Dont Blink

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Boa leitura!

Jade acordou assustada e confusa, mas se acalmou um pouco quando percebeu que estava em sua cama. Foi tudo um sonho, ela pensou, um longo sonho ruim.

Ela estava deitada de bruços e se virou, se arrependendo logo depois quando a dor lancinante a atingiu. Jade se sentou quase imediatamente, pousando a mão sobre sua escápula esquerda e percebendo que estava enfaixada.

Antes que ela pudesse entrar em pânico ou ao menos constatar que o que acontecera com sua irmã não fora um pesadelo seu, alguém entrou no quarto em passos lentos.

-Oh, você acordou. – A voz grave de Dean assustou-a um pouco e ela se encolheu na cama. – Aquele demônio te pegou de jeito. Você perdeu muito sangue, mas por sorte minha chefa tinha me ensinado algo sobre curativos e ataduras em humanos.

-Então aquilo tudo foi verdade? – Jade perguntou em meio a uma respiração. Seu coração batia forte em sua caixa torácica e ela tinha quase certeza que Dean podia ouvi-lo mesmo estando parado a alguns metros de distancia.

-Você pensou que foi um sonho? – A voz de Dean carregava um sorriso, mas seu rosto não dizia o mesmo. Ele estava surpreso. Jade assentiu e ele suspirou. – Infelizmente não foi. Foi tudo realidade.

-Por que isso aconteceu? – Jade perguntou chorosa, abraçando as próprias pernas. – Por que minha irmã tinha que morrer? Por que você teve que matar ela?

-Ela estava possuída. – Dean soltou e Jade o encarou. – Por um demônio Possuidor. Ela iria morrer de uma forma ou de outra.

Jade riu o que surpreendeu Dean. Não era todos os dias que uma pessoa ria quando alguém dizia que sua irmã foi possuída por um demônio, mas Dean não podia dizer isso com certeza. Essa era a primeira vez que ele dizia isso para qualquer pessoa.

-Você é maluco! – Jade soltou e pulou da cama, vacilando quando sua cabeça rodou, mas conseguiu se manter em pé. – Você matou minha irmã e quer me matar também!

Em um movimento surpreendentemente rápido para ambos, Jade abriu a gaveta do criado mudo e tirou de lá uma pistola, segurando-a longe do corpo com a mão direita apenas, e a apontando direto para o peito de Dean, que logo se alarmou.

-Wow, garota! – Ele levantou os braços em redenção. – Você sabe usar essa coisa?

-Saia daqui antes que eu faça uma besteira! – Ela gritou e Dean começou a andar de costas lentamente.

Jade o seguiu sem vacilar com a pistola apontada para seu peito. Ela não queria demonstrar, mas estava com medo daquele homem. Ela o havia visto enfiar uma adaga na cabeça de sua irmã – mesmo que ela estava tentando mata-la esfaqueada e tinha algo inexplicável em seus olhos – e agora ele estava falando sobre demônios como um padre ou um pastor.

Os dois caminharam até a sala na mesma posição e ela se assustou ao chegar à sala e não ver o corpo de Jasmine onde ele deveria estar. Pânico e raiva tomaram conta dela.

-Jasmine – Ela gritou para Dean. Seu braço começava a tremer e ele se amaldiçoou por aquilo, mas preferiu demonstrar aquela fraqueza a ficar de guarda abaixada perto daquele homem. – Onde ela está? O que você fez com minha irmã?

-Os demônios costumam levar os corpos das pessoas junto com eles ao saírem totalmente do corpo. – Ele disse o mais calmo que pôde. Não por ter uma arma apontada para ele, mas sim por não estar tendo sucesso com seu trabalho e, se ele não saísse bem sucedido nessa missão, Megan o jogaria no inferno junto com o demônio que ele matou na noite anterior.

-Você continua com isso? – Jade fez uma carranca incrédula e seus olhos se encheram por pura frustração. Quando ela pensou ter chegado ao fundo do poço, a vida dela deu uma reviravolta e ela caiu ainda mais. – O que você quer? É dinheiro que você quer? Me desculpe, mas eu não tenho dinheiro, se você ainda não percebeu pela minha casa. Eu sou vendedora numa loja de roupas. Mal tenho dinheiro para pagar as contas da casa. Ou você quer me enlouquecer? Se for isso, acho que você está sendo bem sucedido! Ou você quer...

-Eu só quero te ajudar! – Ele interrompeu a tagarelice nervosa da outra com um grito. – Eu só quero te ajudar, Jade. – Sua voz agora era branda já que a garota prestava atenção nele. – Você viu o que aconteceu aqui ontem. Aquele demônio... Ele não vai ser o único a te procurar. Você tem uma coisa que... Um cara realmente mal quer.

-E quem você é? Luke Skywalker? Está lutando contra Darth Vader também? – Ela riu sem humor. – Eu não tenho medo de historinhas de terror. Não tenho mais seis anos de idade, Dean. Se é que esse é o seu nome mesmo.

-Se não tem medo de “historinhas de terror” – Ele fez aspas com os dedos. – por que se nega tanto a acreditar no que está realmente acontecendo?

-Por que é loucura! – Ela choramingou. Estava confusa, cansada, assustada. A situação que ela se encontrava conspirava para leva-la a um estado de desorientação maior do que nunca esteve.

-Você sabe que não é. – Ele disse mais seguro agora, que tinha percebido que a garota estava confusa. – Você sabe o que vê, e o que você viu aqui ontem não foi loucura, e nem um efeito de drogas na Jasmine. Ela estava possuída.

