Dont Let Me Fall

42 Seis letras.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕
Penúltimo capítulo...

Capítulo 42 – Seis letras.

Narrado por Matheus

–Foi aquele imbecil que fez isso em você?!

Continuei calado, não queria respondê-lo.

–Anda Matheus, me fala!

–Não é nada Felipe... –Disse tampando meu pescoço sem encará-lo.

–Ah não, claro que não, são hematomas ou chupões? Matheus, eu não acredito que estou vendo isso, como você pôde...

–Quem é você pra me dizer isso?! Você não tem o direito de...

–Vocês fizeram, não fizeram?! –Gritou Felipe, me interrompendo.

–O quê?

–Não se faça de bobo, eu sei que você fez sexo com aquele cara!

Engoli seco, mesmo que não era verdade, ouvir aquela frase da boca dele me deixou espantado. Virei o rosto para o lado, eu estava sentando na cama, e ele ainda estava parado na minha frente, eu queria tanto que ele fosse embora, mas as palavras não saiam da minha boca.

–Eu não ligo... –Diz ele, quase num suspiro.

O olhei sem entender, seus olhos estavam avermelhados.

–Eu não ligo, você pode ter feito, eu não ligo, eu amo você do mesmo jeito... –Diz ele.

–Do que você tá falando, Felipe?

–Por favor, me perdoa...

–Você tá chorando? P-Para, para com isso... –Falei tentando me afastar, ele estava próximo demais.

Felipe pegou no meu rosto, eu relutava em olhar para seus olhos, mas não resisti, acabei cedendo ao seu olhar. Ele se abaixou em minha direção, por que eu não conseguia dizer nada? Não poderia ser somente aquilo nossa conversa, eu queria criar coragem para dizer a ele que ele estava errado, mas eu não conseguia, e ao mesmo tempo, não queria deixar que ele pensasse que estava com a razão.

Mas antes mesmo que eu pudesse concluir meus pensamentos para formular uma frase, ele tomou de repente os meus lábios, aquilo foi tão depressa que o que eu fiz no momento foi colocar as mãos em seu peito para empurrá-lo, mas ele segurava meu rosto colado ao dele firmemente.

Consegui uma brecha, ele se afastou alguns milímetros de meu rosto, mas ainda estava próximo, respirando ofegante.

–O que deu em você?! Você é maluco?! –Falei ainda tentando o empurrar.

–Sou, sou maluco por você Matheus. Eu percebi que não tinha jeito, posso estar sendo um pouco rude, mas não ligo, porque isso aqui... –Diz ele pegando minha mão direita e tirando algo do bolso, e um tempo depois vi que era minha antiga aliança, Felipe a encaixou no meu dedo anular. –Isso aqui é seu, nem pense em tirar, você é meu Math, não vai ser por causa de um doutorzinho de merda, por causa da vadia da minha ex-namorada ou o mundo inteiro conspirando contra nós que vou me separar de você... Eu devia ter feito isso antes, mas vi que esse era o único jeito...

–O que espera que eu faça? Que eu te perdoe assim, do nada? Você é inacreditável, sabia?

–Posso até ser, eu sempre fui cabeça dura, não era assim que você me chamava? –Diz ele segurando meus braços com força.

–P-Para, você está me machucando...

–Tá legal, me diz outro jeito que eu poderia ter feito isso? Abarrotar seu quarto de flores? Ou preferiria chocolate? Fala sério Matheus, você não é uma garotinha...

Fiquei calado, como ele esperasse que eu o perdoasse daquela maneira?

–E mesmo depois de tudo isso, de ver essas marcas em você, de saber o que houve em ter você e ele, eu ainda...

–Do que você tá falando Felipe? Não se faça de coitadinho, você sabe como eu me senti em relação a você e a Aline...

–É... É verdade, mas não aconteceu nada, por que você não acredita? Por que eu estaria mentindo depois de tudo isso que aconteceu, Matheus? Não tem lógica!

–Não rolou nada mesmo?

–Nada.

–Certeza?

–Absoluta.

–Não sei se eu deveria dizer isso, mas... Eu não transei com ele...

–Hã?

–Você ouviu bem, não aconteceu nada...

–Até parece, não vou acreditar na desculpa de que você caiu da escada e bateu o pescoço...

–Tá, isso são chupões sim, mas eu fui embora antes que acontecesse algo.

–Até parece. –Diz ele sentando ao meu lado na cama.

–É sério...

Felipe me olhou, dando um sorriso torto, fiquei com medo do significado daquilo, eu não queria que ele achasse que estava tudo bem agora, ou que fizemos as pazes e algo parecido...

Ele ainda estava sentado ao meu lado, eu não tive coragem para me levantar, eu queria sair correndo dali, mas era ele que tinha que ir embora. Até que sinto seus dedos acariciando o meu pescoço.

–Eu não sei como eu pude deixar outro cara tocar em você, eu fui um covarde Math...

Tirei sua mão dali, e virei o rosto para o lado.

–O que mais você quer de mim? Por favor, Felipe, eu não estou numa boa hora...

–Já que é assim... –Ele se levantou, e minha esperança de ele ir embora aumentou. –Vou te explicar melhor...

Felipe me empurra, me forçando a deitar na cama, eu tentei levantar, mas ele me segura nos ombros. Eu realmente precisava de algumas aulas de defesa pessoal...

–Eu não quero nada de você, não entendeu? Eu quero você...

Como se Felipe deitado por cima de mim não fosse constrangedor o suficiente, ele ficou me olhando, e eu não sabia o que fazer, tentava empurrá-lo, e desviar ao máximo meu olhar do seu, mas era difícil.

–Vai, me diz que você não quer voltar...

–Não quero!

–Olhando nos meus olhos. –Felipe ressalta.

–Para de frescura, Felipe.

–Não é frescura. –Diz ele apertando meus braços. –Pare de ficar se debatendo...

Eu gritava, e ele começou a rir, parecia que ele apreciava o meu sofrimento, ou para ele aquilo tudo era uma brincadeira, mas ser quase estuprado mais cedo não tinha sido nada divertido, não quero outra experiência igual a essa.

–Sai de cima de mim!

–Então diga, e eu vou embora.

–Vai mesmo?

–Sim.

Quando olhei em seus olhos, engoli seco, aquela frase estava presa na minha garganta, mas eu teria que falar, pelo meu próprio bem.

–Eu... –Iniciei a frase, e Felipe se aproximou. –Não quero mais... –Eu estava quase lá, e Felipe continuava a me olhar.

Minhas bochechas ardiam, era tão difícil dizer algo olhando em seus olhos. Quando me dei conta, seus lábios estavam sobre os meus novamente, e eu não tinha feito nada para impedir aquilo, ele tinha sido mais rápido, mas quem poderia... Resistir àqueles lindos olhos azuis...

Por que eu continuava? Por que eu respondia aos seus movimentos? Por que meu corpo se arrepiava? Por que ele estava mexendo tanto com a minha cabeça naquele momento? Por que eu relutava tanto? Por que eu não me entregava? Por que era tão difícil me livrar do meu orgulho? Por que era tão difícil assumir para ele que eu o queria de volta mais do que tudo?

Por quê?

Felipe era o único que poderia gritar comigo, dizer na minha cara que eu estava sendo teimoso, fazer coisas inesperadas, ser cabeça dura, retrucar, me torturar, ficar dias longe de mim, e mesmo assim, me deixar cada vez mais apaixonado...

–Como você consegue? –Falei sem ar.

–O quê?

–Ser assim.

–Assim como? –Pergunta Felipe.

–Irresistível...

Ele riu, sem jeito, e disse:

–Isso significa que você não vai terminar a frase de antes?

–É. –Falei sorrindo. –Me desculpe...

–Temos muita coisa pra resolver, Matheus, muita coisa pra conversar, mas agora eu não quero pensar nisso, somente quero ficar com você... Tem problema?

–Não. Eu ia te falar a mesma coisa...

Por um momento, era difícil assimilar tudo aquilo, eu achava que eu tinha pegado num sono sem perceber e que aquilo era um tremendo pesadelo, não que fosse uma coisa ruim, mas eu não queria acreditar, e a parte ruim do sonho, seria por ter que acordar.

Senti Felipe me abraçar, nos deitamos normalmente na cama, e me virei para ele, eu estava desnorteado, por onde eu começava? O que eu dizia para ele? Queria tanto ter alguma coisa para comentar, eu estava me sentindo um babaca naquele momento, eu estava errado, e ele é que estava pedindo desculpas. Se bem que nós dois tivemos culpa...

–Nunca mais me abandone... Ouviu? –Felipe sussurrou.

–Pode deixar.

Senti Felipe dando beijos no topo da minha cabeça, e alisando meus cabelos. Mesmo depois de ter feito tudo aquilo, ele conseguia ser tão calmo, afável e aconchegante. Eu poderia até ter me enganado com o Leonardo, mas os braços de Felipe eram os únicos que tinham o encaixe perfeito para o meu corpo.

Eu não sei se um dia teria a coragem para dizer tudo o que aconteceu na casa do Dr. Martinez para o Felipe, pois também não saberia se conseguiria ouvir a verdadeira história do mal entendido de Felipe com a Aline, acho que eu não conseguiria ouvir sem morrer de ciúmes, do mesmo modo que eu também acho que ele ficaria quanto ao Leonardo.

–Matheus, diga alguma coisa...

–Alguma coisa.

–Engraçadinho...

–Por quê?

–Para confirmar que não estou sonhando, você não imagina quantas noites fiquei acordando pensando nesse momento... É claro que não imaginei tudo desse jeito, eu estava planejando algo romântico, só que você não me deu escolha...

–Eu não fiz nada, foi você que quis invadir a minha casa...

–Depois eu te explico... Está bem? –Diz ele aninhando meu corpo com seus braços. –Eu só quero ficar assim...

Não sei o que era mais inacreditável naquele cenário, minha mãe ou meu pai ainda não ter aparecido por causa da gritaria, ou Felipe incrivelmente quieto por mais de dois minutos.

Felicidade tem dez letras, mas a minha só tem seis...

Felipe.

Notas finais