Don't Stop Dream

20 A verdadeira escolha.


Notas iniciais
Catnip voltou o/ A viagem foi uma máximo e voltei cheia de ideias. Decidi fazer todos os caps na companhia da Thayssa, acredito que nossas ideias juntas farão maravilhas rs Este capitulo foi escrito por nós duas. Boa leitura. - Catnip.

Fiquei muda, a negação presa na minha garganta. Seu olhar era tão intenso. Me fazia lembrar das pessoas que tinham sede e se de paravam com a bebida. Eu não podia dar uma resposta, precisava pensar. Tinha muito a considerar ainda. Eu não tinha certeza dos meus sentimentos, a única certeza que tinha era que Peter mexia comigo de uma forma inexplicável. Eu nunca havia me sentido assim, nem mesmo com Connor.

_ Peter... – eu buscava as palavras. – Eu...

_ Amy?! – a voz de Jason me interrompeu.

_ Jason. – Peter sussurrou, raivoso. Me virei para Jason, mas não soltei a mão de Peter, eu não tinha medo do que Jason poderia pensar.

_Oi Jason. – respondi.

_ Atrapalho alguma coisa? – ele estava com um ar provocativo.

_Atrapalha. – Peter fez uma pausa. – E muito!

Jason deu um sorriso de canto de boca.

_ Amy, eu atrapalho em alguma coisa? – ele ignorou completamente Peter.

Senti Peter dando um impulso para se levantar. Olhei para ele e coloquei a mão em seu ombro em um sinal para ele se acalmar.

_ Fale o que você quer Jason. – falei.

_ Meu pai quer você junto aos lideres para um brinde com toda a aldeia. Eles precisam de você, o motivo da paz. – Jason deu um sorriso de canto de boca.

_ Tudo bem. – disse – Já estou indo. – eu estava me virando para Peter quando Jason me interrompeu novamente.

_Toda a aldeia está te esperando. – insistiu.

Me virei para Peter, eu não conseguia decifrar o que ele estava sentindo agora. Seu olhar olha compreensivo, mas ao mesmo tempo cheio de ódio.

_Depois conversamos. – falei calmamente. – Está bem?

_ Tudo bem, pode ir. – Peter respondeu seco.

_Você não vem?

_ Já estou indo.

Peter agora não me olhava mais. Me senti mal. Dei um beijo em sua bochecha e levantei.

Enquanto caminhava em direção a Jason me virei para Peter novamente, ele nem se quer olhava para mim.

xxx

_Hoje é um dia mais que especial. – Klaus falava na frente de toda a população. Era um homem de presença. A cada dia me impressionava mais com a sua forma de governar. – Não devemos cantar vitória antes da hora, mas olhe só como os deuses nos abençoaram. Temos Amélia Cowell, a escolhida! – o povo vibrou – Silêncio, por favor. – Klaus pediu, o povo concedeu – É vibrante saber que temos chances de vitória, eu sei. É uma sensação magnífica. Amélia nos trouxe a paz e a esperança de sobrevivermos. – Klaus se virou para mim e sorriu, correspondi. – A trégua com os Guerreiros do Norte foi nossa maior vitória até agora e com toda certeza teremos muito mais pela frente. – Uma mulher veio com uma bandeja cheia de taças com um líquido estranho. Klaus pegou uma e ergueu. – A nossa vitória!

O alvoroço foi completo, cliques de taças batendo por todos os lados. A música voltou a tocar e a festa continuou. Todos começaram a circular novamente. A mulher trouxe a bandeja até mim e me ofereceu uma daquelas traças.

_ Não, obrigada. – falei. – Não posso beber.

Ela continuou oferecendo.

_ Ah, vamos lá Amy. – Jason chegou. – Beba. – ele estava risonho, acho que bebeu além da conta.

_ Eu sou de menor.

_ Bebe, vai gostar. – Jason pegou uma taça e me entregou. – Eu já volto. – ela saiu cambaleando pela festa.

Eu ri.

Meu olhar encontrou com o de Peter, ele estava com uma taça na mão também. Ele a ergueu em comprimento e bebericou. Eu fiz o mesmo, mas cuspi. Isso é horrível! Olhei novamente para Peter e ele estava rindo, mas sua expressão se fechou.

