Dont Let Me Fall

40 Prato principal.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 40 – Prato principal.

Narrado por Felipe

—É um homem da faculdade dele, chamado Leonardo, mas ele sempre o chama de Dr. Martinez...

Levei minha mão até a boca, surpreso. Meu corpo tinha congelado, eu já não tinha tido uma primeira impressão boa daquele cara, já havia imaginado que ele tinha ouvido toda a nossa discussão na faculdade aquele dia, mas não acreditava que ele tinha chegado tão longe.

—Felipe... Está me ouvindo?

—Sim, estou...

—Você o conhece? Já ouviu Matheus falando dele?

—Pior que sim, esse pilantra sabe sobre eu e ele... Droga! Eu tenho que fazer alguma coisa...

—Bom, se você quiser, eu posso te ajudar nisso, eu conheço muito bem o Matheus.

—Eu faço tudo o que for preciso.

POV FELIPE OFF

Narrado por Matheus

Fiquei deitado alguns minutos pensando no que havia conversado com minha mãe, e mesmo eu não comentando com ela sobre estar confuso no que fazer em relação ao Leonardo, ela tinha me dito para conversar com Felipe, tentar ouvir o que ele teria para me dizer, e mesmo eu querendo aquilo, não podia assumir que ao mesmo tempo estava morrendo de saudade da voz dele.

Desci as escadas e fui procurá-la, ouvi sua voz, mas meu pai não estava por perto, foi então que a vi desligando o telefone e olhando surpresa para mim.

—Que susto, Matheus!

—Quem era? –Perguntei rindo.

—Sua tia...

—Ah, não me diga que ela está vindo pra cá de novo, ela faz isso em todos os meus aniversários...

—Ela ainda não tem certeza...

—Mãe, eu queria te perguntar uma coisa... –Concluí, mudando de assunto.

—Pode falar querido. –Diz ela sentando-se.

Eu iria desabafar, tudo.

POV MATHEUS OFF

Narrado por Felipe

Eu tinha perdido o apetite, continuei ajudando Samanta, mas ela percebeu minha cara fechada quando perguntou quem era.

—A mãe de Matheus. –Respondi seco. –Quando eu achava que estava tudo bem, que eu estava fazendo a coisa certa, vejo que tudo piorou.

—O que houve?

—Eu não quero falar disso...

—Certeza?

—Talvez mais tarde.

Eu estava controlando minha raiva, mas minha vontade de socar a cara daquele doutorzinho de merda era enorme, só que eu faria o que a mãe de Matheus tinha me dito, mas naquele momento, eu estava com tanto ódio que eu não queria nem comentar sobre aquilo.

Terminamos de fazer o almoço, mas eu disse que estava sem fome e fui para o meu quarto, Nina me seguiu, levando um de seus brinquedinhos na boca. Me sentei na cama, e ela parou em minha frente, abaixando a cabeça deixando o osso de borracha em meus pés e raspando a pata no chão, como se apontasse para o brinquedo.

—Desculpe Nina, mas eu não quero brincar agora...

Ela se sentou, como se compreendesse, e fiquei em silêncio.

Mas ao menos não estava sozinho...

POV FELIPE OFF

Victor acabava de chegar em sua casa, indo para a cozinha deu um beijo e um abraço em Samanta e perguntou o que tinha de almoço. Ela preparou seu prato e se sentaram.

—O que aconteceu? –Victor perguntou quando viu sua expressão. –Alguém morreu?

—Só estou preocupada com Felipe.

—O que foi agora?

—Ele não quis me contar, acho que você deveria ir conversar com ele.

Narrado por Matheus

Novamente eu não tinha tido coragem para falar sobre Leonardo, mas tentei usar outras palavras, dizendo que estava confuso sobre o que fazer sobre uma coisa e que não sabia se era certo tentar, pra mim tinha sido tudo muito claro, mas é lógico que para minha mãe tinha ficado confuso.

Então ela me disse que só seria certo, se eu quisesse que fosse, porque nós sempre temos que tentar antes de dizer se aquilo nos fará bem ou não, seguir nosso coração.

Voltei para o meu quarto, não iria para a biblioteca naquele dia, resolvi fazer meu trabalho em casa mesmo, fui para o computador, e torci para achar o conteúdo completo da matéria que eu precisava. Peguei algumas folhas para anotações, para escrever algo importante enquanto lia, e mesmo assim não conseguia me concentrar completamente, pelo jeito, aquilo levaria muito tempo...

Tentei me concentrar, a pesquisa exigia minha atenção completa, o que era difícil.

Mas quando a noite chegou, eu estava quase terminando, mas minha barriga doía, eu estava faminto então fiz uma pausa, indo procurar algo para comer.

