Don't Stop Dream
28 Alice e seu estranho comportamento.
Notas iniciais
_ Eu quero que você se cuide e sempre que um mensageiro vier o mande trazer noticias de você. – minha avó repetia mais uma vez tudo o que eu deveria fazer enquanto estivesse longe da minha família. Ela estava com uma expressão descontrolada. – Quero saber como você está, sempre!
_ Tudo bem vovó. – acariciei o seu braço. – Quero que me mande informações também.
_ Pode deixar. – uma lágrima escapou e eu pude perceber que a durona Eloise Halle estava em um momento de fraqueza. A única coisa que eu consegui fazer foi abraçá-la.
Dormi bem essa noite, por incrível que pareça. Peter permaneceu comigo a noite toda e com a chegada da manhã foi para sua casa para poder se despedir dos irmãos. Senhor e Senhora Hayes vão nos acompanhar na jornada, assim como o meu avô que ficará responsável pelas nossas armas.
Agora no meu quarto, abraçada com minha avó, eu senti medo, chegou a hora.
_ Amy. – Alice entrou no quarto. – Precisamos ir.
Eu assenti e dei um sorriso gentil para a minha avó, que agora chorava como eu nunca tinha visto. Aproximei-me da janela e vi a bagunça que estava lá embaixo, o exercito já caminhava para a saída do vilarejo e os lideres estavam cumprimentado a todos na praça principal. Como eu queria ir embora sem ser vista, pensei.
Em silêncio eu, Alice e vovó descemos as escadas. No salão principal Louis estava abraçado ao meu pai, ele estava chorando.
_ Não quero que você chore. – falei assim que me aproximei dos dois.
_ Tudo bem. – ele fungou. – Lembre-se que prometeu que voltaria.
Sim, eu prometi, eu me lembro muito bem. Como eu pude ser capaz de afirmar algo que eu não tenho certeza? O que acontecerá se eu não voltar?
_ Eu me lembro. – falei.
Quieto Louis me abraçou. Senti algo estranho em minha barriga, onde o peito do meu irmão batia, ao se afastar pude ver que era Perebas.
_ Faça companhia para o meu irmão. – falei ao pequeno animal. Eu fiquei quieta, acho que com tantas coisas incríveis acontecendo na minha vida, pensei que o rato iria me responder.
Louis sorriu e eu fiquei feliz por isso.
Meu pai estava calado, com aquela expressão de quem não sabe o que fazer. Ele caminhou em minha direção em paços lentos, isso fez com que eu ficasse impaciente, eu queria abraçá-lo logo.
_ Não sei o que dizer. – falou.
Eu o abracei e não pude evitar que as lágrimas escapassem.
_ Não diga nada. – falei entre soluços. – Só prometa que vai se cuidar, por favor.
_ Eu prometo minha filha. – ele olhou nos meus olhos verdadeiramente. – Eu prometo.
Havia uma pequena caixa em sua mão, o que me chamou atenção. Quando meu pai percebeu, pareceu ficar sem graça, mas estendeu a caixa e disse:
_ Para você.
_ O que é? – sorri curiosa.
_ Abra. – ele também sorriu. – Não é um presente grandioso, mas significativo. – explicou.
Eu sequei minhas lágrimas e me atrevi a abrir.
A caixa era rocha, tamanho médio, de veludo, não era pesada; e a minha curiosidade estava em alta. Abri lentamente, desviei o olhar e sorri para o meu pai. Era a alga que ele achará no Brasil quando tudo ainda era normal, a alga que não possuía as mesmas características que as outras: Era um verde desgastado, mas sua textura era grossa, com a superfície cheia de bolinhas, que era como carinho em nossas mãos quando as passamos sobre a alga, simplesmente diferente.
Na parte da tampa havia um papel que dizia o seguinte:
Topos filcks, alga originada dos mares que banham o leste. Caracterizada pela imensa capacidade de anestesiar temporariamente qualquer espécie quando ingerida. Está presente nos anestésicos e em poções simples.
_ Você estava certo! Essa alga era diferente! – eu fiquei assustada, mas ao mesmo tempo feliz. Meu pai conseguiu, finalmente ele conseguiu.
_ É, eu pesquisei bastante por aqui também. – ele fez uma pausa. – Quero que fique com ela.
_ Não pai, eu não posso aceitar. – estendi a caixa. – É sua, é a comprovação do seu sucesso.
_ Não preciso comprovar nada a ninguém, Amy. – ele segurou a minha mão. – Quero apenas que você tenha certeza disso, não para mostrar a você que eu consegui, mas sim para você poder se lembrar de mim. Achei que esse seria o presente perfeito.
_ É sim pai. – sorri e o abracei mais uma vez. – É perfeito.
xxx
A multidão me cercava enfurecida, mas pela primeira vez aquilo não me importou, a imagem da minha família sendo deixada para trás me trazia um sentimento novo e a inspiração para dar o meu melhor e proteger aqueles que eu amo.
