O clima era estranho no quarto daquele hotel. Sentados um de frente para o outro, eles se encaravam num silêncio emocionado a mais de vinte minutos. Já haviam se abraçado e chorado, mas nenhum dos dois sabia o que dizer.

A única coisa que Michael conseguia fazer era olhar para Linc. Foi tudo tão rápido, assim que Sam e Dean terminaram de explicar o porque de ele ainda estar ali, Lincoln fora chamado e, no momento em que eles se viram, todas as suas lembranças voltaram: A infância deles, a época de Fox River, a fuga, Scylla, tudo voltara.

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Do lado de fora, os Winchester esperavam:

- O que será que eles estão fazendo lá? — Perguntou Sam.

- Sei lá, devem estar relembrando a época dos \"Embalos de Sábado a Noite\", ou qualquer coisa do tipo. — Disse Dean, já cansado de esperar.

- É, isso tá demorando demais pra quem disse que queria que terminasse logo. — Disse Sam brincando com a algema.

Eles já haviam passado na estação de trem, foi mais fácil do que pensaram, as coordenadas de Michael foram precisas, e logo eles já estavam com a algema nas mãos.

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- Como soube dos Winchester? — Perguntou Michael, quebrando o silêncio.

- Sucre. Finalmente as superstições dele serviram pra alguma coisa. Micheal...

- Não Linc — Interrompeu Michael, já sabendo o que ele ia dizer. — Isso não está certo, e eu não vou viver desse jeito.

- Pense na Sara, no seu filho.

Aquela palavra lhe causou dor: Filho. Não havia assimilado aquilo ainda. Ele se lembrava da gravidez de Sara, mas fora a quatro anos atrás. Quando ele morreu, a barriga de Sara nem demonstrava traços da gravidez e agora já havia um menino de quatro anos.

- Como ele é? — Apesar de não admitir, a ideia de ficar começou a rondar a cabeça de Michael.

- Igual a você. Michael... É o nome dele: Michael Junior. O garoto é fantástico, ele adora o L.J. ... Fica com a gente Michael.

- Os Winchester... Você os chamou pra me mandar embora Linc.

- Eu pensei que não fosse real Michael, achei que fosse só uma superstição do Sucre. Mas agora eu sei que é real, não vou deixar você ir pra sempre, não sabe o quanto a gente sofreu.

- Por minha causa pessoas inocentes morreram Linc, não sei se posso continuar.

- É claro que pode, pensa nisso como uma segunda chance Mike. A gente pode ter a vida com a gente sempre quis: você, a Sara e seu filho. Eu com a Sophia e o L.J. Tudo vai ser como era antes e...

- Não, não vai. Nada vai ser como era antes. — Interrompeu Dean, entrando no quarto, ele havia se cansado de esperar. — Você não está mais vivo Scofield.

- O Dean tem razão Michael, — Disse Sam aparecendo à porta. — logo toda essa \'\'humanidade\'\' que tem em você vai sumir. Quanto mais você fica, mais você perde isso.

- Você vai acabar ficando igual as criaturas que a gente caça... E a gente vai ter que caçar você. — Disse Dean

Ao ouvir aquilo, Lincoln se levantou... Ele estava prestes a acertar Dean quando Sam entrou na frente e acabou recebendo o soco pelo irmão. O Winchester mais velho ia revidar o ataque mas assim que chegou perto de Linc alguma coisa o atacou e ele foi lançado do outro lado do quarto.

De repente todos os olhos se voltaram pra Michael. O nariz voltara a sangrar, seus olhos estavam vazios.

- É disso que eu estava falado. — Disse Dean se levantando do chão. A cabeça doía mas ele não estava ferido.

- Eu sinto muito Michael — Disse Sam.

- Linc... — Michael deu um paso na direção de Lincoln, e meio que por reflexo Burrows deu um passo para trás. — Você tá com medo de mim, Linc?

Lincoln não reconhecia mais seu irmão. Aquele homem, aquilo, não era o Michael que ele conhecia. De repente tudo o que ele queria era sair dalí, foi um erro ter remexido naquela história. Queria voltar pra casa e esquecer, fechar o buraco que ele havia reaberto no peito.

- Eu...Eu... É melhor eu ir embora. — Disse ele, se dirigindo até a porta.

- Linc, por favor! — Implorou Michael, segurando o braço do irmão, assustando-o novamente.

- Vamos Michael, vamos acabar com isso de uma vez. — Disse Sam

- Ok... Hã... Só mais uma coisa antes...

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Ela continuava linda como ele se lembrava, mesmo de longe ainda podia ver seu sorriso e isso lhe bastava... Na verdade não, queria poder ir até lá, abraça-la e dizer que a amava, mas acima de tudo queria abraçar o garotinho que ela segurava no colo. Ele tinha os olhos tão azuis quanto os seus, mas os cabelos era do mesmo tom que os da mãe.

De novo Michael estava chorando, queria poder ficar ali com sua familia mas sabia que não seria possível. Sara não sabia que de nada, Lincoln não havia contado a ela sobre sua volta e era melhor que continuasse assim.

- Vamos! — Disse ele virando de costas para a casa.

- Adeus Michael — Disse Linc, dando o último abraço no irmão.

- Estamos prontos disse Sam — Havia uma pequena fogueira ao seu lado e ele segurava a algema acima dela.

- Linc, me prometa uma coisa.

- O que?

- Esqueça essa história, continue sua vida e, principalmente, não olhe para trás.

Não olhe para trás. Foram as ultimas palavras de Michael. Assim que ele se despediu do irmão, Sam jogou a algema no fogo e Michael sumiu como um passe de mágica.

- Adeus Linc — Disse Sam.

- É, que seja. — Disse Lincoln seguindo em direção a casa de Sara.

Assim que Burrows foi embora Dean saiu do carro.

- Pois é, acabou o melodrama... Mas sabe Sammy, eu até que gostava do cara.

- Dean, ele bateu em você. — Disse Sam com um sorriso sarcásrtico, e completou — Duas vezes.

- Ah cala boca Sam, vamos sair daqui, eu tô cansado de bancar a Melinda Gordon. Pra falar a verdade eu tô é morrendo de fome.

Sam sorriu para o irmão e os dois entraram no Impala, aquela tinha sido uma longa missão e ele também estava com fome.

Ao ver Dean ligar o rádio do carro Sam começou a protestar:

- Ah não Dean, por favor, AC/DC....

Mas o som de sua voz foi abafado quando Dean aumentou o volume no máximo e começou a cantar junto com Brian Johnson:

- \'\'I\'m on the highway to hell... Highway to hell\'\'

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!