POV MATHEUS OFF

Narrado por Felipe

Eu estava em meu quarto quando meu pai apareceu, dando alguns estalos no batente da porta com os dedos.

—Pode entrar. –Falei.

—E aí, como você tá moleque? –Pergunta ele, colocando as mãos dentro do bolso da calça, e vindo em minha direção.

—To bem...

—Não parece, o que aconteceu? Não conseguiu falar com o Matheus?

—Não.

—Ah, então é por isso...

—Já falei, eu to bem.

—Certo, certo. Se precisar de mim, estarei na sala. –Diz ele indo para a porta.

—Pai.

—Oi? –Falou, se virando.

—Você acha que ele vai me dar uma segunda chance?

—Não vejo porque não.

—Eu estou perdendo a fé, pai.

—Quer conversar sobre isso? –Perguntou ele.

Balancei a cabeça afirmativamente, às vezes conversar com meu pai, era tudo que eu precisava.

POV FELIPE OFF

Narrado por Matheus

Depois que fiz um lanche –e levei um sermão da minha mãe, porque estava quase na hora do jantar-, subi até o quarto e decidi dar uma olhada na página da banda de Thiago, para ver mais sobre o evento que ele tinha me convidado.

Fiquei surpreso, aquilo seria de um porte realmente grande, num salão de um hotel onde pessoas como eu, nunca imaginariam entrar, foi então que me toquei, eu não teria um traje adequado para usar no dia. A última vez que eu tinha usado um traje à rigor tinha sido no... Casamento do pai de Felipe.

Suspirei ao me pegar pensando nele, por que era tão fácil me apegar a essas lembranças? Como por exemplo, do jeito que ele tinha ficado lindo com aquele smoking... Droga!

Foi então que fui salvo pelo gongo, a garota que eu tinha formado a dupla para a pesquisa, estava me ligando.

—Alô? –Atendi.

—Matheus, eu consegui achar o conteúdo que nós precisávamos.

—Sério? Eu até pensei em te ajudar a procurar, mas eu acabei não achando na internet.

—Pois é, o professor não podia ter passado um tema mais difícil para nós, não?

—É verdade. –Concordei, rindo. –Mas como você conseguiu?

—Ah, eu pedi ajuda pro nosso tutor. Ele é muito gentil, você se lembra dele, não lembra? Aquele que às vezes dá algumas palestras, o Dr. Martinez.

—Ah é?

—Sim, dei a sorte de ele estar ontem a tarde na faculdade, ele já estava quase indo pra sua casa com um grupo de estudos, e me chamou para ir também!

—Oi?

Eu entendi bem?

—Ele me convidou para ir a casa dele, não estávamos sozinhos, mas ele foi tão atencioso, passou a tarde me mostrando alguns livros de que eu precisava e me ajudando, até adiantei uma matéria que eu precisava do resumo para estudar, com a ajuda dele.

—Ah... Livros? –Perguntei desconfiado.

—Ele parece ter uma coleção enorme, mas não quis me mostrar, mesmo eu implorando por isso...

Um alívio percorreu meu corpo completamente, eu tinha ficado receoso, achei que ele também tinha feito aquelas coisas com ela, mas o que foi estranho, era que ele tinha me convidado para ver sua biblioteca, será que eu era especial para ele? Ah, que bobagem...

Espera aí... Cadê meu livro?

—Matheus? –Ela me chama, do outro lado da linha.

—Ah, desculpa, eu estava procurando uma coisa...

—Entendi, mas isso era tudo o que eu queria te falar. Verei se consigo o telefone dele com alguém. Você sabe quem tenha?

—Não. –Menti.

Espera aí, ela não tem o celular dele? Porque comigo, ele até me deu um de seus livros, e com ela, não deixou nem que visse sua biblioteca... Será que era só comigo, que ele fazia essas coisas? Será que eu tinha tratamento especial?

—Que pena... –Diz ela.

—Mas ele está sempre na faculdade, pode perguntar algo para ele lá.

—Eu sei, mas eu fiquei super interessada nele, e quando o pessoal foi embora, eu comecei a dar algumas indiretas, acho que ele percebeu...

—Sério? Ele fez o quê?

—Foi muito repentino, acho que ele ficou um pouco surpreso, e me mandou educadamente embora, e adivinha? Com indiretas também...

Tive vontade de rir, será que ela não percebeu que ele não estava a fim?

—Ah, mas deixa quieto, eu já terminei minha parte da pesquisa ao menos, e você, falta alguma coisa?

