Don't Die.

3 Capítulo II: Conforto.


Notas iniciais
Feliz 2018 ♥ Hoje trago o segundo capítulo de Don't. Peço desculpas pela demora, mas, isso tudo é uma tentativa de trazer o melhor! Também lhes peço que deem uma olhada no tumblr, pois logo logo chegará algumas atualizações por lá. Gostaria de lembra-los que essa histórias terá diversos focos e, consequentemente, POV'S, por isso, não se surpreendam com novas chegadas! Just it, boa leitura! ♥

ETHAN ESTAVA exaurido do discurso repetitivo de sua tia.

Embora entendesse o extremo zelo e preocupação de sua parte, o jovem já tinha idade o suficiente para cuidar de si próprio. Não existiam motivos para tamanha preocupação; sairia e voltaria num piscar de olhos que Jodie mal notaria. Se fosse rápido, voltaria em menos de duas horas.

Colocou o último item dentro de sua mochila e guardou a faca pequena herdada de seu pai dentro de seu cinto e voltou-se para sua tia. A senhora negra de cabelos grisalhos continuava em pé, tagarelando sem fim. Olhou de soslaio para a pequena Diana, sentada na poltrona um pouco atrás de onde sua figura materna nesse apocalipse estava, um livro de colorir nas mãos, e sorriu. Mesmo que pequena, a pequena White era muito inteligente e sabia que o jovem Keener não ouvira quase nada do que saíra da boca de Jodie.

— Tudo bem, tia.... Eu ficarei bem — disse, encarando a discursista. — Será tão rápido que você nem conseguirá notar que sai. — prometeu. — Precisa confiar mais em mim... — fingiu estar ofendido.

— Deveria agradecer por me preocupar com você! — retrucou Jodie com sua voz grave, sem muita paciência. — É muito cabeça de vento, precisa colocar os pés no chão... — e ela prosseguiu, até que Ethan a interrompesse.

— Adoraria ouvir seus conselhos, tia, mas tenho que ir — apontou para à janela. — Antes que fique tarde e eu tenha que sair no escuro.

Pegou sua mochila e sua mala e rumou até à porta, no meio do processo bagunçando o cabelo de Diana. O local escolhido – um mercado meio afastado da cidade – não ficava tão longe do hotel de sua tia e, por isso, Ethan queria sair logo. Já do lado de fora, foi tomado pelo vento frio de outono. Gabriel Parker estava sentado próximo a sua moto, mexendo com algumas chaves e lhe deu um pequeno aceno de cabeça. Graças a ele, os sobreviventes do hotel poderiam contar com mais alguns enlatados para, quem sabe, os próximos três meses.

Apesar do fato de sua tia odiar o homem – e Keener acreditava que tamanho ódio envolva sua prima mais velha – se não fosse por ele, os seis poderiam morrer de fome, já que as dispensas da casa estavam quase vazias e a pequena horta que Jodie cultivava, nos fundos do hotel, contava com somente meia dúzia de alfaces, o que não os alimentaria por muito mais que dois dias.

Adentrou na mata, ciente de que era o melhor lugar para se seguir e para evita-los também. No decorrer dos meses, desde que o pandemônio se alastrou pela Terra, Ethan aprendera que era melhor não buscar briga, pois quanto mais os matasse, mais deles surgiriam e seria um ciclo sem fim. Essas criaturas destruíam tudo o que viam pela frente. Seus pais, seus colegas de faculdade. Deixou-o sozinho, até que ele fosse capaz de chegar com vida no hotel de sua tia. Embora fosse meio silencioso e um pouco ameaçador, a mata sempre lhe pareceu a melhor opção.

Caminhou durante meia-hora até que enfim pudesse enxergar os primeiros sinais do mercado. Os fundos do estabelecimento estavam vazios, para a alegria do jovem, mas a desordem de atos desesperados era evidente. Havia carros abandonados, papeis voando por toda parte e muitas caixas jogadas no chão, com moscas e baratas comendo os últimos pedaços do que quer que estivesse lá dentro. Diante disso, um estranho calafrio percorrera sua espinha, temendo que não houvesse mais nada no lugar.

As portas de saída estavam apenas encostadas e ele não precisou de esforço algum para adentrar no local. O ambiente era fechado, pouco iluminado e cheirava a mofo. Retirando a folha onde todos os itens foram anotados, Ethan começou seu trabalho. Primeiro, partiu para a seção de medicamentos, afinal, sua tia dependia de alguns comprimidos para manter sua saúde estável, dentre outros antibióticos necessários para um possível corte, uma possível febre – todos prescritos por Diana. Apesar de ser uma professora de história, ela era muito boa quando o assunto era saúde. Com sua mochila parcialmente cheia, foi em busca dos enlatados.

