Don't Stop Dream
8 Paintball.
Notas iniciais

Demorou, mas eu consegui dormir. O sonho que tive não foi dos melhores. Estava em uma cidade de aparência antiga, foi o que eu consegui perceber, pois ela estava em chamas. Um bando de crianças me agarrou e imploraram para que eu fosse salvar seus pais, eu não sabia se era realmente isso que devia ser feito, mas fui. Olhei para aquelas crianças, por baixo das cinzas se escondiam roupas que pareciam ser da época medieval, homens passavam a todo vapor em cima de seus cavalos. Cheguei enfrente a casa, as crianças estavam desesperadas. Quando eu estava entrando passei por um espelho quebrado que ainda não havia sido atingido pelas chamas, estava vestindo uma armadura, ignorei o fato e segui em frente. Ouvi gritos da parte onde as chamas já haviam destruído tudo, se não fosse um sonho podia até considerar isso um milagre, quem quer que esteja gritando não estaria mais vivo. Isso é só um sonho, que não vou me queimar se entrar nas chamas, pensei e foi assim que eu fiz, segui na direção do grito. Das chamas surgiu uma criatura horrível, um demônio com o rosto totalmente desfigurado e uma manta preta intocada pelo fogo. Eu queria correr, gritar, mas não consegui me mexer. Ele se aproximou cada vez mais, parece que trazia com ele o fogo, pois o calor ao meu redor começou a ficar mais intenso.
_ A doce Amélia Cowell – disse ele – A escolhida. A escolhida para proteger o mundo do mal.- ele fez uma pausa. – Seria uma pena se você morresse e deixasse a humanidade em tempos terríveis, não seria? Seria uma pena eu matar A ESCOLHIDA, mas seria uma pena ainda maior ela ver quem ama sofrer antes de morrer.
Eu queria falar, mas não conseguia. Eu sentia uma dor e um calor imenso no corpo. O demônio saiu da minha frente e eu o vi, Peter. Ele estava amarrado um tronco, estava sendo engolido pelas chamas. O demônio sumiu e agora o fogo estava ao meu redor, eu e Peter estávamos sendo queimados.
_ Améliaaa – a voz de Danielle estava me acordando – É só um sonho Amy, acorda!
Eu estava tonta, alguém segurava as minhas costas me ajudando a me sentar na cama, minha garganta estava seca e eu estava pingando de suor. Quando consegui focar minha visão vi Danielle e Bianca, olhei para o lado, Elizabeth estava me ajudando a sentar.
_ Amy – falou Bianca – Você estava tendo um pesadelo.
_ Estava gritando que nem uma louca. – completou Danielle.
_ Estava gritando também o nome de Peter. – disse Elizabeth.
Percebi que eu estava chorando e tremendo.
_ Tin... Tinha um de... Demônio – eu não consegui achar as palavras – Era horrível. Peter... Peter e eu estávamos sendo queimados.
_Foi só um pesadelo Amy – disse Danielle me ajudando a levantar – Vamos tomar um banho e tentar dormir de novo.
Tomei um banho sozinha, mas Danielle ficou no banheiro o tempo todo comigo. A água me fez acalmar. Bianca estava certa, era só um pesadelo. Voltei para cama e deitei, mas não consegui dormir. Decidi não incomodar mais as meninas, elas tinham acordado no meio da noite com os meus gritos. Fiquei quieta na minha cama até dar a hora de levantar.
xxx
Eu e Danielle nos despedimos de Bianca e Elizabeth e fomos para nossa primeira aula. Danielle não me perguntou nada sobre o sonho, o que foi bom, não queria falar disso.
Entramos na sala, Peter, Rup e Joe estavam sentados nos fundos.
_ Ontem nós não vimos o Joe – disse Danielle.
_ Tem razão – concordei. Realmente em nenhum momento vimos o Joe ontem.
Nos aproximamos deles e sentamos.
_ Oi meninos – disse.
_ E ai – eles responderam.
_ Joe – falou Danielle – Por onde andou ontem?
Ele não respondeu, mas estava com um sorriso bobo.
_ Bianca não contou a vocês? – disse Peter rindo.
_ Então é por isso que ela estava toda feliz ontem? – disse Danielle.
_ Ela estava toda feliz ontem? – perguntei.
_ Você estava tão interessada no seu encontro que nem viu né Amy? – debochou Peter.
_ Já falei para você ir se ferrar Peter – disse.
_ Aé Amy – disse Rup – Seu namorado estava te procurando. – ele riu.
_ Chegou aqui perguntando – Peter raspou a garganta – Vocês viram a minha Deusa? – disse ele imitando a voz de Fred.
_ Fala sério – bufei – Agora ele vai ficar no meu pé.
_ Você que escolheu dar esperanças pro menino. – disse Danielle.
Nos viramos para frente e começamos a assistir a aula.
Na hora do almoço seguimos para o refeitório todos juntos, arrumamos nossa comida e fomos nos sentar. No caminho avistei a mesa do meu irmão, Fred estava com ele.