—Ah sim, eu estava quase acabando quando você me ligou, só falta eu terminar alguns gráficos de comparação, mas essa parte é fácil.

—Ah, tudo bem, se precisar de ajuda me chame, depois nos falamos.

—Até mais.

Desligamos a chamada e fiquei pensando, eu realmente estava receoso, para ele era tão normal convidar pessoas desconhecidas para sua casa? Foi quando me dei conta de que ele tinha comentado comigo que além de ser tutor da minha turma, ele dava aulas particulares, então tudo fez sentido.

Como sou idiota, por que estava desconfiando dele?

Acho que ele realmente gostava de mim...

Foi nesse pensamento que deixei um sorriso torto aparecer em meus lábios.

Fiquei tão feliz a ponto de querer retribuir todos os seus favores, minha cabeça estava a mil, mas eu tentei me acalmar e terminar o trabalho. Sentei na cadeira de frente ao computador e botei a cabeça para funcionar.

Acho que a minha felicidade misturada com ansiedade tinha me ajudado a me concentrar na pesquisa –por incrível que pareça- e quase dei um pulo quando finalizei, relendo para ver se estava tudo certo.

Já era um pouco tarde quando terminei, fui me arrastando para a cama, morto de cansaço, mas no fundo, estava feliz por saber que eu era importante para Leonardo.

Me ajeitei confortavelmente embaixo da coberta, e logo minhas pálpebras foram ficando pesadas e assim peguei no sono. Quando já era de manhã, acordei com o sol batendo no meu rosto, peguei meu celular, nele marcavam quase meio dia, mas o que me chamou atenção, não tinha sido as horas, e sim o número de chamadas perdidas de um número desconhecido.

Aquilo me deixou de certo modo, muito curioso, e mesmo eu pensando no risco de ser Felipe, liguei para ver quem era, e o que queria. Foi várias vezes para a caixa postal, até que desisti, bufei e fiquei imaginando quem poderia ser.

Me sentei na cama, espreguicei os braços e esfreguei o rosto, como se aquilo fosse tirar toda aquela moleza que eu sentia, mas logo assustei com meu celular tocando, era o número que eu havia acabado de tentar ligar.

Ansioso, atendi.

—Alô?

—Ah, é com você mesmo que eu queria falar...

—Quem tá falando? –Perguntei.

—Não se faça de bobo, deixe o Felipe em paz, ouviu?

—Ah, é você né, Aline... –Disse com azedume.

—Seja qualquer coisa que você tenha feito ou dito para o Lipe parar de ir para a faculdade, vai ter que mudar isso! Ele vai ter sérios danos por sua causa, você não se preocupa com ele, não?!

—Eu não faço a mínima ideia do que você está falando...

—Você adora se fazer de idiota, mas escute aqui, você não acha que Felipe irá te abandonar um dia? Não acha que ele quer constituir uma família? Ter filhos? Você sabe que não pode dar isso à ele...

Senti o sangue ferver.

—Estou pouco me fudendo para vocês dois.

Falei e desliguei a chamada, meu dia já tinha começado com chave de ouro.

Levantei da cama, pensei em tomar um banho para despertar, eu teria muito a se fazer... Primeiramente, naquilo que eu pensei bastante noite passada, em retribuir Leo...

Talvez com um presente, mesmo eu não sabendo seus gostos...

Ah, quem sabe ele não considere isso como um presente do primeiro encontro, pois esse jantar me pareceu um convite disfarçado.

Outra coisa que eu tentaria fazer seria chegar um pouco antes da hora que nós havíamos combinado, isso porque ele tinha dito que passaria aqui, mas para não nos desencontrarmos no caminho, eu iria mais cedo para a casa dele, com o carro da minha mãe, e faria uma surpresa, somente espero que ele não fique zangado.

Eu dispensaria o vinho, ao menos hoje, acho que eu teria uma conversa séria com ele sobre nós dois, para saber o que ele sente realmente em relação a mim, e quem sabe, tentarmos algo... Como minha mãe disse, estou seguindo meu coração.

Quando saí do banho, me troquei, e falei com minha mãe, dizendo que eu demoraria um pouco, perguntei se ela queria que eu comprasse algo na volta, e já avisei que só voltaria a noite.

Ao menos assim já evito discussões mais tarde.

Fui para o centro da cidade, andei um pouco pelas lojas, resolvi primeiro fazer a parte mais fácil, comprar um smoking novo para o evento que o Thiago tinha me convidado, na verdade, pensava que era fácil, não imaginava que teria tantas marcas, e que pequenos detalhes fariam tanta diferença, e que o valor fosse tão... Alto... Depois de longas horas andando de uma loja para outra, finalmente achei o que combinava para mim, na verdade, eu estava de saco cheio, comprei o mais em conta.

Mas então, comecei a dar olhadas nas vitrines, para comprar alguma coisa para o Leonardo, relógios, roupas, mas tudo era um pouco difícil de escolher, aquilo variava muito, e eu realmente queria lhe dar algo que gostasse. Mas me lembrei de seu perfume, eu realmente adorava aquele cheiro, mas e se eu comprasse outra colônia? Será que ele também usaria? Ou pensaria que eu não gosto do cheiro dele? Fiquei em dúvida.

Depois de um tempo, já estava certo do que levaria para ele, escolhi uma caixa para presente e logo depois fui para o carro, eu estava tão ansioso em vê-lo, que nem pensei duas vezes e fui direto para sua casa, sem nem avisar.

Quando cheguei, estacionei ali perto e desci, com o presente na mão, toquei o interfone e esperei que ele me atendesse, ele abriu o portão, e quando vi seu rosto, ele parecia um pouco surpreso, talvez puxado para o lado assustado, e com a respiração ofegante, vai ver que ele tinha descido as escadas rápido demais...

Entramos, e ele se desculpou, dizendo que não esperava que eu fosse aparecer, ainda mais, tão cedo. Me desculpei por aquilo, mas falei que era porque queria conversar com ele sobre o que tinha acontecido, e que tinha um presente para ele.

Ele deu um sorriso bobo, e fiquei encantando somente com isso, ele estava particularmente, bem diferente das outras maneiras que eu tinha o visto, um pouco mais “a vontade” que o comum, estava com uma camisa simples, e uma calça jeans, que olhando de relance percebi que estava desabotoada.

—Mas você vai ter que me desculpar, acho que nosso jantar vai atrasar um pouco, eu perdi totalmente a noção do horário, acabei dormindo tarde ontem, então fiquei essa tarde toda cochilando...

—Ah, não tem problema não, é até melhor assim, que posso te ajudar...

—Que isso, eu já disse, eu irei cozinhar pra você, pra depois eu te contar meus segredos de culinária...

—Tudo bem então, você é quem manda chef. –Falei rindo. –Se precisar estarei de prontidão.

—Meu auxiliar de cozinha poderá esperar na sala um pouquinho? -Diz ele indo comigo até a sala de estar.

Nos sentamos, e ele disse:

—Antes de tudo, eu queria saber, sobre o que particularmente, você queria conversar?

—Sobre nós dois.

—Você pensou?

—Sim, acho que já sei o que fazer Leo...

Ele sorriu torto, e disse:

—Tenho a impressão de que vou gostar disso.

—Quem sabe.

Fui me aproximando aos poucos de seu rosto, ele também se movimentou em minha direção, coloquei meus braços atrás de sua nuca, e não resisti, mais uma vez cedi aos seus toques. Como ele conseguia ser tão irresistível?

Ele sabia facilmente como me prender, sua boca tomava meus lábios de uma maneira tão... Tão deliciosa que eu não conseguia descrever, o jeito que ele conseguia me provocar, era incrível, ainda mais quando ele resolvia se apoderar do meu pescoço, e mesmo ele dando mordidas e chupões, eu gostava. Fazia cócegas e ao mesmo tempo a sensação era boa.

—Ah, espera um pouco. –Falei me afastando.

—Por quê?

—É melhor continuarmos mais tarde...

—Ah não, não faz isso comigo. –Diz ele, com um olhar tristonho.

—Pois é, esse é seu castigo por não querer dividir seus segredos de culinária comigo. –Falei brincando.

—Que injustiça hein, Matheus. –Falou ele se levantando. –Mas espera aqui, eu já volto, vou só aquecer o forno...

Ele foi novamente para a cozinha, e fiquei sentado, era tudo tão aconchegante, me sentia bem na casa dele, desde o primeiro dia, talvez fosse pelo tratamento que ele tinha me dado, ele realmente fazia eu me sentir especial...

Percebi alguns livros na mesa de centro dele, fiquei curioso, me aproximei um pouco para ver os detalhes, não tinha nada a ver com medicina, com certeza não eram os livros que ele tinha mostrado ontem para minha amiga.

Escutei o barulho de algumas vasilhas caindo ao longe, na cozinha, e logo depois, ele gritando:

—Eu estou bem!

Ri baixinho, ele parecia ainda estar surpreso com minha presença ali. E talvez, um pouco afobado.

Todas as vezes que eu tinha tentando lhe entregar o presente, ele o devolvia para minhas mãos, vai ver que ele estava com vergonha de aceitar, então pensei em levar até o seu quarto, aproveitando aquilo como desculpa para procurar o meu livro, que aparentemente, eu não havia levado para casa...

