Don't Need a Love Potion

36 Uma estadia não desejada na ilha...-Parte 2


Notas iniciais
Nome completo do capítulo: Uma estadia não desejada na ilha de veraneio da minha mãe-Parte 2 Desculpem mais uma vez a demora na postagem, mas eu fiquei um tempão sem net e a escola ocupava quase 100% do meu tempo. Resultado= sem tempo pra escrever e muito menos tempo pra ir em uma lan house pra postar. Mas agora estou de volta, amores e amoras!!! E pra compensar a demora, o episódio é GIGANTE! A gente conversa mais nas notinhas finais!!!

ANTERIORMENTE EM DON'T NEED A LOVE POTION...

Precisava conversar com a minha irmã. Isso, só ela me ajudaria... Tateei meu pescoço, em busca do medalhão de Silena, mas de repente, me enchi de pânico. Meu medalhão tinha sumido!

ALEX


-Vamos ter que dormir juntos... –Thalia pegou a mochila de viagem dela e tirou a lona de barraca de dentro dela- Algumas barracas ficaram pra trás...
-Ótimo... –Percy sorria, com certeza algo indecente envolvendo ele e Annabeth passava pela cabeça dele. Eu não posso culpá-lo. Coisas indecentes também passavam pela minha cabeça, mas eu pensava nisso com outra garota...- Vou dormir com a Annabeth...
-Percy, lembra do que eu disse? –Isa pode ser boa em muitas coisas, mas com certeza ficar séria não é uma delas, mas bem que ela estava se esforçando...- Nada de amassos durante a missão...
-Tá, e você fala como se não tivesse se amassado com o Alex, né?
-Quem disse que eu me amassei com o Alex? –Isa falou, com uma vontade de cavar a areia pra esconder a cara avermelhada. Mas como Percy sabia daquilo? Eu tinha certeza que ele não tinha me seguido até a barraca da Isa... Pelo menos eu acho que ele não me seguiu...
-Eu deduzi... –Percy disse, dando uma de filho de Atena (leia-se sabe tudo. Com todo o respeito, Lady Atena)- Vi ele indo pra sua barraca quando fui ver a Annabeth... –Se defendeu, olhando de canto de olho para Annabeth.
-Bom, mas deduziu errado... –Isa mordeu o lábio antes de me olhar rapidamente. Ela ainda estava vermelha- Acho que devíamos separar as coisas aqui. Garotas de um canto, garotos do outro. –Completou, olhando as mochilas de viagem.
-Quer saber? –Angelina se agarrou ao braço da minha irmã. De repente eu não via a Segunda Tenente de Ártemis, a valorosa Caçadora, irmã de um dos nossos melhores amigos. Ela, encolhida perto de Thalia, parecia uma garotinha indefesa. Era como se aquela garota encolhida que eu e meus amigos víamos fosse a verdadeira Angelina- Essa ideia é a melhor de todas desde que saímos do acampamento.
-Claro que é uma boa ideia, especialmente por que é bom pra você e Thalia. –Isa riu discretamente enquanto apontava para um lugar um pouco afastado de onde todos nós estávamos- Tudo bem, garotos, vão acampar em outro lugar. Nós 5 precisamos de privacidade...
-Ok, não precisam dizer duas vezes... –Eu ri enquanto segurava a mochila de viagem e me afastava junto com Percy e Nico- Nós já estamos indo...

O resto da noite foi calma demais, meio monótona até. Depois da expedição de caça que fiz junto com as garotas –tivemos que dividir os javalis entre nossos grupos, e como o grupo das garotas era maior... –, não tínhamos muita coisa a fazer. Eu remexia a madeira não queimada na fogueira que eu tinha feito sozinho –ok, não foi bem sozinho. Percy e Nico me ajudaram com a lenha– enquanto Nico mexia com algum tipo de cards e Percy olhava um pedaço de papel (mais tarde, soube que aquilo era uma fotografia).

