Don't Panic!
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Depois de juntar os cacos da minha já não tão grande dignidade e ter sentado no meu lugar, fui, ao mesmo tempo, recebida com um papel na cabeça vindo do lado da Sango (que, aliás, é a minha melhor amiga, caso eu ainda não tenha falado), o que, provavelmente queria dizer que ela estava fazendo sinais de que iríamos conversar depois, sem falta, e recebi a triste informação de que aquele ser estúpido iria sentar-se à mesa imediatamente atrás da minha.
Legal, não é? O melhor disso tudo foi ter esse mesmo alguém chutando a minha cadeira durante toda aula até o recreio. Foi quando fui atacada por um furacão.
Vocês não tem ideia de como a Sango é. Para os de fora, uma garota perfeita e delicada, de cabelos pretos e lisos, olhos castanhos, vinda de uma família tradicional (família Himura) e com uma das notas mais altas da escola. Pra quem conhece, melhor entre os praticantes de kendo por aqui, meio neurótica e, com certeza, uma das únicas pessoas do mundo que ficam de bom humor pela manhã. O que definitivamente não é o caso agora. O que ela está fazendo? Entrando em pânico.
— O que foi que você fez? — boiei. Ela parecia estar mesmo preocupada.
— Sango. Respira. Do que, demônios, você está falando? — ela suspirou, finalmente largando meus ombros.
— Kagome, nunca ouviu falar de Inuyasha Taisho? — neguei — Ele é a última pessoa com quem você vai querer se meter. Dizem que ele não dura uma semana nas escolas, ele sempre arruma encrenca. — dei de ombros, isso não era grande coisa. Ela me olhou, franzindo o cenho.
— Estou falando sério. Alguém sempre sai machucado. — eu teria ficado com medo se duas mãos não tivessem surgido nos peitos da Sango. Cara. Ela ficou roxa.
— MIROKU! — sem mentira. Se tem alguém que sabe grudar um tapa, é a Sango. Ele reclamou baixinho e se escondeu atrás de mim, como sempre.
— Você tem que aprender a se controlar, amor. — Tá. E se tem alguém que gosta de apanhar é o Miroku. Me meti antes que presenciasse um assassinato.
— Parada aí. Quietinha. — ergui o dedo. Ela me fuzilou de volta, com um olhar de “depois-vai-ter”. Esses dois não tem jeito. Mas vocês não devem estar entendendo, não é?
Nós três sempre estudamos juntos, mas só viramos amigos por causa da Sango. Naquele tempo, eu realmente não tinha um bom humor e ela era a única pessoa que conversava comigo, mesmo que eu não respondesse. Quando aquele garotinho moreno, filho de um monge, de cabelos pretos e olhos azuis escuros entrou pra nossa turma, não senti perigo algum nele. Também não imaginava que tão cedo ele começasse a dar em cima da Sango (o que não mudou até hoje, como já da pra notar).
E foi aí que aconteceu. Eu senti que talvez fosse perder a única pessoa que ainda se importava de falar comigo, então briguei com ele. É. Não fiquem muito surpresos. Talvez seja aí que minha “fama” tenha começado, mas isso não importa. Depois de quase sovar o pobre do Miroku, a Sango disse que ficou muito feliz, mesmo, e, a partir disso, acho que começamos a virar amigas. E o Miroku? Veio na carona. Pra falar bem a verdade, acho que é bem óbvio que ele ainda da em cima da Sango. Suspirei.
— E você. — apontei para ele, recebendo um sorriso amarelo — Ainda não aprendeu? — ele começou a rir. Logo nós o acompanhamos. No fim, eles resolveram descer para o pátio para pegar um lanche e eu preferi apenas descer para esticar as pernas.
Nada mais poderia dar errado hoje. Claro. Falei cedo. De todos os lugares que ele poderia estar, tinha que ser bem no meu lugar? Por meu lugar eu digo um pedaço de grama meio escondido por uma árvore. Por sorte, acho que ele não...
— O que você quer? — Inuyasha cravou os olhos dourados em mim, mas eu continuei parada.
— Esse é o meu lugar. — a sobrancelha dele se ergueu e fiquei com vontade de desistir. Só que não. Ele se levantou e se aproximou até quase encostarmos os narizes. Nossa senhora, me ajuda. Cruzei os braços.
— E o que você vai fazer se eu não sair? — Ok. Me pegou. Um sorriso surgiu na cara dele. E nessa hora lembrei do que a Sango falou. “Ele é a última pessoa com quem você vai querer se meter.”.
— Qual é o seu problema? — antes que eu pudesse segurar, escapou.
— Ahn? — ele se afastou um pouco. Por um segundo, vi um pouco de espanto passar por seus olhos.
— Ninguém nunca vem aqui. Principalmente um aluno novo. Portanto, qual é o seu problema? Não arrumou mais ninguém para incomodar? Ou será que também veio pra chutar a minha perna ao invés da cadeira? — ele pareceu pensar por alguns segundos. Um tom frio assumiu a sua voz. É. Parece que eu pisei no ponto fraco.
— Não é da sua conta. — me encarou por mais um tempo, antes de virar as costas para ir embora.
Isso foi mesmo estranho.
O resto do dia até que foi pacífico e sem maiores incidentes. Tirando esse encontro bizarro, a mordida do cachorro, o copo de água e as reclamações da Sango sobre como o Miroku é pervertido durante a tarde toda, tudo foi ótimo.
Minhas aulas mal começaram e Murphy já esta agindo. Se ele não estivesse morto, desejaria do fundo do coração que tropeçasse em alguma planta venenosa só pra parar de rir da minha cara. Não, isso não fez sentido. Mas seria divertido.
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