Estava mais do que satisfeito com o que conseguira pegar na próxima hora que se seguiu. Havia muitos enlatados em sua mala, algumas revistinhas para Diana e até um CD do James Brown para sua tia. Já estava para sair quando ouvira barulhos. Primeiro, achara que o som provinha de algum bicho, entretanto, logo um assovio ressoou e ele sabia que bichos não assoviavam como humanos. Ficou em alerta, retirando de sua mochila a arma que Gabriel lhe dera na noite anterior.

Com passos preciosos e silenciosos, caminhava entre os corredores do local, aproximando-se cada vez mais do grupo. Ouviu o impacto metálico batendo contra algo pastoso. Eles estavam armados, concluiu. Nunca fora um rapaz violento, embora sua história – ou, melhor, a história de seu pai – pudesse dizer o contrário. Há quem diga que genes ruins passam de pai para filho, mas Ethan queria provar que essa história não passava de uma grande idiotice. Sabia que uma abordagem gentil não seria a melhor saída, pessoas com armas geralmente pensam com o gatilho. Tentaria mostrar que era do bem, mesmo com uma arma em mãos e, se eles colaborassem, poderia leva-los consigo. Era algo sobre ajudar o próximo ou algo assim.

Notando a movimentação no corredor ao seu lado, Ethan decidira agir. A garotinha que fuçava nos chocolates não tinha mais de 15 anos. Seus cabelos loiros pareciam não serem penteados há muito tempo. Keener se chegou um pouco mais perto e ativou o gatilho de sua arma, mesmo sabendo que jamais atiraria, porém, o barulho fora suficiente para assustar a garota e fazê-la o encarar, com seus olhos azuis.

— Solte-o — sabia que essas era uma das piores abordagens para se iniciar uma conversa civilizada, mas estava nervoso demais.

E a reação da garota fora ainda pior, pois logo em seguida ela gritara, chamando por seu pai e saiu correndo.

Ethan foi atrás, motivado pela idiotice, pressupôs. Queria se desculpar pelo feito, mas não sabia como. Seguia a garotinha, que apressou ainda mais seus passos quando avistara um homem alto e loiro, com uma pá em mãos.

Entretanto, não conseguira dizer nada ou até mesmo parar. Fora tomado por uma dor ensurdecedora em sua cabeça, sua visão ficou preta e tão rápido, tudo se distanciara.

DON’T DIE

O primeiro sentido a voltar foi sua audição. Ethan podia ouvir, ainda que distante, o murmúrio de vozes conversando. Sua cabeça latejada como um inferno e todo seu corpo parecia ter acabado de sair de uma festa, que durara, no mínimo, três dias. Abriu seus olhos e tudo estava confuso e em desfoque, levando um tempo até se estabilizar. Quando enfim conseguiu focar em algo, foi na mochila onde os medicamentos de sua tia estavam, com as caixas de comprimidos jogadas pelo chão.

— Não, não, não, não.... — suplicou desesperado. Não poderia perder aqueles comprimidos.

E então, quando tentou se levantar, descobriu que estava amarrado em uma cadeira, no meio do mercado com as três pessoas o encarando. A garotinha de antes estava sentada num canto, encarando-o de forma firme, nada parecido com o olhar assustado que trocaram pela primeira vez. E, à sua frente, dois homens estavam o encarando. Reconhecia o mais velho, como pai da garota, de barba loira, cabelos cumpridos e olhos azuis. Suas feições não eram nem um pouco animalescas. Ao seu lado, outro homem o encarava e seu olhar parecia atravessar seu crânio. Possuía uma cicatriz em sua sobrancelha, a barba domava seu rosto.

De repente, lembrou-se de sua arma e tentou procura-la, encontrando-a jogada longe dos três. Estava ferrado, pensou. Duplamente ferrado.

— Por favor, me soltem! — pediu, ainda que ninguém adiantaria seu pedido.

— Depois de você ter perseguido uma garotinha? Nem fodendo. — o estranho de barba respondeu. — Você a fez desmaiar, sabia disso? Você sabe o que faziam com perseguidores de garotinha na minha cidade?... — O punho já estava em prontidão para acertar sua face, mas, o impacto não chegara.

— Não! — o outro o repreendera e os dois se encararam, antes do mais velho do trio prosseguir: — Nós não somos assim! — ele pareceu relembra-lo e, por fim, ele o encarou. — Quem é você?

— Ethan — respondeu, apreensivo. — Olha, eu não quero causar mal algum, eu só... Por favor, me deixem sair! Eu irei embora, eu preciso ir embora.

— Ir embora? Para onde? — o barbudo perguntou curioso e Keener sabia que essa curiosidade singela.