-O que é isso, Nico? –Perguntei ao meu primo do lado do Mundo Inferior, que teve um pequeno sobressalto ao ouvir minha voz. Ele estava concentrado demais em seus cards mesmo.
-Ah, isso? –Nico se virou e me mostrou um card holográfico. Não conseguia ver direito a imagem, mas consegui ler um nome nela: Hephaestus, nome grego de Hefesto, um dos meus irmãos imortais- São cards de Mitomagia. Costumava jogar isso aqui bem antes de saber quem eu era. –Nico colocou o card holográfico de Hefesto de volta ao pequeno bolo de cards- Eu ainda era um pirralho quando Percy e Annabeth me conheceram. Minha irmã mais velha, Bianca, nem chegou a saber quem era nosso pai. Ela se juntou a Caçada de Ártemis antes mesmo de nós chegarmos ao Acampamento e morreu em combate... –Nico mordeu o lábio, nervoso e meio triste. Eu sabia que as Caçadoras eram imortais, mas podiam morrer em combate. Isso me deixava preocupado com Thalia, mas ao mesmo tempo eu sabia que ela se garantia em combate, mas ainda assim... Saber que posso perder a minha irmã –pelo menos a única irmã meio sangue que tenho conhecimento, por que eu sei que tenho uma penca de irmãos imortais– quase me matava- Na época, fiquei muito triste, magoado, perdido... Achei que tava na hora de crescer... Então, na noite que descobri que minha irmã tinha morrido e que eu era filho de Hades, queimei todos os cards de Mitomagia que eu tinha e fugi do Acampamento... Só voltei anos depois, com a ajuda do Percy... E bom, como pode ver, parece que voltei com a mania dos meus cards... –Nico esticou a mão onde estava seu bolo de cards- Fui burro de queimar minhas cartas raras, agora vou ter que voltar a fazer a minha coleção... Tártaro...
-E você, Percy? –Consegui falar depois de um bom tempo rindo de Nico- O que é isso?
-Ahn? –Percy resmungou com uma voz sonhadora- Ah, isso aqui? –Percy estendeu a foto e puder ver os olhos cinzentos de Annabeth olhando para o Percy da foto com um sorriso gigante no rosto.
-Ah, guarda a foto da namorada, é? –Caçoei.
-Não vem com essa não, ok, Alex? –Percy parecia meio envergonhado, mas mesmo assim ria- Não era eu que estava na barraca da líder dessa missão, não é mesmo?
-Mas eu só fui ver se ela tava bem. –Na verdade, foi isso mesmo que eu tinha feito lá, e foi a Isa que me beijou. Depois de tantos beijos que roubei dela, era a vez dela roubar um beijo meu. E admito, aquele foi o melhor beijo que eu já tive na vida- Não foi nada de mais...
-Mesmo? –Nico sentou-se direito na frente da barraca dele- Ah, não vai me dizer que não aconteceu nada?
-Não... Não aconteceu... –Falei cedo demais, mordendo o lábio, olhando o meu broche de raio como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo.
-Ah, quem você quer enganar, Alex? –Percy riu enquanto guardava a foto dele e de Annabeth na mochila dele- Anda, aconteceu algo na barraca da Isa, sim...
-É, conta. –Nico riu- Afinal, somos seus primos ou não?

Só ali, naquela fogueira, naquela ilha misteriosa, percebi uma coisa meio idiota e óbvia, mas que era verdade: Sendo Zeus, Poseidon e Hades irmãos, isso fazia de Percy e Nico meus primos.

