Dont Panic!
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Se quer saber, eu queria mais é que essa droga de mundo acabasse mesmo. Nada tava dando certo pra mim e eu, sinceramente, não achava que isso fosse mudar. Do meu ponto de vista, era melhor que tudo deixasse de existir, de uma vez por todas. Não que eu quisesse morrer, eu não queria. Mas o espaço da Terra seria muito melhor aproveitado como parte de uma via expressa hiperespacial, como no Guia do Mochileiro das Galáxias. O problema é que, com a sorte que eu tinha, o mundo não ia acabar nem tão cedo.
E como Murphy, aquele que tem uma lei que praticamente rege minha vida, me adora, meus planos de ficar assistindo seriados ou dormindo a sexta-feira toda foram arruinados pela criatura inconveniente que eu chamo de irmão. Com mais trezentos e sessenta e quatro (às vezes, cinco) dias no calendário, por que você tinha que nascer logo 21 de Dezembro, Henry? E mais: quem te disse que você devia aproveitar como se fosse seu último aniversário? É tudo mentira, você não precisa fazer questão da minha presença. Vá comemorar seus vinte e um anos bem longe daqui...
Mas é claro que ele não iria. Droga de festa de aniversário. Droga de fim de mundo. Droga de Cullen. Que tá por aí, aproveitando o tempo que resta com a namoradinha, ou seja lá o que ela for, dele. Espero que o fim do mundo seja bem doloroso pros dois. De verdade. Mas, se não for, tudo bem, eu mesma acabo com eles, bem lenta e violentamente. O que não vai ser difícil já que Henry fez o favor de convidar Edward e, não importa o quanto eu implore, não vai desconvidar. É isso que você ganha quando se apaixona pelo amigo imbecil do seu irmão imbecil.
– Nanica, você tem quarenta minutos pra descer. – Henry abriu a porta, avisando super animado. Ele usava uns óculos de plástico, daqueles de festa, completamente horrorosos e trazia um copo com uma bebida transparente que com certeza não era água.
– Eu já disse que não vou, Henry. – respondi simplesmente. – E tira isso, tá horrível. — Mas você é minha irmã, você tem que ir. – ele disse, entrando no quarto.
– Não pras quinze festas que você planejou. – falei, sorrindo ironicamente e Henry gargalhou, sentando na beirada da cama.
– Não são quinze, Bella, não exagere.
– Mas são muitas. Quem te deu essa ideia idiota de passar vinte e quatro horas comemorando seu aniversário? – perguntei, rolando os olhos, e, pela cara de Henry, a sugestão só podia ter vindo de uma pessoa: Edward. Eu devia saber. Esse tipo de coisa é totalmente a cara dele.
– Não interessa. O que interessa é que o seu irmão querido está fazendo vinte e um anos e hoje pode ser o último dia das nossas vidas, você devia aproveitar.
– Eu vou aproveitar. Dormindo. – foi a vez de Henry rolar os olhos.
– Quarenta minutos, Isabella. E se você não aparecer, torça mesmo pro mundo acabar. – ele avisou, saindo do quarto.
Mais alguém acha que ele me ameaçou? Porque eu tenho certeza de que foi isso. E se a intenção dele era colocar medo em mim, funcionou muito bem. Porque, acredite, nada é pior do que um irmão mais velho infernizando sua vida. Por esse motivo, em exatos trinta minutos eu estava no andar de baixo. Mas eu só precisei dar uma olhada rápida na sala pra chegar à conclusão de que deveria voltar pro meu quarto e ficar trancada lá, esperando o fim do mundo ou esperando que a raiva de Henry passasse. Qualquer uma dessas opções era melhor do que encarar Edward.
– Bella! – Amy chamou, assim que me viu e percebeu minha tensão.
– Oi Amy. – respondi, tão animada quanto podia, e fui até onde ela estava, bem longe de Edward, graças a Deus.
– Você me deve um jantar, Rory. – ela disse sorridente ao namorado, que bufou.
– Eu não vou te pagar nada, Amy, você sabia que ela ia acabar vindo.– ele rebateu irritado. Eles tinham feito uma aposta? Sério?
– Claro que sabia, é aniversário do irmão dela. Ela não ia deixar de vir só porque levou um fora do Cullen. – muito obrigada, Amy, eu quase tinha esquecido esse detalhe.
– Vocês apostaram se eu viria ou não? – perguntei pra ter certeza e eles confirmaram.
– Apostamos. E o Rory perdeu.
– Não vou te pagar nada, Amy. Já te dei um anel muito caro de presente de namoro, pare de tentar extorquir meu dinheiro. – ele repetiu, enquanto ela ria, e se afastou, indo pegar uma bebida.
– E aí? Psicologicamente preparada pra passar vinte e quatro horas de festa em festa com Edward Cullen? – Amy perguntou sugestiva e eu fiz uma careta. – Bom, não é como se você pudesse evitar o cara pra sempre, de qualquer jeito.
– Eu poderia, se o mundo realmente acabasse em vinte minutos e Henry não tivesse me forçado a descer. – rebati, deixando minha infelicidade bem clara.
– Mas o mundo não vai acabar, Isabella, e eu acho que essa é uma ótima oportunidade pra vocês dois conversarem.
– Conversar o quê, Amy? Ele já deixou bem claro que não vai se envolver com a irmã do melhor amigo dele. Além do mais, ele tá com aquela retardada da Twinnielee agora. – Amy rolou os olhos ao mesmo tempo que eu. E, acredite, se você acha Twinnielee um nome ruim, não queira conhecer a pessoa: ela consegue ser pior. E eu não falo isso (só) por causa de ciúmes, eu conheço pessoas que brincam de tiro ao alvo com a foto dela. Dizem, até, que ela teve que sair do time de vôlei do colégio porque as outras jogadoras se preocupavam mais em acertar a cara dela do que fazer pontos. Mas isso é só o que me contaram...