_Vamos dançar Amy? – Jason chegou por trás de mim.

_ Não, eu não danço. – estava sem jeito.

_ Ah, vamos lá. Não vai doer nada. – ele deu um sorriso e eu não pude deixar de pensar que aquele sorriso era lindo.

Ele agarrou minha mão e me puxou para o grupo de casais que dançavam uma música lenta no meio da praça. Olhei novamente para Peter, ele não estava mais lá. Onde ele se meteu? Eu sentia um aperto no coração. Jason parou de frente para mim e segurou minhas duas mãos.

_ Relaxa. – ele falou em voz baixa.

Decidi mostrar para ele que eu sou uma mulher de atitude. Depositei minhas mãos em seu ombro e ele colocou as suas em minha cintura. Eu já dancei com Peter, não vou me sair mal, pensei.

_ Acho que você sabe dançar bem. – Jason falou.

_ Você não sabe nada sobre mim. – por mais que soasse desafiador, falei calmamente.

_ Você tem razão. – ele sorriu.

_ Eu não te entendo. – falei. – Achei que você me odiasse.

_Particularmente não sou seu fã. – ele riu. – Mas senti que deveria me aproximar de você.

_ Isso tudo é culpa pela surra que eu levei?

_ Não, creio que não. – ele estava sério. – Fiz um mau julgamento sobre você no começo. – ele esperou que eu respondesse, mas continuei quieta. – Achei que você não era a pessoa certa. Fui ignorante, você é uma mulher forte, e o fato de ter dificuldades nos treinamentos não é nada. – ele me olhou de uma forma verdadeira. – Afinal, parabéns pelo desempenho nos treinamentos. Você evoluiu rápido.

_ Obrigada. – sorri. – Espera, está querendo dizer que eu pareço muito pouco para o que faço?

_ Você demora a entender as coisas. – Jason riu.

_ Idiota. – acabei rindo também. – Sabe, você também me surpreendeu.

_ Pensou que eu era uma coisa boa, mas descobriu que eu sou muito melhor, não é? – disse ele se gabando.

_ Não. – ri. – Pensei que você era horrível, mas você na verdade você é ruim.

_ Grande evolução. – ele pareceu conformado.

Continuamos dançando em silêncio. Quando a música acabou nos cumprimentamos como nas danças de épocas.

_ Para uma pessoa que estava bêbada, você dançou muito bem. – falei.

_ Eu não estava bêbado. Apenas feliz. – ele sorriu.

Eu ia me despedir, mas meu pai interrompeu:

_Posso dançar com essa linda dama? – perguntou a Jason.

_ Toda sua. Até mais Amy. – ele se despediu e saiu.

Pude vê-lo pegando mais uma taça. Como alguém pode gostar de beber aquilo?!

Meu pai se aproximou e começamos a dançar. Minha relação com meu pai tinha melhorado bastante, mas mesmo assim continuávamos distantes Era o meu jeito, mais isso não quer dizer que eu não o amava.

_ Pai?

_ Oi filha.

_ Desculpa por ser tão calada.

_ Eu te entendo. Pensei que quando viesse para cá não ia querer mais saber de mim. – ele tinha um brilho nos olhos. – Mesmo sabendo que eu vou morrer mais rápido eu não me importo. Louis tem dormido comigo todos os dias e agora fala até sobre meninas. Eu sentia falta disso. Vocês são as únicas pessoas que eu tenho na vida.

Eu queria reclamar, falar que as coisas poderiam ser diferentes, mas percebi que meus olhos se encheram de lágrimas.

_ Eu te amo pai. – o abracei.

_ Eu também te amo minha filha. – ele fez uma pausa. – Amo muito.

xxx

A festa de ontem foi um estouro. Logo após a minha dança com meu pai eu decidi me retirar. Homens bêbados estavam estragando a festa. A última imagem que eu tive de Peter foi ele junto aos outros guerreiros tentando amenizar a bagunça.

