Don't Ever Look Back 2
1 Jet Lag
Olhei pro Rafa e ele estava muito decidido, também né, no dia que o Rafa largar a curtição pra pensar no futuro... Talvez ele esteja certo, pra que pensar no futuro agora? Acho que tenho que ficar mais relaxado, curtir a vida numa boa, tenho 17 anos poxa. Acho que o mundo precisa de mais gente destemida, gente que tenha coragem suficiente pra fazer o que gosta e não o que dizem ser o certo.
Rafa: Eu vou, mas ia preferir bem mais se fôssemos todos juntos. Porra, é a nossa viagem! Vamos curtir e depois a gente resolve o que tiver pra resolver.
Lucas: Não da pra ser assim, Rafa. A coisa é séria agora, a gente pode ser expulso da escola!
Vine: Esquece isso, Lucas, vamos embarcar nesse avião.
Eles ficaram discutindo e eu fiquei totalmente alheio a situação. Sério vei, o que eu faço? As vezes me da um surto de coragem, mas passa em poucos minutos.
Rafa: O que você acha, Mano?
Fudeu, ele ta falando comigo e eu não tenho a menor ideia do que eu quero fazer.
Emanuel: Eu... sei la, não sei vei.
Rafa: Como não sabe? Quer ir ou não?
Emanuel: Eu quero, mas..
Rafa: Então pronto, 3x1. Lucas, escolhemos democraticamente que você vai!
Lucas: Porra, Mano!
Emanuel: Não, calma. Que isso?
Vine: Sério, parou essa viadagem. A gente ta junto: Se der merda vamos ficar juntos e se não der vamos botar pra fuder no Chile.
A mulher do aeroporto tava dando a última chamada para o nosso voo, olhei pra trás e o diretor estava encarando a gente como se fosse nos matar.
Emanuel: Que se foda, vamos embarcar.
Dei um tapa no ombro do Lucas que parecia apavorado e comecei a andar até o embarque. O foda agora era a mulher aceitar nossos documentos tudo falsos. Pensamos que, por estarmos atrasando o voo, a mulher fosse olhar rapidão e nem ia dar nada. Chegamos no portão de embarque e demos os bilhetes.
Moça: Documentos, por favor.
Entregamos e o Vine ficou apressando a moça, falando que íamos perder o voo porque ela começou a olhar demais os documentos.
Vine: Moça, vai rápido, por favor. Nosso voo já ta quase saindo e a gente ta aqui.
Moça: Tudo bem, está tudo ok.
Ela devolveu nossos documentos e saímos correndo até chegar no avião. Entramos numa boa e sentamos na classe econômica, os 4 juntos. Porra, eu ainda tava com o coração acelerado por infringir umas 5 leis federais nos últimos 20 min.
Vine: Falei pra vocês que nem ia dar nada.
Rafa: Isso ae, agora é só curtição.
O voo até Santiago durava umas 6 horas, mas tinha escala em La Plata, na Argentina daqui umas 2h30min pro almoço. Consegui até dormir um pouco até os mlks começarem a me zuar.
Emanuel: Porra, vocês são chatos hein.
Rafa: Relaxa ae, viadão. Olha aquela aeromoça que gata.
Vine: Apostei 20 reais que o Rafa não pega ela.
Emanuel: Aposto mais 20, a mina ta trabalhando, vai te dar um puta fora.
Rafa: Até parece que vocês não sabem o perigo que eu sou.
Ele levantou e foi atrás da aeromoça, eu tinha certeza que ela ia dar um fora surreal nele. O Lucas tava de boa mexendo no notebook dele, nem ae para o que a gente tava falando.
Emanuel: Ta fazendo o que ae?
Lucas: Organizando as coisas pra nossa entrada no hotel.
Emanuel: Nossa, ainda tem isso né? Foda.
Lucas: Pode deixar que eu cuido disso.
Deixei ele fazendo as nerdices dele no notebook e fui dar uma volta com o Vine pelo avião. Na boa que as aeromoças eram todas gatas, se eu tivesse o mesmo poder de sedução que o Rafa pode ter certeza que ia tentar pegar uma delas. Por falar em Rafa, cadê ele?
Emanuel: Cadê o Rafa?
Vine: Acho que acabamos de perder 20 reais cada.
O Vine apontou pro banheiro do avião e eu vi o Rafa entrando com aquela aeromoça gata.
Vine: Porra, sexo no avião. Agora eu não cosnigo imaginar um lugar sequer que o Rafa não tenha transado.
Emanuel: Eu não consigo imaginar nem o tanto de minas que ele já pegou, esse cara é monstro.
