Dont Cry My Lover

1 Capítulo Único


- Você me promete? – disse em meio às lagrimas incessantes.

- Prometo! – ele me abraçava com força, como se fosse o ultimo abraço. O medo dominava meu corpo.

- Eu te amo não me deixa, não me deixa! — supliquei. Agarrava a camisa dele com força a amarrotando e a molhando com lagrimas. Estava apavorada com a ideia de não o ter mais comigo. Não saberia viver sem ele. Meu único amor, meu único motivo pra viver. Ele era meu tudo.

- não irei te deixar, é uma promessa, estaremos juntos sempre! – ele dizia com certeza, com sua voz firme, aquilo me consolava, porém me fazia chorar mais, me desesperar mais. – te amo! – disse antes de me beijar. Beijamos-nos como se fosse a ultima vez.

Pergunto-me. Por que ele mentiu? Por que prometeu não me deixar, se sabia que seria inevitável acontecer. Por que prometeu está comigo sempre se sabia que dali a uma semana, eu estaria sozinha, na nossa casa, sozinha na nossa cama.

Meu coração estava em pedaços, batia com dificuldade, podia senti-lo fraco sendo forçado a continuar a bater. Estava cansada, sem energias, sem força, sem esperança, havia perdido meu mundo, meu chão. A janela do quarto estava aberta, olhava o sol, sem mais seu brilho, nada mais havia graça. Joguei-me na cama apertando contra o peito aquele urso de pelúcia que ele havia me dado há apenas três dias. Mais lagrimas escorriam em minha face.

Queria acorda e ver que era tudo um pesadelo, queria que nada daquilo tivesse acontecendo, mas não, aquilo era real, aquela dor era real, aquela falta era real. Sentei-me novamente na cama passei a mão nos olhos tirando as lagrimas, sem adiantar, pois elas teimavam em cair. Me levantei e fui até a janela fiquei ali olhando a rua e lembranças me vieram à cabeça, lembranças daquele quarto.

Flashback on:

-Amor, me responde, qual é a maior palavra do mundo? – JaeJoong havia me perguntado com a maior cara mongol possível. Fiz uma careta estranha pela pergunta.

- Não sei, qual é?! – respondi depois de pensar um tempo.

-Arroz! – disse com uma cara de coisa obvia.

-Arroz?! – entortei minha expressão sem entender.

-É, começa com ‘A’ e termina com ‘Z’! – respondeu e começou a gargalhar. Ta era bem sem graça, mas era impossível não rir dele.

-Seu bobo! – subi em cima dele fazendo cócegas ele ria mais me pedindo para parar, e quanto mais ele pedia mais cócegas fazia, amava ouvir sua gargalhada, seu sorriso. O beijei e logo a intensidade aumentou, me deitou ao seu lado o puxei pra cima de mim e assim ele o fez. Acariciava meu rosto. Adorava aquela sensação de proteção que ele me passava com seu corpo, aquele calor confortante.

Flashback off

Apertei meus olhos. Sabia que nunca mais viria seu sorriso outra vez, nunca mais ouviria sua doce gargalhada e suas piadas idiotas, nunca mais sentiria seu calor e sua proteção, seu corpo sobre o meu... Aquelas sensações não me pertenciam mais.

Ele havia sido tão egoísta. Me esconder a verdade, me dizer que estava tudo bem quando tudo não podia está pior, quando que sabia que seu coração não suportaria tanto tempo.

- Deus! – senti minhas pernas fracas. Tremia. Deslizei pela parede até chegar ao chão. – por que ele, por que o tirou de mim? – minhas lamentações saiam entrecortadas, minha voz falhava. Tentava aliviar minha dor que qualquer forma. Mas sabia que nada o traria de volta, nada traria meu anjo, meu amor, meu mundo outra vez para meus braços.

Flash Back on:

- melody! – não pude evitar sorri adorava quando ele me chamava assim. Mas também não pude deixar de notar seus olhos tristes.

- o que foi Joongie? – busquei seu olhar e o encarei. Aquilo me deixava triste também. Já fazia um tempo que ele andava estranho, mas sempre sorria pra mim e sempre havia brilho em seus olhos, mas agora, havia notado que não tinha mais o brilho de antes. – Joongie?

- você sabe que eu te amo, não é? – pergunto como se necessitasse urgente de minha resposta.

- Claro Joongie, e eu também te amo, te amo muito! – respondi sorrindo. – mas...