Eu estava cansada, tão cansada que quando acordei percebi que não havia me trocado. Me levantei e fui para a banheira. Eu estava conseguindo relaxar quando meu sonho veio à cabeça:

Eu estava em um lugar escuro, era noite e ao meu redor só havia árvores.

Você precisa fazer uma escolha. A voz de minha mãe invadiu a minha cabeça.

_ Mãe? — gritei — Onde você esta?

Sou fruto de sua imaginação Amy. Você tem que fazer uma escolha!

_ Mas que escolha? — Eu estava desesperada.

Ela não respondeu.

De repente o que era noite se tornou dia. Ouvi o som de passos entre as árvores. Como seria bom ter a minha espada aqui, pensei. Em um piscar de olhos algo se tornou pesado em minha mão, minha espada! Mas como?!

_ Amy! – a voz era de Peter.

_ Peter! – eu corri e o abracei, mas ele parecia imóvel.

_Amy. – a voz calma de Jason vinha do outro lado.

Fui para o meio novamente.

_ O que está acontecendo? – perguntei aos dois.

_ Me escolha Amy. – Jason falou.

_ Não! – Peter gritou – Amy sou eu, o Peter que você falou que ama. Você não pode escolher ele!

_ Escolher?! Mas escolher vocês para que? – eu olhava para os dois sem saber o que fazer. Meu olhar parou em Peter, eu não conseguia formular os meus pensamentos. Eu teria que escolher entre Jason e Peter. Eu tinha mais confiança em Peter, mas se eu o escolhesse o que iria acontecer com Jason?! E escolher para o que?! Os olhos de Peter me encaravam cheio de lágrimas, me doeu vê-las. Eu nunca pensei em ver Peter chorando. Olhei para Jason e ele tinha uma postura firma, mas seus olhos estavam cheios de desejo. Ele me olhava como se eu fosse um tipo de comida, um animal que servia de alimento para um lobo. Mesmo assim, não queria abandoná-lo. Jason era um homem interessante, cheio de mistérios, e era isso que eu gostava nele. Eu queria ter o desafio de decifrá-lo.

_ Não posso escolher entre vocês dois. – disse – Eu não posso! – repeti com mais intensidade.

_Você precisa escolher Amy! – disse Jason.

Olhei para Peter que continuou calado. As lágrimas agora escorriam pelo seu rosto. Lembrei de quando falei que o amava no submundo, eu nunca falaria uma coisa dessas por impulso. Peter sempre foi a minha escolha.

Depois disso eu acordei.

Eu precisava conversar sobre isso com alguém. Que falta me fazia uma mãe.

Depois de me vestir pensei em chamar Alice, mas decidi deixá-la com Logan. Considerei até em desabafar com Kendall, mas essa era uma ideia absurda.

Tock. Tock.

Eu fui até a porta e a abri.

_ Oi. – Vovó entrou em meu quarto carregando uma bandeja. – Trouxe o seu café.

_ Mas que gentileza vovó. – eu tirei o peso de suas mãos e coloquei na mesa entre as poltronas. – Muito obrigada. – dei um beijo em sua bochecha. – Me acompanha?

Ela fez um sinal de positivo com a cabeça e se sentou em uma das poltronas. Conversamos sobre a nossa nova vida e de como estávamos nos saindo. Ela parecia realmente feliz. Ela foi feita para este mundo, pensei.

_ Seu cabelo está parecendo um ninho. – falou ela assim que terminamos.

_ É. – sorri. – Eu me esqueci de penteá-los.

Ela se levantou e foi até a penteadeira que havia no quarto.

_ Sente-se aqui. – pediu.

Eu me sentei. Ela pegou uma escova e começou a pentear os meus cabelos. Suas mãos eram delicadas e aquilo para mim era como um carinho.

_ Vovó, posso fazer uma pergunta? – perguntei distraída enquanto ela penteava meus cabelos. Fazia certo tempo que eu não sabia o que era isso, ter alguém cuidando de mim. Eu passava a maior parte de meus dias na escola, e minha mãe faleceu quando eu ainda era uma criança, então não recebia esse tipo de tratamento.

_ Claro Meduza — Ela retirou um nó de meu cabelo e deu risada, aderindo ao apelido que Louis andava espalhando por ai.

