Dons

2 Capítulo 2 - Mitos


Chego à escola, tudo parece estar normal. Tenho aquela sensação de que tive um sonho, mas não sei exatamente do que se trata. Somente imagens me vem de relance em minha mente.

–Bom dia! -Diz Bay. –Como foi o resto do dia de ontem?

–Normal. –Respondo. –Acho que tive um sonho, mas não sei o que foi.

–Vindo de você deve ter sido algum sonho pervertido com garotos! –Responde ela sorrindo.

–Se você esta dizendo, não posso fazer nada, mas se tiver sido tomara que o cara tenha sido com um garoto gato. -Respondo rindo.

–Phoby. –Diz Bay, fazendo com que minha atenção seja dela, já que eu estava tentando lembrar com o que sonhei. –Ayla e Molly, não irão vir hoje para a escola.

–Por quê?

–Elas disseram que iriam para algum lugar, não sei exatamente onde, mas foram.

–Humm, elas foram praticar lesbianidade. –Digo rindo.

–Talvez. –Diz Bay olhando para algo mais interessante do que eu, que está atrás de mim. –Se eu fosse você olhava para trás.

–O que tem de tão interessante assim? –Respondo, virando para ver o que quer que seja, porém curiosa, e vejo o rapaz mais estonteante que possa existir na Terra. –Uau. – É apenas o que consigo dizer.

–Ele é bonito. –Diz Bay, com um sorrisinho.

–Bonito? Ele é hiper gato! –Digo, olhando para o rapaz que pode ter cerca de 1,90 m, branco com os olhos puxados e escuros. O cabelo do mais profundo preto. Sua roupa? Sua roupa, também. Botas, calças jeans rasgadas nos locais ideais, uma camisa colada, mas largada. Porém por trás de tudo isso, sinto algo familiar nele. Encaro-o dos pés a cabeça. Nos olhos. Ele vem caminhando em nossa direção.

–Oi. –Diz ele. Sorrindo e oferecendo a mão, somente para Bay. –Meu nome é Kaylan, sou transferido, e não sei onde fica a secretaria. Podem me ajudar?

–Oi. –Responde Bay logo. –Eu sou Bay, e essa é a Phoby.

–Oi. –Digo, um pouco enciumada.

–Eu não posso, tenho alguns trabalhos para fazer. –Responde Bay. –A Phoby pode.

–Tudo bem. –Diz ele, acho que notei certa tristeza na sua voz.

–Vem. –Digo isso, para que ele possa me seguir.

Passamos pelo pátio, e alguns corredores. Durante todo o tempo não falamos nada. Apenas caminhamos. Não sei como, mas sinto que o conheço de algum lugar.

–Chegamos. –Digo.

–Obrigada por ter me ajudado. -É o que ele responde.

–Bem, se você precisar de ajuda, eu e Bay estamos sempre na biblioteca.

–Tudo bem, mas acho que não vou mais precisar.

–Ok.

Kaylan entra na secretaria e eu vou para minha classe. Quando entro em minha sala de aula, o professor já havia chegar e iniciado a aula.

–Por que está atrasada, Phoby? –Pergunta o professor.

–Desculpe, eu estava ajudando o garoto novato. –Respondo.

–Tudo bem. Sente-se, estávamos falando sobre lendas, e a turma escolheu falar sobre pessoas que controlam os elementos. Você sabe de algo a respeito, Phoby?

–Sei o que aprendi em Avatar a lenda de Aang.

Meus colegas de classe riem.

–Muito bem, sua engraçadinha. –Retruca o professor. –Essa história de controlar elementos origina-se de muitos mitos. Mitologia Grega, por exemplo, os deuses tinham poderes, Poseidon, o senhor dos Mares, controla a água. Hefestos, o ferreiro dos deuses, tinha habilidades de construção, seus filhos semideuses, alguns podem controlar o fogo. E por ai vai. Muitas são as lendas sobre os controladores de elementos da natureza. E quem aqui não queria controlar algum elemento? –Pergunta ele para todos da classe. –Eu gostaria de controlar a terra.

–Por quê? –Pergunta Lily, nossa ex-líder de classe.

–Bem. –Responde o professor Paul. — Eu gosto da terra, é dela que tiramos tudo o que precisamos.

O sinal toca.

–Muito bem turma. A aula de hoje foi agradável. Podem sair.

Todos os alunos saem da sala. Eu continuo na sala de aula, para organizar minha mesa. Levo um susto quando Bay grita “Bú!” no meu ouvido.

–Bay! Você quer me matar? Sabe que não gosto de sustos. Sempre fico com soluço depois.

–Foi mal. — Desculpa-se. –Mas foi divertido. Diga-me, como foi a excursão com o... Como é mesmo o nome dele? Kaio, Karlos.

–Kaylan.

–Humm, já sabe o nome dele. –Diz Bay sorrindo.

–Para garota. –Digo rindo. –É só que o nome dele é bonito.

–E o garoto que o leva, também não é?

–Ele não é bonito. Ele é deslumbrante. –Respondo sorrindo.

–Vem. Vamos comer. –Bay me puxa pelo braço, para podermos comer alguma coisa.

–Bay. Se você pudesse controlar algum elemento, qual seria?

–Eu gostaria que fosse o vento. –Responde.

–Por quê?

–Sei lá. Acho que assim eu poderia criar uma nuvem que me levasse para qualquer lugar que me desse vontade. E você?

–Eu não sei. Eu gostaria de controlar todos. Acho que todos são magníficos. Mas como seria apenas um, eu queria controlar o fogo.

–Sério?

–Sim. Não sei o porquê, mas seria o fogo. Mudando de assunto, a família Bloom, mudou-se.

–Eles saíram daquela mansão? –Pergunta Bay. Ela gostava dos Bloom.

–Sim. Mas na verdade não era isso que eu iria falar.

–E o que era?

–Vamos à livraria, no sábado?

–Claro. Vou ligar para Molly e Ayla.

–Tudo bem.

Caminhamos até a cantina, para deixarmos nossos pratos e voltamos para a sala de aula.