- não diga nada! – colocou a mão em meu rosto e o polegar tocou de leve meus lábios me fazendo calar. – apenas me ouça... – suspirou.

Aquilo estava me deixando tensa, ele sempre foi um homem misterioso pra mim, mas nada comprado ao que estava acontecendo.

- Eu sou o cara mais feliz do mundo desde o dia em que te conheci, você é minha razão pra viver minha mais bela canção, não duvide nunca de como eu te amo e do quanto você é importante pra mim.

Meus olhos já estavam marejados com suas palavras. Seu tom de voz me arrepiava. Essa declaração por que estava doendo tanto? Por que sentia medo?

- Por que isso Joongie? – sentia as primeiras lagrimas começarem a rolar e ele a secou.

- Por que quero que tenha certeza! – deu um breve e sincero sorriso. – há uns dois meses eu descobri que tenho um problema no coração. – aquelas palavras me fizeram tremer. – um problema raro para minha idade, mas não impossível, eu fiz alguns exames...

- Perai! – o interrompi me controlando para não entra em desespero. – você foi ao médio descobriu um problema e não me disse nada?! – meu tom de voz havia aumentado sem eu perceber.

- não queria te assustar, poderia não ser nada e...

- como assim? – meu controle estava por um fio o medo já se encontrava em cada célula do meu corpo. – poderia? JaeJoong por que está falando assim? – meu rosto já se encontrava molhado por lagrimas. — você está bem!

- Meu coração está falhando, os médicos não sabem como ainda estou vivo... – as primeiras lagrimas começavam a cair de seus olhos. E eu não conseguia acreditar no que ouvia, parecia que aquilo não era comigo.

-Não Joongie... Não, por favor! – o abracei.

-fica tranqüila meu amor! – ele me afastou para olhar em meus olhos. – Mesmo meu coração parando de bater, não se preocupe por que te amo com a alma que é eterna!

Flashback off

Me sentei no sofá da sala com uma garrafa de vodka precisava daquilo para preencher aquele vazio. A ausência dele dói e ele não imaginaria o quanto.

Estava desolada, sozinha, em um mundo agora cinza.

Minha alma não conseguia deixá-lo, precisava dele, não me restava mais nada.

Como ele pôde mentir e me deixar aqui cheia de medo?

Ele não me ensinou a está sem ele, não me ensinou a ficar sem sua voz, sem seu calor, sem a calma de sua presença.

Não conseguiria mais suportar não tinha mais por que continuar a viver sem ele, por que continuar? Aquela era uma cicatriz funda demais para cicatrizar. A única cura era a morte. Bebi toda a garrafa, ao me levantar do sofá senti tudo girar, estava tonta, mas isso não me impediu de caminhar até a cozinha. Abri a segunda gaveta do armário e peguei uma faca, a mais afiada. A olhei fixamente durante um tempo. “Uma alma condenada, um amor sentenciado” essas palavras não saiam da minha mente, me sentia condenada, me sentia uma alma que de pena não é crucificada.

Voltei à sala ainda tonta e me sentei no sofá, com a faca em minhas mãos passava o polegar em sua parte afiada...

Então eu me perguntei: "como eu faria aquilo? Será que eu encontraria JaeJoong no outro lado?". Não sabia mais o que fazer e acabei jogando a faca no chão, que caiu do outro lado da sala batendo no canto da parede.

Minha atenção foi a ela e depois para a estante do lado, e minha cabeça parece que deu mil giros ao mesmo tempo, nem uma garrafa inteira de vodca podia tirar a dor que eu sentia em meu peito. Eu encarava a estante, com minha expressão totalmente vazia, e foi quando vi aquela caixa amarela embaixo de vários livros. Meus olhos se apertaram e pude sentir as lagrimas arderem novamente.

A nossa caixa de lembranças. Eu realmente havia me esquecido dela. Tudo o que fizemos lugares que viajamos, fotos, cartas, meu diário...

Levantei do sofá cambaleando e me joguei no chão de frente pra estante, quando olhei pra cima ela parecia enorme, assim como o buraco que estava em meu coração.

Eu peguei a caixa devagar para não tombar os livros, passei as mãos na tampa para tirar um pouco de poeira, e fiquei longos minutos encarando aquela caixa que estava em meu colo. Não queria ver o que estava lá dentro, eu veria o rosto dele, seu sorriso, suas musicas. Suspirei profundamente e ajeitei meu cabelo que estava todo emaranhado no meu rosto molhado, e sequei meu rosto. Tirei a tampa e encarei a folha de seda que protegia as coisas. Tirei lentamente e tudo veio como um choque no meu corpo ao ver a primeira foto. Estávamos nós dois, abraçados e felizes, sentados no banco do parque.