Eu estava receosa quanto a fazer uma pergunta deste nível, tinha medo do que ela poderia pensar. Mas quem seria melhor para responder tal questão? Ela era o meu maior exemplo.

_ Vovó, o que é o amor? — deixei as palavras fluírem, como se não significassem nada pra mim.

_ Uma palavra. Uma palavra vazia. — Ela me surpreendeu com a resposta.

_ Então a senhora não ama o vovô? — meu estômago se embrulhou. Eles eram o exemplo mais real e vivo de amor pra mim.

_ Não. — ela continuou agindo naturalmente, como se não estivesse acabado de falar algo tão chocante. — Esta é apenas uma palavra inventada por pessoas preguiçosas e falsas. — explicou. — Como são incapazes de dizer como se sentem, usam quatro letras, como se bastassem para descrever algo tão grandioso. Eu não amo seu avô Amy... Eu sinto algo maior do que isso. Evito rotular, para assim não diminuir algo tão nobre e verdadeiro.

_ Entendo... Mas como você sabe se ama alguém? — Fiz uma pergunta mais direta, me expondo mais do que gostaria. Não estava habituada a ter esse tipo de conversa com outras pessoas fora Danielle.

_ Você está apaixonada Meduza? _ vovó parou de escovar meus cabelos e sentou-se a minha frente, na cama.

_ Eu não sei... — Meus ombros caíram.

_Peter, imagino...

_ Sim. — Me rendi. Não aguentava mais ficar com todos esses sentimentos e sensações só pra mim. Eu não tinha nenhuma amiga ali...

_ Mentira. -- ela respondeu, dura.

_ O que? -- engasguei. — Como você pode saber? Hein? Você não sabe como tenho me sentido nos últimos meses vovó.

_ Então me diga você, minha querida. _ ela pousou as mãos sobre seu colo, pacientemente.

_ Vovó... — olhei pra baixo, constrangida. — Eu não sei... Não é só o fato de eu pensar nele o dia todo sabe, é mais. Eu me preocupo com ele, de verdade. Só pensar em vê-lo machucado já me mata. E ele se tornou meu melhor amigo também, quero contar cada detalhe de meu dia, compartilhar o quanto eu puder com ele. Gosto de vê-lo, para me certificar que está tudo bem... Ver que ele está bem alegra o meu dia, sabe... Me dá forças. E tem isso também, -- encarei seus olhos, me empolgando ao começar a falar -- ele me da forças, me faz acreditar que eu sou capaz de lidar com toda esta pressão. Peter me faz confiar em mim, porque ele confia em mim... Meu coração dispara quando ele me olha, quando ele me toca... Isso causa uma explosão de carinho dentro de mim, me faz querer cuidar cada dia mais dele... E ele me compreende, me conhece como poucas pessoas. Talvez me conheça melhor do que todas elas. O olhar dele também me fascina, ele consegue me despir apenas com seu olhar e enxergar minha alma. Ele... Ele... Ele me faz bem. Às vezes tenho vontade de passar dias e dias ao lado dele, e acredito que não me cansaria disso.

Vovó deu um sorriso gentil e se levantou, se posicionando atrás de mim novamente. Ela pegou meu rosto e o virou para o espelho que usamos antes, enquanto ela cuidava de mim. Suspirei, e fitei meu reflexo. Meus olhos brilhavam e eu estava com um sorriso bobo no rosto, um sorriso que eu nem sabia que estava ali.

_ Isto querida, isto é amor. — disse, indicando minha expressão. Ela me observava pelo espelho, sorrindo. -- Sei que se eu permitisse você continuaria citando todos os motivos do mundo, até as palavras se esgotarem e você precisar fazer novas combinações para prosseguir.

Ficamos em silêncio.

Vovó voltou a desembaraçar meus cabelos e eu permaneci com os olhos vidrados em minha imagem. Então eu o amava... Eu estava apaixonada por Peter... Perdidamente apaixonada.

Jason ou Peter?

Notas finais
Qual é a escolha de vocês? Peter ou Jason? Comentem ;) Até o próximo capitulo. Beijos, Thayssa e Catnip.