Notas iniciais
Aqui o penúltimo capítulo. Aproveitem. Boa leitura!!!

1 mês depois...

P.O.V Do Freddie

As férias logo terminariam, Sam voltaria para as aulas e eu para as minhas consultas de rotina. As férias de verão eram prolongadas, duravam o bastante. O suficiente para qualquer jovem aproveitar. Continuávamos curtindo a presença um do outro. Até que um dia eu acordei para a minha realidade, não poderíamos ficar juntos.

Não era justo com nenhum de nós.

— Não quero mais morar aqui, mãe. — Eu abordei ela na cozinha.

— Por quê, filho? — Me olhou confusa.

— Não dá mais. Melhor eu me afastar da Sam. — Fui direto ao ponto.

— Você tem certeza, querido? — Estava triste.

Ela gostava do bairro. Já tinha feito amizade com nossos vizinhos mais próximos.

— Tenho. — Respondi tomando aquela difícil decisão.

Sam havia viajado para Yakima com a melhor amiga numa sexta-feira. A amiga dela tinha parentes lá, elas iam passar o final de semana.

No dia seguinte, minha mãe se apressou. Uma colega do trabalho contou que uma casa no bairro que morava estava com placa para ser alugada. Fomos até lá, mamãe conversou com o proprietário, o preço era ótimo e ela acertou as coisas.

Nos mudamos naquela manhã de sábado, a casa era pequena, porém espaçosa. Ficava num bairro longe. Pedi demissão, o dono da assistência até tentou me fazer mudar de ideia e me ofereceu um aumento. Agradeci por tudo e recusei. Do que adiantaria mudar de bairro se meu trabalho ficava pertinho da lanchonete onde Sam trabalhava?

Fui na casa da Sam no domingo, deixei uma carta de despedida com a mãe dela. Pam me prometeu que entregaria. Me despedi daquela mulher que havia mudado para melhor.

Sam disse que as coisas entre elas haviam se tornado agradáveis. Elas viviam em paz sem aquele homem por perto.

Deixei a carta e fui embora com o coração apertado.

[...]

P.O.V Da Sam

Voltei pra casa, tive um ótimo final de semana ao lado da minha melhor amiga, Carly. Estava louca de saudades do Nerd, tomei um banho rápido, me vesti depressa e sem desfazer minha mochila, eu arrumaria as coisas depois, saí do quarto. Foi quando minha mãe me abordou com uma cara nada boa.

— Tô indo ver o Freddie. Se for cólica, eu compro remédio depois e...

— Freddie não está em casa. Ele se mudou. — Me interrompeu.

— Como é? — A encarei incrédula.

— Ele passou aqui ontem e deixou essa carta. — Me entregou o envelope lacrado.

— Que merda! — Aquilo não podia ser verdade.

Fui para o meu quarto, me tranquei após bater a porta com força. Por quê ele tinha ido embora sem me avisar? O que diabos estava acontecendo? Por quê se mudar de repente?

Eram tantos por quês.

Rasguei o simples envelope com as mãos trêmulas. Sentei na cama não me aguentando em pé. Comecei a ler o conteúdo da carta.

"Sempre protegi meu coração, eu sempre tive uma razão. Para não me decepcionar e não decepcionar ninguém, eu sempre tentei evitar me apaixonar. Para não ter que lidar com sentimentos como estes, porque eu não poderia sequer cogitar. Eu tive medo, eu ainda tenho. Viver uma história de amor nunca esteve em meus planos. Como eu poderia me entregar sabendo que poderia te machucar? Eu cometi esse erro me entregando a você.

Sou egoísta, não posso negar, não posso te dar o suficiente. Nunca poderei. Nem promessas eu posso fazer, não quero te deixar na mão. Se estivesse no meu lugar me entenderia, eu não posso fazer isso com você.

Quando olho nos seus olhos, mergulho nessa imensidão azul. Você é tão linda. Garota, você é tudo e muito mais, se eu pudesse eu te daria o mundo. Me perdoe, eu não posso amar você. Eu não posso amar você. Não posso conviver com essa dor que seria tão grande, você não merece carregar este fardo. Espero que me entenda um dia. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Desejo que seja muito feliz, princesa."