— Um hotel. Da minha tia. Minha tia é proprietária. — seu nervosismo não o deixava responder de forma coerente. — As pílulas, os enlatados, são todos para lá.

— Quem mais está lá?

— Minha prima e uns quatro sobreviventes. Temos uma criança também. — respondeu. — Se quiser, posso leva-los até lá, serão bem recebidos. Só, por favor, não me matem — suplicou.

Ao falar sobre a criança, Ethan viu como a menina mudou. Seu olhar foi tomado por curiosidade, ainda que pequena. Os outros dois se entreolharam, mais uma vez, como se conversassem, mas sem palavras.

— Por que devemos acreditar em você? — questionou então o mais velho. Sua figura, apesar de grande, não lhe causava tanto medo como a do outro homem e o jovem agradeceu que ele tomasse a frente da ‘’discussão’’.

— Como eu disse, posso leva-los até lá. Vocês podem me levar amarrados, nã me importo; não somos uma ameaça. Eu não sou uma ameaça! — pontoou.

Mais uma vez, silêncio. E mais uma vez, os dois se entreolharem, entretanto desta vez, se afastaram um pouco para conversarem num canto. O olhar de Ethan e da garota os acompanharam. Mesmo não escutando o que conversassem, podia ver os lábios dos dois mexendo. Desejava apenas que o soltassem, sua tia teria uma apoplexia pela demora, mas poderia recebê-los – afinal, fizera o mesmo quando Ethan encontrou Gabriel na estrada. O hotel tinha quartos o suficiente para abriga-los e poderiam servir de ajuda.

— Pense na garotinha — apelou, sabendo que a preocupação de um pai pela filha poderia mudar o rumo. — Aqui fora não é bom para ela, lá nós temos segurança e...

O impacto veio antes mesmo que pudesse terminar sua frase. O punho do barbudo acertou-lhe em cheio sua bochecha e a dor irradiou por todo seu corpo. Felizmente, o local da pancada não foi tão próximo do queixo para fazê-lo desmaiar. Emanando alguns grunhidos de dor, viu estranho se aproximar.

— Não faça esses joguinhos conosco — disse, entre os dentes.

Entendendo o recado, Ethan abaixou sua cabeça. Por fim, deixou a esgotamento tomar conta de seu corpo. Seus pulsos doíam, seu corpo ainda mais e sua cabeça queria mata-lo. Mais uma vez, deixou suas atitudes impulsivas acabar com tudo e agora, mal sabia se voltaria para sua casa. A escuridão tomara conta do céu e, se bem conhecesse sua tia, a essa altura já estava morrendo pela demora.

Viu a aproximação do cara de barba, parando logo atrás de si e sentiu o gélido de uma faca próximo aos pulsos. Esfregou as mãos nos pulsos, o alivio que sentira com o afrouxo do aperto fora breve, porém aproveitado.

— Aceitaremos sua oferta. — o mais velho anunciou. — Mas ainda não confiamos em você.

— E, se você tentar uma fuga ou estiver planejando uma armadilha para nós — sentiu a respiração do barbudo em seu pescoço. — Eu vou socar a sua cara até você morrer. — disse, se aproximando de seu amigo. — Ficaremos com sua arma e suas mochilas, apenas como garantia.

— Brooke, fique perto — pediu o mais velho e a garotinha levantou.

— Eu posso saber o nome de vocês? — indagou.

— David. David Richard — se apresentou o homem de olhos azuis e, apontando para seu parceiro, completou: — E este é James.

DON’T DIE.

O CORPO DE Brooke queria matá-la.

Ao menos, era assim que parecia. Há muito tempo não sofria com crises de asma e após toda a confusão daquele fim de tarde, seu corpo parecia destruído com toda àquela atividade. Nem mesmo parecia a garota que passava dias na piscina. Quando acordara após o desmaio, tinha os olhos de seu pai sobre si. Sua cabeça doía e sua respiração estava dificultando sua tentativa de manter o ritmo de seu grupo.

Porém, estava bem. Se o que o tal Ethan disse fosse verdade, dormiria numa cama depois de muito tempo – e, ela poderia acreditar que fadas dos desejos existiam e não era uma história inventada pela professora da primeira série –, isso se o pessoal do tal hotel os aceitasse, afinal, os três amarraram e acertaram duas vezes um amigo deles. Se eu fosse eles, não aceitaria, pensou.