Ficamos passeando pelo avião, conhecemos a classe executiva, a 1ª classe, a cozinha, até o Rafa aparecer cobrando o dinheiro da aposta.
Vine: Ishe, rápido assim?
Rafa: Vamos aterrissar, ae a Yasmin tinha que trabalhar.
Emanuel: Yasmin? Acho que vi Yara no crachá dela.
Rafa: Foda-se o nome, quero meu dinheiro ae seus caloteiros.
Fomos obrigados a sentar e apertar os cintos porque o avião já ia pousar no aeroporto de La Plata. Quando saímos do avião já tinha vários grupos de estudantes tipo a gente no saguão, alguns do Brasil e outros da Argentina mesmo.
Lucas: Onde vamos almoçar?
Rafa: Naquele grupo de argentinas gatas bem ali.
Lucas: Ãhn? Mas..
O Lucas nem conseguiu falar nada e já puxamos ele em direção as argentinas. Porra, o Rafa tava mais do que certo sobre a beleza das argentinas, era uma coisa anormal.
Rafa: Hola chicas!
Desde quando ele fala espanhol? Kkk Ficamos todos rindo e as argentinas eram bem simpáticas, conseguimos enrolar elas no papo e as levamos para almoçar no shopping perto do aeroporto. A verdade é que a conexão ia demorar muito e tínhamos 4 horas pra curtir a Argentina até pegar o voo para o Chile.
Depois do almoço chamamos as gringas para o cinema e elas aceitaram na hora. Nem prestei atenção no filme, tava tentando ficar com a Pietra, umas das argentinas gata. Ela era morena de pele clara, bastante falante e eu não entendia quase nada de espanhol. Esperei um pouco, enrolei no ‘portunhol’ e acabei beijando ela.
Emanuel: Es muy guapa.
Acho que era a única coisa que eu sabia falar em espanhol, não entendi nada do que ela respondeu, mas deve ter sido coisa boa porque ela sorriu e me beijou de volta. Ficamos durante o filme inteiro, nunca tinha beijado uma gringa e até que curti, elas eram diferentes das brasileiras. Do lado o Rafa tava quase comendo a mina e do outro o Vine e o Lucas tavam dividindo pipoca e chocolate com as outras minas igual uns amigos gays.
Quando o filme acabou já tínhamos que voltar pro aeroporto porque o check in deve ser feito com 1 hora de antecedência, deixamos as argentinas no shopping mesmo, o voo delas era bem mais tarde. Investi um pouco no espanhol e acabei pegando o celular da Pietra, sempre bom ter contato até em outros países kk To virando maior Rafael, tenho que parar com isso.
Rafa: Já foram 2 e a gente nem chegou no Chile.
Lucas: Você vai acabar pegando alguma doença.
Rafa: Cala boca, meu corpo é blindado, sua praga não pega.
Emanuel: Você fala igual um viado as vezes, Rafa.
Voltamos pro aeroporto e fizemos o check in, depois de uns 45 min nosso voo foi chamado e embarcamos. O Rafa ficou muito chateado quando viu que trocamos de avião e, consequentemente, de aeromoças.
Rafa: Essas dae nem são gatas e vamos passar bem mais tempo com elas.
Emanuel: É a vida te castrando um pouco.
Como não tínhamos mais nada pra fazer fomos dormir, foi bem de boa porque ficamos dormindo ou vendo séries no notebook do Lucas o voo todo. Chegamos em Santiago umas 5 da tarde no horário local, estávamos muito cansados e decidimos ir pro hotel.
Lucas: A gente não pode ir pro hotel.
Emanuel: Por que não? Quero tomar banho, deitar.
Lucas: Os caras da nossa escola ainda não chegaram, temos que esperar eles pra entrar de boa no hotel.
Vine: Você ta falando sério? Eles só vão chegar de noite.
Lucas: Sério.
Rafa: Ótimo, já saímos pra curtir a cidade.
Seria uma ótima ideia se a gente tivesse onde deixar as malas. Resolvemos ficar no aeroporto e o Rafa ficou puto, disse que tava cansado de aeroporto e falou que ia conhecer a cidade sozinho. Normalmente, o Vine ou eu iríamos junto, mas o Vine tava casado e eu tava exausto.
Fomos para uma parte mais vazia do aeroporto e praticamente acampamos la: puxamos os bancos pra poder deitar e usamos algumas malas de almofada. Eu tava morrendo de fome, mas ia esperar pra comer no hotel.
Vine: Ow Lucas, qual a senha do wi-fi? Tenho que falar com a Bella.
Emanuel: Bella? Já ta assim é?
Vine: Cala boca, tamo quase namorando.
Emanuel: É, você, ela e o namorado dela.
Ele sempre fica meio puto quando a gente fala do namorado de verdade dessa Isabella, mas porra, era verdade! O Lucas conectou o wi-fi e o Vine se afastou pra falar com a Isabella pelo Viber.
Umas 3 horas depois o pessoal da nossa escola desembarcou no aeroporto e nada do Rafa voltar. Arrumamos as nossas coisas bem rápido pra conseguir acompanhar os caras até o aeroporto e o Rafa ainda não tinha aparecido. Porra, Rafa, 3 horas passeando por ae? O Lucas ficou mandando sms pra ele e ele não respondia, começamos a ficar desesperados porque não podíamos ficar pra trás esperando ele.
Emanuel: Vamos sem ele, depois você manda o endereço do hotel e ele se vira pra chegar la.
Lucas: É, boa...
O Lucas nunca consegue terminar uma frase dele sem ser interrompido. Dessa vez foi por uma SMS do Rafa:
“Estou perdido, não sei como vim parar aqui e não entendo nada que esses caras tão falando.”
Na hora que o Lucas foi responder, chegou outra.
“PS: To congelando aqui.”
Trocamos algumas sms com o Rafa para descobrir onde ele tava e ele só disse que era um bar com uns caras zuados. A nossa sorte é que tinha wi-fi onde ele tava e deu para enviar a localização por whatsapp. Saímos correndo pra pegar um táxi, achar o Rafa e fazer check-in no hotel junto com o povo da nossa escola. Entramos no táxi e eu tentei enrolar um espanhol pra falar com o motorista só que ele não tava entendendo nada, peguei o celular do Lucas e apontei no mapa pra ele. Não faço ideia se deu certo, só sei que ele saiu dirigindo pra algum lugar.
Paramos em umas 3 ruas erradas até que achamos o Rafa sem camisa, sentado no meio fio e do lado de uns chilenos estranhos. Pedimos pro taxista parar um pouco longe e fomos la entender o que tinha acontecido.
Vine: Que isso?
Rafa: Os caras querem dinheiro.
Emanuel: Por que?
Rafa: Não sei, acho que tem alguma coisa a ver com as mulheres que tiraram minha camisa.
Emanuel: Vei, como assim? As coisas que você faz
Falamos com os chilenos e eles queriam 30 mil pesos. Na hora eu desesperei, porra, 30 mil? Mas o Lucas puxou a gente pro canto e falou que era um pouco mais que 130 reais. Depois que entendi a conversão de moedas até achei engraçado o dinheiro dos caras ser tão desvalorizado assim em relação ao real. Pagamos os caras em real mesmo e voltamos pro táxi.
Vine: Vai contar o que aconteceu?
Rafa: Longa história.. – Ele falou enquanto abria uma mala pra colocar um casaco.
Lucas: Vê se não fode a gente com esses bandidos chilenos!
O motorista não tava entendendo nada, acho que ele pensou que tínhamos alguma ligação com aqueles bandidos e ficou com medo, o Lucas deu o endereço do hotel pra ele e chegamos la em 15 min. O povo da nossa escola já não estavam no saguão mais, acho que acabaram de subir porque a movimentação de funcionários do hotel ainda era intensa. Olhamos pro Lucas e ele foi resolver o nosso check-in na recepção. Demorou bastante e já estávamos mofando de tédio no saguão quando o Lucas voltou com um carregador de malas e 2 cartões magnéticos.
Emanuel: Sério Lucas, eu pago muito pau pra você.
Chegamos no corredor do nosso quarto e o povo da escola já tava tudo lá. Algumas pessoas ficaram encarando, outras tavam achando a gente maior foda e até veio cumprimentar. A verdade é que eu não tava nem ae para esse povo, quero mais é curtir o Chile com meus amigos.
Dividimos os quartos ao contrário de como fazíamos na escola: O Rafa e eu em um quarto e o Vine e o Lucas em outro. Arrumamos as coisas e depois de um tempo descemos pra piscina aquecida do hotel, como sempre o povo da escola tava la.
Vine: Olha ali. Acho que a Manu já te esqueceu, hein Rafa.
Todos olhamos e ela tava conversando com um cara loiro, acho que era chileno pois nunca vi ele na escola e os dois pareciam se dar muito bem.
Rafa: Foda-se ela, não me importo.
Vine: Ah é? Acho que eles vão se beijar.
Lucas: O Rafa ta puto porque ela arranjou alguém melhor que ele.
