Don't Cry, I'm Here
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Don't cry, I'm here.
Law acordou sentindo algo molhado numa das mãos. Era o cachorro de Nami lambendo-o. Espera, o cachorro da... Nami? Num flash, as lembranças do dia anterior vieram à tona, junto com a explicação para aquele peso em seu peito. Abriu os olhos lentamente e fitou a ruiva que em, algum momento da noite anterior, escorregara.
- Chopper, não é? – Perguntou baixinho para não acordar a garota – Faça silêncio. – Murmurou, quando o cachorro, em resposta, latiu.
Trafalgar olhou em volta, estava na casa dela. Lembrou-se de tudo. Da cena no refeitório, da imagem de Nami encolhida e chorando. Recordou também da cara de frustação da ruiva, dos olhos chorosos, o rosto corado, a voz embargada, o desespero com que aceitara o abraço, a tristeza emanando de seus gestos e a solidão estampada em todo seu ser. E o futuro médico soube, naquele momento de reflexão, que não queria vê-la assim. Sentir a jovem se mexer ao seu lado foi o suficiente para acordá-lo por completo.
-... Chopper? – Ela questionou, olhando para o cachorro que pulou em seu colo.
- Bom dia, dorminhoca-ya.
- Law! – Exclamou – Então não foi um sonho.
- Costuma sonhar comigo? – Ele perguntou divertido, recebendo uma almofada na cara.
- Idiota! Claro que não, apenas acho estranho o fato de você estar aqui. – Ela separou o abraço – Você não tem que voltar pra casa?
- Não tem ninguém me esperando em casa. E o Bepo sabe se cuidar.
-... Bem, então... – Nami corou um pouco, querendo falar algo, mas não conseguindo.
- Então...?
- Fique para o café.
- Se era só pra me pedir isso, não precisava corar, Nami-ya. – Riu um pouco antes de erguer a mão para evitar que a almofada o acertasse novamente – É rude tratar as visitas assim.
- Você é minha exceção. – A ruiva levantou e foi em direção à cozinha – Venha, vou fazer onigiri, já que você não gosta de pão.
- Como sabe que eu não gosto de pão? – Indagou a seguindo.
- Nunca vi você comendo pão. E uma vez, quando a víbora te ofereceu um sanduíche, você recusou e olhou para o pão como se ele fosse o próprio demônio.
- Você é bem observadora.
- Isso já me ajudou muito. – Nami comentou com a mente longe, lembrando-se da cena de Boa e Trafalgar. Aquilo a incomodara, e não sabia o motivo. Afinal, ela e Law eram... Amigos? Rivais? A ruiva não sabia dizer.
- Nami-ya. – Traffy parou em sua frente e colocou as duas mãos no rosto dela, o erguendo e fazendo com que ela olhasse diretamente para seus olhos cinza – Vamos, erga a cabeça e olhe para mim. – Ela obedeceu, e ele pôde ver novamente a tristeza em seus olhos castanhos como chocolate – Você está com medo do que, exatamente?
- De tudo. Da reação das pessoas, da Boa, de olhar para Luffy e querer perdoá-lo.
- E você não quer?
- Quero entender a história, mas não tenho coragem nem força pra olhar naqueles olhos negros e perguntar.
- Ei, ouça bem. – Law aproximou os rostos um pouco, quase encostando as testas – Nami-ya, já conheci milhares de garotas, mas sabe por que eu sempre procurei provocar você?
- Porque você é sádico. – Ele riu de leve com o comentário típico.
- Também. – Concordou – Mas também porque você é diferente. Esquentada, atrevida, corajosa, forte, irritante, vivaz! Você emana vontade de viver, é por isso que todos gostam de você. Nami-ya, diferente das outras, você não tem aquele preocupação com a aparência, apesar de parecer ter um guarda-roupa do tamanho do mundo. Você não precisa de ninguém te dizendo o que deve fazer, pois tem atitude para dar, vender, doar e ainda sobra!
- Você está errado.
- Nunca estive tão certo em minha vida, Nami-ya.
- Eu não entendo bem o porquê de você estar aqui me dizendo essas coisas, mas obrigada, Law. – Abraçou-o. Porém o clima foi quebrado com o pulo de Chopper sobre o casal – Chopper!
O0o0o0o Casa da Boa o0o0o0O
- Aquela vaca vai ver! – Disse comendo de um modo voraz.
- Hancock, você vai engasgar. – Kuro a repreende, ajeitando os óculos pela enésima vez.
- Deixe-me em paz!
- Você é quem manda.
O0o0o0o Casa do Luffy o0o0o0O
- Vamos repassar mais uma vez? – Ace indagou.
- Tá, vai logo. – Luffy resmungou.
- Qual é a primeira coisa que você vai fazer hoje?
- Procurar a Hancock e dizer umas verdades.
- Ótimo, e depois?
- Procurar a Nami e resolver as coisas.
- E depois?
- Procurar manter distância da Hammock, não arrumar briga com Traffy e ficar do lado de Nami.
- Perfeito! Merece o prêmio Nobel. Vamos?
- HAAAAIII! EU VOU SER O DONO DA GAMES&GAMES!
- A maior loja de games do mundo? Boa sorte com isso. – Saiu de casa com o irmão.
O0o0o0o Casa da Nami o0o0o0O
- Já voltou? – Ela questionou, surpresa com a rapidez do rapaz. Nami declarara que iria tomar um banho para depois enfrentar a escola, e Law disse que ia aproveitar para passar em casa. Mesmo com todos os protestos da ruiva, Trafalgar insistiu em acompanha-la até a instituição – Que rápido.
- Você quem demorou no banho. – Ele respondeu, olhando-a de cima a baixo – É impressão ou seu uniforme está menor?
- Esse é meu uniforme antigo, o deixei de lado quando comecei a namorar. Agora que não sou mais comprometida, não faz mal voltar a usá-lo, não é? Por quê? Ficou feio?
- Muito pelo contrário. – Traffy observou a roupa dela atentamente. A saia que ia até o meio das coxas, a camisa com alguns botões de cima abertos, provavelmente por causa do busto da moça, as meias até os joelhos, e os sapatos. Exatamente como a vira pela primeira vez, uns dois anos antes – Está muito bonita, Nami-ya. – Estendeu o braço para ela.
- Vamos então, antes que eu mude de ideia. – Pegou a bolsa e saiu de casa, trancando a porta. Os dois foram para a escola juntos e de mãos dadas.
Notas finais
Kurara Black
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