_ Vão indo – disse – Vou terminar um namoro – falei debochando.
_ Pega leve com ele. – disse Peter.
_ Pode deixar. – falei.
Fui para mesa onde se encontrava garotos de todos os tipos, dentuços, sardentos, cabeludos e Fred, uma criatura que eu ainda não consegui distinguir. Fred era fino, usava os cabelos molhados para trás e sempre estava bem arrumado, tinha uma postura impecável. Quando ele me viu abriu um imenso sorriso.
_ Oi meninos – falei assim que cheguei na mesa.
_ Oi – todos responderam menos Louis e Fred.
_Minha musa! – Fred se levantou e me abraçou.
_ É verdade que vocês estão namorando? – perguntou Louis com cara de nojo.
_ Não – me virei para Fred – E é sobre isso que eu quero falar com você. Vamos nos sentar lá fora?
_ Claro – ele disse – Faço o que você quiser.
Louis revirou os olhos.
Fomos para um dos bancos do lado de fora da escola. Estava pensando no que eu falaria para um menino de apenas 11 anos que só estava apaixonado.
_ Fred – disse.
_ Sim – ele respondeu.
_ Fiquei sabendo que você esta falando por ai que eu sou sua namorada– falei com a voz mais calma que eu consegui – Nós não somos namorados, somos apenas amigos.
Ele fechou a cara.
_ Mas pensei... – ele estava se segurando para não chorar – Pensei que depois de ontem poderíamos nos conhecer melhor.
_ Fred, eu não sou a garota certa para você – disse – Sou muito mais velha e não posso corresponder o seu sentimento.
_ Você gosta daquele garoto bonitão – ele falou com uma voz grossa – Não gosta de mim só porque não sou bonito. Você não merece meu amor!
Ele falou isso e saiu sem ao menos ter pegado sua comida. Fiquei olhando ele ir embora e me senti mal. Decidi não voltar para dentro do refeitório. Peter e Danielle vieram falar comigo. Contei a eles toda a minha conversa com Fred, eles não sabiam nem o que me dizer, eles também não tinham que falar nada.
Já senti o que Fred esta sentindo agora, Connor falou comigo da mesma forma que eu falei com Fred, a única diferença foi que eu não espalhei para todo mundo que eu era sua namorada, ninguém além Danielle sabia do meu sentimento por ele.
Tivemos aulas depois do almoço e quando elas terminaram Danielle e Rup inventaram um jogo de paintball para me animar. Esperamos Bianca e Elizabeth saírem da aula e pegamos dois jipes, meninas em um e meninos em outro. O campo de paintball ficava dentro to território do WC, mas um pouco distante do prédio principal. Danielle dirigia, até fora das rodovias ela conseguia ser a maior barbeira, eu e as meninas nos segurávamos aonde dava enquanto gritávamos. Do outro jipe, os meninos só riam.
Nos equipamos e entramos no campo. Tentamos criar um jogo emocionante, mas a organização é pouca, era cada um por si. Era uma espécie de Jogos Vorazes, quem sobrasse sem nenhuma gota de tinta seria o vencedor.
Eu estava andando atrás de um monte de feno quando escutei alguma coisa, alguém estava se aproximando. Dei uma espiada para tentar saber quem é mais não consegui ver ninguém. Me ajoelhei apontando a arma da direção do som tentando fazer o mínimo de barulho possível e deu certo, era Bianca! Ela pensava que eu estava despreparada então foi espiar no exato momento que eu atirei com tudo. Me levantei e ela caiu no chão, continuei atirando.
_ Para Amy – ela gritava – Você venceu! – ela também ria.
_ Quantos você já atingiu? – perguntei ajudando ela a se levantar.
_ Só o Joe – respondeu.
_ Poderes de sedução? – ri.
_ Isso ai. – ela respondeu.
Segui para mais um esconderijo, um carro. Me escondi na mala quando vi que Danielle vinha na direção do carro. Ela entrou e se abaixou. Levantei e espiei, eu iria atingir a minha melhor amiga. Estava preparada para atirar quando Rup entrou no carro.
_ Oi gata – ele disse.
_ Rup! – disse Danielle assustada.
_ Está correndo de mim por quê? Não vou atirar em você. – Ele disse colocando a mão na nuca dela e a puxando para um beijo. Fiquei olhando aquela cena romântica, Danielle era uma ruiva traiçoeira e eu sabia exatamente o que ela ia fazer, e ela fez. Rup estava muito perto dela, estavam quase se beijando quando Danielle atirou.
_ Isso é roubo! – gritou Rup, rindo.
_ Isso é um jogo Baby – disse ela saindo do carro.
_ Mas que menina difícil. – disse ele pensando alto.
Danielle voltou para o carro para se esconder e então eu vi minha chance. Preparei minha arma.
_ Oi Dani – disse.
No momento que ela olhou eu atirei.
_ Amy... – disse ela enquanto eu atirava. – Aw que raiva.
_ Bem feito! – disse Rup.
Dani o fuzilou com os olhos.