-Eu não acredito em você! – Jade gritou a plenos pulmões, arfando logo depois. A sensação era de ter escalado uma montanha sem parar para descansar.

O grito de Jade rebateu nas paredes da sala, fazendo os pelos de Dean se eriçarem, e por pouco, o som do telefone tocando não foi ouvido por nenhum dos dois.

Ela rodou os olhos pela sala, perdida em sua própria casa, em busca do telefone, o encontrando em uma mesinha de tampo de vidro que formava o conjunto com outra mesinha igual a ela e a mesinha de centro da qual Jade foi jogava em cima, na noite passada. Dean estava parado ao lado da mesinha e alternava seu olhar entre Jade e o telefone.

-Não vai atender? – Dean perguntou a Jade, apontando para o telefone.

-Eu não vou me aproximar de você. – Ela falou como se Dean fosse uma pilha de lixo fedido.

Ele assentiu e então de abaixou lentamente, sem tirar os olhos da mulher que empunhava uma pistola apontada na sua direção, esperando que ela entendesse sua intenção. Apertou no botão vermelho na base do telefone e se aprumou, deixando quem quer que fosse falar.

-Vejo que ele já derramou seu sangue, pequena Jade. Por que não confias nele? Tu sabes que sua única salvação será ele. Mas para ser salva, terá que pagar um preço. – Uma voz rouca e melódica saiu do telefone, enchendo a sala. Aquela voz era familiar para Jade, mesmo ela tendo certeza que nunca tinha a ouvido em sua vida. Não parecia uma voz humana qualquer e aquilo a assustou.

-Quem é você? – Ela gritou para o telefone, tentando disfarçar seu medo, mas falhando. – Quem está falando? – Ao invés de uma resposta vinda do homem da voz tão bonita e tão assustadora ao mesmo tempo, Jade recebeu como resposta o som da linha para chamadas encerradas.

-Era o L. – Dean foi quem respondeu pelo homem. – É disso que estou falando. Se você não confiar em mim, ele irá mandar outros de seus Possuidores, ou quem sabe Caídos, para ter o que ele quer. Sua vida e suas visões.

-E como eu posso saber que você não está com ele? — Jade estava na dúvida. Ela não confiava em Dean, mas aquele homem do telefone a assustava mais que a morte. – Como posso saber que isso não é uma conspiração contra mim?

Dean sorriu, tendo a certeza que dessa vez iria convencer a mulher de que ele não era o vilão e que não queria a machucar.

-Talvez eu não possa te convencer, mas eu conheço uma pessoa que pode.

***

Dean e Jade andavam apressados pela rua. A chuva atingia suas cabeças sem pena, mas eles não pareciam se importar. Tudo o que Dean queria era levar Jade para a casa de sua chefa e assim, Megan poderia convencer Jade que tudo o que o outro falara era verdade.

Entraram no hall do prédio apressadamente, caminhando direto para as escadas e ignorando o elevador antigo. Aquela porcaria nunca funcionava mesmo!

-A minha amiga mora aqui. – Jade tagarelou sem realmente se importar se Dean estava a escutando ou não. Na verdade, ela estava nervosa e ainda um pouco assustada e com medo do homem ao seu lado. Sem querer, ela relembrava a imagem dele enterrando uma adaga no meio da testa de Jasmine todas as vezes que um fio de confiança se formava dentro dela, a deixando sempre na defensiva. – Se eu soubesse que sua amiga morava aqui, eu poderia ter vindo sozinha.

-Eu não seria maluco de deixar você andar por aí sozinha em uma cidade cheia de Caídos, Possuidores e Deus sabe lá quais outros tipos de demônios que vivem por aqui. – Dean respondeu um pouco mal-humorado. – De qualquer maneira, se você chegasse aqui sozinha, minha amiga ficaria brava comigo.

-Por quê? Você é algum tipo de guarda-costas?

Dean não respondeu, pois eles tinham acabado de parar na frente de uma das portas do terceiro andar. Ele rapidamente tirou uma chave do bolso e a enfiou na fechadura, abrindo a porta.

-Você tem uma cópia da chave da porta da Megan? – Jade estava parada no corredor a dois passos de distancia do homem, incrédula e receosa. – Ok. O que você é? Você não me trouxe aqui para saquear minha melhor amiga, trouxe?

-Claro que não. – Ele a segurou pelo pulso e a puxou para dentro do apartamento. – Vamos, entre logo! Estou perdendo minha paciência com você.

Jade não teve escolha a não ser entrar no apartamento de sua amiga, e logo alguém estava gritando seu nome de algum lugar da casa e depois esse mesmo alguém se atirava em cima dela, a esmagando em um abraço inesperado.

-Ainda bem que esse incompetente fez alguma coisa boa pelo menos uma vez em sua existência. – Megan murmurou ainda com a cabeça enterrada no ombro de Jade.

-Um “muito obrigada” bastaria. – Dean resmungou, indo até a cozinha do apartamento em passos despreocupados.

-Você não fez mais que sua obrigação. – Megan resmungou de volta, soltando Jade do abraço.

-Do que vocês estão falando? – Jade estava tonta com a situação que se encontrava. Sua melhor amiga conhecia aquele homem? – Alguém pode me explicar o que está acontecendo?

Megan prendeu a respiração e Dean voltou para a sala sem pegar o que quer que seja que tinha ido pegar no outro cômodo. Megan se virou para ele, trocando um olhar que dizia mais do que palavras. Ele assentiu, mesmo sabendo que a outra faria o queria sem precisar de seu consentimento.

Estava na hora da verdade.

Notas finais
Até a próxima (: