Dont Forget Me
1 Não apenas mais uma
Notas iniciais
As lágrimas caiam de seu rosto continuamente; seus olhos tão vermelhos quanto inchados; sua respiração lenta; nariz escorrendo. Suas mãos estavam trêmulas, seu peito que ardia sem parar, dava-lhe pontadas, o resmungo ecoava naquele quarto vazio e bagunçado. Encolhido em um canto qualquer. Os lençóis bagunçados com o cheiro da noite passada; aquela cozinha desorganizada por tentativas inúteis de cozinhar; o banheiro com os produtos e algumas poças d’água espalhados no chão pelas brincadeiras na banheira. Não era a toa que o apartamento de Minhwan estava vazio. O porquê de todo aquele vazio... foi uma briga.
Estava confirmado que Minhwan e Jaejin tinham uma relação daquelas de cinema. Uma relação que aparentemente era indestrutível apesar de sempre esconderem de todos. Tinham a mesma moradia há um ano. Dali saia ciúmes, possessão, amor, risos, gargalhadas, beijos e até mesmo sexo. Quanto amor um tinha pelo outro era inexplicável, nem mesmo os dois conseguiam entregar tanto carinho a proporção do amor que tinham um pelo outro. Até mesmo os membros de sua banda já sabiam; só se era escondido das fãs e da imprensa. Sentiam aquele apartamento como o paraíso, onde ninguém iria poder julgá-los por terem gostos diferenciados dos outros.
Minhwan era um garoto adorável e doce. Apesar de maduro, adorava brincadeiras de criança e ainda tentava com suas brincadeiras mesmo que tenha perdido seu rostinho fofinho. Seu único defeito era sua extrema possessão e seu excessivo ciúme o que atrapalhava a si mesmo por odiar qualquer pessoa perto do seu amado.
Jaejin já era um tano mais sério, mas sempre conseguia divertir-se; adorava ficar ao lado do ciumento e possesso Minhwan e se sentia um tanto desanimado quando acabavam se desentendendo por esse ciúme excessivo. Mas, desta vez foi demais.
O baixista havia recebido uma cesta composta por chocolates, flores e algumas cartas se declarando e Jaejin nem ao menos sabia de quem era e não era de uma fã, poderia ter certeza. Olhava mesmo era aqueles chocolates que pareciam apetitosos. Minhwan adentrou o apartamento quando ele estava prestes a abrir um dos chocolates.
- O que é isto? – Jogou o casaco sob a poltrona próxima a cama enquanto aproximava-se do baixista e olhava curiosa aquela cesta, pegando um dos cartões e lendo algumas palavras que lhe subiam o sangue.
- É uma cesta que alguém mandou... meu deus, esses chocolates estão uma delícia. – Jaejin respondeu ao baterista, já abrindo o segundo pacote de chocolate enquanto mal havia conseguido engolir o que tinha na boca até que o ruivo baterista bateu com a mão bruscamente naquele chocolate, derrubando os restos no carpete.
- Você come chocolates... de uma mulher qualquer? Agora você aceita chocolates... o próximo passo é encontrar com ela?! – O mais novo criava um bico enorme enquanto jogava a cesta no chão, derrubando toda a grande quantia de chocolate no chão e as cartas que Minhwan insistia em pisar nelas.
- São apenas chocolates!
- Apenas chocolates? Essa mulher quer te tirar de mim! – Minhwan logo segurou ambos ombros de Jaejin, os chacoalhando. Seu olhar refletia ódio, ciúme, possessão e até mesmo amor ao mesmo tempo. O baterista estava fora do normal, controlado pelo ciúme, que não era lhe de costume ter aquela personalidade.
- Sabe que ninguém me tira de você. – O baixista tentou lhe entregar um beijo estalado na boca mas, o que conseguiu foi um empurrão para quase cair sob a cama próxima dali.
- Ninguém te tira de mim! Ela vai te tirar de mim e você não parece nem ao menos ligar! Você adora esses presentinhos sejam de mulheres e homens! Eu te odeio. É... você é a pessoa detestável! Vai lá, me troque por qualquer outra mulher por aí... Eu quero que você vá embora. Eu quero que você suma, eu desejo nunca ter te conhecido! Você é horrível, detestável, tsck. Você deveria morrer e deixar tudo. – Palavras que doeriam qualquer pessoa que amasse.
Jaejin deu seu último suspiro. Olhou nos olhos do baterista e simplesmente permaneceu em silêncio. Virou-se para o lado oposto deste, pegando suas peças de roupa e o que havia de seu pelo apartamento, as colocando numa mala qualquer. Assim que abriu a porta, seu olhar era fixo no chão.