Sai de fininho, mas acho que ele não repararia que eu tinha ido para a escadaria, e mesmo que eu fizesse barulho enquanto subia os degraus, ele estava fazendo muito mais na cozinha.

Cheguei ao corredor, e fui para o seu quarto, eu estava me sentindo um intruso ali, mas o local estava bem diferente de quando eu tinha ido, a cama estava desarrumada, acho que ele realmente tinha dormido, e o quarto estava um pouco bagunçado, mas nem reparei naquilo, o meu às vezes ficava até pior, mas me pergunto o que ele teria feito para bagunçar tanto da noite para o dia.

Me assustei quando ouvi seus passos, meu coração quase saiu pela boca, e ele apareceu, mas seu rosto não esboçava uma expressão irritada, somente disse, sorrindo:

—Ah, você está aqui, não te achei lá na sala então...

—Desculpe ser tão intrometido, eu só vim deixar o presente aqui...

—Mas eu já disse que não precisava.

—Você vai aceitar sim, já disse.

—Eu não queria que você visse meu quarto tão bagunçado... –Diz ele caminhando até a cama, arrumando os travesseiros, e esticando a coberta.

Reparei que depois disso, a entonação de sua voz mudou um pouco, me afastei um pouco, não sabia o que falar para ele, nós dois estávamos sem graça. Mas o que estranhei, foi algo em seus pés, algo vermelho embaixo da cama, enquanto ele arrumava a coberta pude ver melhor, meu coração disparou, será que era realmente aquilo que eu estava pensando?

Dei dois passos a frente, prestando atenção naquilo, ele estava de costas, quase terminando de arrumar a cama, e sim, aquilo era realmente o que eu pensava...

Leonardo terminou de arrumar a cama, e logo depois foi para a mesinha que ele tinha ali, recolhendo os livros, e disse:

—Olha essa pilha de livros, está espalhada por tudo quanto é lugar...

Fiquei reparando ainda mais naquele objeto embaixo da cama enquanto ele se concentrava em terminar de tirar os livros dali, até que ele diz algo que me chamou atenção:

—Eu dei algumas aulas hoje a tarde, e sempre que dou aulas, aparece livros até na cozinha, é de todos os tipos de conteúdo...

Como assim? Ele tinha dado aula? Não falou que tinha dormido a tarde toda?

Eu não tinha do que mais desconfiar, estava tudo muito claro, olhei novamente para o objeto, não precisava de muito para entender o que tudo aquilo simbolizava.

O que mais daria a entender com sua cama bagunçada, um sutiã vermelho embaixo dela, e ele ter dado uma desculpa mais cedo pela surpresa ao me ver?

Acho que ele tinha acabado de ter um “encontro”.

Meu coração estava doendo, eu estava com um pouco de raiva sim, mas eu não podia fazer nada, ninguém me mandou ser ingênuo demais, pelo jeito ele fazia aquilo por hobby, e eu era mais uma pessoa que entraria para sua lista.

Eu tinha perdido a vontade de conversar com ele, eu teria que rever meus conceitos antes de tentar algo com alguém que eu nem conhecia, como pude ser tão idiota achando que aquilo daria certo? Como?!

E para piorar, percebi que ele estava meio inquieto com minha presença em seu quarto, e logo depois o vi chutando o sutiã disfarçadamente para que desaparecesse embaixo da cama.

—Ah, Leonardo, me desculpe, mas acho que não vou poder ficar para o jantar...

—Você acabou de chegar, não deixarei você ir embora tão cedo... –Diz ele vindo em minha direção.

Engoli seco, seu olhar tinha ficado assustador naquele momento.

—Se for o caso, posso te levar em sua casa, e acredite, você vai precisar...

—Do que você tá falando? Esse não é o problema...

—Então qual é o problema?

—Nenhum, é que...

Droga, o que eu usaria como desculpa agora?

—Eu só queria te dizer que eu queria mais tempo para pensar...

—Não acho que seja realmente isso, você realmente pareceu bem animado lá na sala. –Diz ele segurando meu antebraço com força. –Por que de repente quer ir embora?

Leonardo apertou meu braço ainda com mais força, e me puxou, me arrastando para sua cama.

—Eu não disse que tinha que ir embora agora, só não vou poder ficar para o jantar...

—Mas não terá graça sem você, afinal! –Leonardo soltou meu braço, me jogando na cama fazendo com que eu caísse deitado, e foi subindo sobre o meu corpo. –Você é o prato principal...

Notas finais
Desculpe, o capítulo deve estar cheio de erros, não tive tempo para reler... ♕