Na entrada da vila meus amigos e boa parte do exercito nos esperava. Uma parte do exercito seguiria a nossa frente e a outra atrás. Minha armadura estava pesada, mas o peso agora se tornou algo normal, eu estava acostumada. Fiquei feliz em saber que Thor me acompanharia, mas a maior parte da jornada seria feita em terra.
Um pouco longe de mim avistei meus avós se despedindo, lembrei-me do retrato que víamos todas as vezes que sentávamos no sofá da casa deles, dois jovens alegres e apaixonados. Nada mudou, só que agora a alegria foi substituída pelo medo e a tristeza. Meu avô se afastou e pude perceber que minha avó chorava e mais uma vez me peguei desaprovando a decisão do vovô de vir comigo, mas nada e nem ninguém mudaria essa escolha.
Eu não conseguia prestar atenção na festa que faziam a minha volta e nem sei como estava acenando e cumprimentado as pessoas, tudo estava tão confuso.
_ Amy, Amy! – Peter me chamava. – Amy! Tudo bem?
_ Ah... Eu estou bem. – dei atenção a ele.
Olhei a minha volta e busquei por rostos conhecidos, Logan e Jason não estavam lá.
_ Onde esta o Jason? – perguntei.
_ Klaus optou por mandar os dois como comandantes do primeiro exercito. – Alice ajeitava a armadura ao meu lado. – Devemos enconta-los no vilarejo do leste, ou quem sabe, antes.
_ Essa decisão não teria que ser minha? – questionei.
_ Por quê? – ele não estava gritando, mas eu pude ver a alteração na sua voz. – Você escolheria que o Jason ficasse conosco?
_É! Eu queria que ficássemos todos juntos. – tentei falar no mesmo tom de voz que ele. – Algum problema?
_ Gente, por favor! – Alice nos interrompeu antes que Peter pudesse responder. – Isso não é hora para vocês discutirem.
_ Não estamos discutindo. – falei.
_ É... – Peter cruzou os braços e me olhou de canto.
_ Que seja. – Alice deu de ombros. – Ao trabalho.
Acenamos para as pessoas enquanto Judite e Kendall falavam sobre como seria a jornada, nada necessário. Despedi-me de todos da forma mais simples que consegui, Peter e Alice fizeram o mesmo.
Thor parecia feliz com a viajem, estava inquieto. Ele ficava encostando o focinho nas minhas costas enquanto Alice se despedia, eu me esforçava para segurar o riso.
Finalmente, depois de seguimos todos os protocolos, montamos nos nossos respectivos pegasus e acenamos pela ultima vez.
Os irmãos de Peter estavam com a minha avó. Luna estava aos prantos enquanto Peter fitava o horizonte para não ter que ver o sofrimento da irmã.
Percebi o quanto eu havia sido egoísta, em todo esse tempo pensei apenas em mim, em como essa jornada mudaria a minha vida. Mas agora, observando os dois irmãos que se amam naquele estado, vi o quanto era difícil para cada um que está no exercito e para todos aqueles que ficaram em suas casas esperando que o familiar volte vivo. O fato de eu ser a escolhida não muda nada as minhas características como espécie, não sou mais forte e nem melhor que ninguém.
Senti-me mal por ter me comportado como se eu fosse única, foi puro egoísmo.
_ Boa viagem guerreiros. – Klaus deu suas ultimas palavras e os pegasus, sem nenhum comando, começaram a seguir o caminho. Isso foi bom, se dependesse de nós nunca teríamos saído dali.
xxx
_ Será que o exercito já saiu de lá? – falei tentando quebrar o silêncio que estava entre nós.
_ An? ... Que... O que? – Alice estava quase dormindo em cima de seu pegasus.
_ O exercito... Será que Kendall já seguiu com eles? – aperfeiçoei a minha pergunta.
_ Provavelmente. – ela esfregou os olhos. – Já faz mais de uma hora que saímos?
_ Uma hora e meia. – respondi. – A água esta com quem?
_ Com o dorminhoco ali. – Alice apontou para Peter.
Ele estava deitado sobre a cela e abraçava o pescoço de seu pegasus, estava dormindo como um bebê. Nossas bolsas com os suprimentos estavam penduradas nas laterais do cavalo e eu decidi não pegar para não poder acordar Peter.
_ Depois eu bebo. – falei.
_ Os cavalos precisam de mais água que você. – Alice falou. – Te garanto.
_ Verdade, mas aposto que eu estou fedendo mais que eles!
_ Não é só você. – Alice cheirou a manga da sua blusa sob a armadura incompleta. – Oh! Não é só você mesmo!
_ Quando vamos tomar um banho? – perguntei entre risos. _ Não sei, só espero que encontremos um lago logo.
_ Já esta pensando em parar?
_ Não. – a conversa se tornou séria. – Logan disse que haveria um lago em nosso caminho e que lá seria um bom lugar para descansarmos, eles provavelmente passaram a noite às margens do lago. Somos capazes de chegar lá também.