-Ok, -Suspirei derrotado- a Isa me beijou lá na barraca.
-Finalmente! –Percy riu- Já tava na hora da filha de Afrodite se comportar como deve, hein?
-E aí, como é que foi? –Nico ficou empolgado- Ela beija bem?
-Nico! Percy! Parem! –Grunhi meio constrangido- Vocês estão parecendo uma dupla de velhinhas fofoqueiras, sabiam? Eu não devia ter contado nada... Não devia contar, por exemplo, que o beijo da Isa é bom demais...
-Aaaaah!!! Se deu bem, garanhão!!! –Percy e Nico riam enquanto partiam pra cima de mim pra bagunçar meu cabelo, mas na mesma hora, ouvimos um grito vindo do acampamento das garotas.
-O QUÊ?
-Tá tudo bem aí, garotas?
-Tá tudo bem sim, Alex. Obrigada pela preocupação... –Ouvi a voz da Isa no acampamento vizinho e logo depois, tudo estava quieto de novo.
-Espero que elas não tenham ouvido o que a gente disse... –Murmurei sem graça. Se a Isa suspeitasse que eu estava falando dela para os garotos...
-Escuta, quer saber o que eu acho disso, querido primo chocante? –Percy riu e se sentou do meu lado. Fiquei amaldiçoando Clarisse internamente por ela ter me dado esses apelidos idiotas. Rará. Todo mundo adora tirar sarro de um garoto que tem um apelido como curto circuito. Tinha uma curiosidade mórbida de saber o que Clarisse faria comigo se eu causasse um curto circuito nela. Obviamente não faria nada, mas eu temia o que Lorde Ares faria comigo se eu fizesse isso com ela... Que foi? Posso ter ideias meio (meio?) suicidas ás vezes, mas tenho amor a minha vida...- Se a Isabella te beijou, com certeza é por que ela não te odeia tanto como ela diz que odeia. Quem sabe ela te beijou... Por que ela não aguenta mais esconder o fato de que ela te ama...
-Será? –Meu coração deu um salto com as palavras de Percy. De repente o que ele dissera fazia sentido. E se a minha Isa também me amasse?
-Quer saber? Eu também concordo com Percy. –Nico estava com metade do corpo dentro da barraca. Provavelmente estava mexendo na mochila dele –preciso contar que ele também sabia que eu amava Isa em segredo?- Se ela fez isso é por que provavelmente está cansada de mentir pra si mesma, dizendo que te odeia...
-O quê? –Ouvi outro grito do acampamento das garotas. Dessa vez era o grito da Angelina. Mas elas estavam bem, não estavam? Isa, Thalia, Annabeth, Summer, todas estavam lá pra ajudar Angie se ela precisasse. Especialmente minha irmã, que Angelina considerava quase como uma deusa. Não tinha motivos pra me preocupar.
-Bom, garotos, espero que estejam certos... –Suspirei e entrei na minha barraca. Vasculhei minha mochila de viagem até achar o que procurava: Um medalhão grande de ferro estígio, com uma grande pérola rosa no meio de uma grande rosa negra no centro. Eu ainda estava tentando saber como aquele medalhão surgiu com a Isa. Ok, não sabem do que eu tô falando? Então, pra quê servem os flashbacks?


FLASHBACK ON


Enquanto Isa cochilava em Blackheart, ainda em pleno alto mar, eu tentava segurar a mim e a Isa, para que nós dois não caíssemos, mas aquele cavalo marinho parecia saber bem quando estávamos perto de cair no mar. Ele se mantinha estável no mar, mesmo sem Isa para guiá-lo. Estávamos seguindo na direção que Thalia mostrara –a direção da ilha–, bem quietinhos, quando Isa resmungou no meu colo.

-Mmmm... Alex... Cuidado...


Meu coração deu um salto. Isa falava dormindo. E ela estava sonhando comigo...


-Não vá... Por favor, Alex, não...


Ela se mexeu devagar, se aninhando em cima de mim. Seu rosto estava tão perto do meu que poderia acordá-la com um beijo –literalmente. Logo depois disso ela não dissera mais nada. Fiquei meio encabulado e confuso. Se ela dizia tanto que me odiava, então por que ela sonhava comigo? Não que eu esteja reclamando, lógico que não, mas mesmo com a imposição que ela colocara para nós dois –amigos, como se isso bastasse pra mim– ela não devia estar sonhando comigo. Quer dizer, só se ela sempre sonha com os amigos dela. Mas então por que ela não tinha dito “Annabeth... Cuidado...” ou “Summer... Cuidado...”? Talvez por que pra ela, eu não fosse só um amigo...
De repente, algo atrapalhara meu raciocínio. Um brilho no colo da Isa. Me aproximei e vi, descansando no colo dela, um grande medalhão. Com todo o cuidado, tirei o medalhão dela e o analisei na luz fraca da lua. Quem teria dado a ela um medalhão daqueles? Me segurei em Blackheart com uma mão enquanto tentava, com a outra, colocar de volta o medalhão, mas Isa começou a se mexer de novo. Ela estava acordando. Sem saber o que fazer, coloquei o medalhão dela na minha mochila, prestes a devolver a ela quando estivéssemos na ilha, e agarrei a crina de Blackheart com a outra mão. O cavalo marinho bufou desconfiado pra mim, mas depois deixou pra lá. Isa levantou o rosto e olhou pra mim, confusa.