_ Agora só resta você, Elizabeth e Peter – disse ela se virando para mim.
_ Ok – disse saindo da mala do carro. Me escondi atrás de uma parede de tijolos, nem sinal dos meus adversários. Continuei ali por mais um tempo. De longe avistei Elizabeth correndo, logo atrás dela vinha Peter. Ele não vai conseguir nada, não tem mira, pensei. Estava errada, ele conseguiu! Agora só restava eu e Peter.
Avistei um monte de feno perto de mim e uma sequencia de esconderijos que me ajudariam muito.
_ Peter! – gritei.
Ele estava vindo na direção do muro. Passei para o próximo esconderijo.
_ Amy! – disse ele assim que chegou ao muro. – ÃN? Amy?
Passei para o próximo esconderijo, um cano imenso.
_ Peter! – gritei – Estou aqui.
Sai do cano e fui para mais um monte de feno. Ele passou pelo primeiro monte e atravessou o cano.
_ Amélia – ele disse – Você sabe jogar bem.
_ Eu sei – passei para o próximo esconderijo.
Ele me seguiu. Continuei com o jogo e percebi que estava fazendo ele andar em círculos. Quando ele também percebeu foi para o centro do circulo aonde havia apenas um cone.
_ Tudo bem Amy – ele levantou as mãos com a arma. – Eu desisto.
Eu estava dentro de um carro e de lá pude perceber a sua expressão, ele estava tramando alguma coisa. De dentro do carro mesmo mirei nele, errei! Ele descobriu meu esconderijo e foi atrás de mim. Sai do carro correndo, e tentei me esconder, mas ele era rápido, minha sorte que ele tem pouca mira.
Desabei no chão estava suando e muito cansada.
_ Vai – disse- Pode atirar, eu desisto, sério! – joguei a arma para o lado e esperei ele atirar, nada aconteceu.
_ Não – ele disse – Quero uma luta digna, não vou atirar em você caída ai, pega a arma.
Eu peguei a arma e ele se sentou do meu lado esperando eu recuperar o fôlego.
_ Danielle me contou sobre o seu sonho – ele disse.
_ A... – Por que ela fez isso?! – Não foi um sonho dos bons, mas deixa para lá, não quero falar disso.
_ Entendo – ele fez uma pausa – Olha que irônico, somos adversários e estamos conversando no meio de uma luta.
_ Tem razão – ri.
Apontei a arma para ele, mas ele foi mais rápido. Deitei no chão ele estava em cima de mim com a arma a pontada para minha barriga, pegou minha arma e jogou longe.
_ Desculpa Amy – ele disse com um imenso sorriso e atirou.
Doeu, é claro que doeu! Mas ele deu apenas um tiro, meu colete estava sujo de amarelo.
Todos vieram dar os parabéns para Peter e como premio, ele não teria que fazer as tarefas do quarto por um mês. Danielle, como sempre, achou que estávamos muito limpos então decidiu que uns tiros não iam fazer mal. Voltei para o jipe parecendo mais uma aquarela.
Nos dividimos para ir embora por que ninguém no meu carro queria dirigir. Danielle foi com Rup, Joe e Bianca, no meu jipe foi eu, Elizabeth e Peter. Eu e Elizabeth caímos no sono.
Acordei sentindo braços envolta das minhas costas e das minhas pernas, olhei para cima, Peter! Ele estava me carregando. Joe, Elizabeth e Bianca vinham logo atrás conversando, Danielle estava pendurada nas costas de Rup.
_ Dormiu bem heim – disse Peter.
_ Verdade – dei uma pausa – Sem sonhos ruins.
_ Que bom – ele deu um sorriso.
_ Pode me colocar no chão. – falei.
_ Pode deixar – ele disse – Já estamos chegando.
Olhei pra frente o dormitório já estava perto.
Assim que chegamos, Peter me colocou no chão.
_ Espero que não tenha pesadelos hoje – disse ele colocando a mão no meu rosto.
_ Obrigada – disse olhando fixamente para ele. – Eu também espero.
Ele me deu um beijo na bochecha e foi embora para o pavilhão masculino com os outros.
No quarto, depois de termos tomado um banho e tirado a tinta do corpo, Bianca nos contou que matou aula para ficar com o Joe, mas tudo que aconteceu foi um beijo. Falamos também de Rup e Danielle, estava na cara que um clima forte estava rolando. Elizabeth contou que tem um amor, mas que o deixou na sua antiga cidade.
_ E você e o Peter, Amy? – disse Elizabeth se voltando para mim.
_ Ãn... Eu e o Peter?! Não esta acontecendo nada. – disse sem graça.
_ É claro que esta! – disse Danielle. – Vocês vivem se encarando, olhares intensos.
_ Não esta acontecendo nada, Ok? – disse tentando sair do assunto.
_ Ih , Ok! Ela não quer assumir. – disse Danielle.
Todas riram.
Eu me deitei e dormi. Não tive pesadelos, mas sim um sonho maravilhoso, estava nos braços de Peter em um campo cheio de flores.
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