Don't Panic!
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Pensei que estava demorando demais pra acontecer alguma coisa. Imagina, né? Nada mais comum. Souta olhou pra mim um pouco preocupado hoje de manhã, quando estava quase saindo.
—O que aconteceu? — balancei a cabeça. Já disse como eu amo ele (mesmo com os copos d'água)? Ele e o vovô são umas das coisas mais preciosas da minha vida. Não sei o que faria sem...
—KAGOME! Você viu minhas cuecas? — É. Acho que eu poderia tirar umas férias deles.
—Pela última vez: não, vovô. — ele enfiou a cabeça pela porta, juro que vi o Souta se segurando pra não rir. Apontei o dedo pra ele, franzindo o cenho.
— E você não deveria andar pelado pela casa. — ele fez um bico gigante e vi lágrimas surgirem no canto dos seus olhos. Dessa vez meu irmão se estourou.
— Neta ingrata. Mas eu te amo. Não seja devorada pelos youkais! — comecei a correr para as escadas, revirando os olhos.
— Ok, ok! — ele definitivamente estava ficando mais gagá. Mas não é como se eu me importasse, ele sempre foi assim. Obcecado pela mitologia japonesa. Não é a toa que moramos em um templo, não é? Mal terminei de pensar isso e já estava no fim das escadas. E quase caindo em cima de alguém.
— Me descul... — os olhos dourados pararam no meu rosto, irritados, então pareceram me reconhecer. Inuyasha. Eu não disse que tava demorando?
— Yo. Não sabia que morava por aqui também. — ... Pera. Ele não ta sendo grosso, nem me chamando de imbecil. Me belisquei, tentando fazer uma cara um pouco mais digna. Enquanto isso, ele começou a estalar os dedos na minha frente.
— Ei, acorda, pirralha. — juro. Uma veia saltou na minha testa. Comecei a andar, o ignorando. Quem esse idiota pensa que é? Podia sentir Inuyasha me seguindo um pouco mais devagar. Quando achei que ele fosse falar alguma coisa, um carro preto apareceu de repente no nosso lado, seguindo o nosso ritmo. O vidro da janela baixou e eu pude ver um cara muito parecido com o Inuyasha. Me segurei pra não deixar o queixo cair. A única diferença eram os olhos gelados como aço e o modo como tinha cortado a franja, ele também parecia um pouco mais velho. Obviamente não era comigo que ele queria falar. Mas Inuyasha sequer se virou para vê-lo.
— Inuyasha. Será que dá pra olhar pra cá? — ele o ignorou. O tom frio da voz do outro passou a ser de irritação. — Inutaisho quer falar com você. É melhor você ouvir o que ele tem pra dizer. Sua mãe está preocupada, é melhor voltar pra casa. — dessa vez estava um pouco mais ameno. Espera. Voltar pra casa? O que será que estava acontecendo? Olhei de canto para ele, já que estava andando do meu lado agora. Inuyasha não parecia estar se importando com o que ele dizia.
— Diga pra ele: eu não vou fazer porcaria alguma. E não vou voltar pra casa, ainda. Agora, vai embora Sesshoumaru. Soube que a Rin anda bem chateada com você. — a boca do outro se crispou. Suas mãos apertaram o volante. Senti um frio na espinha.
— Não é o que você está pensando. E se não quer me ouvir, bom pra você, cachorro idiota. Não me importa nada disso. — ele fechou o vidro e acelerou.
Inuyasha relaxou, soltando um suspiro. Depois de alguns segundos de silêncio, olhou pra mim devagar, parecendo me julgar. Desviei os olhos. Nada daquilo era da minha conta, realmente. Mas não podia negar que estava curiosa.
Então ele fez uma coisa que me deixou só um pouco chocada, bem pouquinho. Começou a, delicadamente, me arrastar pela mão para uma direção que definitivamente não era a do colégio.
— Ei! O que você pensa que está fazendo? — tentei puxar minha mão, mas o aperto dele era forte como aço. Fui ignorada com sucesso. Legal isso. Muito divertido. O caramba, né! A aula devia começar a qualquer momento e esse maluco está me levando sabe-deus-onde!
Depois de andar mais um pouco, paramos no meio de uma pracinha. Não podia negar que era um lugar lindo, apesar de parecer meio abandonada. Então ele me botou pra sentar em um balanço meio baixinho, pra depois sentar no outro. E ficar quieto. De novo. Nenhuma puta explicação pra ter me arrastado e nem sobre o que tinha acontecido.
— Olha — comecei, devagar. Mas fui interrompida.
— Nem tente, pirralha. — então parou, finalmente olhando para mim. Ok. Ele estava começando a me irritar de verdade, antes que eu pudesse abrir a boca pra reclamar, ele continuou, ainda parecendo pensar se devia falar.
— Aquele cara do carro, ele é meu irmão. Você perguntou qual era o meu problema, não é? Estou dando uma resposta. — Inuyasha apertou os olhos, só que dessa vez não parecia irritado. Só meio... triste.
— Na verdade, o problema não é ele. Meu pai é dono de uma das empresas mais grandes do Japão, acho que isso pesa um pouco também. Agora ele quer que eu assuma. Tudo porque o Sesshoumaru não quer assumir. Mas... eu também não quero. Só que ele não entende isso. — ele suspirou.
— É por isso que você saiu de casa? — me surpreendi com o meu tom de voz. Parecia um pouco acusatório. Ele olhou um pouco surpreso pra mim.
— Como assim? — suspirei e olhei pra frente. Não é como se eu culpasse ele de alguma coisa. Caramba, nem sei direito o que aconteceu!
— Ele disse que a sua mãe estava preocupada. Provavelmente é porque você saiu de casa. Não sei bem o que aconteceu, mas acho que deveria voltar. Ela não parece ser uma pessoa ruim. Também acho que deveria escutar o que o seu pai tem a dizer. Pode ser que ele tenha mudado de ideia, não é? — fiquei um pouco vermelha, não devia me meter nisso. Não é da minha conta. Me levantei, sem esperar uma resposta. Então senti a mão dele agarrando meu pulso.
— Espera. — não vi que expressão ele tinha no rosto, mas não parecia estar irritado.
— Você ao menos sabe aonde está indo? — Bipolar. É a única definição que pode existir pra esse idiota. Dá pra acreditar que ele ta rindo da minha cara? Bufei, revirando os olhos.
— Se puder me fazer o favor, acho que estamos atrasados, não é, cachorro idiota? — Dei o sorriso mais malvado que tinha no estoque. E ele devolveu, começando a me arrastar de novo.
— Não brinque com fogo, pirralha. Você vai sair queimada. — não parecia que ele estava falando sério, mas ainda sim senti um arrepio na coluna. Admito que não era medo dele. Era medo da Sango na hora em que nós chegarmos na escola. Ela vai me matar.
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