– Na verdade, ele não tá. – como assim não tá?
– Como assim, não tá? – externei a pergunta em uma voz patética que devia estar, pelo menos, duas oitavas acima do normal. Vergonhoso.
– Não tá. – ela deu de ombros – Eles saíram umas duas vezes e só. Ele não tá com ninguém, Isabella. – ok, eu realmente não esperava por essa.
– Que seja. – disse, como se não me importasse.
– Você realmente vai fingir que não se importa?
– Vou. – Amy rolou os olhos outra vez e depois sorriu de um jeito que me parecia bem maldoso.
– Espero que você seja uma boa atriz, então. – ela disse, apontando algo atrás de mim com a cabeça e se afastou. Eu me virei, procurando o que ela tinha indicado, e juro que quis matar a desgraçada. Como ela se atreve a me deixar quando Edward tá vindo na minha direção?
– Hey. – ele cumprimentou, parecendo meio sem jeito, com as mãos nos bolsos e tudo mais. Uma palavra pra definir meu estado: pânico.
– Oi. – respondi, só por educação mesmo, porque minha vontade era fugir dali o mais rápido possível. Henry, meu amor, acho bom você torcer pro mundo acabar. Porque se eu sobreviver a esse encontro desastroso com o Cullen, sou eu que vou infernizar a sua vida.
– Animada pra vinte e quatro horas de festa? – ele perguntou, tentando ignorar ou diminuir a tensão quase tocável entre nós, não sei bem qual dos dois. Mas a questão principal é: ele realmente pretendia fingir que nada tinha acontecido? Não que estivesse dando muito certo, porque dava pra ver perfeitamente que ele tava tão desconfortável quanto eu, mas eu não ia forçar um sorriso e fazer de conta que tudo estava bem. Não mesmo.
– Acho que tô mais animada pra ver se o mundo acaba de vez. – respondi sarcástica e o filho da mãe riu. Simples assim: ele riu.
– Sabe, eu senti sua falta. – ele disse e eu tive vontade de bater a cabeça dele contra a parede mais próxima. Com muita força. Várias vezes. Ele não tinha o direito de me dizer essas coisas!
– Como? – perguntei, institivamente, ainda processando a falta de vergonha na cara dele.
– Ninguém me fez assistir seriados ruins essa semana. – ele deu de ombros e eu suspirei.
– Olha só, Edward, eu não sei se você realmente tá tranquilo em relação ao que aconteceu ou só tá fingindo, mas eu, não. Eu não tô bem com isso e também não vou fazer de conta, sinto muito. – falei e foi a vez dele suspirar.
– Eu não tô tranquilo nem fingindo, Bella, eu só não queria que as coisas ficassem estranhas entre a gente. – meio tarde pra isso, não?
– Você devia ter pensado nisso antes de me beijar, Cullen. – acusei, com raiva.
– Bella, aquilo foi...
– Um erro. Eu sei. – interrompi, completando, com ainda mais raiva. – Não precisa repetir, Edward, eu lembro.
– Eu ia dizer impulsivo. – ele falou, deixando um sorrisinho de canto aparecer. Não entendi o que aquilo significava. – Eu só queria te pedir desculpas por ter feito as coisas da maneira errada.
– Feito o quê, exatamente? – perguntei, antes que minha cabeça começasse a formular teorias.
– Ter te beijado e agido como um imbecil logo depois. Eu sei que você tá com raiva, mas leve em consideração o meu esforço, é difícil, pra mim, perceber e assumir que eu fui um idiota. – ele sorriu um pouco mais e eu rolei os olhos. – Eu não planejei nada daquilo, Isabella. E, quando aconteceu, eu fiquei meio... assustado. – confessou, passando uma das mãos pela nuca. Ele tava nervoso? – Quer dizer, você é a nanica do Henry, não é certo eu me envolver com você. Não é certo eu querer me envolver com você. – pânico. De novo. Ele realmente disse que queria se envolver comigo? – Eu sei que eu disse que ter te beijado foi um erro, mas, no fim das contas, meu único erro foi ter te afastado de mim. – olha, acho que o mundo já acabou e a gente tá vivendo numa realidade paralela. Isso não pode ser real. – Você pode falar alguma coisa, se quiser. – ele pediu, definitivamente nervoso. Eu quis abraça-lo. E não soltar nunca mais. Mas eu não podia fazer isso, não agora, que eu tinha a chance de falar o que precisava ser dito e, talvez, acertar as coisas.
– Eu só acho que isso não tudo não vai fazer muita diferença se você continuar achando errado se envolver com a irmã do seu amigo. – soltei, indo direto ao ponto. Não adiantava querer alguma coisa comigo se ele ia ficar com frescura por causa de Henry. Pra minha surpresa, ele sorriu. Ao mesmo tempo em que alguém gritava que faltavam alguns minutos pra meia noite.
– É o fim do mundo, Isabella, eu não poderia me importar menos com o seu irmão. – ele disse, se aproximando de mim.
– E se não for? – perguntei, enquanto ele me abraçava minha cintura.
– A gente continua aproveitando todos os dias como se fosse o último. – Edward respondeu e meu riso pelo clichê da frase foi interrompido pelos lábios dele nos meus, enquanto as pessoas começavam a gritar por ser, oficialmente, 21 de Dezembro. E, se quer saber, eu queria mais é que essa droga de mundo não se atrevesse a acabar agora.
Fim
Notas finais
-Ah, o tumblr dela é o http://www.twistyandshiny.tumblr.com/ se quiserem seguir
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