_ Você tem razão. – eu não queria uma conversa séria, não agora. – Mas se precisarmos parar antes para descansar, teremos um bom vigia.
_ Esse ai vai ficar acordado a noite toda. – Alice pegou uma moeda e jogou em Peter.
_ An? Que? Chegamos? – Ele acordou assustado e com o rosto marcado por ter usado uma das bolsas como travesseiro. Não conseguimos segurar os risos e Peter ficou completamente sem graça.
xxx
A viagem foi extremamente cansativa, chegamos ao lago quando estava começando a anoitecer.
Durante o caminho paramos apenas para nos alimentar. Os cavalos também estavam de barriga cheia, mas precisavam descansar.
Alice sorria e parecia ansiosa. Sem pensar nas condições que se encontrava o seu pegasus ela saiu cavalgando pelas margens do rio, provavelmente a procura do exercito, mas precisamente de Logan. Peter e eu nos entreolhamos:
_Acho melhor levantarmos acampamento. – ele se aproximou, mas mesmo assim, estava distante.
_Eu sei. – fiz uma pausa. – Ela vai entender que estamos cansados.
Ele assentiu e, enquanto caminhávamos, passou o braço pela minha cintura. Um gesto simples, mas para mim era um alivio, foi o nosso primeiro contato como namorados hoje.
Estávamos montando a barraca quando escutamos sons de galopes. Por precaução peguei minha espada, mas não foi necessário, era apenas Alice voltando.
_ Eles não estão aqui. – ela desceu da cela as presas. – Será que aconteceu alguma coisa?
_ Você não encontrou nada? – perguntei.
_ Há pegadas seguindo para o leste. – respondeu apontando para a direção.
_ Eles seguiram viagem. – Peter deu uma resposta óbvia.
_ Não... – discordei. – Eles podem ter fugido de algo. Não é possível que eles tenham tanta disposição para seguir viagem depois desse dia tão cansativo.
_ Então podemos estar correndo perigo aqui?! – Peter se levantou e se pôs a arrumar nossas coisas para poder partimos.
_ Não! – Alice o interrompeu. – Talvez não. Logan é muito dedicado ao que faz, provavelmente ele quis prosseguir com a viagem. – ele esperou nossa resposta, mas continuamos calados. – Confiem em mim, eu o conheço melhor do que ninguém. Se estivéssemos correndo perigo aqui ele iria arrumar um jeito de nos avisar.
_ Tudo bem. – falei. – Mas por precaução, não acho que deveríamos vasculhar o local? – sugeri.
Eles assentiram. Pedi para Peter ficar e depois de muito esforço ele concordou. Assim que me virei para seguir, percebi que Alice já estava bem a minha frente.
(...) Vasculhamos todo o local em um raio de 500 metros, tudo parecia tranquilo.
Alice parecia pensativa, pensei em conversar com ela, mas a convivência com a mesma me fez aprender que nessas horas ela preferia ficar calada. Eu sabia o quando Logan e a sua companhia eram importantes para ela, afinal, eles ficaram anos sem se ver e essa batalha, que estamos prestes a enfrentar, pode ser decisiva. Mas eu também sabia o quando Alice esperou por esse momento – a sua vida inteira. – Eu não conseguia entender o por que do seu comportamento.
_ De fato não há nada aqui. – Finalmente ela se aproximou de mim. – Meus extintos não me dizem nada. Logan e o exercito realmente seguiram viagem.
_ Eles são incansáveis. – sorri fraco, mas eu sabia que nada ali era engraçado. – Teremos que ter muito “pique” para poder nos manter próximo o bastante deles.
_ Uma hora eles tem que parar. – Alice sentou em uma pedra e deixou sua espada de lado. – Eu estou cansada.
_ Eu também. Que tal voltarmos para o acampamento e tirarmos um cochilo? – sugeri. – Peter está descansado e como já combinamos, ficará de guarda.
_ Tudo bem. – Alice se levantou e se pôs a andar. Me perguntei mais uma vez o que diabos estava acontecendo e nem percebi que deveria segui-la. Ela parou assim que deu falta dos meus movimentos. – Você não vem?
_ Ah sim! Já estou indo.
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O fato de eu ter deixado Peter ficar de guarda primeiro foi motivo de festejo, ele fez piadinhas e disse o quanto estava feliz por eu estar caindo aos seus encantos. Foi um momento de descontração, tanto para mim quanto a Alice, mas durou pouco. A bela guerreia anunciou que precisava descansar e adentrou a barraca. Logo depois, eu fiz o mesmo.
Sonhei com Logan liderando um imenso exercito que estava pronto para atacar. Ao seu lado havia um imenso lobo, Jason.

Alice, seus olhos são mais encantadores do que as estrelas do céu. Beleza que deslumbra e coragem que inspira.
– Logan.
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