-O que você tá fazendo? –Isa murmurou com cara de sono.
-Achei que você precisava dormir um pouco. Assumi o volante enquanto você dormia. –Respondi rapidamente- O Blackheart pareceu não se importar...

Mordi o lábio enquanto olhava rapidamente para trás, na minha mochila. Se a Isa descobrir que eu peguei o medalhão dela vai me matar, com certeza... Mas ela vai ter que esperar eu explicar tudo antes...

FLASHBACK OFF


As perguntas fervilhavam na minha cabeça. Como a Isa conseguiu aquele medalhão? O que ele significava?

-Ei, Alex, o que você tá mexendo aí? –A voz de Nico, do lado de fora da barraca, me assustara. De repente, congelei com aquele medalhão na minha mão –figurativamente e literalmente. Ferro estígio era gelado, de congelar até a alma. Ok, frase irônica, mas nem ligo–: Devia contar a eles sobre o medalhão da Isa ou não? Decidi contar. Um grande erro, na minha opinião. Quase meti a Isa em uma encrenca...
-Bom, é que eu achei isso aqui com a Isa... –Balancei o medalhão para Percy e Nico- Alguém sabe o que é isso?
-Você achou isso com a Isa? –Nico correu pro meu lado e arrancou o medalhão da minha mão- Sabe quem deu isso pra ela? Sabe o que é isso?
-N-não... –Gaguejei, nervoso- Eu estava esperando alguém me explicar...
-Vou falar com a Isa... –Nico apertou o medalhão em suas mãos- Ela tem umas coisas a me explicar... –E logo foi para o acampamento das garotas.
-Mas o que aconteceu com ele? –Perguntei pra Percy, que também tinha no rosto a mesma expressão confusa que eu.
-Eu tô tão perdido nessa história quanto você, Alex... –Ele bocejou e se arrastava até a barraca dele- Eu vou cair nos braços de Lorde Morfeu e você devia fazer o mesmo. Confia no Nico, ele não faria nada com a Isabella... Boa noite Alex...
-Boa noite Percy... –Murmurei enquanto virava minha cabeça em direção ao acampamento das garotas na mesma hora que Isa saía do círculo de barracas e seguia Nico até a floresta da ilha. Eu confiava no Nico, mas eu não sabia o que ele poderia fazer com a Isa por causa de um simples medalhão. Consegui dormir, mas com muito custo, sempre repetindo pra mim que Isa sabia se virar, que tudo ia dar certo...


ISA


Sabe como é perder uma coisa? E quando essa coisa é muito, muito importante pra você, quase uma questão de vida ou morte quando ela some? Ou pior, quando essa coisa é tão secreta que você não pode contar nada pra ninguém sobre ela –ainda? Pois é, essa é minha situação. Tinha perdido o medalhão da Silena, algo que ninguém dali sabia que existia. Como contar que você perdeu uma coisa que nunca viu e que foi dada de presente pela irmã mais velha que já morreu? Ai, que Tártaro, se eu tivesse contado dele pelo menos pra alguém? Annabeth ou Summer, qualquer pessoa! Agora eu não estaria praticamente me descabelando...