Peguei aquela foto e cheguei bem perto de meu rosto, e passe o dedo pelo rosto dele e não contive o sorriso e minhas lágrimas já desciam incansavelmente enquanto via todas as fotos.

Eu não podia mais com aquilo, não agüentava mais nada que pudesse me lembrar ele. Eu queria morrer, queria que essa dor enorme no meu peito acabasse e ele viesse me abraçar e dizer com sua voz que me acolhia dizer que estava tudo bem.

Joguei a caixa para longe de mim, deixando tudo cair no chão espalhado e abracei minhas pernas ficando ali encolhida, chorando, esperando que ele viesse pegar minha mão. Estava enjoada, acabada, sem rumo, vida. Minha alma tinha saído totalmente do meu corpo, e junto levou todo meu amor de viver, que sempre fora JaeJoong.

Não sei quanto tempo fiquei ali, mas tinha que levantar para pelo menos tomar um banho e tirar essa tontura da minha cabeça. Levantei-me devagar, apoiando as mãos no chão, mas não adiantou. Eu cambaleei pro lado e bati com tudo na estante, mas nada caiu em cima de mim, mas como eu queria que tivesse acontecido isso.

Eu fiquei ali parada esperando minha cabeça parar de girar, e fiquei encarando todas as fotos e papeis espalhados pelo chão. E uma coisa me chamou atenção, assim que vi um envelope grande e vermelho.

Eu olhei confusa, não me lembrava de nenhuma carta que ele havia me mandado que eu já tivesse aberto, mas essa estava lacrada. Eu peguei e abri devagar para não rasgar o envelope, e logo reconheci aquela caligrafia perfeita.

Melody,

Olá meu amor, como anda esse seu coração precioso? Espero que bem, porque eu nunca me perdoaria por causar alguma dor nesse seu coraçãozinho tão delicado que eu tive a sorte de conquistar. Provavelmente quando você ler essa carta eu não estarei ao seu lado, e escrevê-la agora causa um aperto enorme em meu coração. Queria que ouvisse meu coração bater enquanto lia essa carta, mas infelizmente ele estará descansando em meu peito.

Quando eu era criança, no dia do meu aniversário eu ganhei meu primeiro livro. Não que eu nunca tivesse lido nenhum eu sempre amei ler, mas foi o primeiro que ocupou aquela estante pequena e cheia de brinquedos que eu tinha em meu quarto. Assim que fui para o meu quarto eu abri e o li. Quando eu o recebi do meu avô, ele dizia que quando eu lesse minha visão de tudo iria mudar que meus olhos teriam eternamente o mesmo brilho de uma criança como eu tinha. No começo eu não tinha entendido nada que ele disse, mas então eu o li. E nele, eu não só aprendi o que meu sábio avô me disse, mas também aprendi duas frases importantes que seguiram ao meu lado por toda minha vida desde aquele momento.

Nele dizia, “tu tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Se eu entendi? Não, eu acho que tinha nove anos, mas eu fiquei tão frustrado que li várias vezes até entender. Durante anos, até na minha adolescência eu andava na rua com meus óculos vidrados nesse livro surrado, e foi quando eu esbarrei em você, e nós dois caímos no chão. Eu olhei em seus olhos, brilhantes, lindos, seu cabelo com pequenos flocos de neve, eu fiquei ali apenas observando que pra mim era a coisa mais linda que eu já havia visto... Você me perguntou se eu estava bem, e quando ouvi sua voz, nossa foi se eu ouvisse um piano tocar. Eu sei que você sempre acha minhas descrições meio cafonas e que você provavelmente estará rindo agora disso, mas a carta é minha então faço dela o que quero.

Eu ri ao ler essa frase, era totalmente o tipo dele fazer isso.

Bom, o resto você sabe o que aconteceu. Preciso de espaço nessa carta ainda tenho um pouco a dizer, mas vale lembrar, eu te amei desde o primeiro momento em que te vi e ouvi que meu coração disparava, parava, batia por você e apenas esperava por você, para que eu entendesse o que aquela frase dizia. Provavelmente você deve saber de onde vem ela, mas mesmo assim vou lhe lembrar, ela vem do livro para crianças “O pequeno príncipe”, nele, a raposa dizia ao príncipe que ela seria eternamente responsável pela aquela flor e ela sempre seria sua. Oh, meu amor, minha flor frágil e delicada, desde o primeiro momento que te vi me senti totalmente responsável por você, e iria cuidar do seu coração até o fim da minha vida, mas o que eu não esperava que fosse tão breve. Melody meu amor, na vida nós passamos por momentos tão felizes e todos os meus foram e sempre serão com você. Nunca se culpe por nada que não fez, sei que você é forte, determinada e irá entender o que estou falando.