Não aguentei e liguei para ele. O choro estava entalado na minha garganta. Tocou, tocou e tocou. Liguei até ele ceder e me atender.

— Seu grande idiota! — Disparei lutando contra as lágrimas. — Acabei de ler sua carta. — Puxei o fôlego. Ouvi sua respiração.

— Sam, por favor, não complique as coisas... A gente não poderia dar certo, vai ser melhor assim...

Como pode fazer isso como o meu coração? Você não pode desistir sem ao menos tentar. Como pode saber que não vamos dar certo? Não ignore esse sentimento. Se permita amar e viver o agora. O futuro fica para depois, não vamos pensar nele. Eu só quero ficar ao seu lado. Por favor, não me afaste. Eu quero cuidar de você e não me importo com sua baixa resistência. Me permita te amar sem medo. Freddie, eu quero viver esse sentimento com você. — Abri meu coração.

— Não posso amar você. Me perdoe, eu não posso te fazer sofrer... — Sua voz embargou.

— Por quê? Eu não me importo com o amanhã. Vamos viver o hoje, viver esse sentimento que temos. Eu não quero abrir mão de você. É ao seu lado que quero estar. — Eu não ia desistir sem lutar.

— Me encontre aonde conversamos pela primeira vez. Você vai me entender quando eu te explicar. Te vejo em 20 minutos. — Encerrou a ligação.

[...]

P.O.V Do Freddie

Fui com o carro da minha mãe, lá estava ela sentada no meio-fio. Usava o mesmo moletom de capuz que vestia naquela noite. Dessa vez não estava fumando, Sam não fumava e alegou que tinha sido coisa do momento quando aconteceu.

Assim que me viu, levantou e correu vindo me abraçar. Apertei seu corpo num abraço. Minha mãe tinha razão.

Sam precisava saber.

— Por quê foi embora sem se despedir, bocó? — Cruzou os braços.

Era a hora da verdade.

— Porque achei que seria menos complicado. Doeria menos. A verdade é que não podemos ficar juntos, Sam. — Eu disse lutando contra as lágrimas.

— Tem outra garota na jogada? — Cerrou as mãos em punhos.

— Não. De jeito nenhum! — Neguei.

— O que é então? Fala logo, e nada de mentir pra mim! — Pediu.

— Tenho CMD. Não é uma simples baixa resistência, estou doente. Eu não devia ter...

— Não fale isso, por favor... Não me diga que se arrependeu. — Deu uns passos para atrás.

Lá estava ela, arrasada e com os olhos marejados.

— Ainda não é terminal. Também não significa que terei uma vida longa pela frente. Posso morrer daqui à 3 anos. Não recebi um prazo. Tenho Grau 3. Não têm cura. Já está avançado... Estou com medo, Sam. Me dói ter que te dizer isso e...

— Oh, Freddie... — Começou a chorar compulsivamente.

Ela desabou de joelhos aos prantos, abraçando o corpo curvado. Era a primeira vez que eu a via chorar.

Era exatamente aquilo que eu tentei evitar em vão.

— Não chore, anjo... Sinto tanto por ter escondido algo tão grave. — Afastei seus cachos que caiam por seu rosto.

— Agora eu entendo... — Soluçou. — Por isso nunca teve amigos e nem teve uma infância normal... Você têm Câncer. — Compreendeu.

— Só queria que não tivesse pena de mim. — Comecei a enxugar suas lágrimas.

— Não tenho pena... Estou... — Ela não conseguia falar e chorou com mais força. — Por favor, não me deixe... — Suplicou desesperada. — Não tenha medo, eu estou aqui. Não desista de nós... Não desista de nós. — Segurou meu rosto. — Me permita, se permita. Me ame, me deixe amar você. Você é tudo que eu preciso, Freddie. Também foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Por favor, não desista de nós... — Ela me abraçou com força.

Chorei porque doía em mim. Aquilo não era justo. Jamais seria justo. Éramos tão jovens.

Eu a amava com todas as minhas forças.

Que futuro eu poderia dar a ela? Que futuro?

Sam carregaria dor e sofrimento. Como eu iria conseguir conviver com aquilo?

Notas finais
E aí??? Se emocionaram??? O que acharam da carta??? E da descoberta??? Foi tocante demais!!! #Emocionada Nos vemos no próximo. Bjs