-Ahn, Isa, você tá bem? –Summer falou enquanto revirava minha mochila de viagem a procura do meu medalhão.
-Claro, eu só tô procurando uma coisa... –De repente um pensamento assustador passou pela minha cabeça: E se meu medalhão tivesse caído no mar? Mas aí, não teria problema. Percy poderia invocar a ajuda de algumas criaturas marinhas ou ele mesmo procuraria. E depois? Como contar pra ele e pra galera sobe o medalhão?
-Cadê a Isabella? –Uma voz forte ecoou no nosso acampamento. Eu congelei dentro da barraca, achei que era Alex, mas eu sabia ele nunca me chama de Isabella. E a voz ainda tinha uma pontinha de uma voz infantil. Era Nico.
-Tá aqui... –Summer sussurrou. Senti um dedo me cutucar na perna e eu acabei saindo da barraca, desejando não ter saído. Nico me olhava com raiva, como se eu tivesse pisado no pé dele.
-Isabella... –Nico controlava a voz dele pra não sair rugindo na minha direção- Será que dá pra me explicar o que é isso? –Ele balançava algo que brilhava tímido na mão direita. Com um sobressalto percebi que aquele brilho vinha do meu medalhão perdido.
-Meu medalhão! –Quase gritei de felicidade e tentei tirar o medalhão das mãos dele, mas ele puxou a mão pra longe de mim.
-Onde conseguiu isso, Isa? –Summer perguntou impressionada, enquanto Thalia e Annabeth se encaravam sem acreditar –Angelina já estava dormindo faz um tempinho desde a nossa “sessão segredos”.
-É o que eu quero saber... –Nico me encarou mais uma vez- Vamos conversar?
-Ahn... Claro... –Respondi meio nervosa, olhando as garotas enquanto saía do acampamento e o seguia floresta adentro. Olhei de canto de olho para o acampamento dos garotos. Eu devia chamar Alex? Sem gracinha, mas ele bem que podia me ajudar quando Nico avançasse em mim, seco de vontade pra me matar...

Eu e Nico já estávamos andando naquela floresta há muito tempo. Eu estava cansada demais, com vontade de dormir, mas Nico ainda estava com meu medalhão. O que ele queria com ele, afinal de contas?

-Isabella... –Nico parou de costas pra mim e suspirou- Você sabe o que é isso? –Ele se virou e balançou meu medalhão de novo.
-Um medalhão de ferro estígio... –Respondi rapidamente.
-É isso aí, mas ele não é um medalhão qualquer... –Nico olhou para meu medalhão, girando o pingente gigante entre seus dedos- Isso aqui é um Medalhão de Caronte...
-Mas hein? –Perguntei confusa e curiosa.
-Há muitas eras, logo depois de meu pai selar o Tratado de Perséfone...
-Tratado de Perséfone?
-É, o tratado que meu pai fez com Zeus e Démeter para que Perséfone pudesse ficar no Mundo Inferior e no Olimpo, você sabe a história...

Fiz sinal que sim. Minha mãe mencionara esse tratado comigo no dia que me reclamou.

-“ Não se lembra da história de Adônis, querida? Quando ele morreu, Perséfone quis ficar com ele, mas eu não deixei. Pedi a Lorde Hades para que meu amado pudesse passar metade do ano comigo no Olimpo e metade do ano no Mundo Inferior...
-Minha mãe me disse algo assim... Mas continue, você estava dizendo...?
-Bom, depois que meu pai selou o Tratado de Perséfone, ele percebera que, mesmo com a folga de seis meses fora do Mundo Inferior e as visitas da tia Démeter, Perséfone estava triste. Sem saber o que fazer para animá-la, Hades decidiu criar algo para que Perséfone pudesse manter contato com o mundo exterior enquanto estivesse no Hades sombrio. Com a ajuda de Lady Hécate, Lorde Morfeu e Caronte, o barqueiro das almas, ele criou um medalhão que permitia se comunicar com alguém durante o sono...
-Mas os deuses não dormem?
-Claro que dormem, Isabella... –Nico revirou os olhos- Eles só não sentem tanta necessidade disso quanto nós. Eles podem dormir a hora que quiserem, só não fazem por que tem que ficar de olho em suas funções 24 horas por dia. Continuando, Hades deu ao medalhão o nome de Medalhão de Caronte, em homenagem ao barqueiro que o ajudou a criar –alguns dizem que o nome original dele é Medalhão de Perséfone, mas isso não é o caso–, e o entregou a Perséfone. E, durante algum tempo, Perséfone podia manter contato com as antigas amigas ninfas quando estava no Mundo Inferior, e podia rever Hades quando estava no Olimpo. Mas um dia, quando estava com o séquito de ninfas de Lady Démeter, deixou o medalhão cair sem querer quando foi mostrá-lo mais uma vez a uma das ninfas e ele acabou se quebrando. Perséfone ficou arrasada e pediu a Hades para que restabelecesse o medalhão, mas ele disse que nada poderia ser feito. Mas ele decidiu construir réplicas do medalhão, utilizando em cada réplica, um pedaço do medalhão original. Perséfone conseguiu o medalhão dela novamente, e somente algumas pessoas tem a rara oportunidade de possuir um desses medalhões... –Nico olhou mais uma vez o medalhão antes de me encarar- Me diga, quem te deu isso?


