Dont Speak.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Arthur deslizou sua espada pela bainha e estendeu-a a sua frente, seus lábios comprimidos em uma linha rígida enquanto ele observava aquela que um dia já fora o amor da sua vida.
Amor, inimiga, bruxa, e agora, irmã.
A palavra rodopiava em sua boca, deixando um gosto estranho e criando um nó em sua garganta. Ele não estava preparado para conflitos emocionais.
"O que foi, Pendragon? Com pesar de machucar sua irmãzinha?" Ela encostou um dedo na ponta da Excalibur, sorrindo maliciosamente. Arthur olhou no fundo dos olhos verdes de sua atual inimiga e não se surpreendeu em se deparar apenas com ódio.
Pelo menos agora eu sei que a minha Morgana se foi.
Ele estava errado. A Morgana de antigamente ainda estava lá dentro, mas Arthur Pendragon não era o tipo de homem que perdia muito tempo em causas difíceis. Ele era um Rei que precisava botar a segurança de seu povo acima de assuntos pessoais. E não importa o quanto doesse, era isso o que ele faria.
Com um forte movimento do braço, a lâmina foi parar encostada no pescoço de sua antiga amada.
Mas ela não parecia se importar.
"O que houve, Arthur?" Ela demorou-se ao pronunciar o nome do homem a sua frente. "Não consegue me matar?" O sorriso de Morgana aumentou ao ver o desconcerto estampado no Pendragon. "Mas não é só sua índole, certo? Não... É mais profundo." Seu característico sorriso com o canto do lábio já estava preparado, e com um aceno discreto, a poderosa Excalibur caiu no chão.
Morgana avançou com passos felinos, observando cada expressão, cada músculo contraído e cada emoção demonstrada pelo rei de Camelot.
"B-bruxa-" Arthur havia perdido a habilidade de falar. Medo e desejo misturavam-se em uma combinação perigosa dentro de si.
"Shhh." A mulher encostou um de seus finos dedos nos lábios de Arthur e inclinou-se até que seus lábios encostaram-se suavemente na orelha do Rei. "O termo correto é feiticeira."
Sua mão deslizou-se por sua própria capa e fechou-se no punho de uma adaga, que com um fluido movimento cravou-se entre as argolas da armadura do guerreiro.
O que ela não havia percebido é que tão furtivamente quanto ela, Arthur também havia performado seu golpe fatal.
Ambos caíram ao chão, a vida esvaindo-se dos corpos.
E quando finalmente renderam-se à Morte, suas últimas lembranças eram dos olhos daquele que jazia opostamente.
Para Arthur, os olhos verdes de seu primeiro e único amor, transbordando de alegria e honestidade.
Para Morgana, os olhos azuis de um usurpador.
You and me, I can see us dying... Are we?
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