Don't Die

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Pequeno devaneio surgido quando assisti o episódio "Tell It To The Frogs" pela décima segunda vez nesta semana ♥ quem mais aí se apaixonou pelo Daryl no momento em que a voz do Norman Reedus soou com aquele "Son of a bitch! Was my deer!"? õ
Ok. Enfim. O significado do título da história (Don't Die) é "Não morra". A história tem uns lapsos temporais, e não está exatamente como a cena ocorre. Como me foquei no ponto de vista de Daryl, pode estar um pouco confusa, porque é assim que eu imagino ele na primeira temporada: confuso, cheio de raiva, e pronto para socar a cara de alguém na primeira chance que tiver. Há uma grande evolução desse homem, para o que conhecemos agora e continuamos amando incondicionalmente, não?
Enfim. A repetição de "Merle" tantas vezes não foi acidental.
Espero que gostem :3

Daryl escondeu de si mesmo e dos outros a felicidade que sentiu ao vê-los — ele era bruto demais para demonstrar um sentimento patético como esse. Se estavam de volta, e não importava que ele tivesse passado dias caçando aquele cervo, isso só podia significar uma coisa: a ida à cidade havia sido bem sucedida.


Ele chegou no acampamento gritando o nome do irmão. O mais velho dos Dixon certamente ficaria feliz — ele tinha que ficar — com os esquilos caçados, uma vez que estavam sem carne há dias. Não tanto tempo assim, mas Merle era impaciente.



Não entendeu, então, o motivo pelo qual ele não apareceu, atendendo a seu chamado. E quando todos o rodearam para lhe falar, enquanto seus olhos continuavam buscando pelo irmão, o coração de Daryl afundou no peito com a certeza de que alguma coisa havia acontecido.



Merle estava ferido.



Merle tinha sido infectado.



Merle tinha morrido.



Não. Merle não podia ter morrido.


Não podia.



Daryl odiava seu irmão. Odiava suas maneiras, seu jeito rude de tratar tudo e todos — inclusive ele, o caçula. Mas ele também o amava por isso. Ele o amava por manter o humor ácido e as piadas perversas, mesmo quando os dias tornaram-se negros e os mortos voltaram à vida. Ele o amava por ser seu maldito porto seguro, sua família, metade de quem Daryl era, apesar de todas as implicâncias e tudo o que acontecia.



Merle era a única coisa que ele tinha. A certeza de que quando acordasse, tudo estaria bem. Não resolvido, nem certo, mas, de alguma forma... Bem. Foi o irmão quem o salvou diversas vezes no caminho até Atlanta. Não fosse por Merle, Daryl não estaria ali naquele momento. Ele devia sua vida ao irmão, e faria tudo por ele.



Ele odiava Merle com todas as forças de seu ser, e, ainda assim, isso não o impedia de de amá-lo. Ele morreria por seu irmão, sem hesitar, sem pensar duas vezes.



— Nós deixamos Merle para trás.



Não conseguiu registrar as palavras de nenhum deles. Elas o atingiram como facadas no estômago, de pessoas em quem ele sabia que deveria confiar.



Merle.



Merle apertando seus ombros, enquanto seu corpo ferido doía, lhe dizendo que tudo ficaria bem.



Merle preso no terraço, vulnerável.



Merle cuidando dele, discutindo, dizendo que era muito maricas, muito covarde.



Merle preso no terraço, vulnerável, enquanto um grupo de walkers avançava para matá-lo, infectá-lo com o maldito vírus.



Merle zombando dele, carregando-o pela porta da frente depois que Daryl quebrou a perna pela primeira vez.



Merle.



Balançou a cabeça, afastando as imagens de sua cabeça. Sendo tomado por uma fúria avassaladora, certo de que aquelas pessoas haviam matado seu irmão.



Nenhum deles gostava de Merle.



Nenhum deles se importava com Merle.



Daryl gostaria de matar cada um, lenta e dolorosamente. Fazê-los sentirem a mesma coisa que seu irmão quando os walkers o alcançaram, sem que houvesse alguma forma de se defender.



Os walkers o alcançaram. Eles o destroçaram, como se fosse um pedaço de carne — e, para eles, realmente era.



Por que aquela cena se repetia em sua mente, tão real e vívida? Ele não queria vê-la, não queria senti-la. Não queria imaginar, porque isso o matava, arrancando os pedaços ainda surpreendentemente intactos de quem ele era, de seu lado racional.



Arrancando pedaços.



Carne.



Sangue.



Walkers.



Seu pai avançando, com uma expressão furiosa, o punho cerrado pronto para socá-lo até que Daryl perdesse a consciência.



Dor.



— Ele era uma ameaça.



Rick Grimes não tinha o direito de lhe dizer aquelas coisas. Não tinha o direito de se sentir correto daquela forma. Ele se achava o cara justo, o cara honesto, o homem cheio da moral incontestável, só porque havia sido policial antes de aquela merda toda começar? Ele não era melhor que ninguém ali.



Daryl não esperou. A certeza de que havia uma única chance — ainda que remota — de que Merle estivesse vivo acendeu uma indesejada chama de esperança em seu peito. Ele não queria deixá-la tomar conta de si, para logo em seguida perdê-la, vê-la escorrer por entre seus dedos como se fosse água.



Doeria mais. Ele preferia continuar daquele modo, esperando e imaginando o pior, a se recompor somente para ser quebrado outra vez.



Ainda assim, em sua própria ansiedade por correr para a cidade e resgatar seu irmão, seu estômago se contorcia, enquanto todos aqueles sentimentos dentro dele eram abafados pela certeza de que se não demorasse, ele poderia salvar o cara que o resgatara do perigo tantas vezes no passado. Mesmo que na maior parte do tempo parecesse que Merle não dava a mínima, não importava; ele sabia que isso era só mais uma fachada de cara durão, de badboy.



Daryl salvaria seu irmão. Ele o salvaria como Merle não pudera fazer consigo.



Porque mesmo que no estourar do apocalipse sua vida tenha sido poupada pela habilidade do irmão com armas e seu próprio senso de sobrevivência, também não importava. Daryl estava perdido muito antes disso. E ele não deixaria a mesma coisa acontecer com Merle.



Apenas não morra até lá, 'kay?



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Notas finais
Opiniões? (texto em eterno estado de edição, porque o navegador está adorando trollar minha não-tão-adorável pessoa -qq)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!