Mordi o lábio. Eu deveria contar?

-Foi... –Engoli seco. Era agora ou nunca- Foi minha irmã, Silena...
-Silena Beauregard?
-É... Foi ela... –Suspirei derrotada. E agora, o que ele faria a minha irmã?
-Eu devia saber... –Nico sorriu- Ela não obedece as regras, mas ela faria tudo pra te ajudar... Eu sabia disso desde que eu te vi no Elísio conversando com ela e Beckendorf.
-Você sabia disso? –Perguntei- Sabia que minha irmã quase teve um ataque cardíaco –se isso é possível– quando pensava que você iria interferir nas visitas dela pra mim?
-Bom, eu não iria interferir nas visitas da sua irmã... Mas vou ter que interferir nas suas visitas a ela... –Nico pôs a mão no meu ombro- Eu te devolverei o medalhão, mas vai ter que prometer pelo Estige que só o usará para ver Silena, e mais ninguém, certo? E me prometa que me avisará quando o usar, ok?
-Tudo bem, eu acho... –Meu coração já estava mais aliviado por saber que teria meu medalhão de volta- Eu prometo pelo Estige que só o usarei pra falar com Silena...

Um trovão ecoou pela ilha. A promessa estava selada.


-Muito bem... –Nico suspirou e me entregou o medalhão- Vai usar ele hoje?
-Claro. Preciso falar com Silena... –Olhei o medalhão nas minhas mãos- Quero que ela me dê uma luz...
-Então é melhor fazer isso logo... –Nico olhou para o céu- Logo vai amanhecer...
-Obrigada... –Corri para o acampamento, mas antes uma dúvida estava me martelando a cabeça- Nico, espere...
-Sim, Isabella?
-Como achou meu medalhão?
-Alex... –Ele deu de ombros- Talvez estivesse caindo do seu pescoço e ele tenha pego quando estávamos no mar...
-Então por que ele não me entregou?
-Acho que ele queria te entregar ele mesmo... –Nico sorriu pra mim- Agora vá. Não deixe sua irmã esperar...
-Obrigada de novo, Nico... –Voltei a correr para a praia, segurando meu medalhão, com uma vontade danada de dar um beijo no Alex... Eu disse isso mesmo? Enfim, se não fosse por ele, meu medalhão estaria no fundo do mar... Inacreditável o quanto eu devia a ele quando ás vezes queria esganar aquele filho de Zeus. Queria agradecer a ele, mas Nico estava certo. Ao longe podia ver um fiapo de claridade surgindo no horizonte. Fui dormir antes que o sol nascesse, não sem antes fazer uma oração silenciosa a Hades e Afrodite, rezando para que o medalhão funcionasse...

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Eu já estava sentindo a claridade me cegar quando senti algo me empurrar e me apertar forte. Me assustei até perceber que quem me apertara era Silena.