Rafa: Porra, que merda de amigos vocês são, hein?
Emanuel: Uai, achei que você não se importasse.
Rafa: Vou dar uma volta.
Ele levantou maior puto e foi andar. Nem sei se a Manu ta mesmo ficando com esse cara, a gente tava só zuando com o Rafa.
Narrado por Carol:
E pensar que , enquanto o povo do 3º tava curtindo o Chile, a gente tava aqui na escola. Mas é só mais uma semana e depois vou pros EUA com a Babi e o Dê.
NÃO! Eu não estou namorando o Dê, a gente só virou bons amigos de novo. Acho que todo mundo merece uma segunda chance e o Dê está recebendo a dele.
Tava no quarto atoa com a Marina conversando sobre a vida. Já tinha chamado ela pra viajar com a gente, mas ela vai passar as férias na casa de uma tia no interior.
Marina: Aposto que você volta dessa viagem comprometida com o Daniel.
Carol: Claro que não.
Marina: Comprometida e não virgem.
Carol: MARINA VEI! Cala boca, as coisas que você fala.
Rimos bastante, eu sei que não vou fazer nada de errado nessa viagem. Conversamos mais um pouco e fomos dormir.
Narrado por Emanuel:
A 1ª noite nem tinha festa porque tínhamos acabado de chegar então resolvemos passar a madrugada na piscina do hotel comendo pacarai.
Rafa: O que vamos fazer amanhã?
Vine: Sei la, deve ter aqueles passeios educativos na montanha.
Rafa: Não vamos fazer isso não, que escroto.
Subimos pro quarto quando já estava amanhecendo.
Rafa: Ow Lucas, a gente tem que te agradecer por ser esse nerd hacker muito foda.
Lucas: Hm... de nada?!
Rafa: Não, porra. Vou fazer uma transformação em você.
Emanuel: Sério, Rafa? Virou o guru fashion agora?
Vine: De acordo com as pesquisas esse Rafael é um viadão.
Rafa: Cala boca, sou o que mais pega mulher aqui, sei o que to falando.
A primeira coisa que fizemos foi tirar os óculos dele, isso todo mundo concordava. Depois deixamos o Rafa fazer tudo que ele queria, até cortou o cabelo do Lucas com uma tesoura que achou no banheiro.
Rafa: Agora você ta pica das galáxias.
O Lucas não perdeu o jeito nerd dele, mas agora tava com menos cara de cabaço e mais estilo geek.
Vine: Ficou estilo, hoje a noite vamos testar essa mudança na prática.
Ainda zuamos um pouco o ‘novo Lucas’ e depois cada um foi pro seu quarto e fomos dormir. Acordei na hora do almoço com alguém batendo na porta do quarto. Como eu tava dividindo quarto com o Rafa achei que fosse alguma mina dele e deixei pra ele abrir a porta.
Rafa: Mano, é pra você.
Ele gritou meio puto, não entendi e levantei pra ver. Era a Manu.
Manu: O que vocês tão fazendo aqui? — Era parecia meio irritada e ao mesmo tempo preocupada.
Emanuel: Curtindo a viagem, por que?
Ela explicou que o pai dela ficava perguntando da gente e ela não sabia o que falar. Contei que a gente tinha batido de frente com ele no hotel, que seríamos expulsos quando voltássemos pro Brasil, que ela tinha que nos ajudar.
Manu: Ajudar o Rafael? Por você e os outros meninos eu até faria, mas por ele?
Emanuel: Poxa, por favor.
Manu: Vou ver o que da pra fazer.
Do nada apareceu um cara no corredor chamando a Manu.
XxxX: Vamos
Manu: Já to indo, tchau Mano.
Emanuel: Tchau.
Ainda tava meio com sono, mas acho que esse cara do corredor parecia muito com o cara da piscina... Ah sei la, tenho nada com isso mesmo. Voltei pro quarto e o Rafa tava meio puto, acho que era a primeira vez que ele curtia uma mina de verdade e a primeira vez que a mina tava se fudendo pra ele.
Emanuel: Não vai perguntar o que ela queria não?
Rafa: Não, que se foda.
Nessa hora os mlks entraram no quarto maior animados, falando que tinham achado um restaurante brabo pra gente almoçar perto do shopping e depois íamos esquiar. Eu curti muito a ideia, queria mandar umas manobras la na pista porque sou muito vida loka.
