que eu queria, mas não era o certo a ser feito, não quando estávamos prestes a entrar em uma guerra. Se bem que pode acontecer algo a um de nós, e se isso acontecer, não teremos aproveitado o pouco que me restou ao lado de Peter. Ninguém vai achar isso certo, mas não me importo, eu vou. Na minha cabeça, neste exato momento, nada me parece mais certo do que Peter e eu.
_ Não haveria hora melhor. Finalmente eu vou posso dizer sim._ O sorriso que se formou em meus lábios foi interrompido por um beijo. O beijo de Peter. O contato entorpecia meus sentidos. Suas mãos deslizaram pelas minhas costas, cheias de ternura, e envolveram minha cintura, como se o lugar dela fosse ali, e de fato era. Joguei meus braços ao redor do pescoço do meu namorado, desejando que nunca mais precisássemos sair dali. Peter permite que uma de suas mãos saia de minhas costas e deslizem até meu ombro, e então até meu rosto.
_ É tão bom poder te chamar de minha Amy...
_ Você sempre chama. _ Sorri.
_Não. Não que eu me lembre. _ Ele fitou-me, confuso.
_ Sempre que você faz assim._ Retirei as mãos de seu pescoço e assentei sobre as suas próprias mãos. Guiei-as até minha cintura, do jeito que ele sempre fazia quando parava perto de mim. _ Você declara pra quem quiser ouvir que eu sou tua, Peter. E eu sou.
Peter me beijou mais uma vez. Um leve selinho.
_ E depois quer dizer que não é boa com palavras._ Zombou.
Depois ele me disse que teríamos mais trabalho no dia seguinte, e que uma boa noite de sono me faria bem. Depositou um beijo sobre minha testa e saiu do meu quarto, me deixando sozinha com meus pensamentos.
Não tive pesadelos. Sonhei com Peter, com flores e fadas... E chocolate, havia muito chocolate.
xxx
_ Descobri o que você tem, Amy. _ Safira tirou eu e Peter da cama cedo. Estávamos no pequenos hospital da senhora Hayes. _ Você está realmente enfeitiçada.
_ Quem fez isso? — perguntei. Peter segurava a minha mão.
_ Alguém que quer impedir a sua vitória.
_ Essa maldição vai me acompanhar para o resto da vida? _ eu estava com medo, muito medo.
_ Não. _ Safira deu um sorriso reconfortante. _ Eu e Alice podemos quebrar esse feitiço. Mas isso dará a você alguns efeitos colaterais.
_ Faço tudo para tirar isso de mim.

Os escolhidos.
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