-Ah, graças a Zeus, você tá bem!!! –Silena me apertava mais forte ainda.
-Calma, maninha, só demorei pra pegar no sono... –Consegui dizer, mesmo sem ar- E além disso, quase perdi o medalhão...
-Ah, minha nossa, ainda bem que você não perdeu o medalhão. Sabe o quanto é difícil ter um desses? E além disso, Nico ficaria furioso se soubesse da existência disso aqui... –Silena pegou o pingente pesado do medalhão e o apertou. Uma voz de garoto ria atrás de nós duas. Olhei pra trás de Sil e vi Beckendorf gargalhando.
-E aí, Beckendorf...
-E aí, cunhadinha... Situação complicada a sua, hein? Primeiro essa missão, e agora, Silena te aperta como se você um bichinho de pelúcia...
-Como assim? –Perguntei confusa.
-Ele está exagerando... –Silena finalmente me soltara- Ele acha que você está numa missão muito avançada pra uma novata do acampamento, mas eu disse a ele que você estava em muito boas mãos, e que se algo te acontecesse, você estaria muito bem protegida. –Silena e eu nos sentamos enquanto Beckendorf pegava algo no chão –reconheci como uma espada– e se afastava de nós- Percy, Annabeth, Thalia, Nico... Até mesmo aquele filho de Zeus bonitinho...
-Quem, Alex?
-É. Garota, sério, se eu não namorasse meu Charlie e você não estivesse interessada nele, com certeza ficaria com ele...
-Ah, mas por que todo mundo acha que estou interessada no Alex? –Levantei as mãos, frustrada.
-Ah, não faça essa cena de inocente. –Silena me empurrou de leve- Posso estar morta, mas eu sei do que acontece fora daqui... Mas mudando de assunto, o que aconteceu com o medalhão?
-Eu quase o perdi no mar, quando estava indo pra ilha, mas o Alex pegou quando ele estava caindo no mar, eu acho, e então o Nico pegou ele...
-Ai, não... –Silena ficou pálida –como se isso fosse possível pra alguém que já morreu...- E o que ele fez? Ele gritou muito contigo?
-Não, imagina... Ele me explicou sobre o medalhão, mas me fez prometer que só o usaria pra te ver...
-Ah, sim... –Silena parecia ter ficado aliviada, mas ainda estava tensa- Ele não queria que você visse...
-Visse quem? –Arqueei a sobrancelha, confusa.
-Seu pai...


De repente, congelei. Nem tinha pensado nisso. Agora que tinha o medalhão podia me comunicar com papai. Mas eu tinha prometido pelo Estige que eu só o usaria para ver Sil...

-Mas por quê Nico não quer que eu veja meu pai?
-Há algum tempo ele teve uma decepção de família quando ele quis conhecer a mãe humana dele. Sabe, o di Angelo é mais velho do que parece, e ele não se lembrava direito do passado dele... Ele tentou descobrir o que aconteceu com a mãe dele e ele quase pirou de tristeza ao saber o que tinha acontecido. Desde então ele barrou uma lei para as poucas pessoas no mundo que possuíam um Medalhão de Caronte. Ele poderia ser usado pra se conectar a alguém vivo ou morto, exceto seus pais. Até quem não tem um medalhão teve que obedecer a lei dele. Mas só uma pessoa foge a essa regra. E é o próprio Nico quem permite isso...
-Mas quem?
-Achei que soubesse. Sua amiga feiticeira, a Summer...
-Summer? –Fiquei espantada- Mas como...?
-O pai da Summer morreu quando ela era pequena. Digo, beem pequena. Ela pode parecer forte, e ela é, mas no fundo ela ainda lamenta a morte do pai. Por isso ela usa o medalhão do Nico pra se comunicar com ele, mas ele fica por perto pra vigiá-la. Nico concordou em fazer isso desde que ela só fizesse contato com ele uma vez por mês e que ninguém no acampamento soubesse do que ele estava fazendo, então eles faziam o contato no chalé de Hades. Ideia da Summer. Ela sabe que Nico autoriza bem poucas pessoas a entrarem no chalé dele...

Ao ouvir aquilo, uma lembrança me veio à mente. Uma lembrança perdida de sei lá onde, do meu primeiro dia do acampamento.

-“Eu vim aqui pra falar com o Nico. -Summer olhou para Nico, que ficou um pouco ruborizado, apesar da palidez- Eu preciso de uma coisa sua... Urgentemente...
-Ah, sim... Quer dizer, é claro, Summer... Vá na frente, eu te vejo depois... -Nico abriu a porta do chalé para Summer, que deu um risinho antes de sumir pelo chalé negro- Bom, parece que vejo vocês depois. Summer precisa de mim...

Então era isso. Summer precisava se comunicar com o pai dela no dia. E Nico a ajudava, mesmo sabendo que isso ia contra as regras dele. De repente o que ele sentia pela Summer não poderia ser só vontade de ajudá-la a ver o pai dela. Para transgredir a própria regra...


