Don't Stop Dream
6 "Apesar de tudo, eles são a sua família." Parte 1
Notas iniciais
Acordei triste, não queria de jeito nenhum abandonar aquele sonho.
Olhei para o relógio, 5:00h! O dia estava amanhecendo, a primeira aula seria as 7:00h. Nos outros anos eu estava acostumada acordar cedo, ia até uma conjunto de árvores um pouco distante da escola, havia só um banco lá, sentava e espera dar a hora da primeira aula. Gostava de ficar sozinha.
Peguei meu uniforme e tomei um banho. O uniforme do WC era tipico de um internato; camisa social branca e gravata preta; para as meninas saia listrada com uma mistura de preto e cinza. Meia branca e sapatilha preta. Um blazer preto com um broxe da WC, nele havia um corvo, o simbolo da escola. Peguei minha mochila e sai do quarto sem fazer nenhum barulho.
Alguns alunos já estavam acordados. Passei por um casal de namorados que se beijava ferozmente em um dos bancos. Fui me aproximando do conjuntos de árvores, o banco ainda estava lá. Me sentei e peguei meu livro, mas não consegui ler.
Os pensamentos sobre minha vida estavam me incomodando. A conversa sobre o tal Eplitórogo ontem com Peter me fez questionar mais meus avós. Por que meu vô queria me dar aquilo e por que Peter ficou tão assustado com o cordão?
Olhei para o prédio principal e tive uma lembrança, minha mãe. O sonho dela era dar aulas no WC, era professora de literatura. Na semana em que foi chamada, ela morreu. O diretor Sullivan foi a minha casa um pouco depois que ela faleceu e me ofereceu uma bolsa integral, disse que o dono da WC queria muito que eu fosse uma de suas alunas, é por isso que eu me interesso tanto em saber quem é esse homem. Quando Louis foi para a quinta série meu avô fez de tudo para conseguir uma bolsa integral para ele também, mas tudo que conseguiu foi uma de 50%. Ele paga uma fortuna mesmo sendo apenas a metade. Da onde ele tira todo esse dinheiro?, pensei. Vovô mandava uma quantia razoável todos os meses para o meu pai enquanto ele estava no Brasil, portanto, somando com a mensalidade da escola, o dinheiro que sobrava para ele e minha avó era muito pouco. Por que ele faz isso? Quer dizer, ele não tem obrigação nenhuma com nos. Louis tem razão, não é justo ele gastar tanto conosco.
_Irmã? — a voz de Louis vinha logo atrás de mim.- O que está fazendo aqui tão cedo? — disse ele se aproximando mais.
_Nada. Só pensando na vida. — disse assim que ele sentou ao meu lado. Eu o abracei.
_Pensando na vida, no quanto ela é estranha? — disse ele, rindo.
_ Isso ai — ri também — também acha ela estranha né? — perguntei.
_ Não, nossa vida não é estranha. — ele fez uma pausa. — nosso pai que é totalmente fora do normal.
Ele esta coberto de razão. Uma vez quando estava contando sobre os meus problemas para Danielle ela me perguntou o que eu sentia pelo meu pai. Respondi amor, mas também passou pela minha cabeça que eu sentia raiva por ele ser tão anormal, mas não achei que era realmente isso que eu sentia. Hoje, eu tenho certeza!
Eu e Louis ficamos conversando sobre o jeito de Danielle, ele acha ela totalmente sem vergonha, e esta certo, ela não tem um pingo de vergonha na cara.
7:00h. Normalmente ficaria triste por ter que ir para a aula, mas hoje, vou assistir a a aula com uma ótima companhia, Peter.
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