Tudo fora muito rápido. Assim que voltou a si, James e seu pai discutiam sobre o que fazer com o garoto. Primeiro, checaram se o grito que soltara antes de desmaiar acontecera e ficaram aliviados em saber que não, ele não havia morrido. Depois, discutiram sobre o que fazer até que o amigo de seu pai sugeriu que eles sondassem o cara para saber de onde ele vinha, ‘’Ele tem arma, está bem vestido, ele deve ter um lugar para morar’’, foi o argumento de James. Por isso, tudo aquele teatro de homens maus e carrancudos. Passou metade do tempo tentando controlar a risada.

A escuridão da noite lhe causava um pouco de tremor. O breu que encobria os quatros cantos, o cricrilar dos grilos e os sons dos outros insetos que certamente não foram estudados a fundo na aula de biologia a deixavam nervosa e temerosa. O zumbido dos bichos poderia se sobressair sobre o som de algum cabeça-oca que estivesse por perto e então, o desastra estaria feito. Com tais pensamentos, apressou o passo, batendo, sem querer, no jovem que os conduziam para o tal hotel.

Era um rapaz alto e muito musculoso, a tez era negra e seus cabelos, apesar do corte ser curto, eram visivelmente pretos e crespos. Não obstante do tamanho, Ethan não parecia ser um cara ruim.

— Você disse que tinha uma criança lá — ela começou meio incerta. — Quantos anos ela tem?

— Quatro. — respondeu o aludido. — Ou talvez cinco.

— É menina?

— Sim, seu nome é Diana. — informou. — Ela é bem legalzinha e ama ler.

— Mas nenhuma criança sabe ler com apenas quatro anos de idade. — rebateu descrente.

— A mãe dela é professora de história.

— Meu pai é arquiteto e nem por isso eu saia por aí construindo casas aos 4 anos de idade. — retrucou, empinando o nariz sem perceber. — Algumas casas no lego, sim, mas casas de verdade?...

O rapaz sorriu tímido e Brooke poderia jurar que ouviu seu pai soltar um riso fraco pelo nariz. O ar sombrio se amenizara um pouco, mas logo o mundo que vivam os trouxe de volta para a realidade.

Um caminhante, surgindo dentre a mata escura, avançara sobre seu pai, desestabilizando-o e logo o levando de encontro ao chão. James estava pronto para ajuda-lo, entretanto, outro deles surgira, agarrando-o o amigo de seu pai. A West olhava aturdida para tudo aquilo, sentiu sua perna adormecer e, pela primeira vez, não sabia para onde, ou melhor, quem correr.

Cada vez mais, Brooke podia ver que mais se aproximavam, Ethan fora de encontro aos dois, com algo em suas mãos, derrubando alguns mortos que notaram sua presença. As luzes das lanternas que estavam nas mãos de seu pai e de James iam de um lado para outro, até que enfim caíram no chão, dando a possibilidade da garota pega-la e iluminar a cena, atraindo um caminhante. Seus olhos opacos e o maxilar quebrado, juntamente com as roupas sujas, provocaram um frio na espinha. Suas pernas congelaram no lugar enquanto via aquele bicho asqueroso se aproximar.

Então, num movimento rápido, uma faca cruzou sua cabeça e seu corpo caiu no chão. Logo atrás, um Ethan ofegante acompanhou o cair do morto e, depois, voltou seu olhar para ela.

— Você está bem? — perguntou, vendo-a puxar grandes golpes de ar. — Fique atrás de mim.

Logo, os três tomaram conta da situação e os walkers foram dominados e exterminados. Dando o golpe no último bicho, James apoiou suas mãos em seu joelho, curvando seu corpo e tomando algumas respirações. Seu pai logo se aproximou e tomou-a em seus braços, respirando aliviado pelo fim daquilo. Os quatros ficaram em silêncio até que Ethan falou:

— De onde eles surgiram?

James se ergueu e foi até eles, acertando outro soco no rosto do rapaz.

— Cale a boca. — rosnou.

Ainda no abraço de seu pai, Brooke se espantou com aquilo, mas nem James e nem Ethan pareciam querer continuar com aquela briga.

Logo, estavam de volta a caminhar, muito mais atentos e Brooke, de mãos dadas com seu pai. O evento a pouco retirou a disposição de todos, deixando-os cansados. James seguia com as lanternas logo ao lado de Ethan, que também segurava uma.

— Sabe... — falou baixo para que somente seu pai ouvisse. — Eu vou ficar feliz se eles nos aceitarem. Adoraria dormir em uma cama de verdade hoje!

Seu pai não respondeu, mas o sorriso e o meio abraço que lhe deu já valia em alguma coisa. Parecendo entender seu desejo, mesmo que a jovem soubesse que era apenas uma coincidência, Ethan alertou:

— Estamos próximo.

Pela primeira em muito tempo, a pequena West dormiria em uma boa cama. E isso era mais do que animador.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Dúvidas, críticas, elogios são sempre bem vindos! Até logo, Amante
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.