- HongKi está nos esperando no apartamento dele.
- Espera... – Mesmo que Minhwan tentasse impedir, o baixista permaneceu falando.
- Não é preciso explicar porque estou indo embora, certo?
- Eu não...
- Você nunca quis dizer nada. Mas, desta vez, essas palavras passaram do limite, Minhwan. Estou saindo. – Jaejin simplesmente saiu e deixou a porta fechar por si só e chamou o elevador.
Minhwan deu passos rápidos e quando tocou a maçaneta, algo o impediu. Era seu orgulho falando mais alto, era seu orgulho lhe impedindo. Inclinou a cabeça, apertou os olhos e deixou escorrer as lágrimas quentes. Mordeu os lábios em relação a dor e sua expressão era completamente dolorosa e chorosa. Escorreu por aquela porta.
Jaejin observou o local mais uma vez. Olhou para a porta do apartamento. Sabia que se o visse novamente ou ousasse ir pelos seus desejos de entrar novamente naquele apartamento... iria ceder novamente para o mais novo. Seus olhos refletiam um olhar vazio incomodado, um vazio que em nenhum olhar mais poderia se encontrar fácil. Uma pessoa tão animada e boa com uma dor daquela no peito.
O elevador estava vazio e a luz enfraquecida. O baixista adentrou e apertou o botão do térreo enquanto observou a própria aparência no espelho. Passou a mão no cabelo e suspirou lento. Encostou em qualquer canto daquele local e bateu a cabeça algumas vezes.
- Por que é sempre assim? – Pensava alto. – Por que, mesmo quando eu sei que ele diz com raiva... eu me magoo com essas palavras? Por que eu sempre levo a sério o que ele diz? Por que dói cada vez mais? Só nesse tempo já sinto falta do seu abraço... sinto o hábito me tomar de pensar no seu sorriso... – Abaixou a cabeça por alguns segundos até o elevador abrir. Passou reto pelo saguão e procurava um taxi qualquer que estivesse livre. Seu destino? O apartamento de Hong Ki, como o cantor havia os chamado. Teria de reencontrar Minhwan com aquela dor. Não daria para suportar. Retirou o celular do bolso e discando para o número do vocalista.
- Alôôô? – Era a voz do Hong Ki que parecia risonha. Falava algumas coisas fora do telefone, provavelmente com os outros membros.
- Alô? HongGi?
- JAEJIN? – O baixista afastou o telefone rapidamente. Logo o colocou no ouvido novamente.
- Estou avisando que não vou poder ir para seu apartamento hoje.
- O QUÊ? – Hongki pronunciava com um tom ainda mais alto e as vezes, rindo descontroladamente.
- Eu não vou poder ir aí hoje. – Jaejin suspirou, já esperando o outro grito. O tom de Hongki abaixou e fez uma voz tristonha.
- Por quê? – Pudera escutar Hongki sussurrando com Seung e Jonghun.
- Não me sinto bem... é passageiro.
- E o que aconteceu? O que está sentindo?
- O que estou sentindo? – Hesitou por alguns segundos para responder o vocalista. – Estou sentindo uma ânsia muito grande de vômito. Creio que não vai querer que eu vomite ai na sua casa, certo? Então, vou ficar por aqui mesmo...
- Você toma remédio aqui e a gente brinca no quarto! – Hongki dizia de um modo que você até imaginaria seu sorriso, mas ao mesmo tempo o tom de preocupação com o membro da banda.
- Não, é arriscado.
- Por favor, Jaejin – Sua voz era melosa. – Venha ficar conosco hoje. Vai ter o Minari, sei que tá afinzão de ficar mais tempo com ele!
- Não vou. – Jaejin soltou, sem querer, um tom frio e grosso que sentiu um frio correr por sua pele e seu coração palpitar forte.
- Vou colocar o Seung, pera aí.
- Tá... – A voz de Seung era clara e não era alta.
- Por favor, Jaejin. Toma remédio, fica na cama do HongGi, a gente joga algum videogame, te empresto meu PSP.
- Seung...
- Deixa eu terminar de falar, respeito!
- Não fale assim comigo! – O baixista riu.
- Tudo bem, então. Estou indo. – Pudera se escutar alguns gritos altos vindo dos três que estavam na linha. Antes mesmo que pudesse se despedir, desligaram a linha e Jaejin finalmente adentrou o taxi.
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