-Como sabe de tudo isso?
-Bianca... –Silena deu de ombros- Desde que ela morreu, tem sido uma fofoqueira. E além disso, ela ainda é a irmã mais velha do Nico, ela precisa ficar vigiando...
-Como é que é? –Eu me lembrava da última vez que vi Bianca no Elísio. Ela me parecia uma garota de 12 anos. Bom, uma garota morta de 12 anos.
-Ela morreu jovem... E ela era Caçadora...
-Aaaaah... –Não precisou explicar mais nada. Mas é que... Nico parecia mais velho que Bianca...- Silena...
-Fala, Isa...
-O que o Beckendorf tá fazendo? –Olhei para meu cunhado, cruzando espadas com um garoto alto e moreno, que podia ser bem mais bonito sem aquele tapa olho...
-Ah, ele está treinando com o Ethan... Ultimamente temos treinado bastante... Quer conhecer o Ethan?
-Quero sim, mas por quê estão treinando? –Perguntei. Agora eu e Silena íamos em direção aos garotos.
-Uma grande batalha está se aproximando. Lorde Hades nos disse que algo está prescrito pra nós. O mundo mortal precisará da nossa ajuda... Por isso, temos treinado. Nico vem aqui de vez em quando, pra nos ajudar no treinamento... –Ei, Charlie, dá pra parar de lutar por um segundinho aí? Quero apresentar minha irmã ao Ethan...
-Ok... –Beckendorf disse ofegante ainda lutando- Só deixa eu furar essa defesa dele e... Pronto! –Ele parou, com um sorriso satisfeito no rosto. Com um movimento da espada de Beckendorf, ele fez a espada do tal Ethan encurralar o pescoço dele, dando a vitória ao meu cunhado.
-Isa, esse é Ethan Nakamura, filho de Nemesis. Ethan, essa é minha irmã, Isabella Pasquali. Ela está na missão pra recuperar o arco de Ártemis.

Vou confessar, Ethan era bonitinho. Tinha os traços orientais, pelo menos de um olho só, já que o outro estava escondido pelo tapa olho. Tinha algumas cicatrizes pelo braço, o que significava que ele tinha morrido em batalha.

-Olá, Isabella. –Ethan estendeu a mão dele em minha direção- É uma honra te conhecer. Sua irmã não pára de falar de você...

Fiquei encarando a mão dele por alguns segundos, meio acuada.

-Ah, desculpe. Sei como é estar diante do filho da vingança. Tudo bem, não precisa apertar minha mão...
-Nada a ver, Ethan... –Apertei a mão dele, ainda meio tímida- Eu conheço alguns de seus irmãos lá no acampamento. Eles são legais... É só não aprontar nada com eles...
-Verdade. –Ethan colocou a espada nas costas e riu- Então, Isabella, quer treinar?
-Eu gostaria, mas tenho pouco tempo... –Olhei para o medalhão, que estava mais claro. Não sabia o que estava acontecendo, mas de algum modo, eu sabia que faltava pouco tempo para o dia amanhecer.
-Então, até a próxima vez, filha de Afrodite! –Ethan acenou e chamou a atenção de Beckendorf –que estava feito um bobo olhando para Silena– e os dois logo voltaram a lutar.
-É, parece que já vai amanhecer... –Silena falou quando nos afastamos dos garotos- A gente vai se ver a noite, não é?
-Claro. Prometo que vou dormir cedo... –Levantei a mão direita e eu e Sil rimos.
-Bom, espero que aproveite a ilha da mamãe...
-Hein? –Fiquei boquiaberta enquanto olhava o medalhão. Ele estava esbranquiçando, então não me restava muito tempo.
-Não posso dizer muita coisa, mana. Quando acordar, pergunte ao pessoal sobre a ilha Kalokaíri. E quando sentir um desejo de andar, ande e peça aos outros que te sigam... –Silena me abraçou apertado e beijou minha testa- Eu confio em você, irmã. Honre o chalé de Afrodite. Faça a mamãe se orgulhar de você...

E a última coisa que vi antes de acordar foi o sorriso esperançoso da minha irmã. Eu ia honrar o chalé de Afrodite, com toda a certeza do mundo.

Notas finais
Então, quem gostou da aparição do Ethan, levanta a mão e grita POR LADY AFRODITEEE!!! Resolvi alguns mistérios pra vocês? Fiz novos mistérios aparecerem? Seja como for, quero meus reviews!!! Ah, e vocês perceberam que o nome da ilha, Kalokaíri, foi bem destacado? Isso pode ajudar vocês a resolverem um mistério maior da história... Kissies