Antes de almoçar fomos comprar uns casacos porque tava muito frio e nós, espertos pra caralho, não tínhamos casaco suficiente pra aguentar. O Vine comprava umas coisas bem alternativas, não chegava a ser viado, mas era aquelas coisas da moda que eu não usaria. O Lucas queria comprar as coisas de nerd de novo, mas o Rafa não deixou e escolheu por ele. Eu peguei qualquer coisa que esquentasse e ficasse dahora, não tenho muito de ficar escolhendo. Terminamos e fomos almoçar.
O Rafa ficou dando em cima da garçonete, como sempre, e nós comemos de boa. A comida daqui era muito boa, uns pratos grandes e tal. Ainda ficamos um pouco no restaurante pra conversar e quando deu umas 2 da tarde resolvemos pegar um táxi até a estação de esqui que ficava a uns 30 min da cidade.
Chegamos la e tava um puta frio, fomos logo alugar os equipamentos para começar a esquiar.
Lucas: Não faço ideia de como esquia.
Vine: Ninguém aqui faz.
Rafa: Cadê as instrutoras gatas?
Emanuel: Você é criança por acaso pra precisar de instrutora?
Fui o primeiro a me arriscar na neve, costumava andar de skate quando era mais novo então tinha um pouco de noção, achei que fosse mais ou menos parecido. Tomei muito tombo das primeiras vezes, mas a partir da 5ª ou 6ª tentativa já tava conseguindo andar e até descer uns montinhos bem pequenos.
Os mlks tiveram mais dificuldade, mas um tempo depois já tava todo mundo mais tranquilo. Até arriscamos descer a montanha que todo mundo descia, mas foi um desastre. Nunca imaginei que capotar no gelo doía tanto.
Rafa: Chega, larguei mão disso aqui. Vamos descansar naquele café ali.
Acho que era um Starbucks ou similar, tiramos os equipamentos e fomos lá. Era um lugar muito dahora, bem rústico, com lareira e uma iluminação que deixava o clima bem aconchegante. Pedimos umas bebidas quentes tipo uns cappuccinos e sentamos em uma mesa no canto pra ficar conversando.
Vine: Hoje tem festa né?
Emanuel: Pois é, hoje vamos ver do que esses chilenos são capazes na balada.
Rafa: E arranjar alguém pro Lucas, prioridade.
Nessa hora chegaram dois caras e pediram licença pra sentar com a gente.
Rafa: Quem são vocês?
XxxX: Són brasilenos?
Emanuel: Sí.
Eles começaram a falar umas coisas nada ver e eu só conseguia entender ‘fiesta’. O Rafa, como sempre, deu umas enroladas no espanhol , os caras deram uma enrolada no português e a gente conseguiu se entender.
Eles falaram que ouviram a gente dizer que ia na festa hoje e queriam ajudar a gente a curtir melhor o Chile com o povo local do que ficar nesses roles de turistão. Como não tínhamos nada a perder, entrosamos muito com os caras.
Trocamos números de celular e eles falaram que iam mandar o endereço de um bar pra fazer esquenta e depois íamos juntos pra balada. Normalmente eu suspeitaria de uns caras tão ‘simpáticos’ assim, mas tava numa vibe muito YOLO pra me importar. Os caras foram embora e o Rafa ficou todo animadinho.
Rafa: Vamos beber?
Lucas: Estamos no meio da tarde.
Rafa: E daí? Vamo Mano?
Emanuel: Opa, vamos beber.
Chamamos um garçom e pedimos uma bebida alcoolica típica. Ele falou um tal de piscola e, como não entendemos nada, acabamos aceitando. Quando ele trouxe fiquei meio com medo de tomar uma coisa que eu nem sabia do que era feito.
Rafa: Vai logo, sem viadagem. Vou contar até 3 e a gente vira.
Olhei um pouco, era um copinho pequeno tipo de tequila com uma bebida preta dentro. Se for ruim é só cuspir na cara do Rafa, nem da nada..
Rafa: Vai, 1, 2 e 3
Nem pensei e virei junto com ele, era bem forte e desceu queimando tudo kk Tinha um leve gosto de Coca-Cola.
Voltamos pro hotel quando tava começando a anoitecer, ficamos de boa no quarto até aqueles caras do Café mandarem SMS pra gente. Eu não fazia nem ideia do nome do cara e já tava me arrumando pra ir no lugar que ele mandou o endereço.
Lucas: A gente vai mesmo?
Emanuel: Claro, hoje você vai pegar umas minas.
Rafa: Bem que na nossa cidade podia fazer frio né? Bem melhor pra se vestir..
Vine: PI PI PI PI, o meu viadômetro está apontando para você, Rafael.
Rafa: Vai se fuder que você ta parecendo um modelo da Calvin Klein, Vine.
É isso ae, primeira noite de loucuras em Santiago!
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