Como disse no inicio da carta, havia duas frases que andavam ao meu lado, e a outra é essa “O essencial é invisível aos olhos”. Veja além da imagem, veja dentro do coração, é lá que estão as verdadeiras respostas, tenho certeza que você já me ouviu dizer isso alguma vez. Você me fez enxergar novamente com aqueles mesmos olhos que eu tinha na infância no momento em que eu os estava perdendo. O tempo que passamos juntos foi tão curto, às vezes eu me odeio por isso, tão pouco tempo, nem metade da minha vida. Será que devo acreditar em deus? Mesmo sabendo que ele vai me tirar de você?

Então foi que eu percebi que não importa onde eu esteja que eu estarei ao seu lado te protegendo. Não estarei sendo sincero dizendo que vou entender sua dor, mas não deixe que ela faça sua vida passar pelos seus olhos, nós temos amigos maravilhosos que vão te ajudar com qualquer coisa. Não estou dizendo para você superar, apenas siga em frente, viva um dia de cada vez, e quando você se sentir sozinha e só olhar para sua mão, que eu estarei segurando com toda minha força te protegendo e estando ao seu lado todo momento. Eu amo você como jamais amei ninguém, e comigo estou levando meu amor puro e invencível, que você levará junto do seu coração. Quando eu virar um anjo, eu o guardarei com toda minha força e serei eternamente seu anjo da guarda e das pequenas vidas que virão a ter esse amor consigo. Quero que você tenha as nossas boas lembranças, de nossos momentos de felicidade, onde eu via seu sorriso, chore de felicidade meu amor, não de saudade, porque a saudade dói, e se você sente dor eu também sinto. Eu estarei ao seu lado para te reerguer e tocar sua vida pra frente, mas não se esqueça de uma coisa. Eu sempre te amarei.

Com todo meu amor...

Seu anjo JaeJoong.

Quando terminei de ler a carta, não reparei que meu rosto estava seco. Não queria mais chorar, não precisava, eu sabia que ele estava ali do meu lado mesmo com essas besteiras que eu fiz nesses últimos dias. Eu apenas fui boba por não ter percebido isso antes. Eu me levantei do chão e levei a carta comigo e procurei algo a mais na caixa, e encontrei seu antigo livro, um desenho de uma criança em cima de um pequeno planeta. Eu sorri fraco e passei meus dedos pela capa e fui andando até a varanda. Desde o... acontecido, eu não tive mais noção do tempo e nem percebi que lá na frente do horizonte o sol lutava para mostrar os primeiros raios de luz do dia e expulsava a noite escura e estrelada. Fechei meus olhos e suspirei profundamente quando senti uma brisa vindo em minha direção bagunçando meu cabelo, e eu pude sentir seu cheiro me deixando arrepiada, eu suspirei mais forte e apertei a carta com o livro em meu peito,sorri.

“Jae... você pode me ouvir?”

Dois meses depois.

“Tem certeza que você está se sentindo bem?” – Jung me perguntou preocupado, e eu olhei com um sorriso sereno e toquei em seu rosto delicadamente.

“Obrigada por estar aqui comigo” – eu disse com total sinceridade, não teria mais ninguém para vir comigo a não ser que fosse Jae, ou o melhor amigo dele. “Será que vão demorar muito? Estou ficando com frio” eu ri.

Ele riu e segurou minha mão “só falta ver mais uma coisinha antes dele vir falar com você” ele respondeu sorrindo, e eu sorri de volta.

“Então...” – o médico voltou com um envelope grande, levantou seu óculos e olhou pra mim com um sorriso “Meus parabéns, são gêmeos”.

Nesse momento eu não pude descrever meu sentimento, eu apenas olhei para ele com um sorriso e senti meus olhos embaçarem com lágrimas, e apertei minha mão fortemente com a de Jung. Se ele sabia mesmo, ele estava ali do meu lado tão feliz como eu. Eu fechei meus olhos, e senti como se Jae estivesse do meu lado, segurando minha mão.

Fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!